Não se trata de
cassette, trata-se mesmo de má educação. Suponho que, desde garoto, a família o
deixou expressar sempre os seus ressabiamentos altissonantes, para poder
admirar a sua arte de burilador de argumentos que se entendiam como impolutos,
plenos de um moralismo defendido com arrogância, tanto na sua expressão formal,
como na articulação conceptual, regozijando-se todos com o prodígio e
incitando-o a prosseguir, via essa que ele escrupulosamente tomou. E ainda hoje
traduz, pleno de dados comportamentais alheios que não se inibe de atacar, mais
do que em esclarecer as propostas das suas reformas partidárias. Mau exemplo o
seu, mas mau exemplo também o dos que o deixam gritar as suas razões, não de
fornecimento de conceitos, mas de ataque a todos os dirigentes em serviço a
quem julga superiorizar-se. Por isso, mal entendo quem o defende ainda,
ironizando sobre os que condenam, moralmente, naturalmente até reconhecendo
quanto é nocivo esse discurso de ferocidade constante.
A angústia do jornalista diante de
André Ventura
Numa entrevista a Ventura, quem está
a ser entrevistado não é Ventura, mas os próprios entrevistadores. É, para os
entrevistadores, uma espécie de entrevista de emprego.
RUI RAMOS Colunista do Observador
OBSERVADOR, 07 nov. 2025, 00:20139
Porque
é que, quando têm de entrevistar o líder do Chega, os jornalistas e
comentadores ficam de repente estúpidos? A cena repete-se há anos. Ninguém
parece querer ou ser capaz de fazer perguntas a André Ventura. Estão ali
para o contradizer, para o desmentir, para lhe chamar nomes. Não são nem
nunca foram assim com nenhum outro entrevistado. Álvaro Cunhal, que em 1975 tentou fazer
abortar a democracia em Portugal, foi sempre entrevistado com urbanidade,
apesar das suas incontornáveis “cassettes”.
Obtêm os entrevistadores, com os seus impropérios, alguma coisa de
André Ventura? Não. É talvez o lado mais absurdo de tudo isto. De entrevista em entrevista, todos já
deviam ter aprendido que Ventura não se deixa intimidar por más maneiras, e que
vai preparado para armadilhas. Também seria de esperar que soubessem
outra coisa: que os ataques do entrevistador dão uma enorme vantagem a
Ventura. Outros entrevistados têm de responder a perguntas, ou correr o
risco de parecer que não respondem; Ventura só tem de rebater e retribuir
agressões e pedradas.
Os
jornalistas e os comentadores não percebem isto? As
pessoas, não sendo estúpidas, só se comportam como se o fossem por duas razões:
ou quando não compreendem a situação, ou quando, compreendendo, o medo – a pior das emoções — as paralisa ao ponto de não conseguirem
agir de modo inteligente. O segredo da entrevista a André Ventura
parece-me que está aqui: diante de Ventura, o jornalista e o comentador são
gente assustada. Mas não é Ventura que lhes mete medo. São os outros:
todos os que o entrevistador imagina que o estejam a ver, ouvir ou ler a
entrevistar André Ventura. É a pressão dessa multidão imaginária que torna
estúpido o entrevistador.
O
cerco que a esquerda e parte da direita montaram a André Ventura não dissuadiu
1,5 milhões de portugueses de fazerem do Chega, em seis anos, o segundo maior
partido parlamentar. Não se deixaram intimidar. Mas aqueles que lutam por empregos, posições e destaque no sistema
mediático, esses, sim, ficaram apavorados. A tese de que não se deve “dar plataforma” ao Chega ou de que o Chega
não pode ser “normalizado” tornou a entrevista a André Ventura no exercício
mais perigoso do jornalismo em Portugal. Diante de Ventura, o entrevistador
sabe que toda a gente o está a vigiar. Vai ele deixar Ventura falar? Vai ele
tratá-lo como a qualquer outro entrevistado? Ai dele: estará a incorrer no
crime de lhe “dar plataforma” e de o “normalizar”. Por isso, a preocupação principal do entrevistador, perante Ventura, não
é levá-lo a responder a perguntas, mas distanciar-se dele, mostrar que nada tem
a ver com ele, pelo recurso primitivo de o afrontar e insultar.
Há,
no jornalismo, activistas anti-Chega. Mas mesmo a manifestação do
preconceito, de tão ostensiva, precisa de ser explicada, porque é regra, em relação a tudo o mais e por uma
questão de profissionalismo, o jornalista tentar passar por imparcial. Só
em frente de Ventura o fanático julga que pode ou até deve expor o seu
fanatismo. Até o mais encartado activista
se sente obrigado a exibir excesso de zelo. Não está menos assustado.
Numa
entrevista a Ventura, é como se quem estivesse a ser entrevistado não fosse
Ventura, mas o entrevistador. Funciona, para os entrevistadores,
como uma espécie de entrevista de emprego. É a ocasião de provarem que
nada têm a ver com Ventura e, por isso, merecem a consideração e as posições
que têm ou a que aspiram. Tal como quando classificam os debates de Ventura,
não estão a pensar no líder do Chega, mas nos colegas e correligionários que os
possam acusar de simpatia pelo diabo ou de pouca fé, e fazê-los “cancelar”. Não
lhes interessa a verdade, mas apenas serem aceites.
JORNALISMO MEDIA SOCIEDADE ANDRÉ VENTURA PARTIDO CHEGA POLÍTICA
COMENTÁRIOS (DE 139)
J. D.L.: Se os
jornalistas, por motivos profissionais e de carreira, têm de parecer ser contra
Ventura a conclusão é que o jornalismo profissional é actualmente
jornalismo não isento, jornalismo ao serviço do sistema. Como
Maria Paula Silva muito bem nota, não é Jornalismo. Maria Paula Silva: Se calhar são mesmo es tú pi dos. Ou, se
calhar, isto só vem provar que afinal não temos Democracia desde 1974. Porque,
em Democracia cabem todos. Mas a democracia da esquerda é
pequenina, só cabem eles. São piores, mais ditadores, facciosos e fanáticos do
que aquilo que sempre criticaram ao Estado Novo. E, pelos vistos, nem se
enxergam e continuam a trabalhar para o crescimento do Chega LOL João Floriano: Na
mouche. É mesmo isso. A recente entrevista na CNN com Pedro Costa e Chicão é
simultaneamente um exercício de estupidez e arrogância, que inicialmente nos
pode indignar mas que acaba por nos fazer rir. O velho ditado do burro que não
tem pé mas que dá coice. Neste caso os burros eram três. A estratégia está
definida: lançar perguntas em catadupa e não deixar o entrevistado
responder, falando por cima, tal e qual como Prata Roque pretendeu fazer com
Rodrigo Taxa. o mais assustado de todos deve ser o guru do humor nacional
de esquerda: RAP. Uma entrevista a Ventura deverá ser um pico no share da
estação. «Deverá ser» ou melhor «deveria ser», porque RAP só tem coragem para
ridicularizar a vozinha de falsete do Moedas. A partir daí é terreno onde não
pisa. Será falta de coragem?
graça
Dias: A entrevista a AV na CNN não o foi!.. foi porém, um
julgamento por parte de três
activistas de cultura marxista Woke, em style "Santo Ofício" ao serviço da Inquisição.
As TVs têm perdido toda a sua credibilidade e, a continuarem com tão
deprimentes espectáculos, em que tudo é uma exibição grotesca, sem graça, sem
uma réstia de ética ou pudor, cá em casa a SIC Notícias ninguém vê terá mais de
ano e meio, o mesmo com RTP 3, a CNN com o seu activismo político, informação
enviesada e com alguns (ou muitos), " palhaços " comentadeiros, desde
esse dia deixaram de interessar estes espectáculos Tablóide de
supermercado.
SDC
Cruz: Caro Rui Ramos, pondere remeter a sua excelente
crónica para todas as redações da CS. Começando, naturalmente por aí,
pelo Observador (quantos teriam a coragem de aprender e de compreender?) e
continuando, em lugar de destaque, na SIC & Filhos, CNN, Público e outras
Notícias, de forma a que, ao lerem-no (será que seriam capazes, só porque fala
do inimigo de estimação?), se vissem reflectidos no espelho. Como não creio que
eles o permitissem, tal o ódio que têm ao político mais hábil e inteligente da
nossa democracia, então que seja afixada à entrada do ISCTE, ISG, ISEG e outras
coisas de Coimbra. Absolutamente notável! André Tavares: Nem se pode chamar o que estes entrevistadores fazem
de jornalismo, não conseguem esconder a antipatia, a repulsa e o rancor por AV.
Não conseguem ser imparciais. Nem fazem ideia de qual a função de um
jornalista. Estão ali como se estivessem a representar um partido da oposição
(do espectro politico mais distante) e fazem daquilo um debate em vez de uma
entrevista. Ana Luís da Silva: Excelente artigo! A visão telescópica, desarmante e
crua de Rui Ramos alia-se aqui à sua já reconhecida qualidade de tornar simples
o que outros atrapalham, enredam e complicam. Nestas linhas se vê clarinho como está enviesada e
tóxica a nossa sociedade mediática. Cheia do politicamente correcto de
Esquerda. Um nojo.
Vitor Batista: Um
excelente artigo que confirma de maneira sóbria e factual a realidade das
entrevistas a Ventura. A esquerda e
extrema-esquerda associadas, formam uma grande organização conspirativa e
pidesca, de olho nos jornalixos que entrevistam Ventura, e ai deles se saltarem
fora do guião, porque serão silenciados e conduzidos às masmorras das Stasi e
Pides desta vida, e condenados ao esquecimento e ostracismo. Essa gente não
brinca em serviço, e Salazar e a sua Pide sentiriam inveja destes pequenos
Estalines que conseguem silenciar mais do que aqueles que ele nunca conseguiu
silenciar. Mas não vai ser sempre assim, porque quando se pensa que o povo
é grunho como o milhão e meio, outro milhão e meio sente-se forçado a responder
a estes comunas nazis que se julgam donos do rectângulo. Carlos Chaves: E há uma
outra terceira razão caro Rui Ramos, estarem vendidos a uma estratégia,
estúpida é certo, da cor que todos sabemos! A prova disto é que aos
“jornalistas” não lhes interessa a verdade, como bem diz, ou seja, não são
jornalistas são paus mandados de uma estratégia que está no terreno! José Martins de Carvalho: Excelente retrato dos entrevistadores. Extensível a
comentadores e analistas, que, para ganhar a vida, têm de dizer mal de Ventura. João Floriano > Mario Figueiredo: Discordo, Mário. Se há partido mais escrutinado desde
2019 é sem dúvida o CHEGA. Se há lider que tenha sido mais criticado
nestes anos é sem dúvida André Ventura. Há maus de ambos os lados. O seu erro é
estar convencido que do lado do CHEGA somos todos uns velhacos. Vitor Batista > Manuel Almeida Gonçalves: Ventura não é Sócrates, não precisou de tirar a
licenciatura ao domingo, Ventura é um tipo inteligente e humanista, Sócrates é
um tipo "experto "e mafioso,mas no ps não encontramos Venturas,só
encontramos Sócrates,porque o homem fez escola e foi o herói de muita gente com
cartão da camorra do Largo do Rato, e que muitos também abandonaram quando o
galo cantou três vezes. António Lamas: Disse tudo. E para endireitar este jornalismo
bacoco, ignorante cobarde, e parafraseando o próprio Ventura, são precisos três
Berlusconis . (CONTINUA)
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