quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Países pequenos

 

É o que são todos, afinal. Os países, os homens, o mundo. Grandes, sim, nas palavras falsamente piedosas, ou nas acções realisticamente ímpias, de que é palco este mundo, no espanto do espectáculo que fornece, sobretudo quando se julga cimeiro. Ao menos as histórias infantis ensinavam que os maus são castigados, mas era gente piedosa que escrevia essas coisas ditadas por uma falsa moral, só verdadeira, de facto, nas ditas histórias. Os poderosos – em força e em imoralidade, traduzida esta, num desempenho sorridente e delicado – pelo menos na pose – avançam por esse mundo, sempre em busca de mais poder, como vamos vendo, encolhidamente. Na verdade, o que se lê nos escritos de moralidade – os maus da fita naturalmente punidos - corresponde apenas a falsos estímulos para uma virtude falseada, em que os maus da fita abarcam sempre mais espaço para os seus fitos felinos. E sempre sorridentes, sem obstáculos em seu redor, sem pejo no seu sorrir, na cadeira mansa da sua vaidade impante. E decididamente impune.

 

Kaja Kallas defende que acordo de paz deve limitar o exército russo e não o ucraniano

História de Jorge Liboreiro

 

A Alta Representante Kaja Kallas presidiu à reunião na quarta-feira.© European Union, 2025.

Qualquer acordo de paz que ponha fim à guerra da Rússia contra a Ucrânia deve impor obrigações ao agressor, e não à vítima, para evitar que a invasão se repita no futuro, afirmou a Alta Representante, Kaja Kallas, num momento em que prossegue a caótica tentativa de acordo liderada pelos EUA.

Desde a divulgação do controverso projecto de plano dos EUA na semana passada, os europeus cerraram fileiras para ajudar Kiev a aperfeiçoar o conteúdo e garantir condições mais favoráveis.

Após conversações de alto nível em Genebra, no domingo, a Ucrânia e os EUA chegaram a um texto modificado, que ainda não foi divulgado na íntegra, mas que já encontrou resistência por parte da Rússia. As questões mais sensíveis foram deixadas em aberto enquanto se aguarda uma reunião presencial entre os presidentes Volodymyr Zelenskyy e Donald Trump.

Os governos europeus e a UE insistem que qualquer acordo de paz deve permitir à Ucrânia organizar livremente as suas forças armadas, actualmente estimadas entre 800 mil e 850 mil homens.

"Sempre dissemos que é um direito soberano de cada país decidir o tamanho das suas forças armadas e é por isso que não devemos cair na armadilha que a Rússia está a criar ao falar em limitar o exército ucraniano", disse Kallas.

"Só podemos representar fortemente os nossos interesses europeus se formos capazes de falar a uma só voz e apresentar o nosso próprio plano", disse Beate Meinl-Reisinger, da Áustria.

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A reunião virtual de quarta-feira faz parte de um esforço diplomático dos europeus para reafirmarem a sua voz na cadeia de acontecimentos em rápida evolução. Os líderes da UE realizaram uma cimeira informal na segunda-feira e a "Coligação da Boa Vontade" reuniu-se online na terça-feira.

O presidente francês Emmanuel Macron, que copreside a coligação, apelou a um exército ucraniano "forte" e sem "limitações". Macron também reiterou a ideia de colocar uma força multinacional em solo ucraniano após o fim da guerra.

"A Ucrânia tem tido a sua quota-parte de promessas que foram quebradas pelas sucessivas agressões russas e são necessárias garantias reais e sólidas", afirmou.

Kallas afirmou que a UE irá dar "contributos importantes" para as garantias de segurança, fornecendo financiamento, formação e apoio à indústria de defesa. Mas acrescentou que estas garantias "não alteram o facto de a ameaça ser a Rússia".

"A Rússia é a principal ameaça à segurança europeia", acrescentou. "Se a agressão compensar, servirá como um convite para recorrer à agressão novamente e noutros locais. E essa é a ameaça para toda a gente no mundo, especialmente para os países pequenos", afirmou.

"E na Europa, como disse Paul-Henri Spaak, existem apenas dois tipos de países: os países pequenos e aqueles que ainda não se aperceberam que são países pequenos".

 

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