Não mais com a amargura do que passou, com cinco filhos de cambulhada, no
avião para cá, e tudo o mais de gravidade, mas também com gratidão pelos pais e
irmã que nos estenderam os braços, e pelo marido que ainda permaneceu por lá,
em arrumação da vida. Também fui das sortudas que trazia o vencimento de
professora de lá, continuado a ser pago cá, durante seis ou sete meses das
férias concedidas, e que possibilitou a permanência do emprego cá. Mas o que me
chocou mais ainda, pese embora toda essa repentina movimentação de fuga com
sabor a catástrofe, foi a bofetada à nossa História Pátria, subentendendo os
tais “barões assinalados que por mares
nunca dantes navegados passaram inda além da Taprobana, em perigos e guerras
esforçados, mais do que prometia a força humana”, como se vira. Sim, essa
bofetada jamais se dissipará, e é ironicamente que encaro russos, americanos e
quejandos, que difundiram tão generosas doutrinas de reposição de terras,
quando hoje se permitem invadir com desfaçatez sanguinária, povos independentes
próximos do seu alcance, ou mesmo os tais, que largámos…
Nos 50 anos da Ponte Aérea – Obrigado,
“retornados”
Cinquenta anos depois, se calhar já podemos dizer o óbvio: a
esquerda tratou meio milhão de portugueses com mais desumanidade do que agora
acusa a direita, toda ela, de lidar com os estrangeiros.
NUNO GONÇALO POÇAS Colunista do Observador. Advogado,
autor de "Presos Por Um Fio – Portugal e as FP-25 de Abril"
OBSERVADOR, 18 nov. 2025, 00:1690
Chamaram-lhe “Ponte
Aérea”, mas foi uma espécie de “aterragem forçada” de vidas inteiras. Há cinquenta anos terminava a maior
operação de evacuação aérea da história portuguesa, com cerca de meio milhão de
portugueses, caídos literalmente do céu, a chegar à capital de um império que
então se extinguia.
Vieram essencialmente de
Angola e Moçambique com pouco, e muitos com quase nada. Um cartão de embarque,
uma pasta com documentos, caixotes com os seus bens que nunca mais viram,
filhos ao colo e vidas às costas. Tinham nomes, histórias, profissões, raízes,
cultura e vistas largas. Perderam quase tudo. Ganharam um nome: retornados.
Portugal, então recém-saído da ditadura e mergulhado na anarquia
revolucionária de um PREC sem bússola, olhou para este meio milhão
de concidadãos com desconfiança e hostilidade. Tinham sido colonos, diziam. Eram ricos, exploradores, “os do
Ultramar”. Fascistas, naturalmente. Foram um dos inimigos fáceis da sede
revolucionária, com a agravante de não terem sequer mecanismos para reagir.
Mas o mais notável em toda a história do regresso dos nacionais a
Lisboa não foi a hostilidade com que foram recebidos, mas o que os próprios fizeram com a
ostracização a que foram sujeitos. Não se tornaram reféns da vitimização,
deitaram mãos à obra. Os
portugueses que vinham das colónias sabiam que o mundo acaba num horizonte
largo, e não ao fundo do Chiado. Trouxeram hábitos, capacidade de trabalho,
cultura de gestão, formas de estar, até palavras novas. Abriram cafés,
empresas, oficinas, fábricas. Reconstruíram-se contra a cultura hegemónica,
sempre marxista, e fizeram-no sem pedir favores; sem subsídios, sem planos
estratégicos. Fizeram o que faz quem não tem alternativa, que é sempre a maior
das forças motoras, num país que estava habituado a não fazer nada ou a fazer
muito pouco.
Os “retornados” continuam a ser uma ferida mal contada da nossa memória
colectiva. Nunca houve um esforço sério para integrar a sua história na
narrativa do regime. Continuam, talvez, a ser estranhos num país de gente
amorfa. Talvez porque nos expõem
as fraquezas, e exibem, sem contemplações, a desumanidade do progressismo
revolucionário.
Cinquenta anos depois, se calhar já podemos dizer o óbvio: a
esquerda tratou meio milhão de portugueses com mais desumanidade do que agora
acusa a direita, toda ela, de lidar com os estrangeiros. Em Portugal, onde toda a gente aprecia
apregoar a sua bondade e gosta de se compadecer de tudo, subsiste um manto de
silêncio oficial e oficioso para quem perdeu tudo e recomeçou tudo. Talvez
porque não aceitaram o rótulo de vítimas, a única categoria que um país
injectado de vulgata marxista aprecia.
O 50.º aniversário da Ponte Aérea
devia ser um marco nacional. Não para reabrir feridas, mas para
agradecer. Para dizer obrigado a quem chegou com medo e ainda assim teve
coragem. Obrigado a quem foi
insultado e não desistiu. Obrigado a quem transformou a sua desgraça pessoal
numa força colectiva.
Num tempo em que se debate tanto a identidade, o acolhimento e os
direitos, talvez seja boa ideia começar por fazer justiça a quem sempre foi da
casa e nunca teve direito a entrar pela porta da frente.
ANGOLA ÁFRICA MUNDO MOÇAMBIQUE RETORNADOS PAÍS SOCIEDADE
COMENTÁRIOS (de 90):Moçambique
Uiros Ueramos: A Ponte Aérea não foi só a maior evacuação aérea da
história portuguesa, foi a maior operação do género no mundo em tão curto
espaço de tempo (6-7 meses, cerca de 300 mil pessoas só por via aérea). Meio milhão de cidadãos portugueses brancos,
muitos com gerações nascidas em África, foram expulsos à força, ameaçados de
morte, despojados de tudo. Chegaram a Portugal como refugiados no próprio país.
50 anos depois, a hipocrisia atingiu níveis estratosféricos: Em 1975, quem
ousasse receber bem os retornados era acusado de “fascista” e “colonialista”. Em 2025, quem ouse questionar a entrada
descontrolada de dezenas de milhares de africanos é imediatamente rotulado de
“racista” e “xenófobo”. Os retornados tinham passaporte português,
contribuições fiscais, serviço militar feito, filhos que nasceram portugueses.
Foram tratados como intrusos. Mas com a sua elevada capacidade técnica e de
trabalho acabaram por ser um motor da economia da altura. Hoje, quem nunca
pagou um imposto em Portugal tem acesso imediato ao SNS, abono de família, RSI,
subsídio de desemprego (através de esquemas vários), e só vem imigrantes com
baixas qualificações, e quem reclama é logo acusado de racista e xenófobo pela
esquerda. A esquerda que em 1975 gritava “os retornados é que paguem a
crise” é exactamente a mesma linhagem ideológica que hoje grita “Portugal tem
de acolher toda a gente”. É uma dupla moral tão obscena que já
nem tentam disfarçar. E o
silêncio oficial sobre os 50 anos da Ponte Aérea, enquanto se fazem cerimónias,
exposições e minutos de silêncio por tudo e mais alguma coisa, é a prova final
da cobardia moral deste país, dominado por uma comunicação social quase toda de
esquerda e por um governo que apesar de direita, presta vassalagem a esquerda… SDC Cruz:
Caro Nuno Gonçalo Poças, eu e a minha
família, como "retornados", que abandonámos o nosso País com pouco
mais que a roupa do corpo, só temos uma palavra para a sua crónica: EXCEPCIONAL. Obrigado. Miguel
Santos: Obrigado pela
mensagem. A minha avó foi uma retornada. Teve que fugir de Moçambique porque os
brancos estavam a ser mortos. Fugiu com a roupa no corpo e 3 filhos na mão.
Deixou plantações, 3 casas, tractores, uma vida. Chegou sem nada nem estrutura
à metrópole. Viveu em bairros de lata da altura onde havia uma latrina para
dezenas de famílias de se higienizar e onde os banhos eram em bacias.
Entretanto trabalhou, bastante duro, e conseguiu sair do fosso. Nunca deixou a
pobreza, mas deixou a extrema pobreza. Sem subsídios. Tudo com garra. Lembro-me
que se levantava as 5h da manhã e eu lá com as remelas acordava pouco tempo
depois para ela ir trabalhar (ela levava-me com ela). Pagou os meus estudos,
criou-me. Apesar das vicissitudes da vida procurou sempre algo melhor para a
geração futura. Tudo sozinha. O meu exemplo de mulher. graça
Dias: Caríssimo Nuno Gonçalo Poças :
Um artigo arrebatador sobre um capítulo "negro" na História do nosso
Portugal e protagonizada pelo governo de então: o partido socialista. Uma
verdadeira tragédia vivida por milhares de portugueses que foram obrigados a um
regresso repentino e caótico, deixando para trás tudo o que construíram,
tudo o que tinham e as suas vivências ( ! )
Infelizmente, este nosso Portugal tem outros capítulos sombrios
protagonizados pelos socialistas/ marxistas que nunca serviram o país, mas se
serviram do país (tal como no passado se serviram das Colónias). Ao NGR
obrigada pelo tão bem conseguido relato dos acontecimentos passados, mas que
deixaram feridas, cicatrizes e memórias, que o passar do tempo nunca apagou. Brilhante
analogia entre factos do passado e os factos deste nosso presente. graça
Dias > Uiros Ueramos: Caríssimo: Só posso elogiar este seu eloquente
comentário. Uma tragédia que é parte integrante da história de
Portugal. Merecia e devia este PSD (de tantos apelos ao Humanismo), ter uma palavra para com estes
portugueses, para os quais o passar do tempo não
esbateu as cores da memória. José
Lúcio: " Talvez porque não aceitaram o rótulo de
vítimas, a única categoria que um país injectado de vulgata marxista
aprecia". Esta frase diz tudo. É ver o Wokismo (que o nome mais correcto
seria NeoMaoismo) e tirar as necessárias conclusões. Parabéns pelo Artigo, Dr
Nuno Gonçalo Poças! João
Mourão: Muito bom artigo. Não sou retornado, e apreciei a justeza desta crónica. Carlos
Ferreira: Excelente crónica! Parabéns! Fernando
Magalhães: Excelente... Levantai vos Ó Pátria proclamai os verdadeiros valores
lusitanos. Obrigado, "Retornados "!!!! José Maceira: Muitos parabéns pelo excelente
artigo. Há o medo de dizer que o 25 de Novembro foi o momento fundador da
democracia, chegou a altura de perder o medo e erguer um Monumento aos
Retornados. Digo retornados à falta de palavra melhor e porque é essa palavra
que a minha mulher, retornada, ainda hoje usa quando define o momento humano e
social da transição na descolonização. Um Monumento ao Retornado que faça
justiça aos 700 mil Portugueses que tiveram que recomeçar a vida do zero e que
sem eles não seríamos hoje o país que somos. Provavelmente seríamos menos
desenvolvidos e mais fechados. Mas um Monumento ao Retornado à vista de todos,
não é escondido, envergonhado com medo das esquerdas e dos media. Um Monumento
no Cais de Alcântara, sem hesitações, na primeira frente ao rio, o local onde
foram despejadas as suas vidas em caixotes. Um Monumento que simbolize esta
gesta de regresso e de retorno à pátria e que iguale em simbolismo o monumento
a 2 quilómetros daí, o Padrão dos Descobrimentos, que representa o salto de um
povo no desconhecido. Padrão dos Retornados ou Padrão do Retorno seriam bons
nomes. Para que ninguém o esqueça e para que todos se lembrem. Xico Nhoca: A democracia também tem a sua
forma de censura. Durante 40 anos não se pôde quase escrever ou falar deste
tema. Desde há uma década que se começou a falar, primeiro com medo depois e
gradualmente com cada vez menos medo. Este artigo fala abertamente e coloca os
pontos nos is. Parabéns ao autor. Afonso
Moreira: Cinquenta anos depois já se pode escrever, sem que a censura esquerdista o
apague: "Portugal mergulhou num período do PREC sem rumo nem
bússola". Meia dúzia saberia o que queria e não se importando
minimamente, uns por ignorância outros por egoísmo, com as consequências dos
golpes corporativos que encetaram. A verdadeira História só agora começa a ser
feita, pelas dívidas abafadas aos daqui e aos do ultramar que vieram, mas
também aos de lá que pagaram com tanto sofrimento e que ainda hoje perdura e
perdurará por muitas décadas. José B Dias: Um texto para o aqui "paradigmas" ler e
reler ... talvez assim entenda que as vítimas, por mais que o tenham sido, não
têm de o ser eternamente! Obrigado, mais uma vez, ao aqui cronista. Filipe
Afonso: Muito bem
dito! Elizabeth
Coelho: Muito
obrigada pela sua crónica. Peter
Leash: Foram
expulsos das suas terras, aquelas que amavam, e a que muito se dedicaram. Foram
mal recebidos em Portugal, onde lutaram para recomeçar de novo. Enquanto isso,
viam, impotentes e com amargura, Angola e Moçambique, afundarem na miséria, na
guerra e na ditadura. Agora, querer agradecer-lhes é um gesto tardio — muitos
já morreram. E se ainda estivessem vivos, duvido que aceitassem o agradecimento
de um país que os traiu.
Nuno Abreu: Muito
obrigado por lembrar que nós, retornados, fazemos parte da história sofrida de
muitos portugueses. Também eu sou retornado. Também eu cheguei a Portugal com
uma mão à frente e outa atrás. Criei coelhos e galinhas para vender na feira, e
sustentar a mulher e dois filhos, numa aldeia isolada de Trás-os-Montes. Apesar
disso matriculei-me na Universidade de Coimbra onde felizmente tinha uma tia
freira que tomava conta de um lar Universitário. Só ia a Coimbra por três dias
por altura das frequências. Recebia os sumários de uma
aluna que residia no lar, almoçava e jantava no lar e dormia no seminário dos
Olivais a pedido da minha tia. Acabada a frequência regressava aos meus
coelhos. Acabei por me transferir para
Lisboa para aproveitar as diferenças de curriculum e poupar um ano do curso,
indo viver por favor em Mem Martins na casa de uma grande amiga de minha
mulher. Como tive boas notas fui
convidado para monitor de direito constitucional. Um dia encontrei no Marquês o
advogado da empresa moçambicana onde trabalhara. Ao saber que cursara direito
convidou-me a ser seu adjunto na multinacional onde trabalhara. Passados
seis meses despediu-se e eu fui convidado a ocupar o lugar. Nessa tarefa que
desempenhei por dez anos, tive oportunidade de analisar o curriculum de António
Carrapatoso que concorrera a um cargo administrativo logo que acabara o curso. Fui
convidado a seguir a fundar uma empresa de construção civil. Fui administrador
por mais dez anos. Num acidente rodoviário o meu sócio morreu. Fiz a transição
para os filhos e vim para as minhas origens fundando outra empresa. Há 19 anos
tive um enfarte. Foram-me detectados os diabetes. Entreguei tudo aos meus
filhos e fui tirar um mestrado em Biotecnlogia na UTAD para perceber como
funciona o nosso organismo. Hoje vivo sossegado numa quinta onde convivo com
animais, onde foram criados os meus netos, colaborando com um em investigação
histórica, tendo já editado três livros. Mensalmente edito uma revista de 16
páginas, que já vai no nº 99, informando e relatando acontecimentos actuais
e históricos sobre a freguesia onde nasci. Ser retornado foi talvez o que
melhor aconteceu na vida. Muito obrigado por mo lembrar. Pedro Baptista: Brilhante, bem-haja pelo seu
lúcido e corajoso comentário.
Meio
Vazio: Os "retornados" e a "comunidade" (parece que agora tem de
dizer-se assim) chinesa; nunca se vitimizaram (tendo para isso tanto
motivo como as demais "comunidades"), nunca esperaram pelos
subsídios, nunca berraram, exigindo que quem não é "comunidade"
lhes pagasse a renda e a ida ao supermercado. João Cunha-Rêgo: A evacuação dos PORTUGUESES
das províncias ultramarinas foi um acto heróico de muito pessoal da TAP, que
chegaram a trazer passageiros deitados nos corredores dos 747. Eu estava em
Moçambique a cumprir o serviço militar. Não estou absolutamente nada de lá ter
estado. Eu falo da TAP, porque foi o que mais acompanhei. Mas lembro-me de
quando as escaramuças começaram, depois do "gloriosa" abrilada, um
frelimo ter ido à rádio de Lourenço Marques e ter dito umas palavras em língua
nativa. Após este acontecimento a Frelimo carregou sobre Lourenço Marques,
tendo matado e chacinado tudo o que lhe aparecia à frente. Tenho imagens
gravadas na minha memória que nunca esquecerei. Quando voltei fui apelidado de
retornado nojento, fascista, salazarista, etc. etc. Eu nasci em Lisboa, e
estive 3 anos em Moçambique. Ajudei muito português branco ou negro a
"enfiar-se" nos aviões, de nada me arrependo a não ser o que não fiz
quando voltei a Lisboa! Manuel
Magalhaes: Muito bem para o autor da crónica, por relembrar um acontecimento que nos
deve envergonhar a todos os que tenhamos algum respeito por nós próprios, a
esquerda não a tem pois é profundamente hipócrita e mal intencionada e este
triste acontecimento é da inteira responsabilidade de toda a esquerda
portuguesa, onde nunca devemos esquecer a vergonhosa atitude do falsamente
endeusado Mário Soares!!!
António Soares: Excelente crónica. Não esquecer que Gouveia e
Melo tem como modelo presidencial Mário Soares, um dos principais responsáveis
pela "exemplar" descolonização, a par de Almeida Santos, Rosa
Coutinho, Cunhal e outros. Também Seguro, que Poças agora apoia, ainda
"pajem", tornou-se um fervoroso seguidor de Soares, que tanto mal
causou aos portugueses em geral e aos retornados em particular. João Amorim: Excelente texto.
Obrigado Jorge
Espinha: Os meus pais já morreram. A minha avó já morreu. As minhas tias e o meu tio
paterno já morreram. Façam a comemoração da ponte aérea num sítio onde não
brilhe o sol. Já dei para o peditório. Teria sido bom, quando ainda eram vivos
que tivessem recebido algum reconhecimento do seu sofrimento. Mas não foi o
caso. É tarde demais. Carlos
Chaves: Caro Nuno Gonçalo Poças, essa “esquerda” (que) “tratou meio milhão de
portugueses com mais desumanidade do que agora acusa a direita, toda ela, de
lidar com os estrangeiros”, tem um nome
de proa: O maior criminoso político depois de Marquês de Pombal e de Afonso
Costa, que este país já viu nascer – Mário Soares! Permita que me
associe ao seu agradecimento, a estes nossos concidadãos tão maltratados pela
esquerda arrogante que ainda sobrevive até hoje em partidos como o PS, o PCP, o
BE e o LIVRE! Malditos sejam!
josé cortes > Jorge Espinha: Talvez seja a amargura a
falar, meu caro. Recordar os nossos (e alguns que ainda cá estão) e a sua
circunstância é doloroso. Mas ajuda. Sempre. Assim sinto. Vitor Batista: Dedico esta crónica aos vários
amigos meus do coração e que foram "retornados "a história não esquece
mas há quem a tente reescrever. Bem hajam. Francisco Almeida: Um artigo muito, muito, muito
corajoso. Mas também escrito por quem não viveu esse tempo. Em Portugal nada funcionava.
Greves sucessivas, crises de crédito levaram aeronaves a não voar por falta de
manutenção e até demoras por falta de pagamento atempado de combustível em
aeroportos estrangeiros. Aliás o mesmo aconteceu com alguns navios. Comandada e
coordenada pelo então coronel Gonçalves Ribeiro, a Ponte Aérea Luanda-Lisboa
foi um verdadeiro milagre. Nada falhou, não houve avarias, não houve
problemas nas escalas. Sem comparação com uma campanha de vacinação. Isso só se
explica porque todos, da União Soviética aos EUA queriam os portugueses fora de
Angola e Moçambique. E evidentemente houve dirigentes políticos e militares que
agenciaram esses interesses externos. Passei algum tempo em Angola - depois
de dois anos de Guiné - que visitei do Cuando-Cubango aos Dembos e apercebi-me
que Luanda tinha quase todos os defeitos de Lisboa e não só no urbanismo. Era,
pode dizer-se, uma cidade de funcionários. Públicos, bancários, de seguros,
agências de navegação, importadores-exportadores mas uma imensa maioria de
funcionários. Os verdadeiros empreendedores, eram das cidades e localidades do
interior e a maioria desses fugiu para a RSA. Muitos integraram a força mista
que chegou à entrada de Luanda e, já aniquilada a força aérea do MPLA, foi
forçada a retirar por um ultimato diplomático liderado pelos EUA e Inglaterra. A
maioria, fugiu para a RSA e para o Brasil e, se muitos voltaram a Portugal, já
não foi na Ponte Aérea. Tudo história por fazer, se algum dia vier a ser feita.
P.S. O meu ponto de vista não
diminui as considerações de Nuno Poças e muito menos as do comentário de Uiros
Ueramos. Na realidade, reforça-as. João
Almeida DiasPaulo Barros: Mesmo que assim fosse, e não
é, escusavam de ter ofendido, e de nos apontar a dedo. Poderíamos ter
partilhado a tal abjecta miséria, mas não. Cada um ficou com a sua, e nós
ganhámos a qualificação de retornados, que ainda hoje tem conotação pejorativa. Sr Leão
> Miguel Santos: O texto do artigo é bom, é
mesmo muito bom e abrangente. O seu comentário é óptimo: verdadeira e completa
exemplificação da grandeza e da intrepidez dos retornados. Também os tive na
minha família, dos que chegaram cá sem nada e sem nada continuaram por decisão
da esquerdopatia dominante na altura.
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