Figuras que deram nas vistas, numa
História amena, com que o Dr. Salles nos aclara memórias espectaculares, que a
comunicação nos fizera chegar em tempos…
HENRIQUE SALLES DA FONSECA
A BEM DA NAÇÃO, 31.10.25
Hoje, começo pela conclusão: Governação sem ética é governança.
* * *
Conheço a Argentina desde o Delta
do Paraná-Rio da Prata até o Ushuaia -Terra do Fogo. Ou seja,
conheço mais da Argentina do que a maior parte dos argentinos. Acho que é um País fantástico (cheio de fantasia) e
formidável (capaz de ganhar forma como potência mundial).
Como país formidável, contam as
enormes condições naturais que lhe permitiram na primeira metade do séc. XX ser
potência mundial na produção de cereais e de carne até que houve um «levantado» vaidoso que deitou tudo a perder. Chamava-se Juan
Péron e, para a
maior desgraça do país, «deu corda» a Evita, a
maior demagoga dos tempos modernos. Ele assumiu a Presidência do país,
baseado no Sindicato dos Frigoríficos de Buenos Aires fazendo
também a industrialização forçada;
ela passou a gerir o Orçamento Social. As insolvências industriais a sucederem-se em
catadupa; o Orçamento Social a
exigir uma política monetária de fazer gripar rotativas, a inflação a tragar tudo e todos; a agricultura a não conseguir suportar tanto desmando. Evita adoeceu e morreu; o General foi
apeado e exilado para Espanha. Mas o mal perdurou com «defaults» sucessivos até Javier Milei ser eleito e ter conseguido baixar a inflação dos 240% anuais para a casa dos 30%. Ainda é muita a tensão inflacionista mas
os eleitores parece terem aprendido a lição e reforçaram nas recentes eleições intercalares aquele a
quem os da demagogia tinham apelidado de «el loco».
Já
basta a Argentina ter entrado nos compêndios de economia pelas portas do fundo
para que agora possa entrar na Galeria de Honra das
políticas Orçamental e Monetária que são os dois actuais grandes
pilares do templo argentino.
Chegada a hora da sensatez lembro-me, de
grandes fenómenos tais como Astor Piazzola, Carlos Kleiber, Martha Argerich, Jorge
Luís Borges, o Papa Francisco e muitos outros em que me falha a
memória…
Oxalá
a demagogia justicialista não volte a entornar o caldo.
Outubro de 2025
HENRIQUE SALLES DA FONSECA
COMENTÁRIOS:
F. G.
Amorim 31.10.2025 16:53: Simples, claro, preciso é consigo. Análise sem preconceito. Abração.
A P
MACHADO 31.10.2025 16:58: M/ Caro Dr. Salles da
Fonseca. A questão da Argentina é bem mais complexa e o "ou vai ou
racha" de Milei tem os dias contados. Aquilo é uma terra rica, com gente
profissionalmente bem preparada, mas uma economia pobre. Só sai da pobreza com
políticas austeras, políticos que não se envergonhem de ser pobres e gente perca
a prosápia de mandar sentada e ponha a "mão na massa". A receita é
até simples de enunciar, mas para a generalidade dos argentinos um
comprimido difícil de tragar.
pinho
cardão 31.10.2025 18:52: Excelente texto, o do Salles
da Fonseca. A Argentina vai no bom caminho e as políticas estão a ter aceitação
da população. Continuar com as políticas dos governos anteriores só traria
maior desgraça. A prova de que a política de Milei está a ter sucesso está
na crítica destrutiva que muita da nossa ( e não só…) comunicação social lhe
faz…
Historiando:
NOTAS DA
INTERNET:
O candidato a Belém rejeita classificar Javier Milei como “ídolo”, mas
admite alguma aproximação e “muito apreço” pela tentativa do presidente
argentino de reduzir o papel do Estado. Sobre os índices de pobreza no país,
Cotrim diz que houve uma descida acentuada e que, antes da chegada de Milei, os
valores eram superiores aos de agora. É verdade?
Ontem à noite, em entrevista à TVI e CNN Portugal, João Cotrim de Figueiredo
admitiu rever-se em algumas políticas do presidente da Argentina, Javier Milei,
nomeadamente no que diz respeito à redução do papel do Estado.
Questionado
sobre os elevados índices de pobreza no país, Cotrim de Figueiredo sublinhou que existiu uma forte descida verificada
durante a presidência de Milei. E notou: “Não vi esta preocupação com a pobreza
na Argentina antes do Milei quando os peronistas dominaram a cena política por
30 anos. E havia índices de pobreza superiores aos de agora.”
Tem razão?
De
acordo com o Instituto
Nacional de Estatística e Censos (INDEC), 31,6% da população
– 9.451.018 pessoas – vivia em situação de pobreza neste país no primeiro
semestre de 2025. Apesar do valor expressivo, trata-se do mais baixo
registado desde 2018, quando a taxa era 27,3%.
Em
2023, antes de Javier Milei assumir a presidência, a pobreza
atingiu 40,1% dos cidadãos – 11.769.747 pessoas – no primeiro semestre e 41,7% –
12.300.481 pessoas – no segundo semestre do ano. Mas,
mesmo antes, predominaram os períodos em que este
indicador foi superior ao registado agora em 2025.
O
INDEC alerta que “devem ser interpretados com reserva” os números registados
entre 2007 a 2015, anos que as taxas foram bastante inferiores (exemplo: em
2013, registou-se uma percentagem de 4,7% de pobreza).
No
entanto, importa sublinhar que, já no primeiro registo oficial de pobreza
durante o mandato de Milei, verificou-se o índice mais elevado das
últimas duas décadas – 52,9%, o que equivale em 15.685.603 pessoas. É
preciso recuar até 2003 para encontrar uma percentagem mais elevada (54%).
À AFP, alguns especialistas referiram que a
redução da pobreza que hoje se verifica, conforme consta nos relatórios do
INDEC, pode ter sido sobrestimada. Isto porque os dados se baseiam em
pesquisas nas quais a população pode declarar o seu rendimento de forma pouco
confiável.
Ou
seja, segundo os dados oficiais do INDEC, o índice de
pobreza actual na Argentina é, de facto, inferior ao registado antes da chegada
de Javier Milei à presidência. Contudo,
importa perceber que, já depois de ter tomado posse, o número de pobres no país
aumentou de forma significativa.
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