terça-feira, 25 de novembro de 2025

Um mundo de perfídia


Num linguajar sinistro de cinismos.

Uma "lista de desejos" russa ou uma proposta dos EUA? O "caos" em redor das negociações do acordo de paz para a Ucrânia

Secretário do Exército eleito por JD Vance apresentou ultimato a Zelensky, mas Rubio tentou acalmar ânimos na Suíça. Senadores afirmaram que acordo era "lista de desejos" russo, mas Casa Branca negou.

JOSÉ CARLOS DUARTE TEXTO

OBSERVADOR, 24 nov. 2025, 22:4810

ÍNDICE

Como JD Vance terá tentado pressionar a Ucrânia a aceitar o acordo

“Lista de desejos russa”? A polémica do fim de semana

A tensão dentro dos republicanos e o novo plano com 19 pontos

Miami, outubro de 2025. Naquela cidade da Florida, Steve Witkoff, o enviado especial da presidência norte-americana para as Missões de Paz, Jared Kushner, o genro de Donald Trump, e Kirill Dmitriev, o negociador do Kremlin que gere o fundo soberano da Rússia, reuniram-se em segredo. Terá sido naquele encontro que estes três homens delinearam o plano de paz de 28 pontos apresentado à Ucrânia nos últimos dias. O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA) terá sido informado, mas de forma superficial sobre o assunto.

O chefe de Estado norte-americano deu luz verde para que o marido da filha Ivanka e o seu enviado especial — amigo de longa data — negociassem com Kirill Dmitriev o plano de paz em Miami.Disseram-lhe [a Donald Trump] ‘vamos tentar fazer um acordo’. ‘Óptimo, vamos ver o que conseguem fazer’. E isso é nível de detalhe que ele tem”, descreveu uma fonte próxima da presidência ao Washington Post, acrescentado que os últimos dias têm sido marcados pelo “caos”. “Há diferentes partes da Casa Branca que não sabem o que está a acontecer. É desconcertante.” 

Da parte da UcrâniaRustem Umerov, ex-ministro da Defesa e actual secretário do Conselho de Defesa e Segurança Nacional, esteve em Miami dias depois de Kirill Dmitriev. Num encontro em que também estava um dirigente do Qatar, o dirigente ucraniano terá dado algum feedback sobre o planoE essas recomendações terão sido tomadas em consideração. Steve Witkoff e Jared Kushner apresentaram a proposta ao Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. “Eles tentaram ler por telefone ao Presidente os pontos do plano, mas isso não é fácil fazer por telefone”, confessou fonte ucraniana à Axios.

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 Steve Witkoff e Jared Kushner GETTY IMAGES

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O genro e o enviado especial do Presidente ficaram com a ideia que tinham o aval da presidência da Ucrânia, mesmo não o tendo confirmado. As negociações nos bastidores deviam dar um passo fundamental na passada quarta-feira, dia 19 de novembro, quando Steve Witkoff se encontraria com Volodymyr Zelensky na Turquia para lhe apresentar o famoso plano de paz de 28 pontos. Mas isso não foi possível, uma vez que foi divulgado horas antes na imprensa. 

O plano — interpretado pela Ucrânia e pelos aliados como uma “capitulação” e perda de “dignidade” do país — apanhou os ucranianos e alguns dirigentes norte-americanos desprevenidosVários jornais davam conta de detalhes que Kiev sempre estipulou como linhas vermelhas: a cedência do Donbass à Rússia (mesmo os territórios da província de Donetsk sob controlo ucraniano), a não adesão à NATO, o facto de haver uma amnistia total aos crimes de guerra, o russo ser instituído como língua oficial, entre outros factores.

A Casa Branca confirmou que Steve Witkoff e o secretário de Estado, Marco Rubio, trabalharam “em silêncio” num plano que a porta-voz Karoline Leavitt descreveu como sendoaceitável para as duas partes”. No entanto, cedo a Ucrânia veio garantir que dificilmente o ia aceitar e pedir negociações com os Estados Unidos. Em contrarrelógio, ainda assim, o secretário do Exército, Daniel Driscoll, foi a Kiev entregar um ultimato a Volodymyr Zelensky: ou aceitava o plano de paz de 28 pontos ou arriscava-se a ficar sem o apoio militar e informações das secretas norte-americanas, essenciais para avançar no terreno e combater as tropas russas.

 Dan Driscoll, o homem encarregado por JD Vance que entregou um ultimato ao Presidente da Ucrânia  NurPhoto via Getty Images

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Como JD Vance terá tentado pressionar a Ucrânia a aceitar o acordo

A ida a Daniel Driscoll terá tido a influência do vice-presidente norte-americano, JD Vance. O número dois da administração Trump nunca escondeu a animosidade que sente em relação ao esforço de guerra ucraniano, sendo um dos principais intervenientes da discussão na Sala Oval com Volodymyr Zelensky, em que acusou o Presidente ucraniano de ingratidão.

O vice-presidente confiou no amigo de longa data — Daniel Driscoll, com quem frequentou a Universidade de Yale — para transmitir o ultimato à Ucrânia: ou aceitava o acordo de 28 pontos, ou perderia o apoio militar e de partilha de informações confidenciais dos Estados Unidos. O secretário do Exército visitaria a Ucrânia a meio de dezembro para discutir oportunidades de cooperação militar, mas a Casa Branca deu-lhe ordens para antecipar a viagem para esta quinta-feira.

Mas na sua mensagem diária aos ucranianos, na passada quinta-feira, Volodymyr Zelensky aproveitou logo para avisar que a conversa com Daniel Driscoll tinha sido “muito séria”: “O lado norte-americano apresentou as suas propostas — os pontos para acabar a guerra —, a sua visão”. O Presidente ucraniano preferiu na altura não hostilizar os Estados Unidos, destacando, contudo, que Kiev necessitava de uma “paz digna” nos “termos que respeitem a independência, a soberania e a dignidade do povo ucraniano”.

Era um aviso. O que se seguiu no dia seguinte foi um verdadeiro teste — e o discurso ainda foi mais dramático. Antes de falar aos ucranianos, Volodymyr Zelensky falou precisamente com JD Vance para discutir o plano de 28 pontos. Momentos depois da chamada telefónica, o Presidente ucraniano deixava um alerta para os ucranianos e confirmava o ultimato norte-americano. Ou a Ucrânia “perdia a sua dignidade ou corria o risco de perder um aliado fundamental”.

 “Apresentarei argumentos, persuadirei e proporei alternativas“, garantiu Volodymyr Zelensky no discurso da passada sexta-feira, admitindo que era um “dos momentos mais difíceis e de maior pressão” da história da Ucrânia, que teria de fazer “escolhas muito difíceis” no futuro próximo. Kiev tinha de assinar o acordo de paz de 28 pontos até dia 27 de novembro — esta quinta-feira, dia em que se celebra o Dia de Ação de Graças, ou então via a ajuda norte-americana a ser cortada.

Na Europa e no Congresso norte-americano, começava a surgir alguma indignação. Os líderes europeus, que não tinham sido avisados de nada, tentaram perceber o que se estava a passar e reuniram-se de urgência na África do Sul, durante a cimeira do G20, para elaborar uma contraproposta ao plano de paz norte-americano. Muitos congressistas nos Estados Unidos e senadores, incluindo republicanos, expressam algum choque com a forma como o assunto foi tratado.

 Lindsey Graham, aliado de Donald Trump, foi um dos senadores que manifestou dúvidas sobre o plano de 28 pontos para a Ucrânia AFP via Getty Images

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Como JD Vance terá tentado pressionar a Ucrânia a aceitar o acordo

“Lista de desejos russa”? A polémica do fim de semana

A tensão dentro dos republicanos e o novo plano com 19 pontos

No X, Lindsey Grahamum dos maiores aliados de Donald Trump, com o qual costuma jogar golfe — escreveu que tinha visto “muitas boas ideias” no plano de paz entre a Rússia e a Ucrânia, que entretanto tinha sido integralmente publicado nos órgãos de comunicação sociais ocidentais. O senador alertava, porém, que havia “muitas áreas que eram problemáticas e que podiam ser melhores”: “O objectivo de qualquer acordo de paz é terminar com a guerra de forma honrada e justa — e não criar um novo conflito”.

Na política norte-americana, começava-se mesmo a formar um coro de críticas à forma como principalmente Daniel Driscoll liderou com o assunto. No X, o vice-presidente assumia já que se tratava apenas de um “esboço de paz”, mas mandava um recado: “Existe a fantasia de que se dermos mais dinheiro, mais armas e [aplicarmos] mais sanções, a vitória será possível. A paz não será feita por diplomatas falhados ou políticos que vivem na terra das fantasias. É feita por pessoas inteligentes que vivem no mundo real”.

Esta publicação serviu como confirmação de que JD Vance esteve bastante envolvido no processo — e tinha privilegiado um fim rápido do conflito. Na administração Trump nem todos concordaram com a estratégia do vice-presidente — incluindo Marco Rubio, que é o chefe da diplomacia dos Estados Unidos. Ao jornal Axios, uma fonte da presidência dos EUA lamentou que Daniel Driscoll se tivesse “antecipado” : “Claro que os ucranianos estão a dizer que nós os forçamos a aceitar um acordo russo. Foi isso que se fez. Mas isso não foi verdade. Nem por um minuto. Mas exageramos um pouco”.

"Existe a fantasia de que se dermos mais dinheiro, mais armas e [aplicarmos] mais sanções, a vitória será possível. A paz não será feita por diplomatas falhadas ou políticos que vivem na terra das fantasias. É feita por pessoas inteligentes que vivem no mundo real." JD Vance, vice-presidente norte-americano

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Perante o caos e as divisões na Casa Branca, Donald Trump convocou na sexta-feira depois alguns membros da presidência e decidiu que houvesse uma cimeira entre os norte-americanos e os ucranianos durante o fim de semana, que teve lugar em Genebra, na Suíça. Ainda que tenha confirmado o prazo do ultimato — até o Dia de Acção de Graças —, o Presidente assinalou publicamente que o plano de 28 pontos “não era o final” e que havia espaço para concessões.

 “Lista de desejos russa”? A polémica do fim de semana

Independentemente de ser ou não o acordo final, a Casa Branca fazia sempre questão de implicar Marco Rubio nestas negociações de paz. É certo que foram levadas a cabo por Steve Witkoff e Jared Kushner; mas o secretário de Estado “esteve envolvido em todo o processo de desenvolver um plano para acabar a guerra na Ucrânia”.  Qualquer insinuação em sentido contrário é completamente falsa”, assegurou o vice-porta-voz do Departamento de Estado Tommy Pigott, que realçava, contudo, que o secretário de Estado tinha de “falar com ambos os lados do conflito — por muitas vezes — e facilitar a troca de ideias para estabelecer uma paz duradoura”.

Vários senadores e congressistas norte-americanos pediram esclarecimentos a Marco Rubio na sequência do acordo de paz feito nas costas dos restantes republicanos. Nesta senda, numa conferência de segurança em Halifax, no Canadá, Mike Rounds garantiu que a administração Trump não “foi responsável pela divulgação” do plano “na actual forma”. “Parece ter sido escrito em russo, para começar”.

Mike Rounds referia-se à informação (nunca confirmada oficialmente) que já circulava: que o acordo de 28 pontos tinha sido escrito em russo e depois traduzido para inglês, devido às construções frásicas pouco habituais para falantes nativos, como notou o jornal The Guardian. Mike Rounds e o senador independente Angus King (que também participava na mesma conferência) ainda foram mais longe. Disseram que o plano apresentado não era da administração, mas sim uma “lista de desejos dos russos” — e que tinha sido informado disso através de Marco Rubio.

A ser verdade, esta informação acabava por indiciar que os norte-americanos tinham passado um cheque em branco aos russos sobre o rumo da guerra na UcrâniaDito de outro modo, os Estados Unidos tinham concordado em deixar o agressor escrever um acordo de paz sobre o conflito que começou em 2022 e apresentado-o ao país invadido.

Mas cedo Mike Rounds veio retratar-se. No X, o senador republicano escreveu que “apreciou as informações do secretário Rubio nos esforços para alcançar a paz ao alicerçar-se quer no contributo da Rússia, quer da Ucrânia para chegar a um acordo final”. Ainda mais incisivo foi Tommy Pigott. O vice-porta-voz do Departamento de Estado caracterizou como “totalmente falsa” a ideia de que o acordo de 28 pontos se tinha tratado de uma “lista de desejos russa”: “Como o secretário Rubio e a administração disseram, este plano foi autorizado pelos Estados Unidos com contributos dos russos e dos ucranianos”.

A tensão dentro dos republicanos e o novo plano com 19 pontos

Entre este fim de semana e esta segunda-feira, na Suíça, Marco Rubio reuniu-se com a delegação ucraniana chefiada pelo poderoso chefe de gabinete da presidência da Ucrânia, Andriy Yermak. As negociações terão corrido bem. Foi dos dias mais produtivos até agora” — adjectivou o secretário de Estado as conversas que teve. Ao mesmo tempo, o líder da diplomacia norte-americana mostrou-se menos exigente ao ultimato feito por Daniel Driscoll e assumiu que a Ucrânia pode precisar de mais tempo além do Dia de Acção de Graças.

Foi mais uma viragem da administração Trump. Depois de Steve Witkoff e Jared Kushner terem feito um acordo para o qual JD Vance terá feito pressão para que se concretizasse, Marco Rubio apresentava um prisma diferentee bastante mais conciliador com a Ucrânia. Esta tensão já se verifica há meses na Casa Branca; o vice-presidente e o enviado especial funcionam como uma espécie de polícia mau para os ucranianos, enquanto o secretário de Estado e o enviado especial para a Ucrânia (Keith Kellogg, que abandonará as funções em janeiro de 2026) são os polícias bons.

Mais além da presidência, esta tensão é transversal ao Partido RepublicanoPor um lado, existe uma facção claramente que vê na Ucrânia uma aliada valiosa, em particular os mais moderados, e olha para a Rússia com muita desconfiança — como uma rival assumida dos Estados Unidos. Por outro, existe um grupo de não intervencionistas que consideram que os EUA devem manter boas relações com o Kremlin e que devem ser realistas e assumir as perdas territoriais de Kiev.

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 Marco Rubio e JD Vance têm opiniões diferentes sobre como devem apoiar a Ucrânia

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A tensão dentro dos republicanos e o novo plano com 19 pontos

É entre estes ziguezagues que Donald Trump tem tomado as decisões na Ucrânia desde o primeiro dia do mandato. Enquanto mantém muitas críticas à liderança ucraniana (escreveu este domingo na Truth Social que a Ucrânia tinha demonstrado “zero gratidão” pelos esforços de paz dos Estados Unidos), o Presidente norte-americano não defende propriamente uma postura de abandono total da Ucrânia. Ao mesmo tempo, o chefe de Estado também não nega que gostava de fazer negócios com a Rússia no futuro, sendo nesse quesito apoiado por Steve Witkoff.

Esta crise terá sido aparentemente solucionada. Os Estados Unidos estão dispostos a ouvir os europeus e também a Ucrânia, mantendo a postura de que Kiev terá de fazer cedências, mas também Moscovo. Aliás, segundo avançou esta segunda-feira o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano Sergiy Kyslytsya, ao Financial Times o novo esboço do plano tem 19 pontos (e não 28). 

“Ficaram poucas coisas da versão original”, detalhou Sergiy Kyslytsya, referindo que foi desenvolvido um “sólido corpo de convergênciaem redor de “algumas coisas” em que pode haver compromissos. “O resto serão decisões que vão precisar do aval das lideranças”, nomeadamente a questão territorial, ainda que os ucranianos não tenham sido obrigados a tomar decisões já sobre o Donbass e as regiões de Kherson e Zaporíjia.

 Sergiy Kyslytsya, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, terá dado alguns detalhes sobre o plano de paz acordado na Suíça Biel Alino/EPA

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Como JD Vance terá tentado pressionar a Ucrânia a aceitar o acordo

“Lista de desejos russa”? A polémica do fim de semana

A tensão dentro dos republicanos e o novo plano com 19 pontos

Adicionalmente, segundo o diplomata ucraniano, o limite de 600 mil soldados nas Forças Armadas ucranianas em tempo de paz foi colocado de parte durante as negociações em Genebra entre as delegações da Ucrânia e dos Estados Unidos. “Eles [norte-americanos] concordaram que o número de soldados acordado na primeira versão não está mais em cima da mesa. As Forças Armadas vão continuar a discutir”, disse Sergiy Kyslytsya, assegurando que os norte-americanos ouviram com atenção os ucranianos e demonstraram abertura: “Quase tudo o que sugerimos foi tomado em consideração”.

A Rússia não parece ter gostado destas movimentações. O Kremlin não tem, para já, comentários a fazer sobre o plano de acordo de paz de 19 pontos, uma vez que ainda não foi divulgado publicamente. De qualquer forma, os dirigentes russos já deixaram bem claro que não vão aceitar a contraproposta da Europa. “Tomámos conhecimento do plano europeu que, à primeira vista, é absolutamente não construtivo, não nos convém”, disse o conselheiro presidencial para os assuntos internacionais, Yuri Ushakov, que admitiu, ainda assim, que a versão norte-americana podia ser a base para um acordo futuro.

Na administração Trump, a questão da Ucrânia continua a não ser tratada de forma consistente. Há vozes da presidência que pretendem abandonar o apoio aos ucranianos e querem impor uma paz rápida, independentemente das concessões, vendo a Rússia como uma parceira para o futuro. Mas há outros dirigentes que desconfiam do Kremlin e que preferem não abandonar não só a Ucrânia, como os europeus à sua sorte.

Guerra na Ucrânia      Ucrânia      Europa      Mundo      Rússia      Estados Unidos da América      América      Presidente Trump  

COMENTÁRIOS (de 13):

Vasco Oliveira: O caos absoluto, este executivo de Trump. Um conjunto de imbecis que não têm a mínima noção do que anda a fazer. Uma tristeza imensa aquilo em que se tornaram os EUA.            Manuel Almeida Gonçalves: Há uma fortíssima corrente interna da administração Trump - onde tudo indica se inclui o próprio e seguramente o Vance - que é claramente putinista. Gente perigosa, mesmo muito perigosa.

 

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