Num linguajar sinistro de cinismos.
Uma "lista de desejos"
russa ou uma proposta dos EUA? O "caos" em redor das negociações do
acordo de paz para a Ucrânia
Secretário
do Exército eleito por JD Vance apresentou ultimato a Zelensky, mas Rubio tentou
acalmar ânimos na Suíça. Senadores afirmaram que acordo era "lista de
desejos" russo, mas Casa Branca negou.
JOSÉ CARLOS DUARTE TEXTO
OBSERVADOR, 24 nov. 2025, 22:4810
ÍNDICE
Como JD Vance terá tentado pressionar a Ucrânia a
aceitar o acordo
“Lista de desejos russa”? A polémica do fim de semana
A tensão dentro dos republicanos e o novo plano com 19
pontos
Miami, outubro de 2025. Naquela cidade da Florida, Steve
Witkoff, o enviado especial da presidência norte-americana para as Missões de
Paz, Jared Kushner, o genro de Donald Trump, e Kirill Dmitriev, o
negociador do Kremlin que gere o fundo soberano da Rússia, reuniram-se em
segredo. Terá sido naquele
encontro que estes três homens delinearam o plano de paz de 28 pontos apresentado
à Ucrânia nos últimos dias. O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA)
terá sido informado, mas de forma superficial sobre o assunto.
O
chefe de Estado norte-americano deu luz verde para que o
marido da filha Ivanka e o seu enviado especial — amigo de longa data —
negociassem com Kirill
Dmitriev o plano de paz em Miami. “Disseram-lhe
[a Donald Trump] ‘vamos tentar fazer um acordo’. ‘Óptimo, vamos ver o que conseguem fazer’. E isso é nível de detalhe que
ele tem”, descreveu uma fonte próxima da presidência ao Washington Post, acrescentado que os últimos dias têm sido
marcados pelo “caos”. “Há diferentes partes da Casa Branca que não sabem o
que está a acontecer. É desconcertante.”
Da parte da Ucrânia, Rustem
Umerov, ex-ministro da Defesa e actual secretário do Conselho de Defesa e
Segurança Nacional, esteve em Miami
dias depois de Kirill Dmitriev. Num encontro em que também estava um
dirigente do Qatar, o dirigente ucraniano terá dado algum feedback sobre
o plano. E essas
recomendações terão sido tomadas em consideração. Steve Witkoff e Jared Kushner apresentaram a proposta ao
Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. “Eles tentaram ler por telefone ao
Presidente os pontos do plano, mas isso não é fácil fazer por telefone”, confessou fonte ucraniana à
Axios.
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▲ Steve
Witkoff e Jared Kushner GETTY IMAGES
Índice
O genro e o enviado especial do Presidente ficaram com a ideia que
tinham o aval da presidência da Ucrânia, mesmo não o tendo confirmado. As
negociações nos bastidores deviam dar um passo fundamental na passada
quarta-feira, dia 19 de novembro, quando Steve Witkoff se encontraria
com Volodymyr Zelensky na Turquia para lhe apresentar o famoso plano de paz de
28 pontos. Mas isso
não foi possível, uma vez que foi divulgado horas antes na imprensa.
O plano — interpretado pela Ucrânia e
pelos aliados como uma “capitulação” e perda de “dignidade” do país — apanhou
os ucranianos e alguns dirigentes norte-americanos desprevenidos. Vários jornais davam conta de detalhes
que Kiev sempre estipulou como linhas vermelhas: a
cedência do Donbass à Rússia (mesmo os territórios da província de Donetsk sob
controlo ucraniano), a não adesão à NATO, o facto de haver uma amnistia total
aos crimes de guerra, o russo ser instituído como língua oficial, entre outros
factores.
A Casa Branca confirmou que Steve Witkoff e o secretário
de Estado, Marco Rubio, trabalharam “em
silêncio” num plano que a porta-voz
Karoline Leavitt descreveu como sendo “aceitável para as duas partes”. No
entanto, cedo a Ucrânia veio garantir que dificilmente o ia aceitar e pedir
negociações com os Estados Unidos. Em contrarrelógio, ainda
assim, o secretário do Exército, Daniel Driscoll, foi a Kiev entregar um
ultimato a Volodymyr Zelensky: ou aceitava o plano de paz de 28 pontos ou
arriscava-se a ficar sem o apoio militar e informações das secretas
norte-americanas, essenciais para avançar no terreno e combater as tropas russas.
▲ Dan Driscoll, o homem encarregado por JD
Vance que entregou um ultimato ao Presidente da Ucrânia NurPhoto via Getty Images
Índice
Como
JD Vance terá tentado pressionar a Ucrânia a aceitar o acordo
A ida
a Daniel Driscoll terá tido a influência do vice-presidente
norte-americano, JD Vance. O número
dois da administração Trump nunca escondeu a animosidade que sente em
relação ao esforço de guerra ucraniano, sendo um dos principais intervenientes
da discussão na Sala Oval com Volodymyr Zelensky, em que acusou o Presidente
ucraniano de ingratidão.
O vice-presidente confiou no amigo de longa data — Daniel Driscoll,
com quem frequentou a Universidade de Yale — para transmitir o ultimato à
Ucrânia: ou aceitava o acordo de 28 pontos, ou perderia o apoio militar e de
partilha de informações confidenciais dos Estados Unidos. O secretário do Exército visitaria a Ucrânia a meio
de dezembro para discutir oportunidades de cooperação militar, mas a Casa
Branca deu-lhe ordens para antecipar a viagem para esta quinta-feira.
Mas na sua mensagem diária aos
ucranianos, na passada quinta-feira, Volodymyr Zelensky aproveitou
logo para avisar que a conversa com Daniel Driscoll tinha sido “muito séria”:
“O lado norte-americano apresentou as suas propostas — os pontos para acabar a
guerra —, a sua visão”. O Presidente ucraniano preferiu na altura não hostilizar
os Estados Unidos, destacando, contudo, que Kiev necessitava de uma “paz digna”
nos “termos que respeitem a independência, a soberania e a dignidade do povo
ucraniano”.
Era um aviso. O que se
seguiu no dia seguinte foi um verdadeiro teste — e o discurso ainda foi mais
dramático. Antes de falar aos ucranianos, Volodymyr
Zelensky falou precisamente com JD Vance para discutir o plano
de 28 pontos. Momentos depois da chamada telefónica, o Presidente ucraniano
deixava um alerta para os ucranianos e confirmava o ultimato norte-americano. Ou a
Ucrânia “perdia a sua dignidade ou corria o risco de perder um aliado
fundamental”.
“Apresentarei argumentos, persuadirei e
proporei alternativas“, garantiu Volodymyr Zelensky no discurso da passada
sexta-feira, admitindo que era um “dos momentos mais difíceis e de maior
pressão” da história da Ucrânia, que teria de fazer “escolhas muito difíceis”
no futuro próximo. Kiev tinha de assinar o acordo de paz de 28 pontos até
dia 27 de novembro — esta quinta-feira, dia em que se celebra o Dia de Ação de
Graças, ou então via a ajuda norte-americana a ser cortada.
Na
Europa e no Congresso norte-americano, começava a surgir alguma indignação. Os
líderes europeus, que não tinham sido avisados de nada, tentaram perceber o que
se estava a passar e reuniram-se de urgência na África do Sul, durante a
cimeira do G20, para elaborar uma contraproposta ao plano de paz
norte-americano. Muitos congressistas nos Estados Unidos e senadores, incluindo
republicanos, expressam algum choque com a forma como o assunto foi tratado.
▲ Lindsey
Graham, aliado de Donald Trump, foi um dos senadores que manifestou dúvidas
sobre o plano de 28 pontos para a Ucrânia AFP via Getty Images
Índice
Como JD Vance terá tentado pressionar a Ucrânia a
aceitar o acordo
“Lista de desejos russa”? A polémica do fim de semana
A tensão dentro dos republicanos e o novo plano com 19
pontos
No X, Lindsey
Graham — um dos maiores aliados de
Donald Trump, com o qual costuma jogar golfe — escreveu que tinha visto “muitas boas ideias” no plano
de paz entre a Rússia e a Ucrânia, que entretanto tinha sido integralmente
publicado nos órgãos de comunicação sociais ocidentais. O senador
alertava, porém, que havia “muitas áreas que eram problemáticas e que podiam
ser melhores”: “O objectivo
de qualquer acordo de paz é terminar com a guerra de forma honrada e justa — e
não criar um novo conflito”.
Na política norte-americana,
começava-se mesmo a formar um coro de críticas à forma como
principalmente Daniel Driscoll liderou com o assunto. No
X, o vice-presidente assumia já que se tratava apenas de um “esboço de paz”,
mas mandava um recado: “Existe a
fantasia de que se dermos mais dinheiro, mais armas e [aplicarmos] mais sanções,
a vitória será possível. A paz não será feita por diplomatas falhados ou
políticos que vivem na terra das fantasias. É feita por pessoas inteligentes
que vivem no mundo real”.
Esta publicação serviu como confirmação de que JD Vance esteve bastante
envolvido no processo — e tinha privilegiado um fim rápido do conflito. Na administração Trump nem todos
concordaram com a estratégia do vice-presidente — incluindo Marco Rubio, que é o chefe da diplomacia dos Estados Unidos. Ao
jornal Axios, uma fonte da presidência dos EUA lamentou que Daniel
Driscoll se tivesse “antecipado” :
“Claro que os ucranianos estão a dizer que nós os forçamos a aceitar um
acordo russo. Foi isso que se fez. Mas isso não foi verdade. Nem por
um minuto. Mas exageramos um pouco”.
"Existe a fantasia de que se dermos mais dinheiro, mais armas e
[aplicarmos] mais sanções, a vitória será possível. A paz não será feita por
diplomatas falhadas ou políticos que vivem na terra das fantasias. É feita por
pessoas inteligentes que vivem no mundo real." JD
Vance, vice-presidente norte-americano
Índice
Perante o caos e as divisões na Casa
Branca, Donald Trump convocou na sexta-feira depois alguns membros da
presidência e decidiu que houvesse uma cimeira entre os norte-americanos e os
ucranianos durante o fim de semana, que teve lugar em Genebra, na Suíça. Ainda
que tenha confirmado o prazo do ultimato — até o Dia de Acção de Graças —, o
Presidente assinalou publicamente que o plano de 28 pontos “não era o final” e
que havia espaço para concessões.
“Lista de desejos russa”? A polémica do fim de
semana
Independentemente
de ser ou não o acordo final, a Casa
Branca fazia sempre
questão de implicar Marco Rubio nestas negociações de paz. É certo que foram levadas a cabo por Steve Witkoff e Jared Kushner; mas o secretário de Estado “esteve envolvido em todo
o processo de desenvolver um plano para acabar a guerra na
Ucrânia”. Qualquer insinuação
em sentido contrário é completamente falsa”, assegurou o vice-porta-voz do
Departamento de Estado Tommy Pigott, que realçava, contudo, que o secretário de
Estado tinha de “falar com ambos os lados do conflito — por muitas vezes — e
facilitar a troca de ideias para estabelecer uma paz duradoura”.
Vários senadores e congressistas norte-americanos pediram
esclarecimentos a Marco Rubio na sequência do acordo de paz feito nas
costas dos restantes republicanos. Nesta senda, numa conferência de segurança em
Halifax, no Canadá, Mike Rounds
garantiu que a administração Trump não “foi responsável pela divulgação” do
plano “na actual forma”. “Parece
ter sido escrito em russo, para começar”.
Mike
Rounds referia-se à informação (nunca confirmada oficialmente) que já
circulava: que o acordo de 28 pontos tinha sido escrito em russo
e depois traduzido para inglês, devido às construções frásicas pouco habituais
para falantes nativos, como notou o jornal The
Guardian. Mike Rounds
e o senador independente Angus King (que também participava na mesma
conferência) ainda foram mais longe. Disseram que o plano apresentado não
era da administração, mas sim uma “lista de desejos dos russos” — e
que tinha sido informado disso através de Marco Rubio.
A
ser verdade, esta informação acabava por indiciar que os
norte-americanos tinham passado um cheque em branco aos russos sobre o
rumo da guerra na Ucrânia. Dito de outro modo, os Estados Unidos tinham concordado
em deixar o agressor escrever um acordo de paz sobre o conflito que começou em
2022 e apresentado-o ao país invadido.
Mas cedo Mike Rounds veio
retratar-se. No X, o senador republicano escreveu que “apreciou as informações do secretário Rubio nos
esforços para alcançar a paz ao alicerçar-se quer no contributo da Rússia, quer
da Ucrânia para chegar a um acordo final”. Ainda mais incisivo foi Tommy
Pigott. O vice-porta-voz do Departamento de Estado
caracterizou como “totalmente falsa” a ideia de que o acordo de 28 pontos se
tinha tratado de uma “lista de desejos russa”: “Como o secretário Rubio e a
administração disseram, este plano foi autorizado pelos Estados Unidos com
contributos dos russos e dos ucranianos”.
A tensão dentro dos republicanos e o
novo plano com 19 pontos
Entre este fim de semana e esta
segunda-feira, na Suíça, Marco Rubio reuniu-se
com a delegação ucraniana chefiada pelo poderoso chefe de gabinete da
presidência da Ucrânia, Andriy
Yermak. As
negociações terão corrido bem. “Foi
dos dias mais produtivos até agora” — adjectivou o secretário de Estado as
conversas que teve. Ao mesmo tempo, o líder da diplomacia norte-americana mostrou-se
menos exigente ao ultimato feito por Daniel Driscoll e assumiu que a
Ucrânia pode precisar de mais tempo além do Dia de Acção de Graças.
Foi mais uma viragem da administração
Trump. Depois de Steve Witkoff e Jared Kushner terem feito
um acordo para o qual JD Vance terá feito pressão para que se concretizasse, Marco Rubio
apresentava um prisma diferente — e
bastante mais conciliador com a Ucrânia. Esta tensão já se verifica há meses na Casa Branca; o
vice-presidente e o enviado especial funcionam como uma espécie de polícia
mau para os ucranianos, enquanto o secretário de Estado e o enviado especial
para a Ucrânia (Keith Kellogg, que abandonará as funções em janeiro de
2026) são os polícias bons.
Mais além da presidência, esta tensão
é transversal ao Partido Republicano. Por um lado, existe uma facção claramente que vê na Ucrânia uma
aliada valiosa, em particular os mais moderados, e olha para a Rússia com muita
desconfiança — como uma rival assumida dos Estados Unidos. Por outro, existe um
grupo de não intervencionistas que consideram que os EUA devem manter boas
relações com o Kremlin e que devem ser realistas e assumir as perdas
territoriais de Kiev.
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▲ Marco
Rubio e JD Vance têm opiniões diferentes sobre como devem apoiar a Ucrânia
ÍNDICE
A tensão
dentro dos republicanos e o novo plano com 19 pontos
É entre estes ziguezagues que
Donald Trump tem tomado as decisões na Ucrânia desde o primeiro dia do mandato.
Enquanto mantém muitas críticas à liderança ucraniana (escreveu este domingo na
Truth Social que a Ucrânia tinha demonstrado “zero gratidão” pelos esforços de
paz dos Estados Unidos), o Presidente norte-americano não defende
propriamente uma postura de abandono total da Ucrânia.
Ao mesmo tempo, o chefe de Estado também não nega que gostava de fazer negócios
com a Rússia no futuro, sendo nesse quesito apoiado por Steve Witkoff.
Esta
crise terá sido aparentemente solucionada. Os Estados Unidos estão dispostos a
ouvir os europeus e também a Ucrânia, mantendo a postura de que Kiev terá de
fazer cedências, mas também Moscovo. Aliás, segundo avançou esta segunda-feira o vice-ministro dos
Negócios Estrangeiros ucraniano Sergiy Kyslytsya, ao Financial Times o
novo esboço do plano tem 19 pontos (e não 28).
“Ficaram poucas coisas
da versão original”, detalhou Sergiy Kyslytsya, referindo que foi desenvolvido um
“sólido corpo de convergência” em
redor de “algumas coisas” em que pode haver compromissos. “O resto serão
decisões que vão precisar do aval das lideranças”, nomeadamente a questão
territorial, ainda que os ucranianos não tenham sido obrigados a tomar decisões
já sobre o Donbass e as regiões de Kherson e Zaporíjia.
▲ Sergiy
Kyslytsya, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, terá dado alguns detalhes
sobre o plano de paz acordado na Suíça Biel Alino/EPA
ÍNDICE
Como JD Vance terá tentado pressionar a Ucrânia a
aceitar o acordo
“Lista de desejos russa”? A polémica do fim de semana
A tensão dentro dos republicanos e o novo plano com 19
pontos
Adicionalmente, segundo o diplomata ucraniano, o limite de 600 mil soldados nas Forças Armadas
ucranianas em tempo de paz foi colocado de parte durante as negociações em
Genebra entre as delegações da Ucrânia e dos Estados Unidos. “Eles [norte-americanos] concordaram que o
número de soldados acordado na primeira versão não está mais em cima da
mesa. As Forças Armadas vão continuar a discutir”, disse Sergiy
Kyslytsya, assegurando que os norte-americanos ouviram com atenção os
ucranianos e demonstraram abertura: “Quase tudo o que sugerimos foi tomado em
consideração”.
A Rússia não parece ter gostado
destas movimentações. O Kremlin não tem, para já, comentários a
fazer sobre o plano de acordo de paz de 19 pontos, uma vez que ainda não foi
divulgado publicamente. De qualquer forma, os
dirigentes russos já deixaram bem claro que não vão aceitar a contraproposta da
Europa. “Tomámos conhecimento do plano europeu que, à
primeira vista, é absolutamente não construtivo, não nos convém”, disse o
conselheiro presidencial para os assuntos internacionais, Yuri Ushakov, que
admitiu, ainda assim, que a versão norte-americana podia ser a base para um
acordo futuro.
Na
administração Trump, a questão da Ucrânia continua a não ser tratada de forma
consistente. Há vozes da presidência que pretendem abandonar o apoio aos
ucranianos e querem impor uma paz rápida, independentemente das concessões,
vendo a Rússia como uma parceira para o futuro. Mas há outros dirigentes que
desconfiam do Kremlin e que preferem não abandonar não só a Ucrânia, como os
europeus à sua sorte.
Guerra na Ucrânia Ucrânia Europa Mundo Rússia Estados Unidos da
América América Presidente Trump
COMENTÁRIOS (de 13):
Vasco Oliveira: O caos absoluto, este
executivo de Trump. Um conjunto de imbecis que não têm a mínima noção do que
anda a fazer. Uma tristeza imensa aquilo em que se tornaram os EUA. Manuel
Almeida Gonçalves: Há uma fortíssima corrente
interna da administração Trump - onde tudo indica se inclui o próprio e
seguramente o Vance - que é claramente putinista. Gente perigosa, mesmo muito
perigosa.
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