Mas devagar, embora o lema subsista sempre,
das Liberté, Égalité, Fraternité, misturadas, decerto, com uma Méchanceté de
preconceito separatista, virado do avesso contudo, hoje – ontem também - graças
às novas bondades doutrinárias, apoiadas nos livros que as difundiram. Devemos
ser flexíveis, na provocação alheia ditada pela evolução semântica do lema francês.
Um atentado em Nova Iorque
O problema não é só o sr. Mamdani ou os
estragos que de facto o sr. Mamdani conseguirá infligir. O problema é que nem a
metrópole mais portentosa da Terra está imune ao suicídio.
08 nov. 2025, 00:20151
“Temos de insistir que o imigrante que aqui
chega, de boa-fé, se torne americano e se assimile a nós, sendo tratado em
igualdade absoluta com todos os outros. Mas
isso pressupõe que o homem se torne, de facto, um americano e nada mais que um
americano. Se ele tentar manter-se
segregado com homens da sua própria origem e separado do resto da América,
então não está a cumprir o seu dever como americano. Aqui não pode haver
fidelidade dividida. Qualquer homem que
diga que é americano, mas também algo mais, não é americano de todo. Temos
lugar para apenas uma bandeira, a bandeira americana, e esta exclui a bandeira
vermelha, que simboliza todas as guerras contra a liberdade e a civilização,
tanto quanto exclui qualquer bandeira estrangeira de uma nação à qual somos
hostis. Temos lugar para apenas uma
língua aqui, e essa é a língua inglesa, pois pretendemos assegurar que o
caldeirão transforme o nosso povo em americanos, de nacionalidade americana, e
não em moradores de uma pensão poliglota; e temos lugar para apenas uma
lealdade de alma, e essa é a lealdade ao povo americano.”
Peço desculpa pela longa citação. O texto é retirado de uma carta
que Theodore Roosevelt escreveu em Janeiro de 1919, poucos dias antes de morrer, e reitera as
convicções que manteve durante a vida. Muito menos que um manifesto
nacionalista, essas convicções procuravam definir o carácter da América e a sua
singularidade enquanto lugar de acolhimento e transformação, da América
enquanto destino na acepção profunda da palavra, da América enquanto
consagração geográfica e, vá lá, “espiritual” do Ocidente.
A
visão de T. Roosevelt,
na verdade uma apologia da inclusão, permaneceu razoavelmente consensual por décadas e
foi evocada por vários dos seus sucessores, de Kennedy a Reagan, sob aplausos
gerais. Quando Trump a mencionou em discurso de 2019,
a reacção roçou o tumulto, nos ataques a Trump e na fúria dirigida directamente
a T. Roosevelt, que uma larguíssima parte dos EUA actuais vê como
“supremacista”, “colonialista”, “imperialista”, “genocida cultural”,
“nativista”, “ditador”, “opressor linguístico” e, claro, “racista”. O que mudou
entretanto?
O que mudou é demasiado complicado para
descrever aqui. Ou convenientemente simples: mudaram os americanos e, com eles,
os ocidentais em peso. É plausível
que o processo tenha começado nas universidades, onde, a partir dos anos 1960 e
a culminar nos 2000, por contágios e mutações diversas foi germinando uma nova
estirpe do vírus marxista, a qual se aplicou em substituir as “classes
trabalhadoras” da lenda e da “luta” por novos protagonistas do maniqueísmo
social.
Enxotou-se os operários, em última
instância uns vendidos alinhados com o capitalismo, e convidou-se para a
lengalenga da opressão as “raças”, as nacionalidades, os credos, as
preferências e as “identidades” sexuais. De repente (ou aos poucos:
estou a resumir imenso), o Mal deixou de
ser uma especificidade do “patronato” e passou a ser uma característica comum a
todos nós, aqueles em que a cor da pele, a crença ou falta dela, o país de
origem, o sexo biológico ou cometido colocam no lado oposto ao das “vítimas”. As “vítimas” não o são porque necessariamente sofrem,
mas por direito e herança. E os
“carrascos”, que não fazem necessariamente sofrer ninguém, idem. Ao
arranjinho, em que todas as culturas merecem igual reverência excepto a nossa,
confinada ao nojo, chamou-se “multiculturalismo”.
Vou
continuar a resumir desalmadamente. Na viragem deste século, o
“multiculturalismo”, que é a “celebração das diferenças” e a humilhação do
padrão de referência, transbordou para fora da academia para a vida real.
Milhões de meninos e meninas de classe média-alta, saídos das “ciências” (risos) humanas e entrados no “mercado”,
carregaram as alucinações universitárias e a urgência em expiar os seus pecados, pecados de berço, de melanina, do
que calhava. Uns acabaram em cargos de influência
nos “media”, outros em cargos de poder na política. Na América e por arrasto na Europa, a retórica da “culpa” tornou-se corrente, o fardo do homem branco tornou-se
insustentável e, por troca com o inglês, o ódio ao Ocidente tornou-se a língua
franca no discurso público e nas ruas das grandes cidades, por definição
propensas à concentração de autóctones evangelizados nos fundamentos da
esquerda que não mudaram com as circunstâncias: a ignorância, a preguiça e a inveja.
E
o resto é história, a história de como se inverteu a aceitação dos ideais de T.
Roosevelt e se desatou a receber imigrantes com uma reverência proporcional à
“diferença”, leia-se à hostilidade para connosco, à aversão à nossa civilização
(coitada) e, num tipo particular e abundante de imigrantes, à vontade de nos
subjugar pela força ou pela demografia. É a história de como um
muçulmano com ligações à Irmandade Islâmica e simpatias face ao Hamas, um
estrangeiro que abomina tanto o país de acolhimento quanto exalta o Uganda
natal, a Índia dos antepassados e sobretudo a “Palestina” da cartilha, um
anti-semita filho babado de um académico que valoriza a figura do
bombista-suicida, um demagogo rico “formado” em Estudos Africanos recorreu a promessas de colectivismo cubano
para chegar a “mayor” de Nova Iorque.
O problema não é só o sr. Mamdani ou os
estragos que de facto o sr. Mamdani conseguirá infligir a Nova Iorque. O problema é o sinal que os nova-iorquinos
deram, o de que de nem a metrópole mais portentosa da Terra está imune ao
suicídio. Se Nova
Iorque, em tempos o emblema do “caldeirão” de que falava Roosevelt, pode
cair, pouco impede a América urbana de a imitar e, fatalmente, o pouco que
sobra do Ocidente também. A ordem da derrocada é incerta. A continuarmos assim,
a derrocada é garantida.
NOVA IORQUE ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA AMÉRICA MUNDO OCIDENTE ISLÃO RELIGIÃO SOCIEDADE SUICÍDIO
COMENTÁRIOS (de 151)
Ricardo Ribeiro: Como diz e muito bem o Doutor Senhor Alexandre Barreira: Isto está tudo "fedide"... Pedra
Nussapato: Hoje AG foi
procurar conforto para a sua crise aguda de azia da alma à clássica figura do
Velho do Restelo, ao mesmo tempo que agita os velhos fantasmas do marxismo e
raio a quatro. Tenha calma dr AG, isto pode não ter passado de um voto de
protesto ou anti-sistema, tal como aquele que elegeu Trump, e que por aqui
elege ilustres deputados (cof cof) do Chega. Não se esqueça de que
historicamente NY elege sempre um Mayor de sinal contrário àquele que está na
Casa Banca. Não se angustie dr AG; se, como AG profetiza, Mandani fizer
borrada, nas próximas eleições correm com ele. João Floriano > Uiros Ueramos: A informação contida no seu comentário é simplesmente
assustadora. Os que votaram em Nova York para eleger Mandami já esqueceram o
que se passou a 11 de Setembro de 2001. Marxismo e islamismo de mãos
bem dadas, para destruir o Ocidente. Carlos Quartel: De eleições livres nunca resultam atentados. O homem
foi eleito, cada eleitor não estava pressionado e sabia que podia ter votado
noutro, não há outro método de delegar o poder. Por muito que o autor
esbraceje e grite, esta é a verdade. Quanto
à frase citada é um disparate total. O homem começa a formar-se e a ganhar
referências em muito tenra idade e ninguém vai deixar de ser o que era por ir
para a América. E isso prolonga-se por gerações. Nas grandes cidades americanas,
as comunidades existem e são conhecidas, muitas vezes correspondem a bairros
onde habita cada uma delas.
Ricardo Ribeiro > Alexandre Barreira: É que nestas situações, o que me apraz é escrever...e
eu referi que a ideia é e será sempre sua! Não tenho a culpa do brilhantismo da
mesma e de se adequar que nem uma luva a esta situação, caro Alexandre Barreira... Só se quiser que eu escreva "isto está tudo
fedide" frase retirada de texto autor Alexandre Barreira in Observador
caixa de comentários 2019/2025 teresa jesus ribeiro de sousa
Henriques > Carlos Quartel: Puro bom senso! Alexandre Barreira > Ricardo Ribeiro: Pois. Caro
Ricardo, Grato pela atenção. E não haja dúvidas: ISTE
TÁ MESME TUDE FEDIDE....! Pedro
Fernando: Um desfilar de asneiras, mentiras e ideias feitas, que o autor bebe da
propaganda sionista e se limita a repetir acriticamente. Se se tivesse dado ao
incómodo de acompanhar a campanha eleitoral e de interpretar os resultados
finais, talvez tivesse percebido que o Mamdani não teria tido a votação maciça
que teve sem
o apoio de uma parte significativa da comunidade judaica de Nova Iorque, cidade
onde vivem cerca de um milhão de judeus. Como se pode ler numa declaração da Jewish Voices
for Peace Action, o Mamdani venceu, não apesar de, mas porque defende os
direitos dos palestinianos… e há cada vez mais judeus fora de Israel que
concordam com ele… como se viu nestas eleições. Alexandre Barreira > Ricardo Ribeiro: Pois. Caro Ricardo, Olhe a
"patente". Olhe a "patente". O
"plágio-é-crime".....! Rosa Lourenço: Concordo com o texto mas creio
que, neste caso, o comportamento de Trump foi também uma das razões para esta
vitória. É surpreendente como os Muçulmanos começam a exercer cargos
políticos em países democratas cuja legislação exige igualdade entre os
cidadãos, nomeadamente, entre homens e mulheres (inaceitável para os crentes do
Corão). Tristão: Que dramático! 😢 Não é preciso tanto, até pode
ser útil, uma vacina é algo muito precioso, pode salvar vidas e … países 🙂 Trata-se da eleição de um
presidente da câmara que historicamente é democrata, embora não tão
radical. No fundo é isto: - A esquerda woke pariu Trump - Trump pariu Mamdani
Conclusão: os extremos alimentam-se. Uiros Ueramos : Como é que chegamos aqui?
O Mamdani chegou ao poder com o
apoio de grupos radicais de esquerda, comunistas de linha dura e activistas
anti-Israel, e agora está cercado por pessoas e organizações que esperam
influenciar as suas decisões políticas. Ou seja, Mamdani vai ser obrigado
a retribuir favores aos seus patrocinadores. Passo a enumerar os principais influenciadores e
patrocinadores: 1. Linda Sarsour, ultra-radical
islamista, palestiniana: Amiga e mentora de Mamdani, ajudou a mobilizar o voto
muçulmano. Prometeu publicamente “mantê-lo responsável” e impedir que faça “o
que quiser” quando assumir funções. Disse que “os muçulmanos não devem
humanizar os israelitas porque são o inimigo”
Um judeu bom é um judeu morto. Elogiou o imã Siraj Wahhaj, ligado ao
atentado do WTC de 1993. Já criticou Mamdani por querer manter Jessica Tisch
como comissária da polícia de Nova Iorque (NYPD). 2. CAIR e CAIR Action
(Council on American-Islamic Relations), Organização extremista muçulmana,
braço americano do radicalismo islamita, com fortes ligações a grupos
terroristas, como o Hamas. CAIR Action, liderada por Basim Elkarra, ajudou a
mobilizar o voto muçulmano. Elkarra apoiou Rasmea Odeh, terrorista
condenada pelo assassinato de dois estudantes israelitas em 1969. 3.
Democratic Socialists of America (DSA) – Partido Comunista Americano, Mamdani é
membro desde 2017. Partido comunista que ajudou Alexandria Ocasio-Cortez
(AOC) a ser eleita. Defendem: Legalização de todas as drogas e prostituição;
Descriminalização de crimes menores (desordem pública, assaltos até 100 USD). O
DSA influenciou fortemente o programa político de Mamdani. 4. United
Federation of Teachers (UFT), Sindicato com cerca de 200.000 professores e
funcionários da educação. Endossou Mamdani em troca da promessa de:
Contratar 1.000 novos professores/ano. 5. Working Families Party (Outro partido
comunista), Partido endossou Mamdani antes dos Democratas. Fortemente financiado
por George Soros e Alexander Soros, Soros doou centenas de milhões USD a este
partido e a grupos que apoiaram Mamdani. Mamdani concorreu formalmente
na lista deste partido, e não como Democrata. Isto é o que os comentadores
e a imprensa não divulga. 6. Mahmood Mamdani (pai do novo mayor), Professor da
Universidade de Columbia, académico ultra-comunista, que ganhou milhões como
professor numa escola capitalista, que paradoxo. Fundou em 1981 a
associação de amizade Uganda-Coreia do norte. Actua no Gaza Tribunal, que
pretende responsabilizar Israel e países ocidentais por “crimes em Gaza”.
7. Patrick Gaspard, Ex-presidente da Open Society Foundations (de George
Soros). Ajudou Mamdani a reunir apoios políticos e financeiros. E finalmente
com 80% de comunicação social americana a omitir tudo o que disse acima, e numa
cruzada para destruir o ocidental, é incrível, é o vale tudo da esquerda
americana. Vivemos tempos ultra perigosos. Vitor Batista: Mamdani vai ser o ponta de
lança do Hamas, da irmandade muçulmana e da jihad islâmica, patrocinado pelos
novos comunas e grupos anti-semitas que semeiam o ódio ao Ocidente, o mesmo
Ocidente onde teimam em chegar (ou invadir)todos os dias, para se apoderarem
das benesses que esse mesmo Ocidente atribui a todos aqueles que receberam
ordens para a invasão. O sr Mamdani em NY, o sr Khan em Londres e mais uns
quantos que irão aparecer por essa Europa fora. graça Dias: Caro Alberto Gonçalves: A
vitória de Zohran Mandani em New York foi construída pela aliança global entre islamistas e
a extrema esquerda radical
progressista e Woke. No
entanto, o seu impacto sobre os Estados Unidos
promete ser verdadeiramente sísmico. Não se trata apenas de Mamdani
poder arruinar a cidade em termos económicos e financeiros, com a sua lista
ilusória para uma árvore mágica de dinheiro. Também não se trata apenas do seu antissemitismo e
ódio a Israel. O mais
importante ainda, o que aconteceu com esta vitória em New York, representa uma grande
vitória estratégica para o mundo islâmico em sua guerra contra o
OCIDENTE !... Esta vitória de Mamdani foi
festejada com euforia em campus universitários de muitas cidades ocidentais,
com slogans " Liberdade para a Palestina " e outros
bastante mais excessivos contra Israel e o povo judeu. Foram demonstrações do
poder islâmico bruto sobre o OCIDENTE. Esta
vitória de Mandani, como não poderia deixar de ser, foi festejada
na chamada " rua árabe" nos países inimigos de Israel com cânticos de
"globalizar a intifada ", e o apelo ao assassinato de
judeus em todo o mundo. ps. Os líderes ocidentais, sobre tudo a
coligação dos " idiotas úteis " (à qual o 1° Ministro Luís Montenegro e o seu Ministro
Paulo Rangel aderiram), todos devem reflectir e avaliar que os seus
problemas internos não se resolvem no reconhecer de um ESTADO QUE
NÃO EXISTE. Vitor
Batista: Porque é que o observador escondeu a sua crónica de hoje nas
catacumbas? A cáfila esquerdoida deste jornal anda a brincar com os assinantes? unknown unknown: Agora percebo por que razão o Trump teve tantos votos,
a América está atravessar a idade das trevas e nem 3 Trump’s a conseguem
salvar! José
Lúcio: Basta ver o
entusiasmo que vai no Pravda, quer dizer no Público, com a eleição de Mamdani
para se perceber a seguinte realidade: não
é exactamente Mamdani que é o problema. O verdadeiro problema é que os
sponsors/apoiantes/equipa de Mamdami são MUITO mais radicais que ele. E
obviamente que, após, a tomada de posse, vão lembrar "com muita
gentileza" ao Novo Mayor quem é que o colocou no Poder... Jose Carmo: Excelente artigo. Contém o "suco da
barbatana" e está escrito de forma magistral. Maria Paula Silva: Tão bem explicado que até dói na Alma. Se a inversão de valores, visível há pelo menos 2 ou 3
décadas, já era assustadora, ver a perversão a instalar-se desta forma é
aterrador. Mesmo assim,
continuo a acreditar que nada é eterno e tudo dá a volta. Daqui a quanto tempo, não sei. Mas dá. José Mendes Gil: A civilização ocidental está ameaçada pelo islamismo
radical e os "idiotas úteis " da extrema-esquerda. Estes serão
reprimidos se o islamismo vencer. O que preocupa é que onde há liberdade e
democracia há infiltração destes grupos. Há já no horizonte uma ameaça à
liberdade e democracia paulo
mariano: Bela crónica, belo alerta. Parabéns Alberto
Gonçalves. Continue lúcido e interventivo. Maria Vilhena: Os Nova Yorkinos têm a memória curta. É desta forma
que honram os seus mortos, assassinados cobardemente por gente que quis e quer
destruir os EUA. Lamentavelmente, vão pagar caro por isso. Infelizmente
vamos todos! José
Menezes: Excepcional.
Inteligente. Documentado. Mordaz. Sintético. Uma delícia este artigo.
CONTINUA
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