quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Continuando


Na senda crítica, sempre engalfinhados uns contra os outros, exibicionistas de trampolim.

Pirómanos políticos

O Chega alinha com o corporativismo e nacional-sindicalismo da Itália de 1920, O Bloco de Esquerda procura o seu George Floyd português, e cujo único auto de fé possível passa pela revolução redentora

MÁRIO AMORIM LOPES Professor universitário e investigador. Membro da Comissão Executiva da Iniciativa Liberal e deputado na Assembleia da República

OBSERVADOR, 30 out. 2024, 00:1729

Ainda o corpo de Odair Moniz não havia chegado à morgue e já as redes sociais serviam de antecâmara para o triste espetáculo que teria lugar nos dias seguintes na câmara da Assembleia da República. Uma tragédia pronta a ser explorada politicamente, onde não se procura o rigor dos factos, apenas incendiar paixões e ódios. Uma morte pronta a ser cavalgada por quem vive única e exclusivamente de terra queimada.

O pouco que realmente sabemos: sabemos que Odair Moniz fugiu de uma rusga e abalroou carros, que isto ocorreu num bairro onde armas e drogas abundam e o crime é uma realidade, não uma estatística — bairros que os bem-pensantes visitam apenas em peregrinações eleitorais. Sabemos ainda que Odair era negro e o agente que o abateu é branco, mas desconhecemos o que se passou ao certo: faltam-nos detalhes, os testemunhos são vagos e os julgamentos, por enquanto, incertos. Pergunta o leitor ponderado: foi o acto do polícia excessivo ou inevitável? Havia alternativa a deixar três filhos e uma mulher sem pai? O que o Odair fez justificou a sua morte?

Perguntas ponderadas que não têm lugar no palanque, lança-chamas retórico para partidos extremistas. O veredicto já foi tomado. O Chega aplaude o polícia como herói e propõe condecoração profilática. Solução para a criminalidade? “É disparar mais a matar”, brada o parlamentar. No outro extremo, distante na geometria parlamentar mas justaposto no radicalismo, o Bloco de Esquerda verte querosene na luta racial, conclui que se trata de mais uma vítima de racismo e abuso, que mais não são do que excrescências do capitalismo. Em cada evento um opressor e um oprimido.

Tocam ambos a mesma música fúnebre. O Chega alinha com o corporativismo e nacional-sindicalismo da Itália de 1920, patente na Carta de Carnaro, procurando cativar classes profissionais. O Bloco de Esquerda procura o seu George Floyd português, defunto a ser usado para expor a estrutural social que enreda e apouca, e cujo único auto de fé possível passa pela revolução redentora que vergará o racismo e, mais importante ainda para os próprios, o capitalismo.

Enfim. Estes dois inflamadores de paixões, de diferentes formas, cometem o mesmo pecado capital: ignoram o Homem enquanto agente, falível e singular, reduzindo-o a uma peça no quadro sociológico ora da opressão e do poder vigente, ora da decadência moderna e liberal. Para uns, porque o criminoso mais não é do que uma vítima da classe dominante, classe esta que usa o apparatus do Estado, a lei e as forças policiais, para assegurar a sua propriedade e para oprimir os restantes. Para outros, porque o criminoso é um produto da sociedade moderna decadente, e só a firmeza da autoridade e da disciplina do Estado, mesmo que a custo dos direitos individuais, pode reestabelecer a ordem colectiva.

Uma voz menos extremada, esquecida na algazarra, deverá propor três pontos de reflexão sobre o tema. Primeiro, que se evitem os discursos inflamados que apenas agravam o que já é grave e que despoletam ainda mais revolta social (assumindo que essa não é uma intenção deliberada, hipótese que não pode ser descartada). Segundo, que o Estado mantenha a ordem e a paz, defendendo as forças de autoridade, sim, mas nunca subjugando as liberdades individuais. Um Estado que ignora o cidadão trai-o, mas um Estado que ignora o crime trai todos os cidadãos. Em terceiro lugar, que o Estado acuda àqueles que nasceram num contexto difícil, dando-lhes a oportunidade e a esperança de escaparem à sua sina socioeconómica.

Parafraseando Ortega y Gasset, nós somos nós e as nossas circunstâncias – nem o crime é apenas resultado das estruturas existentes e da sociedade, nem é só opção do indivíduo. Há sempre opção, mas há que a facilitar.

EXTREMISMO     SOCIEDADE     PROTESTOS

COMENTÁRIOS (de 29)

Tim do A: A IL é mais um partido Woke, por isso não descola nas sondagens. Na economia é melhor. Mas desiludiu ao ser favorável à expansão brutal do número de freguesias. E extremista é o mundo Woke da IL que está na destruir a família, a cultura, os valores, a sociedade e as nações.     observador censurado: Terceira Lei de Newton (LN): “A toda a acção há sempre uma reacção oposta e de igual intensidade: as acções mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos.1. O papel do Chega na LN O Chega, como o próprio nome indica, é uma reacção ao plano inclinado para a "esquerda" em que se tornou a política portuguesa, ao ponto de deputados do CDS e do PSD se sentirem felizes por serem aplaudidos pela UDP/PSR. Salvo melhor opinião, no universo, os vazios são sempre preenchidos. Assim, cerca de 1.5 milhões de cidadãos já vieram responder a esse vazio, de forma suave, através do voto. No passado, quando a UDP/PSR agiu no sentido de promover manifestações para atacar os valores do ocidente, ninguém se dignava reagir para preencher o vazio. Adiar o preenchimento dos vazios é má política porque, futuramente, a reacção será mais violenta. 2. O papel da IL na LN O que teria acontecido se o Chega não tivesse reagido agora à UDP/PSR? Teria vindo a IL "socorrer" a LN e preencher o vazio? Infelizmente, parece que a IL reservou para si um papel mais secundário, o de reagir às reacções do Chega.                   Ruço Cascais: Uma opinião muito mainstream que não traz nada de novo. Todos os comentadores das televisões têm dito a mesma coisa. Essa ladainha já foi repetida nos últimos dias mais de mil vezes. Faz-me lembrar as corridas de ciclismo, quando, já todos pensávamos que o pelotão tinha passado e aparece mais um ciclista lá ao fundo que tinha ficado para trás. Podias ser o tal ciclista vassoura, mas, fazias umas macacadas para animar a malta, uns cavalinhos com a bicicleta, um esgare como se estivesses a ter um ataque de coração, algo que trouxesse alguma coisa de novo e atraísse as simpatias do público. Por exemplo: os pirómanos aproveitaram o estado sujo da floresta para atearem os fogos. Era previsível que os pirómanos aparecessem porque os guardas da floresta diziam que ela estava limpa. A geringonça deixou ou não quis ver crescer o lixo na floresta e o PSD prefere também não ver a sujidade. Também podias falar sobre a manifestação do Vida Justa e dissertares sobre a evidente mensagem do ELES e NÓS. Ninguém pega neste novo apartheid que se começou a instalar. O que é isto de ELES e NÓS? Isto tem cabimento na sociedade portuguesa? Isto interessa a alguém?  Sim, interessa. Infelizmente existem forças políticas em Portugal da esquerda radical e novas associações ligadas às diferenças de raças que precisam do racismo como do pão para a boca.  Há muito por onde pegar, preferiste o copypast.                       João Floriano: O texto é muito interessante. Analisa as reacções dos extremos: BE e CHEGA. Omite completamente o que PSD, CDS e PS como partidos fizeram. E tem mesmo de omitir porque o centrão não fez rigorosamente nada. Calaram-se. O PS porque está cheio de culpas até ao pescoço, sobretudo por ser responsável pela geringonça e por políticas erradas e lachistas sobre prevenção do crime. Venderam e ainda  vendem até à exaustão  a ideia que somos dos paises mais seguros do mundo, o que até pode ser provado estatisticamente, mas já não somos um país seguro. O PSD ficou tolhido porque é o partido do governo e qualquer passo em falso pode prejudicar um governo minoritário e isolado. Se age de forma musculada e impõe autoridade é associado ao CHEGA. Se vacila, então é colado à  esquerda. Restam portanto as franjas. Carlos Guimarães fez um discurso bonito, mereceu até grande destaque da cronista Helena Garrido, mas não passa mesmo disso: um discurso bonito que não vai impedir que os moradores de Benfica tenham insónias  a pensar se de manhã ainda terão carro.  Esta crónica é interessante também pela intenção do seu autor: de mansinho está a procurar aliciar o eleitorado do Bloco, já que a IL é woke nos costumes e ao mesmo tempo mostrar-se aos eleitores do CHEGA, já que sendo liberal na economia, é supostamente de direita nessa área. Parece-me que  a mensagem da IL não está  a chegar aos eleitores. A mais recente sondagem feita pela Universidade Católica ainda antes dos distúrbios e cujos resultados foram publicados neste jornal a 28 de outubro, mostra que a IL desceu de 7 para 6% nas intenções de voto                  João Das Regras: E por tudo o que dizes, a IL apoia e até incentiva a imigração desregulada dos PALOPS através dessa ficção que é a "Livre circulação CPLP” que na verdade só funciona num sentido a entrada facilitada de mais de 280 milhões de pessoas na Europa através de Portugal. Teremos cada vez mais episódios destes e africanos e brasileiros a reclamarem mais apoios, mais casas, mais subsídios, e uma minoria a ser afogada em impostos para pagar a festa. Parabéns.                      Rui Lima: O bairro é o local perfeito para o negócio e o negócio é a segurança das autoridades, acontece em Portugal o que já aconteceu em França os confrontos terminaram por ordem dos traficantes de droga, porque deixaram de fazer negócio, ou seja eles têm também o estado na mão na prática há um acordo tácito eles garantem a paz e em troca não são incomodados.                    bento guerra: Mais um "analista" a atacar o Chega, deturpando factos e em conversa histérica. Ficou, mais uma vez, provado que o Chega é necessário como crítico e contraditório da missa política dos que mamam do "sistema"             Tim do A Tim do A: Na verdade, como é que a IL, o partido melhor de todos na economia, alinha no aumento brutal do Estado ao ser favorável ao brutal aumento do número de freguesias? Até a IL! Dá vontade de dizer: até tu, Brutus! Realmente Portugal é mesmo um país socialista. Disso parece que não se safa nenhum partido. Uma tristeza. Vamos continuar a ser pobres.                    V M Batista: Este tipo do Príncipe Real dá razão ao Chega nesta sua oração, tem que olhar mais para aquilo que diz, porque os problemas são bem reais e não se compadecem com exercícios wokistas de retórica.    afonso moreira: Houve pirómanos políticos, sim, e muitos pirómanos comentadores e jornalistas. E aqueles (quem? - aqueles que terão alguma guerrinha surda com a PSP) e que "largaram" aquela informação, no pior momento, de que o cidadão não tinha nenhuma arma. Pelos vistos, informação ainda não confirmada, mas que foi gasolina no incêndio. 

 

Estranho mundo


O de hoje, apesar das semelhanças com o de ontem, de todo o sempre e o para sempre… Pelo menos nesta questão guerreira, empreendida por alguém virtuosamente patriota, ou puramente arrebanhador de espaços alheios, por considerar os seus insuficientes, e o seu povo também, está mais que visto.

Mas o que me custa ainda, é não chegar a esclarecer, provavelmente, por causa da tal guerra virtuosa, o que se passa mesmo em Plutão, que os Americanos já andam a rondar, segundo vi hoje num canal de geografia e de descoberta de novos mundos, que os americanos, sempre mores cousas atentando, vão mostrando constantemente ao mundo.

 Só desejo que o Zelensky se vá safando como puder e que assim permita que eu continue a ver o tal canal onde já se chegou a Plutão, repito, embora em precariedade visual, o que não se estranha, mas dada a velocidade das mutações, só se pode pensar no “amanhã como será?” da nossa curiosidade precária mas sempre surpreendida.

 Guerra na Ucrânia

Alertas activos

Em directo/ Zelensky afirma nunca ter insistido no envio de tropas europeias para a Ucrânia e queixa-se de fuga de informação da Casa Branca

Ministra norte-coreana dos Negócios Estrangeiros chegou hoje à Rússia para "uma consulta estratégica" com o seu homólogo russo. A presença de soldados de Pyongyang estará certamente em cima da mesa.

CARLOS DIOGO SANTOS: Texto

JOSÉ LEITE: Texto

OBSERVADOR, 30/10/24

Momentos-chave

Há 1hEstados Unidos e Coreia do Sul admitem recorrer a dissuasão nuclear para fazer frente a Pyongyang

Há 1hReunião do Ramstein vai realizar-se "nas próximas semanas", anuncia Zelensky

Há 2hNoruega vai enviar seis F-16 totalmente equipados para a Ucrânia antes do fim do ano

Há 4hDepois de ataque ucraniano na Chechénia, Kadyrov retalia. Nove mortos e 17 feridos em Kiev

Há 4hZelensky: "Se quiséssemos ocupar a central nuclear de Kursk, já o teríamos feito"

Há 4hZelensky afirma nunca ter insistido no envio de tropas europeias para a Ucrânia

Há 5hZelensky diz que a Rússia ganhou na Geórgia e vai ganhar na Moldávia

Há 5hZelensky queixa-se de fuga de informação sobre pedido de envio de mísseis Tomahawk aos EUA

Há 6hPrimeiro-ministro eslovaco pretende ir a Moscovo

Há 8hPeskov diz que notícias de negociações com a Ucrânia são "fake news"

Há 9hDetido cientista suspeito de melhorar drones russos em Kharkiv

Há 9hSeul estuda hipótese de visita de enviado especial ucraniano

Há 9hSoldados norte-coreanos a 50 km da fronteira com a Ucrânia

Há 10hMinistra norte-coreana reúne-se com Lavrov

Há 11hProcuradoria-Geral da Geórgia vai investigar eleições

Há 11h1570 soldados ucranianos mortos nas últimas 24 horas

Há 11hRússia conquista aldeia em Kharkiv

Há 12hMicrosoft identifica hackers russos em emails

Há 12hAtaque russo a Kherson provoca três mortos

Há 12h1560 soldados russos mortos nas últimas 24 horas

Há 12hUcrânia e Rússia poderão voltar às negociações sobre centrais elétricas

Há 13hRússia ataca Kiev. Destroços de drones atingem prédio e deixam nove pessoas feridas

Actualizações em directo

Há 1h19:31 Madalena Moreira 

Estados Unidos e Coreia do Sul admitem recorrer a dissuasão nuclear para fazer frente a Pyongyang

O Secretário da Defesa norte-americano reuniu-se hoje com o seu homólogo sul-coreano, reunião da qual resultou uma decisão de aprofundar a cooperação diplomática e de defesa, através de iniciativas, projectos e actividades bilaterais. O Pentágono divide as conclusões em três pontos: expansão da dissuasão, modernização das capacidades e fortalecimento da cooperação regional.

No primeiro tópico, Washington e Seul admitem recorrer a “operações nucleares convencionais” como forma de dissuasão, uma estratégia que ficou definida no documento “Directrizes para a dissuasão nuclear e operações nucleares na Península da Coreia”.

Há 1h18:58 Madalena Moreira 

Reunião do Ramstein vai realizar-se "nas próximas semanas", anuncia Zelensky

O Presidente ucraniano afirmou hoje que a próxima reunião do Ramstein já está a ser planeada e “vai ter lugar nas próximas semanas”. O Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia — uma aliança de países que fornece equipamento militar a Kiev, mais conhecido como Ramstein — tinha uma reunião planeada para o início deste mês, que foi cancelada devido à ausência do Presidente Joe Biden, que teve de lidar com as consequências do furacão Milton nos Estados Unidos.

No regresso da quarta Cimeira Ucrânia-Norte da Europa, Volodymyr Zelensky afirmou que “propõe sempre o que realmente ajudará a alcançar uma paz verdadeira” e que, nesse sentido, esta mensagem foi transmitida à Islândia, Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia, mas também a Washington e Berlim, os dois países que mais se destacam no Ramstein e com os quais já está a ser coordenado o próximo encontro.

Há 2h18:50 Madalena Moreira 

Noruega vai enviar seis F-16 totalmente equipados para a Ucrânia antes do fim do ano

O ministro da Defesa norueguês anunciou hoje um pacote de 1,3 mil milhões de coroas norueguesas (cerca de 109 milhões de euros) para equipar seis jactos de combate F-16. “A primeira transferência para a Ucrânia vai acontecer este ano”, afirmou Bjørn Arild Gram, numa conferência de imprensa com o seu homólogo ucraniano.

O pacote de ajuda vai ser utilizado para armar e colocar outros componentes de combate nos F-16. Os responsáveis da Defesa norueguesa e ucraniana também discutiram a entrega de sistemas de mísseis, o reforço dos sistemas de defesa anti aérea e o investimento norueguês na indústria militar ucraniana.

Há 3h17:12 Miguel Cordeiro 

Cessar-fogo? "Plano de paz da Rússia é oposto ao da Ucrânia"

Daniela Nunes explica que os critérios russos para cessar-fogo coincidem com as razões pelas quais a Ucrânia não pode desistir. A especialista em RI sublinha: “Não há como prever a paz na Ucrânia”.

Há 4h16:20 Martim Andrade 

Depois de ataque ucraniano na Chechénia, Kadyrov retalia. Nove mortos e 17 feridos em Kiev

Nesta madrugada, o líder da República da Chechénia, Ramzan Kadyrov, informou ter retaliado contra o ataque de drones da Ucrânia, que atingiu o seu território e matou “vários” prisioneiros de guerra ucranianos.

De acordo com Kadyrov, que cita informação da força aérea russa no Telegram, o ataque atingiu o centro de controlo de sistemas aéreos não tripulados das forças armadas ucranianas em Kiev, deixando nove mortos e 17 feridos.

Há 4h16:13 Martim Andrade 

Zelensky: "Se quiséssemos ocupar a central nuclear de Kursk, já o teríamos feito"

Desde o início da incursão ucraniana em Kursk, na Rússia, o Kremlin tem indicado que as intenções da Ucrânia na região passam pelo ataque à central nuclear local. A isto, Volodymyr Zelensky responde: “Se quiséssemos ocupar a central, já o teríamos feito”, cita o The Kyiv Independent.

“A Rússia acha-se muito forte, mas nós poderíamos tê-lo feito, simplesmente nunca o quisemos fazer”, revelou o Presidente da Ucrânia, indicando que não têm o objectivo de ocupar “infraestruturas críticas”, porque não se querem tornar “iguais a Moscovo”.

Há 4h15:56 Martim Andrade

Zelensky afirma nunca ter insistido no envio de tropas europeias para a Ucrânia

A ideia de enviar tropas de vários países da Europa para a Ucrânia nunca foi muito discutida, afirma Volodymyr Zelensky, em entrevista aos jornalistas dos países nórdicos esta manhã. O Presidente da Ucrânia sublinhou que o tópico não foi abordado porque pode “destruir o apoio dos seus aliados”, cita a agência Ukrinform.

Adicionalmente, o chefe de Estado ucraniano revelou que a NATO ainda não cumpriu o prazo proposto na cimeira da Aliança para a entrega de sistemas de defesa antiaérea. Zelensky explicou que os aliados não estavam prontos para conceder a entrada da Ucrânia na NATO devido ao conflito em curso, mas que ofereceram “seis ou sete sistemas específicos para proteger os céus ucranianos”.

Há 5h15:24 Dulce Neto 

Zelensky diz que a Rússia ganhou na Geórgia e vai ganhar na Moldávia.

É um aviso que Zelensky deixa aos seus parceiros. O Ocidente deveria admitir que a Rússia “ganhou” na Geórgia e que está a caminho de fazer o mesmo na Moldávia. Só uma coisa o pode evitar, disse o Presidente ucraniano: que a retórica ocidental sobre as linhas vermelhas de Moscovo seja abandonada.

“Na Geórgia, temos de reconhecer que, hoje, a Rússia ganhou. Primeiro, tomou parte da Geórgia, depois mudou a política e o governo. E agora (a Geórgia) tem um governo pró-russo”, lamentou Zelensky num vídeo divulgado na quarta-feira, noticia a agência Reuters.

Há 5h15:02 Dulce Neto 

Zelensky queixa-se de fuga de informação sobre pedido de envio de mísseis Tomahawk aos EUA

O Presidente ucraniano lamentou hoje que uma fuga de informação nos meios de comunicação social norte-americanas tenha tornado público o que era segredo. O pedido da Ucrânia de mísseis com alcance de 2.400 quilómetros fazia parte de “informação confidencial” entre parceiros, revelou Volodymyr Zelensky numa conferência de imprensa com jornalistas dos países nórdicos.

Volodymyr Zelensky não gostou de ver o New York Times a noticiar ontem que o pedido dessas armas fazia parte do secreto “pacote de dissuasão não nuclear” incluído no plano de vitória da Ucrânia.

“Era uma informação confidencial entre a Ucrânia e a Casa Branca. Como entender essas mensagens?” perguntou Zelensky para logo a seguir responder:

“Isto significa que, entre parceiros, não há confidencialidade”, disse, citado pelo Kyiv Independent.

De acordo com Zelensky, a Ucrânia solicitou os mísseis para os utilizar apenas se a Rússia se recusasse a acabar com guerra e a reduzir a ofensiva militar.

“Eu disse que se tratava de um método preventivo. Disseram-me que se tratava de uma escalada”, contou Zelensky.

Há 6h13:59 José Leite 

Primeiro-ministro eslovaco pretende ir a Moscovo

O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, que sofreu uma tentativa de assassinato a 15 de maio à saída de uma reunião, disse em entrevista ao canal de televisão russo Rússia-1 que pretende visitar Moscovo na altura das celebrações do aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial (o chamado Dia da Vitória), noticia o Kyiv Independent.

No canal de Telegram de Olga Skabeyeva, apresentadora de televisão do canal russo, têm sido publicadas algumas partes da entrevista a Robert Fico. O primeiro-ministro eslovaco fala sobre as explosões do gasoduto da Nord Stream e do “cansaço do Ocidente” com os apoios à Ucrânia.

Há 8h12:26 José Leite 

Peskov diz que notícias de negociações com a Ucrânia são "fake news"

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse à agência Interfax que as notícias de haver negociações com a Ucrânia para parar com os ataques a centrais eléctricas são “fake news”.

“Há muitas fake news que em nada têm a ver com a realidade. Até os meios de comunicação social mais respeitáveis não hesitam em publicar este tipo de artigos falaciosos”, afirmou Peskov.

Há 9h11:52 José Leite 

Detido cientista suspeito de melhorar drones russos em Kharkiv

Um cientista filiado a uma universidade em Kharkiv foi detido pelos Serviços de Segurança da Ucrânia por suspeita de desenvolver trabalhos que visavam o melhoramento da performance de drones Shahed utilizados pela Rússia, noticia o Ukrainska Pravda.

O cientista colaborava com aliados russos, comunicando-se através de emails e mensagens e disfarçando a sua colaboração como uma “investigação académica”.

A investigação revelou que terá sido ajudado por um antigo aluno da universidade, que fugiu da região de Kharkiv para a Rússia no início da guerra.

Há 9h11:34 José Leite 

Seul estuda hipótese de visita de enviado especial ucraniano

O Gabinete Presidencial da Coreia do Sul anunciou que está em estudo a hipótese de um enviado especial ucraniano visitar o país ainda durante esta semana, noticia a agência sul-coreana Yonhap.

Este anúncio surge após o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, dizer que vai coordenar em conjunto com a Coreia do Sul para que se criem canais de partilha de informação entre os dois países.

Há 9h11:03 José Leite 

Soldados norte-coreanos a 50 km da fronteira com a Ucrânia

Cerca de 3 mil soldados oriundos da Coreia do Norte já chegaram à região russa de Kursk e estão alojados em barracas a 50 km da fronteira com a Ucrânia, de acordo com altos funcionários dos serviços secretos ucranianos, citados pelo Financial Times.

Uma das fontes avançou ao jornal que “apenas algumas centenas” de militares norte-coreanos pertencem às forças especiais, sendo que os restantes são “soldados normais”.

Os militares da Coreia do Norte aguardam agora ordens vindas da Rússia.

Há 10h10:04 José Leite 

Ministra norte-coreana reúne-se com Lavrov.

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, Choi Son Hee, aterrou em Vladivostok e vai seguir para Moscovo, para uma visita diplomática, avança a agência estatal russa TASS.

Choi Son Hee vai reunir-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, para uma “consulta estratégica”, indica a mesma agência.

A presença de soldados de Pyongyang na guerra na Ucrânia estará certamente em cima da mesa.

Há 11h09:42 José Leite 

Procuradoria-Geral da Geórgia vai investigar eleições

A Procuradoria-Geral da Geórgia vai investigar as eleições legislativas do passado dia 26 que ditaram a vitória do partido pró-russo, Sonho Georgiano, avança o Kyiv Independent.

A Procuradoria-Geral georgiana já convocou a Presidente, Salome Zourabichvili, para participar da investigação. Zourabichvili recusa-se a reconhecer a vitória do Sonho Georgiano, alegando uma “operação especial russa”.

Os observadores internacionais presentes nas eleições na Geórgia também consideraram que estas eleições foram fraudulentas.

Há 11h09:21 José Leite

1570 soldados ucranianos mortos nas últimas 24 horas

O Ministério da Defesa da Rússia avançou que, durante as últimas 24 horas, morreram 1570 militares ucranianos em combate. As forças russas não revelam as suas próprias perdas.

 

 

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Os traços habituais


De um descritivo literariamente impoluto, na pontaria certeira das suas observações, políticas ou outras, firmes e corajosas, e na originalidade elegante do seu estilo. Tal me pareceu mais esta crónica de uma pena bem feminina – a de  MARIA JOÃO AVILLEZ.

Um e outro

Seja como for será com estes dois homens muito diferentes e à roda deles que gravitará a vida política social e económica de Portugal. Goste-se ou não deles, tenha-se ou não votado neles.

MARIA JOÃO AVILLEZ Jornalista, colunista do Observador

OBSERVADOR, 30 out. 2024, 00:224

1 Não, de facto como diz um camarada amigo, Pedro Nuno Santos não é conhecido como “calculista”: a precipitação não costuma conceder tempo ao cálculo e a imprevisibilidade não casa com a ponderação. Talvez não fosse porém isto que eu teria escrito com tanta assertividade sobre o actual líder do PS quando o conheci há cerca de um ano e meio, ainda ele não chefiava as tropas socialistas e já não era ministro. Conversámos pela primeira vez num gabinete da Assembleia da República para onde regressara como deputado e, da segunda vez, na grande sala da biblioteca. Tomei aliás de imediato boa nota de uma imensa popularidade: a amável troca de cumprimentos trocados entre Miranda Sarmento, então líder parlamentar do PSD que atravessava a sala, e Pedro Nuno Santos que escolhia onde se sentar, nada tinha de falsa. E pude medir essa popularidade quando à saída observei o tempo que vi ser necessário ao deputado socialista para atravessar os corredores do parlamento, tantas as interrupções à sua passagem: um cumprimento, um murmúrio, uma troca cúmplice de olhares, saudações cordiais, vinda das suas hostes — ou de grande parte delas – e de várias moradas.

A política é inseparável da expectativa e ela estava inegavelmente do lado de Pedro Nuno Santos, pelo menos dentro daquelas solenes paredes. Mas o (meu) ponto é este: no fundo ainda não começara nada de verdadeiramente sério para ele mesmo que parecesse: não comandara tropas, não deixara memória de “governante-fazedor” e, ao contrário da lenda, só na constelação socialista “se” achava que ele fora bom ministro. O país chocara-se com as leviandades da TAP, não havia uma marca na ferrovia nem na habitação; o então Primeiro Ministro António Costa havia-se enfurecido com o anúncio do local do novo aeroporto, “escolhido” unilateralmente pelo seu ministro das Infraestruturas e estampado em Diário da Republica com o total desconhecimento do chefe do Governo. Etc. Haveria mais exemplos mas não interessavam a uma considerabilíssima parte do PS que tinha nele os olhos postos enquanto a vasta plateia parlamentar de S. Bento parecia olhá-lo – e segui-lo – com curiosidade. Numa palavra, era popular e isso ia bastando a uns e espantando os outros.

2 E quanto a mim, das duas vezes em que conversámos – antes e depois do verão de 2023 –, Pedro Nuno Santos, atencioso, desenvolto, popular e radical, surgiu-me ainda como um político seguro mas talvez eu estivesse a confundir vaidade com segurança: o mundo era dele, a vontade também. Não havia ainda nessa altura nem arrogância, nem intempestividade, nem a hesitação onde ele parece tropeçar hoje com facilidade e frequência. Pelo contrário: “um dia iria ganhar o PS”, sim “não tinha disso a menor dúvida”. Subentendido: quando Costa caísse ou saísse, era uma questão de tempo. E sim, claro “tinha o partido com ele”; ah “e faria uma nova geringonça”, também não duvidava. Estava aliás tão certo que, com um sorriso absolutamente convicto, se dispensava de falar comigo sobre a famosa negociação (o pretexto do meu pedido de encontro) que desaguara no casamento de conveniência do PS com comunistas e bloquistas.

Ora “se ele iria repetir todas essas negociações quando ganhasse a liderança socialista e depois a do país em eleições legislativas” (“fossem quando fossem”), como poderia contar o passado? Não podia de todo (“seria até muito despropositado”) entrar em confidências públicas sobre se fora mais espinhoso negociar com A ou com B, ou contar-me quem dissera o quê no curso das negociações do PS com o PCP e o BE.

Insisti, telefonei, troquei sms, cheguei a mandar um questionário, mas “não” .

Percebi: a possibilidade do remake de um acordo tripartido com as esquerdas radicais vetava-lhe qualquer publicitação sobre tão cara matéria: era uma das suas linhas vermelhas de então. Nada publicitar, esperar. Novo subentendido: ou não lhe iria tudo um dia parar à mão? Alguém enfim que não ignorava o poder da sedução e da ambição, praticando uma e outra enquanto esperava a sua hora, e sem sombra de remorso com o que (não) fizera nas Infraestruturas, nem em lado nenhum. E que com boas maneiras cortou cerce a minha curiosidade e o pedido profissional que eu lhe fora fazer.

Nunca mais esqueci esta troca de impressões, nem a minha própria impressão: conversara com um navegador da política, cuja simpatia não disfarçava a sua genuína radicalidade política e que, sendo determinado, estava mais centrado em obter o comando da barca do que nos instrumentos de uma boa navegação. Os ventos diriam, não as bússolas.

3Um dia – mais cedo do que ele antecipara – a maior fornecedora de surpresas que é política foi de novo generosa: António Costa saiu da cena – alguma vez saberemos porquê? –, Pedro Nuno Santos entrou e sentou-se no Largo do Rato. Não – como ele julgava – com todo o partido atrás: o “aparelho” ia na sua mochila, mas os costistas continuavam vivos e a querer que se soubesse. Apesar da sua entronização no congresso socialista do início deste ano, Pedro Nuno Santos teve por exemplo que sinalizar as suas discordâncias com Fernando Medina, também conhecido – ainda hoje – como o “delfim” de Costa, sobre os respectivos (des)entendimentos sobre finanças públicas. Ou seja, tudo menos deixar o Delfim à solta a ensinar o novíssimos líder sobre o bom uso dos dinheiros públicos.

4Vieram as eleições, o PS perdeu por pouco e a seguir começou a perder por muito: o sorridente, confiante e seguro deputado socialista do verão de 2023 despediu o sorriso e parece ter-se zangado de vez: com o mundo, a vida, o jogo partidário, com ele próprio. E, submergido pela pressão, a responsabilidade de ter de decidir, a divisão interna, começou a fazer política (irremediavelmente?) mal. Nunca nada parece ir-lhe de feição; nada é sempre a mesma coisa, o caminho é sempre feito de curva e contra- curva: umas farão naturalmente parte da estrada de um líder da oposição, outras são inexplicáveis (receios? desnorteios?).

A passagem de uma candidatura ao poder para a sede do poder às vezes tem destas coisas: muita incerteza e pouca ossatura. Desaba, como os soufflés.

É o caso?

5O outro chama-se Luís Montenegro e o mundo entretinha-se em certezas sobre o seu não-destino: era como se estivesse só interinamente a tomar conta do PSD e de empréstimo. Não era verdade que iria perder as eleições europeias que se realizariam meses depois de ele ter sido eleito e ser despedido logo a seguir com aquela voracidade com o que o PSD sempre se desfez dos seus quando foi “preciso”? Ia, que eu lembro-me.

Mas também me lembro de ter achado subestimação a mais: tendo acompanhado de perto algumas frentes de combate dos anos da troika, recordo-me bem de um general parlamentar chamado Luís Montenegro, ágil, politicamente hábil, paciente, insistente e omnipresente no hemiciclo de S. Bento, onde liderou em condições duríssimas a coligação PSD/CDS. A vitória da mesma coligação nas eleições de 2015, contra todos os ventos e todas as marés da época, tem também alguma coisa a ver com ele: com a convicção de aço com que respondia à fúria inclemente das esquerdas, ou com a paciência de renda com que acalmava dúvidas, iras e amuos no CDS. Não foi fácil mas foi bem feito. E talvez não fosse para qualquer um.

Nada do que acabo de recordar me impede porém de dizer que também eu me surpreendi – e surpreendo – com alguns passos, atitudes, decisões, escolhas do actual Primeiro Ministro. Melhor será dizer – porque melhor o resume – com o modo como Montenegro entende e depois pratica a política.

Há a sobriedade, o recato na praça pública, uma invulgar desnecessidade de pré – avisar ou sequer de avisar medidas, nomes, escolhas, decisões antes do (seu) tempo. Não estávamos habituados. Nem ao uso de um bom senso que nele chega a ser quase desarmante. Isto pelo lado da forma. Depois há o parlamentar e a sua alta definição nestas lides. Boa capacidade de expor e defender o seu rumo, autoridade serena, fluidez no discurso (embora sempre prolixo), velocidade nos remoques com as outras bancadas. Um surfista.

6Mas… Mas depois não sabemos – eu não sei – se haverá um bom chefe do Governo. Um magnifico parlamentar não garante um bom primeiro-ministro. Luís Montenegro, elenca e produz medidas, mas medidas não são reformas. Sendo muito louvável cumprir politicamente as promessas eleitorais do PSD, o país precisa de mais do que aquilo que nelas coube. E é aí que residem – ou podem vir a residir – dúvidas ou reticências.

Mexeu-se no fisco? Sim, um bocadinho. Na burocracia? Talvez se venha a mexer. Na diminuição das vergonhosas desigualdades a vários níveis? Mexeu-se. Nas empresas era porém preciso ter feito mais e ido mais longe. Prestado muito maior atenção. É a partir delas como únicas criadoras de riqueza que se pode aspirar a vidas menos baças, equilibrando desigualdades que demorarão a esmorecer. Empresas e empresários continuam porém mal amados e sempre olhados com o viés de serem “dos ricos”. Pouco se ouve, com a veemência e a força de que Portugal careceria, pronunciar palavras como “criação de riqueza” ou apelar à “produtividade”. A quem ocorre fazer disso uma indispensável frente de combate, mobilizando o país para a vital importância dessa indispensabilidade?

Vão-se subindo uns degrauzinhos mas nunca a íngreme escadaria que seria preciso galgar para sermos mais produtivos, menos pobres, mais concorrenciais, menos envelhecidos; mais empenhado, menos instalados, mais comprometidos, menos cepa-torta. Mais pátria de nível europeu, por muito que a “Europa” quase agonize diante dos nossos olhos e o mundo trema de incerteza por debaixo dos nossos pés.

7 Só um distraído achará que Montenegro, por ter o orçamento viabilizado, embarcará num mar de rosas. Vai haver muito espinho. Cedeu demais nas negociações com o PS num primeiro tempo e no segundo que agora (re)começa, vai ter esse mesmo PS à perna só a dificultar-lhe a vida. É preciso mostrar serviço as tropas.

8Um, Pedro Nuno Santos, exaltar-se-á, hesitará, exagerará, far-se-á caro. É um radical, expõe estados de alma, e talvez comece a estar mais só do que se sabe ou ele aparenta. Acredita-se menos nele hoje do que há meses atrás. O país sabe-o embora o futuro a Deus pertença.

O outro, Luís Montenegro, é sensato, sossegado, reservado. Não age por impulso, detesta “novidades”, não é dono de rasgo. É um resiliente tranquilo que apurou a habilidade na luta política. O país percebeu.

Por razões muito diferentes das do seu adversário socialista também está mais só do que se supõe: precisaria de um núcleo duro, politicamente muito mais forte, mais arguto, mais experimentado. Tudo, ou quase, está, para o bem e para o mal, em cima dos ombros do Primeiro-Ministro.

Seja como for será com estes dois homens muito diferentes e à roda deles que gravitará a vida política social e económica de Portugal. Goste-se ou não deles, tenha-se ou não votado neles.

Há um terceiro que sobe e desce, como nos entretenimentos das feiras. Nunca lhe prestei grande atenção. Talvez esteja enganada, mas entretanto tenho-me poupado a despesa da observação.

PS: Que eu tenha notado – mas admito não ter visto tudo – o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério foi o primeiro membro da Igreja, logo na passada quinta-feira, a dizer em nota do Patriarcado a sua “consternação” pela violência ocorrida na periferia de Lisboa. E também julgo que o único sacerdote a usar publicamente do plural na manifestação dessa “consternação”, mencionando “os envolvidos” nestes acontecimentos e “lamentando profundamente a perda de uma vida e os vários feridos que deles resultaram”. Haja alguém no vasto mundo da Santa Madre Igreja que reze e se condoa no plural.

POLÍTICA      PEDRO NUNO SANTOS      LUÍS MONTENEGRO

COMENTÁRIOS:
JOHN MARTINS
: Mesmo sem lermos esta crónica de MJA, é fácil distinguir a capacidade de Montenegro da comprovada imaturidade de Nuno Santos. Basta recordar a trapalhada do anúncio do aeroporto por Nuno Santos. Já Montenegro não só aprovou o projecto em Conselho de Ministro, como batizou o aeroporto de Luis de Camões. Pelo modo e circunstâncias, Montenegro é o homem do futuro. De notar que Santos e esquerda ainda não ganharam nada. Perderam as legislativas, bem como as europeias 10 para esquerda e 11 para a direita...                    Jorge Frederico Cardoso Vieira Barbosa: Bom "retrato" (leia-se, artigo) Quanto ao Luis Montenegro ele tem garra e comporta-se como um estadista, pelo que vem parecendo. Poderia mesmo ser um excelente governante (reformador) caso não tivesse cometido o GIGANTE e GROTESCO erro do injustificado "não é não" e da gratuita hostilização publica do CHEGA o que naturalmente só serviu para hostilizar parvamente o AV dificultando certamente (?) em definitivo a união da DIREITA e a subida desta ao poder por várias legislaturas já que o governo desta feita parece excelente. O PM não percebeu que agora, com o CHEGA pelo menos estabilizado e toda a esquerda coligada ainda que com cuspo, a AD jamais ganhará votos ao centro-esquerda, até porque o "caminho das pedras" é o Montenegro que o vai trilhar. Deus queira que me engane pois, com a minha idade se desta feita a AD se perder, então à DIREITA não mais a verei no poder, nada mais restando aos meus netos do que emigrarem.  unknown unknown: Ou seja, só o Nuninho e o marido da xuxi é que contam. Um é refém da sua ideologia bacoca e o outro da sua prepotência. E, segundo a jornalista sem carteira profissional, é bom que todos nós aceitemos esta inevitabilidade. O inverno está à porta e a Maria João quis trazer um pouco mais de depressão. Não, obrigado. Fique com você com esses dois.               Jorge Ferreira: Tal como eu poupei a despesa da leitura..... Foi só ir directo ao último parágrafo... O resto....

 

 

Mudança

 

Realistas os versos de Camões: «E, afora este mudar-se cada dia / Outra mudança faz de mor espanto  /  Que não se muda já como soía.»

Nem vale a pena afligirmo-nos muito, afinal, confiemos na matéria animista humana, “vária e mutável”, mas talvez suficientemente engenhosa e prudente, para poder recuar, nos avanços das suas modernidades… Já o dizia Manuel Alegre, embora noutros contextos ideológicos:

“há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.”

E assim prosseguirá a Humanidade, avançando, recuando, recuperando, corrigindo, introduzindo novidades, com filósofos a esclarecer… 

Embora, é certo, só se forem lidos...

Recuperar a autenticidade

Temos de voltar a educar as crianças, adolescentes e até adultos a focarem-se no seu crescimento verdadeiro, ao invés de seguirem o ideal irreal e egocêntrico promovido pelas redes.

RODRIGO ADÃO DA FONSECA Colunista

OBSERVADOR, 29 out. 2024, 00:153

Se perguntássemos a um milhão de pessoas qual é a principal preocupação da vida humana, a resposta mais comum seria, seguramente, “a busca da felicidade”. Como nos ensinou William James na sua obra As Variedades da Experiência Religiosa, alcançar, manter ou recuperar a felicidade é, para a maioria dos homens ao longo dos tempos, o motivo secreto de tudo o que fazem e de tudo o que estão dispostos a suportar. Não é, também, incomum que as pessoas pensem na plenitude como um destino, um estado final onde as suas vidas estão em perfeita ordem, onde são felizes, equilibradas e em paz com o seu papel no mundo.

Hoje, contudo, a ideia de felicidade plena está a ser fortemente distorcida por uma sociedade dependente de redes sociais, tendo-se tornado uma sombra de si própria, uma espécie de ilusão disforme de um estado ideal que supostamente todos nós deveríamos alcançar. A perseguição de uma felicidade pervertida pelas redes sociais está a tornar o dia-a-dia de muitas pessoas num inferno semelhante ao que é experienciado por quem mergulha nas drogas duras, onde, depois de um período inicial de deslumbramento, a vida se torna numa náusea rumo ao abismo.

No caso das crianças, na linha do que apresentei numa das últimas crónicas, o embalo das redes sociais e dos jogos online, patrocinado pelo acesso através de telemóveis, está a ter efeitos altamente nocivos, desde logo, no seu comportamento imediato. Há toda uma economia digital construída em cima de estímulos aditivos que está a transformar as crianças em dependentes de estímulos digitais. A expressão pode ser agreste, mas não é exagerada se pensarmos que são inúmeras as crianças que não conseguem, hoje, estar cinco minutos concentradas a ler um livro ou a ver um filme e que entram – literalmente – em espasmo físico (com relatos de dor física e até vómitos) quando privadas dos seus dispositivos. As dezenas de relatos que recolhi nas últimas semanas, de pais, professores e pessoas expostas a crianças, revelam um cenário muito pior do que aquele que encontro nos estudos e textos teóricos dedicados ao tema, pois os estudos acabam por avançar mais lentamente que a realidade: e a realidade, mês após mês, atinge patamares inimagináveis.

Mas se há sinais de comportamentos imediatos que já por si são preocupantes, há danos menos visíveis, mas igualmente graves, que resultam da distorção das aspirações que estamos a permitir que as crianças construam, e da forma como deixamos que plataformas de marketing funcionem como fonte principal das referências sobre o que significa a vida adulta e o futuro. Cada vez mais inebriados num mundo ilusório e fictício, não são poucas as crianças (e cada vez mais, também adultos) que entram em choque quando são forçadas a enfrentar a realidade, com toda a sua complexidade e caos: contas, tarefas diárias, fracassos, preocupações financeiras, desilusões e as pressões de um mundo em constante crise e com poucos horizontes e perspectivas. A pressão para alcançar uma felicidade idealizada, apresentada de forma incessante nas redes, torna a plenitude uma miragem, alimentada pelo filtro irreal de uma vida perfeita. Um ambiente digital que promove um foco no que “não temos” e nos defeitos que supostamente precisamos de corrigir, acaba por nos desviar a todos do que realmente somos e poderíamos desenvolver – sendo isso particularmente crítico quando falamos de crianças em fase de crescimento e formação das suas personalidades e valorização do seu potencial.

Muitos jovens, como resposta à pressão de perseguição de um ideal utópico sem viabilidade real, têm crescentemente optado por, defensivamente, abandonar ambições. Num aparente “desprendimento” material, muitos aceitam a ideia de que não faz sentido tentar melhorar, ser o melhor ou ir mais longe – e, com isso, renunciam aos sacrifícios necessários para a construção do caráter e da autonomia. Embora não sejam poucos os que elogiam essa atitude das gerações mais novas, confundindo esta conformação ou desistência com um sinal de liberdade ou desprendimento, ela pode ser altamente prejudicial para a formação da personalidade e da capacidade de autossuperação dos futuros adultos.

Desligar os miúdos de telemóveis, videojogos e redes sociais é fundamental se queremos salvaguardar o seu futuro. Temos de voltar a educar as crianças, adolescentes e até adultos a focarem-se no seu crescimento verdadeiro, ao invés de seguirem o ideal irreal e egocêntrico promovido pelas redes. É necessário ensinar as pessoas a valorizar mais o seu potencial e capacidades, trabalhando as suas forças, talentos e virtudes, e a preocuparem-se menos em se compararem com arquétipos de perfeição que não são nem realistas nem viáveis.

A verdadeira plenitude não vai brotar das aparências ou da ocultação das emoções, mesmo as mais complexas. A autenticidade, um valor que deveria estar na base da educação dos mais novos, implica sermos capazes de acolher toda a gama das emoções humanas, integrando tanto as positivas quanto as experiências mais difíceis. Ensinar as novas gerações a lidar com situações negativas e a transformar esses momentos em oportunidades de superação é fundamental para uma construção sólida do caráter. Em vez de uma plenitude artificial, limitada a esconder ou reparar o que supostamente está “errado”, precisamos de promover uma ideia de crescimento autêntico, com espaço para o erro, onde a capacidade de enfrentar desafios é o que fortalece a autoconfiança e prepara para uma vida plena e resiliente.

Se as redes sociais incentivam um estilo de vida centrado no ego e na perfeição superficial, cabe aos adultos mais responsáveis, que ainda não se tornaram dependentes digitais, estimular as gerações futuras a valorizarem uma vida equilibrada e autêntica. O primeiro passo, porém, tem de ser dado pelos adultos, dando o exemplo e reconhecendo a natureza ilusória da felicidade “instagramável. São muitos os adultos que precisam de se libertar para buscar de novo plenitudes verdadeiras e realistas – que, embora imperfeitas, permitem prosperar e encontrar satisfação genuína, mesmo quando a vida apresenta desafios. Só assim, libertos nós próprios das prisões em que também nos estamos a deixar cair, poderemos sinalizar aquilo que importa aos mais novos: é ao enfrentar dificuldades e superar problemas que se constrói a vida adulta.

COMPORTAMENTO     SOCIEDADE

COMENTÁRIOS

Tomazz Man: Dá que pensar, sem dúvida.                 Marceloofalso > PCdoZ: Gostei muito de ler o seu artigo, mas não tenho a certeza de que escreveu alguma coisa acertado. Os humanos sempre foram predadores entre eles, só que com um mundo fechado pouco sabíamos. Agora com este acesso às redes sociais e à informação descentralizada tudo nos parece mau de mais. Mas não, não estamos pior do que aquilo que sempre fomos, temos apenas mais conhecimento. O que resta? A censura? A educação para o futuro? A proibição da internet a não ser para as coisas fofinhas, tipo vai ficar tudo bem? No fundo somos enquanto seres humanos capazes do melhor e do pior. Qual força acabará por ganhar?                   bento guerra: Uma sociedade só vai mudando, com o valor das figuras "de referência" nas várias áreas e a cumplicidade activa da Comunicação. Não vejo hipóteses, em Portugal. Mas não se assuste, também não vejo na maioria dos países. O Telelixo traz audiências e aumenta os "share" e mais publicidade                         Duarte Maymone: Muito bem, Rodrigo!      Jorge Mayer:  Claro e incisivo. O construir caminho, a auto-superação, são partes essenciais de uma vida adulta e madura. Muito obrigado!