segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Segregacionismo sim


Mas devagar, embora o lema subsista sempre, das Liberté, Égalité, Fraternité, misturadas, decerto, com uma Méchanceté de preconceito separatista, virado do avesso contudo, hoje – ontem também - graças às novas bondades doutrinárias, apoiadas nos livros que as difundiram. Devemos ser flexíveis, na provocação alheia ditada pela evolução semântica do lema francês.

 

Um atentado em Nova Iorque

O problema não é só o sr. Mamdani ou os estragos que de facto o sr. Mamdani conseguirá infligir. O problema é que nem a metrópole mais portentosa da Terra está imune ao suicídio.

08 nov. 2025, 00:20151

 “Temos de insistir que o imigrante que aqui chega, de boa-fé, se torne americano e se assimile a nós, sendo tratado em igualdade absoluta com todos os outros. Mas isso pressupõe que o homem se torne, de facto, um americano e nada mais que um americano. Se ele tentar manter-se segregado com homens da sua própria origem e separado do resto da América, então não está a cumprir o seu dever como americano. Aqui não pode haver fidelidade dividida. Qualquer homem que diga que é americano, mas também algo mais, não é americano de todo. Temos lugar para apenas uma bandeira, a bandeira americana, e esta exclui a bandeira vermelha, que simboliza todas as guerras contra a liberdade e a civilização, tanto quanto exclui qualquer bandeira estrangeira de uma nação à qual somos hostis. Temos lugar para apenas uma língua aqui, e essa é a língua inglesa, pois pretendemos assegurar que o caldeirão transforme o nosso povo em americanos, de nacionalidade americana, e não em moradores de uma pensão poliglota; e temos lugar para apenas uma lealdade de alma, e essa é a lealdade ao povo americano.”

Peço desculpa pela longa citação. O texto é retirado de uma carta que Theodore Roosevelt escreveu em Janeiro de 1919, poucos dias antes de morrer, e reitera as convicções que manteve durante a vida. Muito menos que um manifesto nacionalista, essas convicções procuravam definir o carácter da América e a sua singularidade enquanto lugar de acolhimento e transformação, da América enquanto destino na acepção profunda da palavra, da América enquanto consagração geográfica e, vá lá, “espiritual” do Ocidente.

A visão de T. Roosevelt, na verdade uma apologia da inclusão, permaneceu razoavelmente consensual por décadas e foi evocada por vários dos seus sucessores, de Kennedy a Reagan, sob aplausos gerais. Quando Trump a mencionou em discurso de 2019, a reacção roçou o tumulto, nos ataques a Trump e na fúria dirigida directamente a T. Roosevelt, que uma larguíssima parte dos EUA actuais vê como “supremacista”, “colonialista”, “imperialista”, “genocida cultural”, “nativista”, “ditador”, “opressor linguístico” e, claro, “racista”. O que mudou entretanto?

O que mudou é demasiado complicado para descrever aqui. Ou convenientemente simples: mudaram os americanos e, com eles, os ocidentais em peso. É plausível que o processo tenha começado nas universidades, onde, a partir dos anos 1960 e a culminar nos 2000, por contágios e mutações diversas foi germinando uma nova estirpe do vírus marxista, a qual se aplicou em substituir as “classes trabalhadoras” da lenda e da “luta” por novos protagonistas do maniqueísmo social.

Enxotou-se os operários, em última instância uns vendidos alinhados com o capitalismo, e convidou-se para a lengalenga da opressão as “raças”, as nacionalidades, os credos, as preferências e as “identidades” sexuais. De repente (ou aos poucos: estou a resumir imenso), o Mal deixou de ser uma especificidade do “patronato” e passou a ser uma característica comum a todos nós, aqueles em que a cor da pele, a crença ou falta dela, o país de origem, o sexo biológico ou cometido colocam no lado oposto ao das “vítimas”. As “vítimas” não o são porque necessariamente sofrem, mas por direito e herança. E os “carrascos”, que não fazem necessariamente sofrer ninguém, idem. Ao arranjinho, em que todas as culturas merecem igual reverência excepto a nossa, confinada ao nojo, chamou-se “multiculturalismo”.

Vou continuar a resumir desalmadamente. Na viragem deste século, o “multiculturalismo”, que é a “celebração das diferenças” e a humilhação do padrão de referência, transbordou para fora da academia para a vida real. Milhões de meninos e meninas de classe média-alta, saídos das “ciências” (risos) humanas e entrados no “mercado”, carregaram as alucinações universitárias e a urgência em expiar os seus pecados, pecados de berço, de melanina, do que calhava. Uns acabaram em cargos de influência nos “media”, outros em cargos de poder na política. Na América e por arrasto na Europa, a retórica da “culpa” tornou-se corrente, o fardo do homem branco tornou-se insustentável e, por troca com o inglês, o ódio ao Ocidente tornou-se a língua franca no discurso público e nas ruas das grandes cidades, por definição propensas à concentração de autóctones evangelizados nos fundamentos da esquerda que não mudaram com as circunstâncias: a ignorância, a preguiça e a inveja.

E o resto é história, a história de como se inverteu a aceitação dos ideais de T. Roosevelt e se desatou a receber imigrantes com uma reverência proporcional à “diferença”, leia-se à hostilidade para connosco, à aversão à nossa civilização (coitada) e, num tipo particular e abundante de imigrantes, à vontade de nos subjugar pela força ou pela demografia. É a história de como um muçulmano com ligações à Irmandade Islâmica e simpatias face ao Hamas, um estrangeiro que abomina tanto o país de acolhimento quanto exalta o Uganda natal, a Índia dos antepassados e sobretudo a “Palestina” da cartilha, um anti-semita filho babado de um académico que valoriza a figura do bombista-suicida, um demagogo rico “formado” em Estudos Africanos recorreu a promessas de colectivismo cubano para chegar a “mayor” de Nova Iorque.

O problema não é só o sr. Mamdani ou os estragos que de facto o sr. Mamdani conseguirá infligir a Nova Iorque. O problema é o sinal que os nova-iorquinos deram, o de que de nem a metrópole mais portentosa da Terra está imune ao suicídio. Se Nova Iorque, em tempos o emblema do “caldeirão” de que falava Roosevelt,  pode cair, pouco impede a América urbana de a imitar e, fatalmente, o pouco que sobra do Ocidente também. A ordem da derrocada é incerta. A continuarmos assim, a derrocada é garantida.

NOVA IORQUE      ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA      AMÉRICA      MUNDO      OCIDENTE      ISLÃO      RELIGIÃO      SOCIEDADE      SUICÍDIO

COMENTÁRIOS (de 151)

Ricardo Ribeiro: Como diz e muito bem o Doutor Senhor Alexandre Barreira: Isto está tudo "fedide"...                Pedra Nussapato: Hoje AG foi procurar conforto para a sua crise aguda de azia da alma à clássica figura do Velho do Restelo, ao mesmo tempo que agita os velhos fantasmas do marxismo e raio a quatro. Tenha calma dr AG, isto pode não ter passado de um voto de protesto ou anti-sistema, tal como aquele que elegeu Trump, e que por aqui elege ilustres deputados (cof cof) do Chega. Não se esqueça de que historicamente NY elege sempre um Mayor de sinal contrário àquele que está na Casa Banca. Não se angustie dr AG; se, como AG profetiza, Mandani fizer borrada, nas próximas eleições correm com ele.              João Floriano > Uiros Ueramos: A informação contida no seu comentário é simplesmente assustadora. Os que votaram em Nova York para eleger Mandami já esqueceram o que se passou a 11 de Setembro de 2001. Marxismo e islamismo de mãos bem dadas, para destruir o Ocidente.              Carlos Quartel: De eleições livres nunca resultam atentados. O homem foi eleito, cada eleitor não estava pressionado e sabia que podia ter votado noutro, não há outro método de delegar o poder. Por muito que o autor esbraceje e grite, esta é a verdade. Quanto à frase citada é um disparate total. O homem começa a formar-se e a ganhar referências em muito tenra idade e ninguém vai deixar de ser o que era por ir para a América. E isso prolonga-se por gerações. Nas grandes cidades americanas, as comunidades existem e são conhecidas, muitas vezes correspondem a bairros onde habita cada uma delas.                 Ricardo Ribeiro > Alexandre Barreira: É que nestas situações, o que me apraz é escrever...e eu referi que a ideia é e será sempre sua! Não tenho a culpa do brilhantismo da mesma e de se adequar que nem uma luva a esta situação, caro Alexandre Barreira... Só se quiser que eu escreva "isto está tudo fedide" frase retirada de texto autor Alexandre Barreira in Observador caixa de comentários 2019/2025               teresa jesus ribeiro de sousa Henriques > Carlos Quartel: Puro bom senso!                 Alexandre Barreira > Ricardo Ribeiro: Pois. Caro Ricardo, Grato pela atenção. E não haja dúvidas: ISTE TÁ MESME TUDE FEDIDE....!            Pedro Fernando: Um desfilar de asneiras, mentiras e ideias feitas, que o autor bebe da propaganda sionista e se limita a repetir acriticamente. Se se tivesse dado ao incómodo de acompanhar a campanha eleitoral e de interpretar os resultados finais, talvez tivesse percebido que o Mamdani não teria tido a votação maciça que teve sem o apoio de uma parte significativa da comunidade judaica de Nova Iorque, cidade onde vivem cerca de um milhão de judeus. Como se pode ler numa declaração da Jewish Voices for Peace Action, o Mamdani venceu, não apesar de, mas porque defende os direitos dos palestinianos… e há cada vez mais judeus fora de Israel que concordam com ele… como se viu nestas eleições.             Alexandre Barreira > Ricardo Ribeiro: Pois. Caro Ricardo, Olhe a "patente". Olhe a "patente". O "plágio-é-crime".....!              Rosa Lourenço: Concordo com o texto mas creio que, neste caso, o comportamento de Trump foi também uma das razões para esta vitória. É surpreendente como os Muçulmanos começam a exercer cargos políticos em países democratas cuja legislação exige igualdade entre os cidadãos, nomeadamente, entre homens e mulheres (inaceitável para os crentes do Corão).          Tristão: Que dramático! 😢 Não é preciso tanto, até pode ser útil, uma vacina é algo muito precioso, pode salvar vidas e … países 🙂 Trata-se da eleição de um presidente da câmara que historicamente é democrata, embora não tão radical.  No fundo é isto: - A esquerda woke pariu Trump - Trump pariu Mamdani Conclusão: os extremos alimentam-se.            Uiros Ueramos : Como é que chegamos aqui?  O Mamdani chegou ao poder com o apoio de grupos radicais de esquerda, comunistas de linha dura e activistas anti-Israel, e agora está cercado por pessoas e organizações que esperam influenciar as suas decisões políticas. Ou seja, Mamdani vai ser obrigado a retribuir favores aos seus patrocinadores. Passo a enumerar os principais influenciadores e patrocinadores:  1. Linda Sarsour, ultra-radical islamista, palestiniana: Amiga e mentora de Mamdani, ajudou a mobilizar o voto muçulmano. Prometeu publicamente “mantê-lo responsável” e impedir que faça “o que quiser” quando assumir funções. Disse que “os muçulmanos não devem humanizar os israelitas porque são o inimigoUm judeu bom é um judeu morto. Elogiou o imã Siraj Wahhaj, ligado ao atentado do WTC de 1993. Já criticou Mamdani por querer manter Jessica Tisch como comissária da polícia de Nova Iorque (NYPD).  2. CAIR e CAIR Action (Council on American-Islamic Relations), Organização extremista muçulmana, braço americano do radicalismo islamita, com fortes ligações a grupos terroristas, como o Hamas. CAIR Action, liderada por Basim Elkarra, ajudou a mobilizar o voto muçulmanoElkarra apoiou Rasmea Odeh, terrorista condenada pelo assassinato de dois estudantes israelitas em 1969. 3. Democratic Socialists of America (DSA) – Partido Comunista Americano, Mamdani é membro desde 2017. Partido comunista que ajudou Alexandria Ocasio-Cortez (AOC) a ser eleita. Defendem: Legalização de todas as drogas e prostituição; Descriminalização de crimes menores (desordem pública, assaltos até 100 USD). O DSA influenciou fortemente o programa político de Mamdani. 4. United Federation of Teachers (UFT), Sindicato com cerca de 200.000 professores e funcionários da educação. Endossou Mamdani em troca da promessa de: Contratar 1.000 novos professores/ano. 5. Working Families Party (Outro partido comunista), Partido endossou Mamdani antes dos Democratas. Fortemente financiado por George Soros e Alexander Soros, Soros doou centenas de milhões USD a este partido e a grupos que apoiaram Mamdani. Mamdani concorreu formalmente na lista deste partido, e não como Democrata. Isto é o que os comentadores e a imprensa não divulga. 6. Mahmood Mamdani (pai do novo mayor), Professor da Universidade de Columbia, académico ultra-comunista, que ganhou milhões como professor numa escola capitalista, que paradoxo. Fundou em 1981 a  associação de amizade Uganda-Coreia do norte. Actua no Gaza Tribunal, que pretende responsabilizar Israel e países ocidentais por “crimes em Gaza”. 7. Patrick Gaspard, Ex-presidente da Open Society Foundations (de George Soros). Ajudou Mamdani a reunir apoios políticos e financeiros. E finalmente com 80% de comunicação social americana a omitir tudo o que disse acima, e numa cruzada para destruir o ocidental, é incrível, é o vale tudo da esquerda americana. Vivemos tempos ultra perigosos.              Vitor Batista: Mamdani vai ser o ponta de lança do Hamas, da irmandade muçulmana e da jihad islâmica, patrocinado pelos novos comunas e grupos anti-semitas que semeiam o ódio ao Ocidente, o mesmo Ocidente onde teimam em chegar (ou invadir)todos os dias, para se apoderarem das benesses que esse mesmo Ocidente atribui a todos aqueles que receberam ordens para a invasão. O sr Mamdani em NY, o sr Khan em Londres e mais uns quantos que irão aparecer por essa Europa fora.           graça Dias: Caro Alberto Gonçalves: A vitória de Zohran Mandani em New York foi construída pela aliança global entre islamistas e a extrema esquerda radical progressista e Woke. No entanto, o seu impacto sobre os Estados Unidos promete ser verdadeiramente sísmico. Não se trata apenas de Mamdani poder arruinar a cidade em termos económicos e financeiros, com a sua lista ilusória para uma árvore mágica de dinheiro. Também não se trata apenas do seu antissemitismo e ódio a Israel.  mais importante  ainda, o que aconteceu com esta vitória em New York, representa uma grande vitória estratégica para o mundo islâmico em sua guerra contra o OCIDENTE !... Esta vitória de Mamdani foi festejada com euforia em campus universitários de muitas cidades ocidentais, com slogans " Liberdade para a Palestina " e outros bastante mais excessivos contra Israel e o povo judeu. Foram demonstrações do poder islâmico bruto sobre o OCIDENTEEsta vitória de Mandani, como não poderia deixar de ser, foi festejada na chamada " rua árabe" nos países inimigos de Israel com cânticos de "globalizar a intifada ", e o apelo ao assassinato de judeus em todo o mundo. ps. Os líderes ocidentais, sobre tudo a coligação dos " idiotas úteis " (à qual o 1° Ministro Luís Montenegro e o seu Ministro Paulo Rangel aderiram), todos devem reflectir e avaliar que os seus problemas internos não se resolvem no reconhecer de um ESTADO QUE NÃO EXISTE.              Vitor Batista: Porque é que o observador escondeu a sua crónica de hoje nas catacumbas?  A cáfila esquerdoida deste jornal anda a brincar com os assinantes?             unknown unknown: Agora percebo por que razão o Trump teve tantos votos, a América está atravessar a idade das trevas e nem 3 Trump’s a conseguem salvar!               José Lúcio: Basta ver o entusiasmo que vai no Pravda, quer dizer no Público, com a eleição de Mamdani para se perceber a seguinte realidade: não é exactamente Mamdani que é o problema. O verdadeiro problema é que os sponsors/apoiantes/equipa de Mamdami são MUITO mais radicais que ele. E obviamente que, após, a tomada de posse, vão lembrar "com muita gentileza" ao Novo Mayor quem é que o colocou no Poder...              Jose Carmo: Excelente artigo. Contém o "suco da barbatana" e está escrito de forma magistral.                 Maria Paula Silva: Tão bem explicado que até dói na Alma. Se a inversão de valores, visível há pelo menos 2 ou 3 décadas, já era assustadora, ver a perversão a instalar-se desta forma é aterrador. Mesmo assim, continuo a acreditar que nada é eterno e tudo dá a volta. Daqui a quanto tempo, não sei.  Mas dá.           José Mendes Gil: A civilização ocidental está ameaçada pelo islamismo radical e os "idiotas úteis " da extrema-esquerda. Estes serão reprimidos se o islamismo vencer. O que preocupa é que onde há liberdade e democracia há infiltração destes grupos. Há já no horizonte uma ameaça à liberdade e democracia           paulo mariano: Bela crónica, belo alerta. Parabéns Alberto Gonçalves. Continue lúcido e interventivo.               Maria Vilhena: Os Nova Yorkinos têm a memória curta. É desta forma que honram os seus mortos, assassinados cobardemente por gente que quis e quer destruir os EUA.  Lamentavelmente, vão pagar caro por isso. Infelizmente vamos todos!             José Menezes: Excepcional. Inteligente. Documentado. Mordaz. Sintético. Uma delícia este artigo.

CONTINUA

 

 

Nenhum comentário: