Quando chegámos de África, já lá vai mais de meio século, era mesmo a democracia que estava a dar para a maioria do povo português - a minoria, sem voto na matéria, está visto - digo a minoria ultramarina - a maioria popular nacional funcionando em coesão com as tais tropas instaladoras do 25 de abril que lhes libertava os filhos, ou a si próprios - em nada se assemelhando, claramente, aos do leste europeu, que hoje se defendem, e ao seu país, patrioticamente, dos tais russos desocupados e desejosos de ampliarem o país deles com mais espaços terrenos, por alheios e independentes que estes sejam, e mesmo próximos, não se achando, esses tais, de modo algum usurpadores, como nos tinham apelidado antes, que enfrentáramos percalços graves para os obtermos – digo, os espaços - mesmo além da Taprobana, por mares nunca dantes navegados, muitos anos antes, ao que consta, como iniciadores - outros povos, nos seguindo nisso, posteriormente, mais orgulhosos dos seus feitos, todavia, e competentes, entre os quais os da nossa vizinhança peninsular.
O espaço europeu está hoje em risco, esquecidos - os actuais nossos seguidores na conquista de outrora - mais bem apetrechados todavia - das suas generosas teorias relativamente aos povos insignificantemente desconhecidos e longínquos, (que fomos nós e os nossos conquistados e descobertos de então), ao contrário destes bem conhecidos da sua vizinhança, que os mesmos atacam hoje, de pleno direito e sem subterfúgios efusivos, claramente.
O escudo democrático
Liberalíssimos democratas a defender a proibição das
redes sociais, esse tentacular polvo de caótica e amoral informação
alternativa, a bem da Democracia e da luta contra o Fascismo?
JAIME NOGUEIRA PINTO Colunista do Observador
OBSERVADOR, 01 nov. 2025, 00:1827
A
Comissão Europeia tem comissários para tudo. Mas há um que tem um pelouro mais
exigente do que os outros.
Trata-se de MICHAEL MCGRATH, Comissário Europeu para a Democracia,
Justiça, Estado de Direito e Protecção do Consumidor.
Ora,
dada a dimensão do campo de batalha e não estando o manipulado povo, o desinformado demos, de
feição, parece que para
proteger a Democracia, o Estado de Direito e o Consumidor, só mesmo instalando
um Escudo. Um Escudo
Democrático, contra o
exército de desinformadores que, processo eleitoral a processo eleitoral,
incessantemente trabalha na sombra para transviar o
incauto povo europeu.
A
fim de sensibilizar as massas para a implementação do dito Escudo, McGrath resolveu então organizar um debate na Comissão
Europeia sob o título “A necessidade de um Escudo Democrático Europeu
para fortalecer a Democracia, defender a UE da ingerência estrangeira e das
ameaças híbridas e proteger os processos eleitorais na União Europeia”.
Assim,
no dia 9 de Outubro, depois de desfiar os perigos que ameaçavam o
futuro da Democracia na Europa, McGrath passou a tranquilizar as hostes para que não caíssem
em desânimo, dando-lhes a boa-nova: graças à contribuição do Parlamento
Europeu, dos Estados membros e até de cidadãos anónimos, o Democratic
Shield estava pronto a ser “implementado”!
O Escudo Democrático vinha, assim, socorrer a Europa, respondendo ao premente desejo dos cidadãos
europeus, conforme expresso em inquérito realizado entre 31 de Março e 26 de
Maio deste ano. Para o
comissário, as 5 mil respostas ao inquérito (num universo de 400
milhões de eleitores) eram, já de si, um
sinal positivo. Uma grande riqueza, a participação entusiástica dos cidadãos da
Europa. É certo que, dos 5 mil cidadãos que responderam à consulta, só 79 se
mostraram favoráveis à implementação do dito Escudo, mas não seria isso mais uma prova das “ameaças
híbridas” e das “ingerências estrangeiras” que andavam no ar?
Em
contrapartida, das 94 organizações não-governamentais inquiridas – que, essas sim, estavam no terreno –, só 8 se tinham oposto ao Democratic
Shield. Os canais
de desinformação, que moram lá para os lados das “redes sociais”, apressaram-se
a sugerir que a discrepância talvez se devesse ao facto de a maior parte das ONGs ser financiada pela
própria Comissão Europeia… Mas não
eram os cidadãos europeus também financiados, e até agraciados, pela Comissão,
com comissões, debates, recomendações, subsídios e altos funcionários que
permanentemente trabalhavam em sua defesa e em defesa da Democracia?
Independentemente
dos inquéritos, o Escudo Democrático impunha-se; até para conter as
escolhas eleitorais de povos cada vez mais manipulados e desinformados, que
insistiam em ameaçar a Democracia, apesar dos inúmeros avisos da imprensa de
referência e das inúmeras recomendações e sanções das inúmeras comissões.
À beira de um ataque de nervos
O
Escudo do comissário do povo europeu Michael McGrath é só um exemplo da forma
mais organizada e institucional que a reacção sistémica ao “voto do povo” tem
vindo a tomar. A prática
de recorrer a instrumentos jurídicos para, em nome da Democracia, proibir ou tornar ilegais eleições “que não
correram bem” e prevenir as que poderão não correr bem, parece ter-se
normalizado. A
primeira volta das eleições na Roménia, por exemplo, foi anulada porque o “candidato errado” estava à frente; igualmente esclarecedora, é a tentativa de impor a Marine
Le Pen uma
sentença extraordinária por ter como funcionários no Parlamento Europeu alguns
dos seus quadros partidários, prática generalizada entre os
partidos franceses e europeus.
Também em Portugal – e logo num momento de grandes elogios à
actividade jornalística e ao papel da liberdade de pensamento e de escrita no
nascimento e consolidação da Democracia – parece haver partidários dos
“escudos democráticos”, nomeadamente contra as famigeradas “redes sociais” (como se
“as redes sociais” fossem uma realidade unívoca e unilateral, e como se a
desinformação, o discurso de ódio e os disparates só por lá andassem). A alternativa, supomos, seria ficarmos
unicamente com os chamados jornais de referência e com uma aturada selecção de respeitáveis pivots e
comentadores televisivos, capazes de
informar democraticamente o povo, com a decência, o rigor, a objectividade, a
correcção e a actualidade que a Democracia exige. (No Domingo passado, quando já se sabiam os resultados
na Argentina, um dos canais de referência, atido ao wishfull thinking das
sondagens e a uma suposta vitória dos
peronistas em Buenos Aires, ainda dava Milei a perder as eleições
parlamentares na Argentina).
Liberalíssimos
democratas a defender a proibição das redes sociais, esse tentacular polvo de
caótica e amoral informação alternativa, a bem da Democracia e da luta contra o
Fascismo? O mesmo Fascismo instituído pelo Estado Novo, esse “bafiento regime
de terror”, que censurava tudo o que era amoral e…alternativo?
Com todo este “ó tempo volta para trás”, só podem estar à beira de um ataque de nervos.
A SEXTA
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EUROPEIA EUROPA MUNDO DEMOCRACIA SOCIEDADE
COMENTÁRIOS:
António Rocha Pinto: Os "jornais de referência" fazem haraquiri
diariamente, afugentando leitores e até "simpatizantes" só não morrem
por o Estado fazer uso do seu "escudo democrático" financiar o
ventilador. José B
Dias: É certo que, dos 5 mil cidadãos que
responderam à consulta, só 79 se mostraram favoráveis à implementação do dito
Escudo, mas não seria isso mais uma prova das “ameaças híbridas” e das “ingerências
estrangeiras” que andavam no ar? São agora os "agentes russos" no
lugar das velhinhas bruxas de Salém ... e o jeito que dá ter algo para servir
de bode expiatório e simultaneamente manter a população medrosa, desconfiada e
assim bem mais disposta a tudo aceitar? Mas como sempre, é tudo para a nossa
segurança, é preciso aplanar a curva e vai ficar tudo bem ... Ana Bosque: Este artigo é mais um alerta de JNP. Nunca devemos
tomar a democracia como um dado adquirido. Há muitas formas de, para bem do
demo, acabar com ela.
João Filipe Reis: Muitos
parabéns. madalena
colaço: Obrigada por denunciar a ingerência dos
comissários e altos dirigentes europeus no nosso dia-a-dia. Eles é que sabem o
que podemos ler, ouvir, ver e ainda nos atiram que com esse "escudo"
nos estão a proteger. Em breve preparam-se para imitar a China, no controle do
que fazemos dando pontos do que podemos ou não ler ou fazer. Quem ler os seus
artigos, JNP, certamente terá pontuação negativa. Jorge
Carvalho: A Europa
está tolhida pela serventuária comunicação social e a oligarquia de Bruxelas já
vão estando muito desmascarados. Mais uns empurrões e vão borda fora. Ainda não
perceberam que não vai haver escudos que cheguem para defender os seus pérfidos
previlégios. Sr
Leão: O povo não tem defeitos. As pessoas
são como são -- ou como a vida lhes permite ser. Sendo a democracia o regime em
que a vontade popular deve prevalecer -- sendo imposta pela maioria -- é
evidente que essa treta do "escudo democrático" que protege os
cidadãos de si próprios não passa de mais uma aldrabice destinada a garantir a
continuidade no poder a quem já o exerce. É preciso denunciar a manobra
totalitária que está a ser ensaiada pela maioria dos governos e de quem preside
às instituições europeias. Ou já esquecemos o trapaceiro Costa e outros que
vivem pela Europa à nossa custa?
Manuel Magalhães: Óptima
demonstração do que é o trágico ridículo do que é e do que tem sido a “gouvernance”
da UE, entretanto, tarde e a más horas começamos a perceber que
geopoliticamente já praticamente não existimos, e agora??? José
Costa-Deitado: “Um Escudo Democrático”? O novo comissário
europeu para a Democracia quer salvar a Democracia... da própria democracia.
Chamam-lhe “Escudo”, mas o que parece mesmo é “La Piovra” — o polvo
tentacular do pensamento único, que
tenta agarrar tudo o que mexe fora da bolha mediática e das televisões oficiais.
Querem proteger-nos da desinformação — isto é, proteger-se da informação
alternativa. Democracia sim, mas sem povo e sem redes. É o novo lema de
Bruxelas. Jaime Nogueira Pinto,
disse o que muitos pensam e poucos se atrevem a escrever. Miguel
Seabra: E que tal
extinguir a comissão europeia?João
Floriano: E estão
mesmo à beira de um ataque de nervos. Por cá também se tentou impor uma
higienização do discurso que mais não é do que dar plena liberdade de expressão
à esquerda e seus arautos e fechar a matraca da direita. «Tavares alerta para discurso político polarizado e defende
pedagogia do jornalismo». Este artigo de 18 de janeiro de 2024
publicado no Observador, mostra-nos a opinião do irrequieto Rui Tavares a propósito de um jornalista do Expresso que foi retirado «ao colo», da sala. Em
novembro de 2023, Rita Matias
foi barrada na Faculdade de Direito da Cidade Universitária em Lisboa. Não me
lembro de o nosso querido careca do LIVRE ter sido tão vocal como no caso do
jornalista do Expresso. Em 2017 Jaime Nogueira Pinto foi também calado e boicotado numa conferência a
realizar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade
Nova de Lisboa. O
curioso é que o alvo da higienização é sempre de direita. Na esquerda é tudo
limpinho, lavadinho, um brinquinho. Não pude deixar de sorrir com a
amostra de 5000 respostas ao rápido inquérito do Sr. McGrath. Aposto que foi
realizado no próprio Parlamento Europeu onde trabalham 8000 funcionários. Foi o
inquérito da semana. Na anterior os 8000 funcionários tinham votado entre
brioche ou croissant ao pequeno almoço no restaurante do edifício. Miguel Seabra:
E que tal extinguir a comissão europeia? Miguel
Macedo: Muito bem!
Como sempre! Rui Lima: Nos subúrbios de Helsínquia, a Solar Foods fabrica uma
proteína em pó a partir de um micróbio que não precisa de fotossíntese para
crescer. Apresentam-na como uma alternativa ‘revolucionária’ à carne —
eficiente, limpa e supostamente sem sustos ambientais. Depois de ler o artigo
de JNP sobre a ‘boa liberdade’ que Michael McGrath, Comissário Europeu para a
Democracia, Justiça, Estado de Direito e Protecção do Consumidor,
nos quer dar, comecei a perceber o quadro completo: Solar Foods promete carne em pó de micróbio. O Comissário promete ‘boa liberdade’ higienizada. Parece que, em breve,
estaremos protegidos da carne…
e da liberdade também.”
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