Perfeitamente toscos. A pretender estabelecer paralelos, imediatamente
após as entrevistas. Será assim tão indispensável o julgamento urgente? Logo a
seguir ao debate, a classificação?! Muitos factores ajudam a definir
personalidades, e as opiniões alheias podem divergir, segundo as
subjectividades dos “revisores” comportamentais. O saberem, os candidatos à
Presidência da República (neste caso), que vão ser classificados publicamente, logo
após o debate, parece molesto. E de um exibicionismo pouco subtil, próprio de
um povo pouco subtil. Para além do mais, é isso inútil. De facto, a
personalidade dos governantes só se define nas especificidades da sua acção
governativa futura – autoritária, branda, ou puramente responsável… As
respostas de ocasião, dos entrevistados, por muito pertinentes, não definem uma
pragmática comportamental de governação futura de confiança, que mereça ser
discutida no imediatismo subsequente às entrevistas. Estas servem apenas para
testar pedantemente as capacidades dos comentadores em confronto, geralmente de
partidos opostos, a orientar ideologicamente as próprias respostas,
ressalvando, por vezes, as simpatias entre si, logo desmascaradas nas ironias
próprias, contra o parceiro fronteiro.
"E o Vencedor é" dos debates.
Marques Mendes bateu António Filipe
ao não esquecer o tema fatal da Ucrânia: veja as notas
Sempre em polos opostos, falaram do papel presidencial, da greve
geral, da lei laboral, do 25 de novembro e da privatização (e buscas) da TAP.
Mas foi a Ucrânia que voltou a tramar o candidato da CDU.
OBSERVADOR, 18 nov. 2025, 22:323: TEXTO
Marques Mendes entrou em modo saudades de comentador
no regresso à SIC, com o devido cumprimento à moderadora Clara de
Sousa— e em modo político, ao
cumprimentar António Filipe como
um velho amigo profissional. Mas não era tempo de comentário e
sim de debate e Mendes tentou sempre encostar o candidato apoiado pela
CDU aos ideais defendidos pelos comunistas, enquanto o Filipe fazia exactamente o mesmo e
colava o opositor ao partido de que sempre fez parte e ao Governo.
Tudo começou com a lei laboral, que
voltou a ser o tema inicial deste segundo debate. Focando-se essencialmente na greve
geral, Marques
Mendes
mostrou-se “confiante num entendimento” e não quis falar demais da lei, porque pode “vir
a ter de se pronunciar como futuro Presidente”. O candidato apoiado pela CDU respondeu dizendo estar em profunda
divergência com o seu oponente em relação quer à lei do trabalho, porque “inverte
toda a protecção dos trabalhadores”, como ao apoio completo à greve. Foi quando Filipe fez o primeiro ataque e
disse ser “o
candidato dos trabalhadores”,
ao mesmo tempo que classificava Mendes “o
candidato do Governo”. Marques
Mendes chamou-lhe então um “candidato de facção” que está na “eleição errada” e
que tem uma perspectiva diferente porque
está “do lado da CGTP”.
Segunda
divergência: a comemoração do 25 de Novembro, na próxima
terça-feira. António Filipe afirmou que esta sessão “é claramente contra o 25 de Abril. É reescrever a
história e menorizar o 25 de Abril”, e
ouviu Marques Mendes responder que “a data 25 de abril é uma data única
porque é a data fundadora da democracia”, mas que “o 25 de novembro também é
uma data importante porque devolveu os princípios do 25 de Abril”.
Ainda falaram das prioridades
que tinham para o país de forma mais genérica quando as privatizações e
os novos desenvolvimentos à investigação à TAP,
conhecidos esta terça-feira, vieram a debate. Marques Mendes defendeu
qualquer forma de privatização da companhia aérea contra a ideia de António
Filipe, que disse que “a TAP foi comprada por privados com o dinheiro da
própria TAP, que depois desertaram” e acusou Mendes de ser “neoliberal”.
Uma pequena aproximação,
quando foram questionados sobre o que o Presidente pode fazer se o país se encaminhar
para uma deriva autoritária. Mendes garantiu que será “absolutamente intransigente”
nessa matéria e António
Filipe lembrou que o
Presidente da República “é o último reduto da democracia” e tem o poder de “exercer o direito de veto” e, ainda,
“havendo um governo que ponha em causa regras da democracia”, pode “dissolver a
Assembleia”.
Ainda falaram das prioridades que
tinham para o país de forma mais genérica quando
as privatizações e os novos desenvolvimentos à investigação à TAP, conhecidos
esta terça-feira, vieram a debate. Marques Mendes defendeu qualquer forma
de privatização da companhia aérea contra a ideia de António Filipe, que disse
que “a TAP foi comprada por privados com o dinheiro da própria TAP, que
depois desertaram” e acusou Mendes de ser “neoliberal”.
Uma pequena aproximação, quando foram
questionados sobre o que o Presidente pode fazer se o país se encaminhar para
uma deriva autoritária. Mendes
garantiu que será “absolutamente intransigente” nessa matéria e António Filipe
lembrou que o Presidente da República “é o último reduto da democracia” e tem o
poder de “exercer o direito de veto” e, ainda, “havendo um governo que ponha em
causa regras da democracia”, pode “dissolver a Assembleia”.
No fim, o tema mais desestabilizador
para António Filipe: O que fazer perante
a guerra na Ucrânia? “Devíamos
fazer tudo para fazer uma mediação para terminar a guerra”. Marques
Mendes não perdeu a oportunidade: “Como é
possível optar por Putin e não Zelensky? A paz todos queremos. Faria um
apelo a Putin?”. Resposta de Filipe: “É
simplificar o que não é simplificável”.
O
Observador vai ter
um “Vencedor é” — à
semelhança do programa e podcast da Rádio Observador — dos 28 frente a frente
televisivos para as eleições presidenciais, em que avalia quem ganhou. Um painel do Observador dará notas de 1 a 20
a cada um dos candidatos por cada um dos debates e um texto de avaliação ao
próprio confronto. A média vai surgindo a cada dia de debates, no gráfico
inicial, que abre este artigo. Amanhã, quarta-feira, não há debates, que
regressam quinta, na RTP, com o confronto entre Gouveia e Melo e Cotrim Figueiredo (como
todos os restantes, às 21h00). Pode ver o calendário completo
dos debates aqui.
Marques Mendes: 14,75 — António Filipe:
11,5
Alexandra
Machado — Luís
Marques Mendes estava no seu espaço. Passou anos naquele estúdio, com aquela
moderadora (Clara de Sousa) e até naquele lado da mesa. Em algumas
alturas Marques Mendes pareceu até que voltou a esses tempos e parece até um
pouco estranho Marques Mendes ter tantas vezes puxado pelo seu
galão da experiência. Estava perante António Filipe, com
experiência política, local e parlamentar (não tem de facto a experiência
governativa).
O debate foi equilibrado e civilizado. Dois candidatos em pólos diferentes, mas
um verdadeiramente candidato a Presidente, outro a colocar-se como dirigente do
PCP. Por temas. Na legislação
laboral, António Filipe acabou a dizer que, no final do dia, acabaria por ser
“obrigado a promulgar”, depois de esgotados os expedientes – e até introduziu a
necessidade do Presidente escrever ao Parlamento para usar a sua magistratura
de influência (Marques Mendes acabou, mais à frente, por dizer também que é
preciso usar mais essa figura). Mas enquanto candidato a Presidente,
António Filipe colocou-se num lado: “Sou
o candidato dos trabalhadores”. Marques Mendes foi mais cauteloso, e voltou a dar o puxão de orelhas
ao Governo que hostilizou a UGT. Marques
Mendes chamou a UGT para a resolução do conflito. O candidato à direita, neste
tema, perdeu quando erradamente disse que a CGTP nunca tinha assinado um acordo
social, colocando esta central sindical também de lado.
Marques Mendes tentou sempre colar
António Filipe à “facção” comunista. Num outro tema, o do 25 de novembro, Marques Mendes tinha espaço para sair por cima,
mas defendeu a participação na cerimónia de forma “branda”. António
Filipe foi também mais assertivo no que faria em eventual deriva totalitária no
país.
António Filipe quis levar o tema da
venda da TAP ao debate, no dia em que houve buscas por causa da privatização de
2015, e tentando assim contestar essa venda e todas as outras de todas as
empresas públicas… Não saiu
bem. Já Marques Mendes ganha pontos quando, mesmo a terminar o debate (levava o
tema engatilhado), confrontou António Filipe com o tema Ucrânia.
Estando a falar para
eleitorados diferentes, o debate acabou por ser equilibrado. Marques Mendes era
verdadeiramente o candidato presidencial e talvez por isso tenha acusado um
pouco essa responsabilidade.
Pedro Jorge Castro — Estão a correr em pistas diferentes e
nota-se. António Filipe
só precisa de cortar a meta a 18 de janeiro sem envergonhar o PCP, mantendo a
chama da luta viva perante os cada vez menos camaradas que resistem. Marques Mendes
tem de suar tudo para chegar penteado e cheio de genica — e tentar continuar a
dar mais uma volta à pista. E mostrou que está em forma para isso.
Tinha
muito a perder: basta uma gaffe ou um deslize para pôr em causa as suas
hipóteses. Acabou por ganhar, com golpes fatais que desferiu em António Filipe,
na falta de sentido de Estado em relação à forma como se pronuncia sobre o
código laboral, a celebração do 25 de novembro e a guerra na Ucrânia (deixando
o oponente a gaguejar sibilantes quando lhe perguntou se apelava a Putin para
recuar na invasão ao país de Zelensky).
A
única coisa que não correu bem a Marques
Mendes — neste
cenário com Clara de Sousa — foi fazer lembrar os seus anos de comentador, o
que pode repelir quem não queira agora um Presidente parecido com Marcelo. Mas em
comparação com o duelo da véspera foi um debate que decorreu com tanta elevação
que até António Filipe merece nota positiva pela forma.
Miguel Santos Carrapatoso — Realisticamente, Luís Marques Mendes é de
facto candidato à Presidência da República; António Filipe não é. O social-democrata
tem uma missão: aproveitar o vento que sopra a favor da AD e crescer a partir
daí. O comunista tem outra tarefa: impedir a implosão do
PCP. O
verdadeiro adversário de Marques Mendes é Henrique Gouveia e Melo; o verdadeiro
adversário de António Filipe é o centrismo de António José Seguro. Tudo somado, um e outro conseguiram os
objectivos a que se propunham. Mendes conseguiu apelar ao grande centrão sem
arrepiar muito a direita — a forma como defendeu o 25 de Novembro foi
especialmente bem conseguida. António Filipe mostrou-se um homem convictamente
de esquerda e com a cabeça no sítio onde a esquerda deve ter a cabeça: na vida
real das pessoas. Viu-se vítima de um xeque-mate na questão da Ucrânia
porque, enfim, o PCP não consegue sair dali. Chega a ser confrangedor. Quanto à forma, Luís Marques Mendes provou o porquê de
não poder ser subestimado — os anos de televisão dão outra tarimba. “Dança como uma borboleta e pica como uma
abelha.” António Filipe, por sua
vez, mostrou-se capaz de defender as suas ideias sem nunca passar a linha da
intolerância democrática — veja-se a forma racional como abordou a questão que
tanto tem animado uma parte da esquerda pueril sobre dar ou não posse a um
governo do Chega. O povo é soberano, lembrou o comunista aos, porventura,
mais distraídos candidatos da esquerda. Foi
um bom jogo de aquecimento para ambos. Mendes
só será verdadeiramente testado com André Ventura e Cotrim
de Figueiredo e terá de ser claramente superior a Gouveia e Melo. António Filipe terá de derrotar Catarina Martins e
Jorge Pinto e tentar puxar António José Seguro para o campo da esquerda. Não
têm caminhos fáceis.
Rui Pedro Antunes — Marques Mendes e António Filipe não disputavam votos, mas mostravam-se pela primeira
vez aos respetivos eleitorados. E, nos debates, como na política, não há uma
segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão. O candidato
apoiado pelo PSD foi o mais seguro, mostrando uma confiança típica de quem
jogava em casa. E, de facto, jogava. O estúdio de
televisão é o seu habitat natural como político (onde teve mais sucesso do que
na vida político-partidária) e isso ficou absolutamente claro. Neste debate até houve a coincidência de
a mesa e a moderadora ser a mesma que o acompanhou no passado como campeão de
audiências ao domingo. Foi um bom teste de ensaio para enfrentar os
adversários que tem, necessariamente, de bater em canal aberto. Além disso,
António Filipe até foi eficaz a colar Mendes ao Governo, mas o ex-líder do PSD
nada fez para se afastar dessa imagem. E bem: ser o
“candidato do Governo”, como acusou o comunista, é neste momento uma vantagem. Até o tema da cerimónia do 25 de Novembro
não podia ter corrido melhor para Marques Mendes, que pôde jogar em dois
tabuleiros: por um lado piscar o olho à direita ao defender a cerimónia; e, por
outro, ao hierarquizar o 25 de Abril como a data mais importante, não afastando
o centro-esquerda. Nessa
matéria, António Filipe até disse algo desnecessário e que irritará muitos dos
militantes mais ortodoxos do PCP: que tem como apoiante um subscritor do
Documento dos 9. Mas o knock out final de Mendes a António Filipe
foi quando chegou o tema da Ucrânia, reduzindo desde logo o argumento de
António Filipe sobre o conflito ao de miss mundo: “A paz
queremos todos”, atirou Mendes. E, de seguida, com habilidade política, o social-democrata
conseguiu colocar o comunista a recusar-se a fazer um apelo a Putin para sair
da Ucrânia. António Filipe até pode ter razão ao dizer que esse é um “apelo
simplista” — já que é política e militarmente inviável a Rússia sair de certas
áreas ultra pró-russas do Donbass — mas o candidato apoiado pelo PSD atingia o
objetivo de colocar o adversário do lado de Moscovo. O
comunista não terá, é certo, perdido nenhum voto comunista. Nem teve sequer uma
noite desastrosa. Mas há pouco por onde crescer, além de a esquerda estar
fragmentada em várias opções, do BE a Seguro. A juntar a isso, o comunista fez
pouco para se afastar de alguma dialéctica anacrónica que prejudica o PCP.
Apanhou Mendes a faltar à verdade (sobre a CGTP), mas nem isso beliscou uma
vitória clara do social-democrata.
PRESIDENCIAIS 2026 ELEIÇÕES POLÍTICA DEBATE SOCIEDADE PCP LUÍS MARQUES MENDES PAÍS
COMENTÁRIOS
mais um: O Comuna não esteve mal. Parece um
cordeirinho...mas debaixo daquela pele está um marxista leninista Putinista
ditador enxertado em pele de serpente belzebu. O outro também não esteve mal
mas é um pau mandado da falida Sic Expresso que nem sabe se é PSD ou PS. Liberales Semper
Erexitque: A única coisa em
que o comuna ganhou foi no tema da "Ucrânia". Optar entre o czar e o
Zelinho??? Mas isto é alguma futebolada, oh Mendes? paulo mariano: Os comunistas são os principais inimigos dos
trabalhadores. Os comunistas são ditadores. João Abreu > Liberales
Semper Erexitque: Se há
coisa que dá gozo, é ver um putínico a engolir doses de komuna, por ambos serem
acólitos do fd putina facínora.
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