É o que são todos, afinal. Os países, os homens, o mundo. Grandes, sim,
nas palavras falsamente piedosas, ou nas acções realisticamente ímpias, de que
é palco este mundo, no espanto do espectáculo que fornece, sobretudo quando se
julga cimeiro. Ao menos as histórias infantis ensinavam que os maus são
castigados, mas era gente piedosa que escrevia essas coisas ditadas por uma
falsa moral, só verdadeira, de facto, nas ditas histórias. Os poderosos – em
força e em imoralidade, traduzida esta, num desempenho sorridente e delicado –
pelo menos na pose – avançam por esse mundo, sempre em busca de mais poder,
como vamos vendo, encolhidamente. Na verdade, o que se lê nos escritos de
moralidade – os maus da fita naturalmente punidos - corresponde apenas a falsos
estímulos para uma virtude falseada, em que os maus da fita abarcam sempre mais
espaço para os seus fitos felinos. E sempre sorridentes, sem obstáculos em seu
redor, sem pejo no seu sorrir, na cadeira mansa da sua vaidade impante. E
decididamente impune.
Kaja Kallas defende que acordo de paz
deve limitar o exército russo e não o ucraniano
História de Jorge
Liboreiro
A Alta Representante Kaja Kallas
presidiu à reunião na quarta-feira.© European Union, 2025.
Qualquer acordo de paz que ponha fim
à guerra da Rússia contra a Ucrânia deve impor obrigações ao agressor, e não à vítima, para evitar que a
invasão se repita no futuro, afirmou a Alta Representante, Kaja Kallas, num
momento em que prossegue a caótica tentativa de acordo liderada pelos EUA.
Desde a divulgação do
controverso projecto de plano dos EUA na semana passada, os europeus cerraram
fileiras para ajudar Kiev a aperfeiçoar o conteúdo e garantir condições mais
favoráveis.
Após conversações de alto nível
em Genebra, no domingo, a Ucrânia e os EUA chegaram a um texto modificado, que
ainda não foi divulgado na íntegra, mas que já encontrou resistência por parte
da Rússia. As questões mais sensíveis foram deixadas em aberto enquanto se aguarda uma reunião
presencial entre os presidentes Volodymyr
Zelenskyy e Donald Trump.
Os governos europeus e a UE insistem
que qualquer acordo de paz deve permitir à Ucrânia organizar livremente as suas
forças armadas, actualmente estimadas entre 800 mil e 850 mil homens.
"Sempre
dissemos que é um direito soberano de cada país decidir o tamanho das suas
forças armadas e é por isso que não devemos cair na armadilha que a Rússia está
a criar ao falar em limitar o exército ucraniano", disse
Kallas.
"Só
podemos representar fortemente os nossos interesses europeus se formos capazes
de falar a uma só voz e apresentar o nosso próprio plano", disse
Beate Meinl-Reisinger, da Áustria.
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sobre a Ucrânia: "Europa
deve manter a pressão sobre a Rússia", afirma von der Leyen
A reunião virtual de
quarta-feira faz parte de um esforço diplomático dos europeus para reafirmarem
a sua voz na cadeia de acontecimentos em rápida evolução. Os líderes da UE
realizaram uma cimeira informal na
segunda-feira e a "Coligação da Boa Vontade" reuniu-se online
na terça-feira.
O presidente francês Emmanuel Macron, que copreside a coligação,
apelou a um exército ucraniano "forte" e sem "limitações".
Macron também reiterou a ideia de
colocar uma força multinacional em solo ucraniano após o fim da guerra.
"A Ucrânia tem tido a sua
quota-parte de promessas que foram quebradas pelas sucessivas agressões russas
e são necessárias garantias reais e sólidas", afirmou.
Kallas
afirmou que a UE irá dar "contributos importantes" para as garantias
de segurança, fornecendo financiamento, formação e apoio à indústria de defesa.
Mas acrescentou que estas garantias "não alteram o facto de a ameaça ser a
Rússia".
"A Rússia é a principal
ameaça à segurança europeia", acrescentou. "Se a agressão compensar,
servirá como um convite para recorrer à agressão novamente e noutros locais. E
essa é a ameaça para toda a gente no mundo, especialmente para os países
pequenos", afirmou.
"E na Europa, como disse
Paul-Henri Spaak, existem apenas dois tipos de países: os países pequenos e
aqueles que ainda não se aperceberam que são países pequenos".
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