- De JORGE FERNANDES – que me parece equilibrada – do ponto de vista ideológico – correspondendo a uma reposição correcta dos factos, nem entendo bem a severidade de alguns comentários contra o seu autor. É certo que hoje em dia, a esquerda continua impante e imune, fazendo criteriosamente as suas greves, já que lhe cheira a uma tendência, ainda que somítica, do actual governo, para repor preceitos menos levianos, portanto, como deve ser este de centro-direita - greves que pareciam extintas, no governo socialista anterior, falho de tais intenções, no seu mergulho preferencialmente sentimental, protector dos menos abonados e castigador dos mais – abonados, repito, segundo o ponto de vista do sentimento sinistro, isto é, esquerdista, na sua etimologia primária destituída de intenção segunda. Daí talvez advenha a severidade crítica contra o seu autor - um pouco baralhada, no meu entender modestamente precário, concordo.
Uma semana em Novembro
Portugal e Espanha enfrentam um dilema fundamental: o que
possibilitou a transição democrática — o esquecimento estratégico do passado —
é hoje insustentável face a reivindicações de memória e justiça.
JORGE FERNANDES, Doutorado em
Ciência Política pelo Instituto Universitário Europeu, Florença, Investigador
Ramón y Cajal no Conselho Superior de Investigação Científica, Madrid
OBSERVADOR, 19 nov. 2025, 00:1821
Novembro de 1975 foi um mês inesquecível
em Portugal e Espanha. Aquela
terceira semana ficaria cerzida na memória de todos aqueles que a viveram.
Daria também origem a grandes debates e tensões ideológicas nas décadas
seguintes. Em ambos os casos, a esquerda ficou traumatizada.
Depois de governar Espanha com mão de
ferro desde a Guerra Civil, impondo purgas e perseguições políticas
especialmente violentas nos anos subsequentes ao conflito, a 20 de Novembro, Franco morria pacificamente na sua cama em Madrid. O ditador
sanguinário expirava ainda em plena posse dos seus poderes — até ao fim caudilho
absoluto, inquestionável. Nesta circunstância residia talvez a derradeira
derrota da oposição. Em vez de conseguirem derrubar Franco e julgá-lo pelos
seus crimes, a esquerda via-se confrontada com mais uma humilhação simbólica. O homem morria na cama, impune e triunfante,
com capacidade para ditar — pelo menos parcialmente — o ponto de partida da
transição para a democracia.
Quando
Franco morreu, Portugal vivia já em festa há quase um ano e meio. No entanto,
para muitos, como lamentou José
Mário Branco, a festa estava prestes a chegar ao fim. Depois do pronunciamento militar que
derrubou o regime de Salazar e Caetano, aconteceu uma revolução social e
política que, em grande medida, fez o país perder duas décadas de
desenvolvimento, até a revisão constitucional de 1989 repor a economia no sítio
onde deveria estar, com devaneios terceiro-mundistas alimentados por uma
esquerda militar não particularmente educada em matérias políticas. A 25 de
Novembro, os moderados ganharam. A Europa — em todos os sentidos — estava à
nossa espera.
Em Espanha, ao contrário do que é habitual dizer-se, também houve um
aumento do conflito social imediatamente após a morte de Franco, com um aumento
considerável no número de greves, manifestações e actos de violência política. Felizmente, o Rei, que agora goza de tão
má imprensa, apesar de o país lhe dever muitíssimo, juntamente com Adolfo
Suárez, conseguiu executar a reforma-chave: a Lei da Reforma Política, através da qual o parlamento franquista
aceitava a sua própria dissolução e lançava as bases para eleições competitivas.
Esta foi referendada e obteve o apoio de 97 por cento dos eleitores. Em
seguida, foi promulgada a amnistia, através da qual as elites franquistas
pactaram com a sua própria imunidade em troca da liberalização final. Naquele momento, a amnistia era
perfeitamente conveniente para ambas as partes. As
elites de direita podiam esquecer o seu apoio ao regime franquista e reinventarem-se
como democratas. As elites de esquerda, especialmente as moderadas, queriam
evitar o escrutínio da violência do lado republicano — em cuja superioridade
moral durante a contenda militar sempre havia alicerçado a legitimidade para
lutar contra o regime — e as divisões do passado. À esquerda
não convinha que, por exemplo, o Massacre de Paracuellos fosse examinado
detalhadamente.
Em ambos os casos, por caminhos mais ou
menos ínvios, a transição para a democracia foi um sucesso. No
entanto, nas últimas décadas, em ambos os países, há sectores políticos
crescentemente menos satisfeitos com o modo como a transição ocorreu. Durante
as primeiras décadas da democracia, havia uma espécie de consenso sobre o
passado — isto é, que tinham sido
cometidos erros e falhas de ambos os lados, mas que não havia necessidade de litigar
o que havia acontecido.
Em Portugal, houve duas alterações fundamentais. Em primeiro lugar,
a reconfiguração geracional à direita e a necessidade de retirar à esquerda o
monopólio político da transição fizeram emergir o 25 de Novembro como o grande
dia a comemorar. É evidente
que o 25 de Novembro pode — e deve — ser comemorado. Todavia, comparar o
25 de Novembro com o 25 de Abril só pode corresponder a uma de duas coisas: má
fé ou ignorância. Evidentemente que o 25 de Novembro acabou com as
derivas esquerdistas e com a óbvia tentativa
da extrema-esquerda (nas suas múltiplas declinações) em tomar o poder. No
entanto, não tem a importância histórica semelhante a Abril. Em segundo lugar, houve uma mudança radical no Partido
Socialista pós-Geringonça na sua postura em relação ao 25 de Novembro. Durante
anos, Mário Soares foi, com toda a
justiça, o grande herói da luta anti-comunista do Verão Quente. Na última
década, o PS parece querer reescrever a história e manifesta constrangimento
relativamente àquele que foi o momento maior na sua trajectória — um momento ao
qual todos os democratas muito devem.
Enquanto em Portugal a mudança tem
acontecido à direita, em Espanha tem acontecido à esquerda. Desde que Zapatero decidiu politizar a
transição para a democracia com a infeliz Lei da Memória Histórica, e mais
recentemente quando
Pedro Sánchez decidiu retirar Franco do Vale dos Caídos, que a esquerda espanhola se mostra incomodada com os
termos dessa transição. Esta activação da memória não é fortuita. Ocorre, isso sim, porque os políticos de
esquerda percebem que há muitos votos a ganhar nessa mobilização, especialmente
entre os eleitores mais jovens e entre aqueles que pretendem ter argumentos no
debate entre o centro e a periferia. Cinquenta anos depois de Novembro de 1975, Portugal e Espanha enfrentam
assim um dilema fundamental: aquilo que possibilitou a transição e
consolidação democrática — o esquecimento estratégico do passado — tornou-se
cada vez mais insustentável perante reivindicações de memória e justiça. Não
é claro se esta litigação contemporânea representa o sinal de uma democracia
madura, ou antes evidência do oportunismo político. Talvez seja, afinal, simultaneamente ambas as coisas. Acima de tudo,
como Orwell dizia, “quem controla o passado, controla o futuro: quem
controla o presente controla o passado”.
PENÍNSULA
IBÉRICA EUROPA MUNDO 25 DE
NOVEMBRO PAÍS SOCIEDADE ESPANHA HISTÓRIA CULTURA
COMENTÁRIOS (de 21)
Silva: AL REVÉS. Desta vez não estamos de
acordo. O 25 de Abril representa o fim do antigo regime, o fim da guerra colonial e
o processo de descolonização, e não podemos perder de vista que é uma Abrilada
que tem como origem um descontentamento de casta e um levantamento de rancho.
Negá-lo e pretender substituí-lo por planos de democratização do país não ajuda
a manter a lucidez. Já o 25 de Novembro é o fim do "processo revolucionário em
curso", que, como muito bem diz, atirou o país para trás 20 anos, e o
início do processo democrático, ou seja, é o momento fundacional da democracia,
em que hoje felizmente vivemos, e que alguns continuam a vivê-lo de forma
contrariada. Ambos têm a mesma importância histórica, mas só comemorámos até aqui o
primeiro, o 25 de Abril, porque quem controlou a narrativa e as instituições
foi a esquerda condicionada pela extrema-esquerda com o apoio dos media. Hoje, novamente um centro,
centro-direita e direitas a representar 2/3 do eleitorado é natural que as
pessoas percam o medo de dizer o que pensam sabendo que isso já não terá
consequências sociais, culturais e no passado para muitos mesmo profissionais. António Costa e Silva: "Superioridade
moral" dos vermelhos na guerra civil? Só um ignorante ou um vermelho para escrever isto. O sacrifício de uma geração
que não se rendeu, de voluntários requetés e falangistas, regulares e
legionários, entre os quais muitos portugueses, derrotou o comunismo em
Espanha. Ainda há aqui quem chore a derrota, como o autor. Carlos Chaves: “Todavia, comparar o 25 de Novembro com o 25
de Abril só pode corresponder a uma de duas coisas: má-fé ou ignorância.” Má-fé e arrogância tem o
senhor! Sem 25 de Novembro, o 25 de Abril não seria cumprido! Viveríamos novamente
em ditadura desta vez de extrema-esquerda! Portanto a importância de
ambas as datas, é equivalente! Repito, má-fé e arrogância tem o senhor! Chamar herói a esse criminoso
político, Mário Soares, faz todo o sentido vindo de um cronista que utiliza a
má-fé e a arrogância como instrumentos de opinião! P.S. Não percebo como é que mudança em Portugal tem sido à
direita (se ela nem existe), e em Espanha à esquerda! Apesar de tudo, o nível
médio de vida em Espanha é superior a Portugal. Não me parece que a esquerda
tenha esses méritos onde costuma governar! Manuel Magalhaes: Essa de afirmar que o 25 de
Abril foi uma data mais importante que o 25 de Novembro é uma maldosa
afirmação, após o 25 de Abril viveu-se uma época de medo e de ameaças a quem
não aceitasse a extrema-esquerda, com prisões sem culpa formada e até
assassinatos políticos sem razão de ser, foi uma época de medo e terror, só a
partir do 25 de Novembro de 76, um ano e meio depois é que o pais respirou de
alívio e se começou a viver de facto em Liberdade e foi portanto essa data que
devemos celebrar como o dia da liberdade e não o de Abril que não trouxe nada,
apenas medo e atraso!!!
Silva > Mario Figueiredo: Lamento, aqui só existe um
extremismo, o de extrema-esquerda, do PCP e do BE. O Chega a que se refere não é
um partido de extrema-direita, dado que não professa nenhuma ideologia
totalitária como o fascismo ou o nazismo, contrariamente ao comunismo do PCP e
do BE, esses sim, partidos que à luz de uma constituição equitativa deveriam ser
ilegalizados. Da mesma forma, o Chega não é também um partido de direita radical dado que,
que se conheça, não tem nenhum programa de radicalização da sociedade,
contrariamente ao PSP e ao BE que fazem gala em o dizer. O Chega é um partido da
direita nacionalista e conservadora. Uma mentira dita muitas vezes não se torna verdade nem
mesmo para quem não está absolutamente nada de acordo com o Chega, como eu. Silva > Mario Figueiredo: Pensamento único? Qual
pensamento único? O pensamento único das ideologias totalitárias da
extrema-esquerda a que estamos a assistir há 50 anos e que condiciona hoje o
que resta da esquerda moderada? Ou o pensamento único mais recente do PS radicalizado,
à revelia da sua tradição democrática e protagonismo, de que afinal o 25 de
Novembro não foi/é uma data relevante na história Portuguesa? Já vi que andou aqui a
"pegar-se" com outras pessoas. Talvez fosse altura do dia para ir
trabalhar, não acha? António Soares: És muito novinho. Não sabes do
que falas, deram-te a ler os livros errados ou contaram-te estórias
convenientes. Sem o 25 de Novembro não haveria o mínimo vislumbre de liberdade. Mário Soares foi um
anti-patriota e sempre se esteve marimbando para grande parte dos portugueses. De Mário Soares pode falar com
propriedade Rui Mateus, que o conhecia como ninguém. Podes começar por ler o livro
Contos Proibidos!...
António Soares > Mario Figueiredo: Não foi para se vingar, foi
para identificar o "Padrinho"... Komorebi Hi: O ditador sanguinário: Franco? Este é mais Pasionaria e
esbirros, parece que também morreu como cidadã da URSS no Hospital Ramon e
Cajal em Madrid. Foram os jacobinos comunistas do grupo de Sánchez e terroristas da
geringonça de Espanha que nem o cadáver de Franco deixaram em paz, tenha
vergonha e mude a cor da camisola para vermelha. Irra que não há pachorra para
aturar estes escritos encomendados pelo maior accionista do pasquim.
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