Do esclarecido texto de Helena Ramos. É de José Ramos, talvez algum
seu familiar - ou talvez não - bem oportuno, para todos nós.
José Ramos: Helena Matos
enumera uma série de actos criminosos que eu, tal como com certeza a maioria
dos cidadãos, desconhecia de todo. E eles vão dos crimes crapulosos, das
facadas e dos roubos até ao escândalo do Hospital de Dona Estefânia e ao
"camarada" das FP25 a avaliar candidatos a juízes. Mas o mais grave,
o pior destes crimes, é o silêncio, a cumplicidade, a venalidade e a
covardia dos media que teimam em apresentar Portugal como "o melhor
país do mundo". É ignóbil, simplesmente ignóbil.
A geringonça que já existia antes de 2015 e que não se
vai desfazer
Não é verdade que a aliança entre o PS
e a extrema-esquerda tenha começado em 2015. Muito antes já imperava uma frente
de esquerda que definia as causas e a agenda. Essa frente vai escapar a esta
crise
HELENA MATOS, Colunista do Observador
OBSERVADOR, 31
out 2021
Os
nomes de Tomás Braga, Marcelo Filipe Correia e Rafael Vaz Lopes dizem alguma
coisa? Provavelmente não. Talvez o de Rafael Vaz Marques
ainda suscite uma outra memória pois foi notícia recentemente. Tomás Braga,
Marcelo Filipe Correia e Rafael Vaz Lopes fazem parte de uma lista de vítimas
que não discutimos, não porque as circunstâncias da sua morte não o exijam
mas sim porque temos medo de não usar as palavras certas. De sermos chamados
isto ou aquilo. Eles são jovens mortos por esfaqueamento nos últimos doze
meses, na zona de Lisboa. Uma pesquisa simples permite constatar o óbvio: para
lá dos casos em que se registam vítimas mortais vão-se acumulando os casos de
rixas entre gangues, grupos ou simples colegas de escola:
20 de Outubro de 2021: Rafael Vaz Lopes morre após ser esfaqueado na estação de
metro das Laranjeiras, em Lisboa. (Há um ano, Marcelo Filipe Correia, de 16 anos, foi assassinado à facada
na estação da Amadora).
15 de Outubro de 2021: Aluno esfaqueado por adolescente em escola em Almada.
29 de Setembro de 2021: Jovem dá três facadas a rival em café ilegal em Almada. Vítima foi
primeiro agredida com uma soqueira e depois golpeada com uma faca de cozinha.
3 de Setembro de 2021: Michel Amorim, de 27 anos, foi morto com facada no pulmão dada por
assaltantes que andam a aterrorizar distribuidores de gás em Mem Martins.
23 de Julho de 2021: A PSP de Benfica,
Lisboa, deteve três jovens entre os 17 e os 19 anos e identificou um menor, de 16,
que esfaquearam o dono de um carro nas pernas, antes de fugirem com
a viatura e outros bens da vítima.
11 de Julho de 2021: Dois adolescentes foram esfaqueados na sequência de uma rixa na praia do
Tamariz, no Estoril. Segundo a PSP tratou-se de um confronto
entre cerca de duas dezenas de jovens.
12 de Junho de 2021: Rixa entre grupos rivais faz um ferido na praia da Conceição em Cascais.
6 de Junho de 2021: Jovem de 24 anos esfaqueado na via pública em Lisboa.
26 de Maio de 2021: Grupo de jovens bate e rouba em Cascais para subir na hierarquia do gang
de rappers.
Esta lista está longe de ser exaustiva
mas é mais que suficiente para ilustrar como vivemos em ondas de indignação
devidamente seleccionadas: porque não falamos das mortes de Tomás Braga,
Marcelo Filipe Correia e Rafael Vaz Lopes? E das rixas nas praias do Estoril?
Porque não se pergunta a razão de estar fechada a saída da estação de comboio
da Linha de Sintra que dá acesso à Cova da Moura, obrigando muitos utentes a
fazer um enorme desvio pela Damaia?… Porque é a esquerda quem define o que se
pode discutir e em que moldes e nestes casos, em que dificilmente se poderia
culpar o colonialismo, o racismo, o capitalismo, o fascismo ou outro daqueles
“ismos” sempre prontos a usar, impera o silêncio.
Este
poder da esquerda é muito anterior à aliança de 2015. Muito antes dessa data já imperava uma frente de
esquerda que definia o que se pode ou não discutir, o que é ou não um problema
urgente, o que deve ser motivo de indignação ou pelo contrário ignorado. Os anos
apenas acentuaram esse controlo por parte dos radicais e conduziram-nos a
absurdos patéticos, em que o bem comum é sacrificado na prossecução de agendas
sem qualquer adesão à realidade: discutimos como grande problema nacional e
internacional a questão dos jovens transgénero e depois descobrimos que a Unidade Pediátrica de Cuidados para crianças e
adolescentes queimados, seja qual for o seu género, do Hospital Dona Estefânia
está em obras há mais de vinte anos! Mais grotesco ainda: no IPO há
tratamentos que não estão a ser feitos por falta de pessoal mas os
deputados vão aprovar a correr a legalização da eutanásia.
Esta
frente não só existe há largas décadas como vai resistir a esta crise. Gozando de uma extraordinária simpatia nas redacções,
instalados nessa teia de institutos, comissões, observatórios – o caso do
operacional das FP-25 condenado por terrorismo que agora, na qualidade de
presidente de um observatório do ISCTE, acabou a
avaliar candidatos a juízes é um bom símbolo desse mundo que BE
e PS repartiram entre si – vamos vê-los a mobilizarem-se contra a direita
(pronunciar enfaticamente), banalizando absurdos e impondo contra-sensos, quer
estejam ou não no poder. Para esta geringonça não há nem haverá crise. Da outra
teremos notícias na próxima noite eleitoral. Mas enquanto não colocarmos em
causa o poder da primeira — aquela que nos diz sobre o que devemos falar, como
e quando — não seremos capazes de enfrentar a que vai a votos.
PS. A filha de Brad Pitt e
Angelina Jolie voltou a ser rapariga? Durante anos jornais, revistas
e televisões informaram-nos que Shiloh Pitt não se identificava como rapariga.
Qualquer observação à pouca idade da criança para decidir em tais matérias era
imediatamente apresentada como sintoma de transfobia. Pressurosamente
adoptou-se uma linguagem neutra ou masculina para referir Shiloh. Alguns
tratavam-na como John, o nome masculino que Shiloh gostaria de ter.
Acontece que Shiloh Jolie-Pitt fez
agora quinze anos e apareceu ao lado da mãe na promoção de um filme. A menina
Shiloh Jolie-Pitt não só não parece ter qualquer dúvida sobre a sua
feminilidade como esta se manifesta de forma exuberante, facto em que os genes
da mãe devem dar uma boa ajuda.
Agora
os jornalistas teorizam sobre a prática da reciclagem de vestidos entre
Angelina Jolie e as suas filhas. A criança transgénero ficou enfiada no
armário. A causa agora é a salvação do planeta e lá havemos de chegar com as
Jolie-Pitt a trocarem vestidos Versace entre si. De causa em causa até à
estupidez geral!
VIOLÊNCIA
CRIME SOCIEDADE MAIORIA DE
ESQUERDA GOVERNO POLÍTICA
COMENTÁRIOS:
Sérgio: Excelente, como sempre. Bernardo Vaz
Pinto: Pagaremos caro…ainda bem que
ainda existem vozes que se levantam contra a hegemonia da hipocrisia lavada de
um pressuposto marxismo de taberna…ainda não baixei os braços mas a “maioria”
parece gostar disto… Ramiro Santos
Silva: Só para ler o que esta valente
senhora escreve, vale a pena assinar o Observador o que se prova, mais uma vez,
com este assertivo e corajoso artigo. Bem haja Helena Matos! Paulo
Orlando: A democracia tem destas coisas.
Quando 3/5 vivem do parasitismo, não o vão abandonar facilmente perpetuando-o
através do voto. Os outros 2/5 serão sempre reféns dos seus parasitas e rezarão
para que a avidez dos mesmos não os deixem exangues. O parasita só morre quando
deixar de ter hospedeiro. É importante que os parasitas entendam que se não
moderarem a sua avidez, também arriscam a extinção. Talvez aí evoluam para uma
simbiose e possamos finalmente libertarmo-nos desta ditadura democrática de
subserviência. jose pontes: Artigo brilhante, como é
habitual. Em Portugal a frente de esquerda policorrecta que domina a midia sabe
o que fazer quando um preto é morto por um branco. É o pânico total e com
tratamento de semanas a fio. Quando um branco é morto por pretos é o abafamento
e silenciamento imediato. Se um branco é morto por outro branco, é noticiado
com distanciamento. O que de facto transtorna e confunde o jornalismo
policorrecto é quando pretos matam também pretos. Ficam desorientados por
não poderem pôr a culpa no branco. Rosa Teixeira: Grande Helena Matos. Joaquim Moreira: O que me apraz dizer, é que
Helena Matos está cheia de razão nesta sua forma de ver. A geringonça que
já existia antes de 2015 e que não se vai desfazer. E por uma razão que é muito
fácil de perceber! É uma situação que interessa muito à esquerda que está no
poder. E acredito que mesmo depois de o perder, vai querer manter, as chamadas
"causas fracturantes" para assim a ligação não se perder. No entanto, estou convencido de que, no que diz
respeito a todas as outras questões de poder a Geringonça nunca mais vai
renascer. Até porque o seu inventor e interessado pessoal, desta vez, vai ser
corrido do desgoverno de Portugal! Quero acreditar que o povo português, já
percebeu quem é este freguês! E portanto, depois desta queda da Geringonça,
provocada pelos velhos amigos da onça, a maioria que deseja, espero que nunca
mais a veja! Até porque acredito que o povo já percebeu que a solução está no
actual líder da oposição. Mais que uma convicção é um desejo do maior interesse
para a Nação! José Ramos: Helena Matos enumera uma série de actos criminosos que eu, tal como com
certeza a maioria dos cidadãos, desconhecia de todo. E eles vão dos crimes
crapulosos, das facadas e dos roubos até ao escândalo do Hospital de Dona
Estefânia e ao "camarada" das FP25 a avaliar candidatos a juízes. Mas
o mais grave, o pior destes crimes, é o silêncio, a cumplicidade, a
venalidade e a covardia dos media que teimam em apresentar Portugal
como "o melhor país do mundo". É ignóbil, simplesmente ignóbil. Ema Gomes: parabéns ao jornal Observador
pelo artigo
Nuno W: O pior que existe na nossa sociedade magistralmente
retratado por HM. A hipocrisia, o utopismo, o complexo ideológico duma
facção da sociedade portuguesa que é algo doentia, psicopática e regressiva. Só tristeza e angústia pelo
futuro dos Portugueses. this
newspaper is trash: O socialismo português existe a meias, esclareço o
socialismo nórdico do qual espelham os "esquerdas" portugueses tem
como pedra de toque a preservação da galinha dos ovos de ouro, ou seja as
empresas suecas, dinamarquesas, norueguesas e finlandesas que geram riqueza e
são taxadas moderadamente em um tax-bracket inclusive mais favorável que
meu pais USA. Porém depois para garantir a rede de protecção social tão adorada
e propalada pela esquerda portuguesa, os indivíduos são taxados, ou seja, não
se acabam com super-ricos, ou estariam empresas, porém há um sistema judicial
célere e transparente, há uma cultura de parlamento de transparência e
honestidade. Oindividuo pode vir a ser taxado ate 69% de seus ganhos e alguém
auferindo mais de € 100,000 por ano já esta perto dos níveis máximos de
taxação. Isto tudo enquanto têm uma política de protecção de sua identidade
nacional, sueca, dinamarquesa, norueguesa e finlandesa onde a integração de
imigrantes demora de 3 a 4 gerações. Logo se a esquerda portuguesa quiser
implementar um modelo de justiça célere, transparência total dos procedimentos
partidários, eliminação sumária de nepotismo e cronyism por ai vamos e Portugal
será um pais socialista de acordo com os moldes que a esquerda portuguesa
afirma que deseja, porém não se podem adotar meias medidas, nao há como pagar a
festa.
Harry Dean Stanton > this newspaper is trash:
Comentário
perspicaz, eu diria mesmo muito para aqui e na generalidade com razão. Mas
também tem que convir que o patamar a que se ascende ou de qualquer sociedade está
sempre temporalmente muito associado ao ponto de partida. Como os percalços do
caminho como até descobrir petróleo ou não. E nenhum país do norte da Europa
chegou a 75 com metade da população praticamente analfabeta a viver na miséria
de Portugal. Aliás, Portugal começa a erigir o seu estado social quando
Inglaterra já está a realizar cortes no seu devido à recessão provocada pelos
choques petrolíferos que também chegaram cá como é óbvio. E voltamos sempre ao
preditor mais robusto do crescimento económico, as qualificações. Que também
nunca é levado em linha de conta noutras comparações. Como podíamos falar de
outras fontes de riqueza como os recursos naturais incomparáveis. Em suma,
apesar de concordar com muitos pontos não se comparam economias como clubes de
futebol. Estavam eles a assegurar muito do que ainda é hoje a base da sua
economia e por cá alienava-se a produção nacional quase toda. Como senão
bastasse liberalizou-se o sector financeiro todo sem quaisquer instrumentos de
regulação que levou à explosão das importações e do crédito privado que levou
que por sua vez levou diretamente à última crise. Que nos pôs mais uma vez com
a mochila de dívida às costas que sabemos. Como aliás todas as economias
frágeis e sem capital como a nossa na periferia do euro. Mas também
outros Governos houve que apostaram forte na educação e na ciência e hoje
também já começámos a colher os frutos de termos conseguido implantar o ensino
superior em todo o território. Uma área em que entramos neste século como a
Europa mais desenvolvida já tinha saído do século XIX e que até se começa por
sentir mais na qualidade dos empregadores do que nos empregados. Senão também
não era possível termos por cá a unidade da Volkswagen mais produtiva do mundo.
E outros bons exemplos. Sem dúvida que precisamos de mais tempo e sobretudo
mais persistência nas apostas certas. E também convinha fortalecer mais as
contas públicas para não continuarmos a levar com crises que nos cortam
completamente as pernas em alturas cruciais do nosso desenvolvimento.
Infelizmente este ponto já não depende só de nós. Já outras
reformas de que fala como no caso da Justiça já devíamos ter ido muito mais
longe. Como está aliás previsto neste PPR. E finalmente há mesmo questões
culturais a necessitarem de uma reforma de mentalidades como por exemplo ao
nível da fiscalidade que também demoram o seu tempo. Mas convenhamos que com os
salários médios do norte da Europa é tudo muito mais fácil. Pereira Santos > this newspaper is trash:
Só tens um grande
erro na tua análise, é que os países nórdicos são governados por partidos
sociais democratas em coligação com partidos centristas e não por partidos
socialistas com a extrema esquerda. Juntando a isso os partidos da extrema-esquerda
não tem expressão no parlamento e muito menos no governo. João Ramos: Muito bem Helena Matos, são
estas informações que é necessário relembrar e relembrar na cabeça dos
portugueses ao ponto em que este pobre país chegou!!! Elvis Dwayne:
Um artigo pura e
simplesmente soberbo! Ainda bem que existe a internet, senão nunca
poderíamos confirmar a hipocrisia destes senhores. Nesta coisa em forma de país,
temos comprovados terroristas em tachinhos pagos por nossa conta a
"avaliar juízes". Se isto não é o Terceiro Mundo, então só pode ser o
Quarto ou Quinto. Força HM e nunca se deixe intimidar por essa gente, a
verdade e a franqueza é o que mais os afeta. Cipião Numantino: Como diria o sempre labutador
povo da invicta "a geringonça é uma naçon"! Por mim acrescentaria que
é uma catrefa de gente que vai dos instalados no pote do estado, aos parasitas
vários e até aos alucinados tontos e calaceiros que nos vão calhando em rifa. Só
não vê quem não quer. É só passar nas franjas geográficas de certos bairros
(pode ser mesmo de carro) e vai ficar pasmado com tanta juventude junto aos
botecos ou passando aos magotes sem aparente destino. Facilmente depreenderá
que filhos e netos de emigrantes provenientes de África pouco ou nada fazem.
Ou, melhor, muitas vezes nem estudam nem trabalham. E, aqui, só pode funcionar
o antigo ditado que postula "que quem cabritos vende e cabras não tem
....". Bem vistas as coisas ainda estamos cheios de sorte. Felizmente, os descendentes
de africanos são, ainda assim, bem mais suaves do que certos povos que infestam
as cidades francesas e que levam muita gentinha a dizer que são os tais
territórios perdidos da república. Tudo isto, meus caros, graças ao excelso Mq.
de Pombal. Um homem que tanto tinha de génio político como de grande perversidade.
Parece que via antes de tempo. E é justamente neste contexto que manda
abandonar a impressionante cidade-fortaleza de Mazagão (El Jadida) em Marrocos,
último bastião da cintura de castelos e praças-fortes que os portugueses
detiveram na região. Uma cidade que em ataques de toda a moirama foi defendida
contra todas as probabilidades de sucesso, como foi no ataque dos xerifes sá d
idas em 1561. Pois bem, Pombal, era decididamente um visionário. Envia uma
esquadra de Lisboa e manda recolher toda a gente portuguesa desde os nobres ao
mais simples soldado. Toda a gente contentinha da silva, encararam a retirada
como um prazenteiro passeio até Lisboa. Puro engano. Os capitães dos navios tinham
ordens secretas para embarcar este pessoal e levá-lo para os confins do norte
do Brasil, mesmo junto ao equador, onde hoje se situa o estado do Amapá e , aí,
fundaram uma cidade que se chamou (e chama) Nova Mazagão. Enfim uma história
pouco conhecida mas que, nos dias de hoje, nos poderá fazer recordar que não
fora o vislumbre do Marquês e, certamente, teríamos isto cheio de pessoal magrebino
que nos poderá fazer suspirar de alívio pela sorte que temos em ter africanos e
seus descendentes que, bem no fundo, não causam o terror que vemos nas cidades
francesas, alemãs ou suecas. 2- A geringonça de antes e de agora, como tão bem cita a nossa estimada HM, é
a fautora de certos dislates e disparates com que sustentadamente nos vamos
deparando. Um espécie de ampulheta reversa ou um tic-tac de um relógio com uma
bomba relógio que acabará por nos explodir a todos na cara. Tal mentalidade
consiste num anátema bem simples. Coisa que não presta, importe-se e
pratique-se. Que se destrua a família tradicional que nos aportou à florescente
civilização presente, em nada importa a esta alarve gentinha. O certo e o
errado já não é o que era e a ética e a moral provêm essencialmente da ética
geringonceira em que vale tudo menos arrancar olhos. Tudo o que está em cima,
atire-se cá pra baixo e o contrário também é verdade. Não querem deixar pedra
sobre pedra, na destruição criativa que Herbert Marcuse indicou e António
Gramsci teorizou. Mas (há sempre um mas), a tramonta parece ter emperrado um
pouco. E é justamente neste contexto que se assiste a um debate frenético nos
States entre associações que antes eram uma espécie de unha com carne. O
movimento das "trans" lá do sítio começaram a barafustar que as
"phufa s" não queriam nada com elas ao nível íntimo só porque têm um
artefacto que é, condignamente, exclusivo da masculinidade. Por sua vez, o
movimento das tais "phuf as" ficou em brasa (com razão, aliás) que o
corpo é delas e andam com quem lhes apetece e se recusam a sentir o contacto da
tal protuberância masculina a que atrás aludi. Tão amigas que elas eram! Instalado
o caos dialético entre as duas tru pes, a coisa parece mesmo estar a dar para o
tordo com situações rebaldeiras que, mais tarde ou mais cedo, podem degenerar
em confrontos. De forma que, pessoal, não vale a pena desesperar. As hienas,
passado o interlúdio da defesa das peças de caça abatidas, começam a
digladiar-se entre si. Eu estou bem tranquilinho assistindo no meu camarote. E
já me precavi com a compra de uns belos sacos de pipocas e suficiente coca-cola
para assistir deleitosamente à peleja. Vai ser bom de se ver. Deixai-as
poisar!... Elvis
Dwayne > Cipião Numantino: Olá caro Cipião! De facto é o "Indrominável
Mundo Novo", se bem que acho que mais tarde ou mais cedo tudo o que é
utópico descamba em "1984".
A obra de Aldous Huxley parte
do pressuposto (na minha opinião errado), que os "bem-pensantes"
querem de facto o bem geral, mas que tragicamente acabam sempre por nos levar a
algo distópico. Já "George Orwell" é cá dos meus e não se meteu em
contemplações. Apesar do seu passado ligado à esquerda, rapidamente entendeu
(tanto em 1984, Triunfo dos Porcos ou
mesmo Wygan Pier) que para os
bem-pensantes, a utopia não é um fim em si mesmo, mas uma mera camuflagem para
o seu verdadeiro objectivo: o Poder (absoluto, autocrático e totalitário). Tudo
o resto são divagações ideológicas frívolas. Os métodos podem ser diferentes,
mas o Objectivo Final dos Woke, de Xi Jinping, de Putin ou da Frente Abrileira é
o mesmo. E não ver esta verdade, ao final de tanto tempo e de tantas provas
dadas, ou é sinal de lavagem cerebral ou de pura e simples deficiência
cognitiva. Excelente comentário, é sempre um prazer lê-lo. Cumprimentos.
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