sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Crimes de guerra?

 

Da parte de quem?

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Médio Oriente

Em directoHamas acusa Israel de alterar a "linha amarela" e de desencadear nova onda de deslocamentos

Ataque na região de Khan Younis fizeram pelo menos 5 mortos, dos quais 2 morreram em ataques de drones. Human Rights Watch acusa Israel de crimes de guerra por expulsar pessoas da Cisjordânia.

MARIANA MARQUES TIAGO: Texto

Actualizado Há 3h

HAITHAM IMAD/EPA

Momentos-chave

Há 1hIsrael diz esperar manter liderança militar na região apesar da venda de caças F-35 dos EUA à Arábia Saudita

Há 2hResolução da AIEA exorta Irão a cooperar quanto ao seu programa nuclear. Teerão diz que documento vai ter “impacto negativo"

Há 2hHamas acusa Israel de alterar a "linha amarela" e de desencadear nova onda de deslocamentos

Há 3hSíria e Qatar criticam visita de Netanyahu à “zona tampão" nos Montes Golã

Há 3hPolícia e segurança interna prendem cidadão israelita suspeito de espionagem em favor do Irão

Há 3hOrganizações israelitas de direitos humanos pedem transferência de doentes em Gaza

Há 5hUm morto em ataque de drones israelitas. É a 5.ª vítima na região de Khan Younis

Há 7hHamas e Cruz Vermelha continuam buscas por corpo de prisioneiro

Há 7hNas últimas 24h morreram 33 pessoas na Faixa de Gaza (incluindo 12 crianças)

Há 10hAtaques na região de Khan Younis fazem pelo menos 4 mortos

Há 10hHuman Rights Watch acusa Israel de crimes de guerra

Actualizações em direto

15:03 Observador

O que aconteceu até agora:

Ataques israelitas na região de Khan Younis resultaram na morte de pelo menos cinco palestinianos nas últimas 24 horas. Dois destes morreram em ataques de drones, enquanto outros faleceram em ataques aéreos na cidade de Bani Suheila.

A Human Rights Watch acusou Israel de crimes de guerra e crimes contra a humanidade devido à expulsão de milhares de palestinianos de três campos de refugiados na Cisjordânia. A operação, conhecida como Muralha de Ferro, ocorreu no início de 2025.

Um jovem israelita foi detido em outubro de 2025 sob suspeita de espionagem em benefício do Irão. Identificado como Rafael Reuveni, o suspeito cumpria serviço militar e foi acusado de manter contacto com serviços secretos iranianos.

Numa resposta à situação humanitária na Faixa de Gaza, cinco organizações israelitas de direitos humanos apresentaram uma petição ao Supremo Tribunal de Justiça de Israel. As associações exigem a retoma imediata da transferência de doentes de Gaza para tratamento médico na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, alertando para o risco de morte de cerca de 16.500 pessoas que não têm acesso a cuidados adequados.

Há 1h16:41 Agência Lusa 

Irão diz que só dará acesso a instalações nucleares bombardeadas por Israel se houver acordo com AIEA

As instalações que foram atacadas têm a sua própria história e, enquanto não for tomada uma decisão e não for chegada a uma conclusão entre nós, a AIEA e outras (partes), a cooperação não é possível”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, numa entrevista transmitida na rede social Telegram.

A entrevista no Telegram foi divulgada antes da aprovação, hoje, de uma resolução pela AIEA, pelo que Araghchi não especificou o tipo de acordo.

Há 1h16:39 António Moura dos Santos 

Israel diz espera manter liderança militar na região apesar da venda de caças F-35 dos EUA à Arábia Saudita

Na sua primeira reacção oficial ao acordo efetuado entre Washington e Riade, Israel fez saber que conta manter o acesso ao armamento norte-americano mais avançado à disposição.

“Os Estados Unidos e Israel têm um entendimento de longa data, que é o de que Israel mantém a vantagem qualitativa no que diz respeito à sua defesa”, afirmou o porta-voz Shosh Bedrosian aos jornalistas, escreve a Reuters. “Isto foi verdade ontem, é verdade hoje e o primeiro-ministro acredita que será verdade amanhã e no futuro”, acrescentou.

Em causa está o facto de, até agora, Israel ser o único país do Médio Oriente a operar o F-35, um dos caças mais avançados jamais construídos.

A Arábia Saudita passar também a dispor deste armamento altera o equilíbrio de forças na região — algo ainda mais saliente tendo em conta que Riade, apesar de não ter uma postura hostil face a Telavive, não reconhece oficialmente o estado de Israel.

Há 1h16:31 António Moura dos Santos 

França condena ataque israelita no sul do Líbano e pede a Telavive que se retire dos Montes Golã

“Estamos preocupados com esta intensificação dos ataques israelitas no sul do Líbano e condenamos os ataques israelitas que estão a matar civis. A nossa posição é de respeito pelo cessar-fogo de 27 de novembro de 2024”, afirmou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, citado pela Reuters.

Em causa estão os bombardeamentos levados a cabo por Israel a sul do país vizinho, efectuados com o pretexto de impedir uma reorganização do Hezbollah junto à sua fronteira.

Paris, contudo, não se ficou por aqui, criticando também a ocupação militar que Telavive mantém nos Montes Golã, numa zona que é oficialmente parte do território da Síria.

“Estamos a acompanhar com grande preocupação os desenvolvimentos nos Montes Golã. A França apela à retirada do exército israelita e ao respeito pela soberania e integridade territorial da Síria”, afirmou o porta-voz.

Há 2h16:06 Agência Lusa 

Resolução da AIEA exorta Irão a cooperar quanto ao seu programa nuclear. Teerão diz que documento vai ter “impacto negativo"

O Conselho de Governadores da AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA ATÓMICA (AIEA) aprovou hoje uma resolução em que apela ao Irão para cooperar “plena e imediatamente” na questão do nuclear, decisão que Teerão lamentou.

“A resolução não acrescenta nada à situação actual, não é útil e é contraproducente”, disse Reza Najafi — embaixador iraniano junto da ONU — à agência noticiosa France-Presse (AFP), acrescentando que “terá certamente um impacto negativo na cooperação que já começou entre o Irão e a agência”.

O texto, aprovado por 19 votos (três contra e 12 abstenções), exorta Teerão a uma “cooperação completa e rápida” e a “fornecer as informações e o acesso” às instalações nucleares solicitados pela AIEA, referiu o documento consultado pela AFP.

A resolução tinha sido apresentada na quarta-feira por França, Reino Unido e Alemanha (o chamado grupo E3) e pelos Estados Unidos, na sede da agência da ONU, em Viena, na abertura da reunião trimestral do Conselho de Governadores.

Os representantes de oito países, entre os quais o IRÃO, A CHINA E A RÚSSIA, tinham alertado que a aprovação de qualquer nova resolução “pode minar o impulso de cooperação e o ambiente político construtivo que caracterizaram as recentes interações entre o Irão e a agência”, classificando-a como uma “ação provocadora”.

A República Islâmica já tinha cortado contactos após a guerra de 12 dias com Israel, lançada por Telavive a 13 de junho, considerando que a AIEA teve responsabilidade no seu desencadeamento, um dia depois da aprovação de uma resolução crítica sobre o programa nuclear iraniano.

O director-geral da AIEA, Rafael Grossi, voltou na quarta-feira a apelar ao Irão para autorizar inspecções aos locais atacados em junho por Israel e pelos Estados Unidos, que se envolveram posteriormente no conflito.

A aprovação da resolução, referiu, por sua vez, a agência noticiosa norte-americana Associated Press (AP), abre caminho a uma provável nova escalada das tensões entre a agência nuclear da ONU e o Irão, que, no passado, reagiu de forma contundente a iniciativas semelhantes do organismo.

O Irão é legalmente obrigado a cooperar com a AIEA ao abrigo do Tratado de Não Proliferação Nuclear. No entanto, ainda não concedeu aos inspectores da agência acesso aos locais nucleares afectados pela guerra com Israel em junho.

A agência também não conseguiu verificar o estado do ‘stock’ de urânio enriquecido próximo de nível militar desde que Israel e os Estados Unidos atacaram instalações nucleares iranianas durante os 12 dias de guerra em junho, segundo um relatório confidencial da AIEA consultado pela AP na semana passada.

Segundo a AIEA, o Irão mantém um ‘stock’ de 440,9 quilogramas de urânio enriquecido até 60% de pureza — um pequeno passo técnico abaixo dos níveis de 90% necessários para uso militar.

Esse ‘stock’ poderá permitir ao Irão construir até 10 bombas nucleares, caso decida militarizar o programa, advertiu Grossi numa entrevista recente à AP. Sublinhou que isso não significa que o Irão possua tal arma.

O Irão suspendeu toda a cooperação com a AIEA após a guerra com Israel. No início de setembro, Grossi alcançou um acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, no Cairo, para retomar as inspeções. Todavia, mais tarde nesse mês, a ONU voltou a impor sanções ao Irão através do chamado mecanismo de ‘snapback’ previsto no acordo nuclear de 2015, provocando uma reacção de indignação de Teerão, que suspendeu a aplicação do acordo.

O mecanismo de ‘snapback’ reactivou seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão, restabeleceu sanções económicas e reinstaurou a suspensão de todo o enriquecimento de urânio.

Há 2h15:51 Manuel Nobre Monteiro 

Hamas acusa Israel de alterar a "linha amarela" e de desencadear nova onda de deslocamentos

O Hamas acusou esta quinta-feira Israel de violar repetidamente a “linha amarela” da Faixa de Gaza (que demarca o território controlado por Israel dentro do enclave), afirmando que as violações forçaram um grande número de palestinianos a fugir mais uma vez, noticiou a Al Jazeera.

Hazem Qassem, porta-voz do grupo, sublinhou que as forças israelitas estão a deslocar a linha amarela para oeste diariamente, o que considera ser uma “violação flagrante” dos acordos relacionados com o cessar-fogo.

O grupo palestiniano pediu, assim, aos mediadores para pressionarem Israel para que pare imediatamente com as “violações contínuas”.

Há 3h14:36 Caetana Ribeiro da Cunha 

Síria e Qatar criticam visita de Netanyahu à “zona tampão" nos Montes Golã.

O Governo sírio criticou a visita do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, à chamada “zona tampão da Síria”, considerando-a “uma violação perigosa da soberania e da unidade da Síria”.

De acordo com a Reuters, um responsável militar sírio defendeu que essa visita de Netanyahu, na quarta-feira, foi um sinal de que “Israel não está disposto a abrir mão dos postos avançados”. A disputa surge numa altura em que, após a queda de Bashar al-Assad, Israel assumiu o controlo de vários locais a leste de uma “zona tampão”, patrulhada pela ONU, que separa os Montes Golã do território sírio.

“A visita de Netanyahu envia a seguinte mensagem: nós [os israelitas] não nos retiraremos das áreas em que entrámos depois de 8 de dezembro (…) independentemente do acordo de segurança, do seu futuro ou do seu destino”.

Esta é a mensagem que estão a enviar à Síria – que Israel não está disposto a abdicar destes postos avançados”, disse o responsável à Reuters.

Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar condenou “a entrada do primeiro-ministro da ocupação israelita nos territórios sírios”, segundo o jornal israelita Haaretz.

“O Qatar considera esta, uma violação flagrante da soberania da República Árabe Síria, país irmão, uma transgressão flagrante do direito internacional e uma séria ameaça à segurança regional”.

Há 3h14:24 Caetana Ribeiro da Cunha

Policia e segurança interna prendem cidadão israelita suspeito de espionagem em favor do Irão.

Um jovem israelita, com 21 anos, foi detido em outubro de 2025 por suspeitas de espionagem em favor do Irão, de acordo com uma acusação divulgada nesta quinta-feira.

A detenção foi uma operação conjunta entre a polícia israelita e o Shin Bet, o serviço de segurança interna do país – e o Tribunal Distrital Be’er Sheva formalizou uma acusação nesta quinta-feira.

O suspeito, identificado como Rafael Reuveni, cumpria o serviço militar e foi detido por se acreditar que cometido ofensas graves à segurança nacional, incluindo por ter mantido contacto com serviços secretos iranianos.

O Haaretz avança que o interrogatório revelou que Reuveni esteve em contacto com vários oficiais iranianos e realizou algumas missões secretas à sua ordem, incluindo ter colaborado com iranianos na verificação de uma arma que estava escondida em Rishon Lezion, uma cidade em Israel.

Há 3h14:15 Caetana Ribeiro da Cunha 

Organizações israelitas de direitos humanos pedem transferência de doentes em Gaza

Cinco organizações israelitas defensoras dos direitos humanos apresentaram nesta quinta-feira uma petição ao Supremo Tribunal de Justiça para exigir que Israel retome imediatamente a retirada de doentes da Faixa de Gaza para poderem receber tratamento médico na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

As cinco associações, segundo o jornal israelita Haaretz, são a Médicos pelos Direitos Humanos (PHR), a Gisha, a Adalah, a HaMoked for the Protection of the Individual e, ainda, a ACRI, a Association for Civil Rights in Israel.

O jornal acrescenta que a petição alega que Israel é obrigado, pelas leis nacionais e internacionais, a permitir o acesso a cuidados médicos à população. Estima-se, no texto da petição, que cerca de 16.500 pessoas, muitas das quais crianças, idosos e mulheres, estão neste momento em grave risco de morte porque os cuidados médicos de que necessitam já não estão disponíveis na Faixa de Gaza.

Há 5h12:45 Mariana Marques Tiago 

Um morto em ataque de drones israelitas. É a 5.ª vítima na região de Khan Younis

Um ataque israelita com recurso a drones matou um palestiniano em Abasan al-Kabira, avança a Al Jazeera.

É a quinta morte na região de Khan Younis nas últimas 24h — e a segunda provocada por ataques de drones.

Há 7h10:20 Mariana Marques Tiago

Hamas e Cruz Vermelha continuam buscas por corpo de prisioneiro.

O Hamas, em colaboração com a Cruz Vermelha, já retomou as buscas pelo corpo de um prisioneiro israelita, escreve a Al Jazeera.

Israel ainda não recebeu o corpo de três prisioneiros que terão sido raptados pelo Hamas (e que deverão estar em Gaza). Até ao momento, foram entregues a Israel os corpos de 25 prisioneiros.

Há 7h10:16 Mariana Marques Tiago 

Nas últimas 24h morreram 33 pessoas na Faixa de Gaza (incluindo 12 crianças)

Nas últimas horas morreram 33 palestinianos em ataques israelitas, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, citado pelo Haaretz.

De entre as vítimas mortais, 12 são crianças. Além disto, registam-se ainda 88 feridos.

Há 10h07:29 Mariana Marques Tiago

Ataques na região de Khan Younis fazem pelo menos 4 mortos

Ataques de Israel na região de Khan Younis mataram pelo menos 4 pessoas nas últimas horas, avança a Al Jazeera.

Segundo este jornal, três pessoas morreram na cidade de Bani Suheila em ataques aéreos.

E uma outra morreu em Abasan al-Kabira, num ataque de drones.

Há 10h07:21 Mariana Marques Tiago

Human Rights Watch acusa Israel de crimes de guerra

A organização Human Right Watch acusa Israel de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, avança a agência Reuters, citado pelo Haaretz.

Em causa está a expulsão de milhares de palestinianos de três campos de refugiados na Cisjordânia, no início de 2025. Num relatório intitulado “Todos os meus sonhos foram apagados”, o grupo de direitos humanos escreve que 32 mil residentes dos campos de refugiados de Jenin, Tulkarm e Nur Shams foram expulsos destes locais pelas tropas de Israel. Tratou-se da Operação Muralha de Ferro e foi realizada entre janeiro e fevereiro deste ano.

Segundo a agência Reuters, a Human Rights Watch apela assim a medidas internacionais urgentes, de forma a que Israel seja responsabilizado por estes actos.

Há 11h07:14 Mariana Marques Tiago 

Bom dia. Retomamos aqui a cobertura do conflito no Médio Oriente.

Pode rever todos os acontecimentos da passada quarta-feira no liveblog que agora encerramos. Obrigada por estar connosco.

 

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