28/11/63
|
00:02 (há 1
hora) |
|||
|
||||
A FESTA É DO CHICO
Se queres ver o que acontece,
Vem daí, anda comigo.
Ele não é o meu amigo,
É muito mais do que isso,
Dizem até que parece,
Em seu ar bonacheirão,
Um sucedâneo de mim.
Pois é, é o meu irmão.
E faz hoje anos, o João.
Inda guardamos bem viva,
Memória de quando entrou
De rompante em nossa vida,
Embrulhado com desvelo
Numa mantinha em novelo
Nos braços de nossa Mãe.
E logo lhe perguntámos
O que era e ao que vinha.
Ao que ela retrucou:
- Saiu-me da barriguinha.
Fora do email
Deturpação
Com certa insensibilidade
De um episódio que ficou
Na minha recordação
Como algo de gracioso:
Dois miúdos espantados
-A Paulinha com três anos,
O Ricardinho com cinco –
Assim que entrei em casa
No seu espanto curioso
Ao ver-me com a mantinha
Resguardando um embrulhinho
Que se provou ser do maninho
Que ambos costumavam dizer
Que a mãe tinha na barriga
Como lhes fora ensinado,
Sem falso constrangimento,
Perante a sua estranheza
De uma barriga em crescimento
E sem falsas invenções
De histórias de entretenimento
Justificando o fenómeno
Do nascimento.
- Que é isso?
– foi a pergunta
Que jamais esquecerei,
Um bebé tornado “isso”
Nas boquitas curiosas
De um espanto bem natural,
Afinal,
Por não terem reconhecido
O maninho da barriga.
Não, não foi essa a resposta
Que o Ricardo explicitou,
“É o mano”, foi o que eu disse,
E que eles admiraram,
Logo que o depositei sobre a cama
- Um bebé por sinal lindo
Que hoje faz sessenta e dois anos,
Com os parabéns e os abraços
De todos nós.
28/11/63
1/12/63
Ricardo disse...
Com esta bela resposta,
Dita com tanta certeza,
Foi a verdade reposta
Bem em cima desta mesa,
Em que se tece o destino
De tão ilustre irmandade,
Pois os tempos de menino
Vão fugindo com saudade.
Berta respondeu, com prazer:
Muito giro, Ricardo.
Um comentário:
Com esta bela resposta,
Dita com tanta certeza,
Foi a verdade reposta
Bem em cima desta mesa,
Em que se tece o destino
De tão ilustre irmandade,
Pois os tempos de menino
Vão fugindo com saudade.
Postar um comentário