segunda-feira, 17 de novembro de 2025

RETORNO

 

Com inesperado afinco, de opiniões há muito emudecidas, na timidez melindrosa de uma aparência de aceitação dessa ideologia mais ou menos perversa nos seus valores altissonantes de conquista, a pretender-se esclarecida, mas, realmente, de um seguidismo doutrinário pérfido, sob uma capa de esclarecido saber, e de aparência de unilateral generosidade pelas classes menos aprumadas – as tais, ao que parece, únicas “trabalhadoras”, a chamada direita encarada sob um prisma de abastança e crueldade a abater. Fantástica HELENA MATOS e igualmente os seus COMENTADORES pela ousadia na afirmação das suas verdades esclarecidas, de resto, mantidas – apagadamente, embora - por alguns, sempre.

O regresso dos camaradas

Os camarados já foram. Os camarades sumiram-se. Agora os camaradas sobem ao palanque. A esquerda troca o wokismo pela luta de classes e, como de costume, aqui estamos às ordens para o novo activismo.

HELENA MATOS Colunista do Observador

OBSERVADOR, 16 nov. 2025, 00:2696

Desastres eleitorais sucessivos, transferência de votos para a direita a par do envelhecimento do seu eleitorado, levaram as esquerdas  a primeiro deitar contas à vida e, em seguida, atirar pressurosamente para o caixote do lixo as vítimas que até ontem animavam o seu activismo. E assim, porque chegou a hora dos camaradas subirem ao palanque, num ápice sumiram-se os “camarados” e os “camarades”.

O problema é que este não é um assunto que apenas diga respeito à esquerda. Aliás nem sequer é um assunto que diga sobretudo respeito à esquerda. Como dizia o dirigente do BE, Pedro Filipe Soares, quando em 2023 se enredava na lenga-lenga dos “camaradas, ‘camarados’, ‘camarades’ mais os todos, todas e ‘todes,’ esta era uma luta que o BE “impôs ao país”. Sim, impuseram. Impuseram essa luta. E outras antes dessa. E agora outras depois dessa. Esse activismo-esquerdista que vai do BE ao PS tem dominado de facto a agenda das lutas, por assim dizer. (Grande parte do desconcerto da esquerda com o Chega passa exactamente por, de repente constatar que outros, além deles, podem arrogar-se essa capacidade.)

O problema é que não só conseguem impor novos activismos como está implícito que esqueçamos as consequências do activismo da véspera. É mesmo como se esse activismo nunca tivesse existido. O direito à desmemória é o grande privilégio da esquerda que, enquanto mergulha as sociedades em processos contínuos de mortificação pelos crimes cometidos  por aqueles que aponta como seus inimigos no passado — e que podem ser tão distantes quanto os descobridores portugueses do século XV —, se arroga a si mesma o direito de não ser confrontada por aquilo que fez e disse ontem. Ou anteontem. Ou há um ou dois anos.

Aquele que agora está transformado no “estranho caso da reclusa transexualé um bom exemplo de como somos coniventes com esse direito à desmemória por parte dos activistas de esquerda: em 2022, nos tempos áureos do wokismo, o país indignava-se porque várias guardas prisionais tinham recusado revistar uma presa de seu nome Tânia que não só nascera homem como fisicamente assim se mantinha. Logo apareceram activistas vários dando conta da atitude sexista das guardas prisionais e chamando a atenção para que desde o início desse mesmo ano estava em vigor um regulamento que  estabelecia que a identidade dos reclusos passava a ser o único critério a ter em conta para a sua distribuição pelas cadeias, deixando de ser tido em conta o sexo atribuído à nascença. A par disso “uma circular interna das prisões estabelece que um recluso transgénero deverá ser revistado “por elemento do serviço de vigilância e segurança do mesmo género com o qual a pessoa transgénero se identifique” mesmo que mantenha o órgão sexual biológico.” Em resumo, em 2022 o problema estava no sexismo das guardas prisionais e não no facto de um homem ter sido levado para uma prisão feminina, bastando para tal a sua decisão de se declarar mulher.

Em 2025, os mesmos activistas calaram-se quando uma outra reclusa transexual foi transferida para a cadeia masculina de alta segurança de Monsanto. Que eles se calem é absolutamente previsível, o que não se entende é que não se peça responsabilidades, não se pergunte, não se questione como foi possível um homem com duas violações no cadastro além de vários crimes violentos acabar numa prisão de mulheres simplesmente porque se passou a chamar Raquel?

Pois é agora já ninguém quer saber das casas de banho para as crianças trans, nem da linguagem dita inclusiva porque agora vamos voltar à “classe contra classe até à vitória final” como se estivéssemos no PREC. Alguém esperava que assim não fosse? Para que tal acontecesse era necessário ter denunciado, criticado, confrontado… os activistas quando estes andavam por aí com o linguarejar (cada activismo tem o seu idiolecto próprio) do sonho e da conquista irreversível para designar a estatização e consequente destruição da economia do país. É caso para dizer, olá camaradas. Façam de conta que estão na vossa casa.

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COMENTÁRIOS (de 96)

Let’s Go Brandon: Não foi outra “reclusa” trans, foi o mesmo criminoso. O qual, além de ter agredido algumas das guardas prisionais e outras reclusas (recusava tratamento hormonal, olha que engraçado…), ainda violou uma das reclusas dentro da cadeia (o lobo na capoeira, que esperto que ele é, que estúpidos que somos).                    Paulo Silva > Let’s Go Brandon: É absolutamente incrível a taxa de sucesso nos processos de imbecilização em curso que estas doutrinas alcançam… Até a autora do artigo cai no logro de repetir o mantra da Ideologia ou Teoria do Género, ‘sexo atribuído à nascença’Ninguém atribui nada, o sexo é determinado biologicamente, e hoje já se pode saber antes do nascimento. Não é o padre, não é o médico, não é a mãe, não é o tabelião, é a Natureza.                    Nuno Alves: O que me irrita é a desatenção do governo actual às parvoíces que se foram intitulando nos governos socialistas e geringonça. Fogem de tudo o que achem que gere polémica e custe 1 voto. Para não perderem esse voto, perdem milhares para o Chega, que dá voz ao que as pessoas pensam. Continuem com a direita mansinha e com medo de agarrar a ideologia pelos cornos, com o consequente confronto com a esquerda, que já se viu onde isso leva.           Manifesto Futurista:  Há no mundo muita gente para quem a luta é o fim, não o meio. Cá no burgo temos o PCP (com causas clássicas), o BE (com causas obsoletas, porque já conquistadas) e o Livre (com causas estúpidas, como exigir o fim da menção ao sexo nos cartãos de cidadão). Se não chegasse a ser perigosa, essa gente far-me-ia pena: deve ser horrível encarar cada dia como se a vida fosse um problema que tivesse de ser resolvido, em vez de uma bênção que deve ser gozada.               Vitor Batista: Os esquerdalhos fascistas do MRPP ao pêiés são dos seres mais abjectos que existem, e isso tudo comprovado pela famigerada geringonça de má memória. Mas o ps com este secretário geral, mostra como está perdido no tempo, incapaz de encontrar um rumo, e ordenando aos seus cães de fila da UGT que façam a vida negra às pessoas, não por um dia mas sim por dois, para lutar por uma lei laboral que eles próprios legislaram e trataram de impor a toda a gente, tornando a vida de muitos num autêntico inferno.  Certamente que o povo não é burro, e sabe muito bem que a chusma de funcionários públicos e demais parasitas da sociedade, não perdem a oportunidade para usufruírem de mais direitos, e estrebuchando contra certos deveres que terão de cumprir. Será a quarta greve geral em cinquenta anos, com as condições dos verdadeiros trabalhadores cada vez mais precárias, e estes parasitas pançudos ainda gozam com tudo e todos. Espero que o governo não ceda, porque esta não é uma classe, mas sim uma casta de mafiosos controlados por uma elite, que usa as greves como arma de arremesso politico. Espero que nas próximas eleições os mandem para o caixote do lixo da história, e que fiquem lá por muito tempo. Parasitas.                     Rui Lima: A esquerda está a mover-se noutra frente procura novas formas de reinstalar a censura, agora sob o disfarce de “crimes de ódio” e “protecção democrática”. A estratégia é evidente  transformar divergência em delito e, passo a passo, tornar certas forças políticas ilegítimas por definição.  Aquilo que antes se chamava abertamente censura regressa agora com outra embalagem, mais polida, mas igualmente nociva.   O princípio que sempre considerei sagrado está à beira de ser assassinado: Posso não concordar com o que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizer. (Recorde-se não é de Voltaire, mas de Evelyn Beatrice Hall, que a escreveu para sintetizar o espírito do Iluminismo). Vendo alguns discursos políticos vamos ter um cordão sanitário - não mais apenas dos partidos, mas a privação de cidadania de indivíduos que se excluem do consenso constitucional, não poderão trabalhar para o Estado ou ter certas profissões. Assim, duas categorias de cidadãos serão criadas em nome da luta contra a discriminação, também em nome de uma concepção inclusiva da comunidade política , isso  implica o registro dos cidadãos e, de alguma forma, sua vigilância política.                    Maria Tubucci: É verdade, Sra. HM. O regresso dos camaradas, como escreveu Tolkien no Senhor dos Anéis, “O Mal não dorme. Ele aguarda. E, assim que baixarmos a guarda, ele nos cega”. O wokismo é a ideologia da demência absoluta, nunca morre verdadeiramente, reemerge quando se baixa a guarda, mas as consequências desta insanidade ficam para as pessoas normais, porque os wokes nunca sofrem as consequências da sua ideologia que é para aplicar nos outros, nunca neles. Esta ideologia deve ser tratada como as ervas daninhas num jardim, têm de ser arrancadas pela raiz e queimadas, pois podem deixar alguma semente e contaminar o próximo canteiro.  “Olá camaradas. Façam de conta que estão na vossa casa.” Não! Isso era antigamente, era aquilo a que estavam habituados, hoje a sua insanidade é-lhes esfregada nas trombas. Quando apanho um destes anormais reduzo-os a pó, pelo meu lado não os deixo colocar os pés em ramo verde, se fizermos todos o mesmo, a concentração de insanos na nação diminuirá. Eu sigo os conselhos da minha avó: “Não nos podemos deixar morder pelos cães nem comer pelos lobos” ...                  Paul C. Rosado: A extrema-esquerda é, e sempre foi, uma aberração perigosa. É necessário desmascará-los continuamente e a todos os seus simpatizantes, como a tralha que infesta os nossos pobres e labregos canais televisivos.                Hugo Silva: Os maiores responsáveis têm um nome.... Comunicação social. Sem o respaldo da comunicação social, era impossível a essa corja de esquerda, executar estes "planos doutrinários".               João Floriano: Aparentemente há bandeiras que por agora foram enroladas e colocadas  a um canto. Estamos em campanha eleitoral para escolher um novo presidente da República e há quem deixe de usar brinquinho, os keffyehs foram arrumados na gaveta, a Climáximo não tem estado activa, pelo menos não se conhecem casos de políticos com baldes de tinta pela cabeça abaixo, mas tudo isto poderá voltar em momento oportuno. Para além de todo este folclore estão as coisas que verdadeiramente interessam e deviam ser mudadas: o activismo woke nas escolas e na CS continua em alta como denuncia Maria Helena Costa nas suas excelentes crónicas. Um dia destes um jornal publicava que determinada artista está grávida da sua companheira. Como é que duas mulheres lésbicas conseguem gerar um bebé sem  a intervenção de um espermatozoide é um mistério. Posto que o eleitorado se cansou de tanto disparate, de tanto politicamente correcto, voltamos às causas tradicionais, as que juntavam manifestações há anos. Mas também destas o eleitorado já está farto. As greves à sexta-feira são um abuso, uma fantochada. Agora já não será apenas no dia 11 mas também talvez no dia 12 de dezembro que o sector público vai parar devido a uma tonta e despropositada greve geral. A UGT não quer que se pense que anda  a reboque da CGTP, Se esta diz mata, a UGT diz esfola. Quem não é funcionário público, quem tem de passar horas em transportes para ir e vir do trabalho, quem não sabe onde vai deixar as crianças durante dois dias, quem fica com consultas e tratamentos médicos adiados. Quem tem de se dirigir a um serviço público e bate com o nariz na porta, vai ficar muito solidário com os sindicalistas e com greves gerais que não servem para coisa alguma. Mas no final vai ser uma grande vitória dos trabalhadores (????) e uma grande jornada de luta. No dia 18 de janeiro, os portugueses dirão mais uma vez que não querem  a esquerda, os camaradas e muito menos ainda os camarades.                  Maria: Concordo plenamente!! Cinquenta anos temos novo 25 Novembro, acabar com wokismo e toda incoerência das suas 'lides'. Coincidência ou não o caso da raquel que sempre foi antonio melhor dizendo O CRIMINOSO estalou em Novembro. Vai sendo um mês abençoado para Portugal 25 NOVEMBRO SEMPRE.    

(CONTINUA)

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