terça-feira, 23 de novembro de 2021

DUAS CRÓNICAS


DE DUAS GRANDES MULHERES:  HELENA MATOS e RAQUEL ABECASIS.

EDUCAÇÃO (ou falta dela), o tema da primeira CRÓNICA. O ESTADO DA NAÇÃO, o da segunda, corolário da primeira

Continuemos”, diria SALLES DA FONSECA. Num contexto irónico, neste caso.

I - O que está a acontecer nas escolas portuguesas?

Novembro de 2021: um jovem é ferido a tiro numa escola de Loures. Aluna agride funcionária numa escola do Porto. Em Torres Vedras, um aluno de 12 anos é hospitalizado após agressão na escola...

HELENA MATOS, colunista do observador

OBSERVADOR, 21 nov 2021

 16 de Novembro:Jovem ferido a tiro num joelho numa escola de Loures. Um grupo de 10 indivíduos que tentava juntar-se a um convívio de alunos foi barrado pelos funcionários de uma escola e a resposta foi violenta.”

Alguém ouviu alguma declaração do ministro da Educação sobre este caso? Sim, do ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues. Afinal estamos a falar de tiros numa escola. Ah! já me esquecia, o ministério da Educação tem como sua enorme e estrutural preocupação garantir que aluno algum escapa às aulas dessa ficção activista que dá pelo nome de identidade de género, ministrada para o efeito numa aulas de cidadania a que se presume os envolvidos nestes factos não devem faltar, pois se tal ocorresse sempre seriam pelo menos objecto da atenção ministerial, quiçá até de um despacho do senhor secretário de Estado da Educação João Costa, como aconteceu aos irmãos Mesquita Guimarães! Dado que estes outros alunos se limitam a bater, espancar, anavalhar e agora também disparar dentro do espaço escolar, do ponto de vista do ministério da Educação eles não justificam tal esforço.

A degradação da escola pública é uma das consequências mais gravosas da geringonça. Percebeu-se rapidamente que as correntes mais esquerdistas iam liderar este campo quando, logo em 2016, contra toda a racionalidade, foi decidido acabar com vários contratos de associação: não era a qualidade da escola que estava em causa, era o seu controlo. Ao longo destes seis anos, os dados sobre o desempenho escolar dos alunos foram-se tornando mais opacos; reduziu-se a exigência; o dinheiro gasto não se traduziu em melhores equipamentos ou em melhor ensino (os alunos saem em média mais caros no ensino público que no privado). A presente dificuldade de contratação de professores é um dos sinais mais evidentes dessa degradação de que pouco ou nada se fala.

Como a escola pública, ao contrário do que acontece nos hospitais, não tem urgências nem atenção mediática (ou tem a atenção que a FENPROF determina), apenas alguns casos, pela sua brutalidade ou grotesco (geralmente andam juntos), chamam por breves momentos a atenção para um quotidiano escolar degradado que não cabe na propagandaem Maio deste ano, “um grupo de pais dos alunos de uma escola básica do 1º ciclo de um concelho do distrito de Braga apresentaram queixa na GNR por alegados ataques sexuais aos filhos, de 7 e 8 anos, dentro do estabelecimento de ensino. Os agressores serão alunos da mesma escola, “mais velhos”, que segundo os denunciantes, “ameaçam as vítimas com uma navalha”.” Também em Maio foram registadas “Tentativas de violação, alunos com navalhas e agressões em Escola Escola Secundária de Ponte de Sor” enquanto na “Escola Básica de Coruche são frequentes os relatos de agressões, alegadamente praticadas por alunos mais velhos e considerados problemáticos, a crianças mais novas e mais indefesas chegando mesmo a haver uma tentativa de agressão a uma professora.

Em Junho, soubemos que o Ministério Público investigava denúncias de abusos sexuais entre alunos em escola de Celorico de Basto”. As férias escolares interromperam esta cronologia mas logo em Outubro “Uma jovem de 15 anos queixa-se de ter sido forçada a sexo oral sob ameaça de faca na Escola Básica 2 e 3 da Aranguez, em Setúbal, por um colega de 13 anos.

Depois veio Novembro em que, além do tiroteio na Escola Secundária José Cardoso Pires, em Santo António dos Cavaleiros, Loures, também se registou uma agressão no Agrupamento de Escolas Madeira Torres, em Torres Vedras, a Luís Santiago, de 12 anos, que acabou hospitalizado, e a agressão de uma aluna a uma funcionária numa escola escola básica no Porto.

Não devíamos estar a discutir isto? Ou mais exactamente: há quanto tempo não se discute o ensino? A autoridade nas escolas? António Costa comprou o apoio da extrema-esquerda. Com quê? Em boa parte entregando-lhes o SNS, a escola pública e as empresas de transportes. O resultado foi a transformação destes serviços numa nova RDA: uma utopia donde fogem todos aqueles que podem.

O que aconteceu em Portugal entre 2015 e 2021 tem um rosto e um responsável: António Costa. Agora, e apenas porque os seus parceiros destes anos lhe recusaram o apoio, Costa, como quem muda de casaco, mostra-se disponível para se entender com a direita. Cabe perguntar: para fazer o quê, além de manter o PS no poder? A  governar com a direita, como pelos vistos agora quer e lhe recomendam essas formas de vida política porífera como são Ferro Rodrigues e Basílio Horta, Costa vai fazer o quê? Sobretudo faria o quê de diferente?

PS. “Eu entendi, fiquei com a impressão de que o senhor ministro tinha tomado essa decisão com base em opinião jurídicas — não disse escritas, disse opiniões jurídicas, eu chamei-lhes pareceres jurídicos, podem ser pareceres verbais. O senhor ministro [da Defesa] esclareceu que não, foi de acordo com a sua interpretação, com a qual eu concordo” — declarou Marcelo Rebelo de Sousa a propósito da decisão do ministro da Defesa de não o informar sobre as suspeitas de envolvimento de militares em ações criminosas.

Confesso que não lia nada assim desde que, em “Os Maias”, o Dâmaso Salcede, sob o terror de ser desafiado para um duelo por Carlos da Maia, escreveu uma carta a pedir-lhe desculpa por causa do artigo sobre Carlos e Maria Eduarda que ele, Dâmaso, fizera publicar: «Ex. mo Sr. Tendo-me Vossa Excelência, por intermédio dos seus amigos João da Ega e Vitorino Cruges, manifestado a indignação que lhe causara um certo artigo da Corneta do Diabo, de que eu escrevi o rascunho e de que promovi a publicação, venho declarar francamente a Vossa Excelência que esse artigo, como agora reconheço, não continha senão falsidades e incoerências”.

À medida que lia a sucessão encastelada de justificações do injustificável pronunciadas por Marcelo  “Eu entendi, fiquei com a impressão de que o senhor ministro tinha tomado essa decisão com base em opinião jurídicas não disse escritas, disse opiniões jurídicas, eu chamei-lhes pareceres jurídicos, podem ser pareceres verbais….” das profundezas da memória chegava-me, escarninha e trágica, a frase que Carlos da Maia proferiu quando João da Ega lhe entregou em mão a carta que o Dâmaso lhe escrevera para se livrar do duelo: “Isto é incrível… Chega a ser humilhante para a natureza humana!

Em abono do Dâmaso esclareça-se que ele arriscava sair razoavelmente ferido caso entrasse num duelo com Carlos da Maia. Já em abono de Marcelo não encontro nada.

ESCOLAS   EDUCAÇÃO   TIAGO BRANDÃO RODRIGUES   POLÍTICA   MARCELO REBELO DE SOUSA   PRESIDENTE DA REPÚBLICA

COMENTÁRIOS (os primeiros de 228)

Manuel Rodrigues: A doutrinação ideológica  esquerdizante continua. Assegura-se a bandalheira, a anarquia, além da  ignorância como resultado final. Por fim a propaganda  : A  Geração mais bem preparada de sempre. Que  belo espectáculo!!! Com o devido distanciamento aguardemos pela análise da  História           Sérgio: Fabuloso.           Maria Emília Santos Santos: Há muito dinheiro a rolar para destruir a educação e degradar as novas gerações. Infiltrados nos partidos politicos, para que os de direita sejam desmantelados e alinhados à esquerda. O objetivo já todos sabemos qual é. Os portugueses decidiram entregar-se antes mesmo do confronto. Lutar pelos filhos, para quê, e porquê? A escola é que sabe o que deve ensinar... muitos, também, não querem ser "antiquados"! Outros têm medo das represálias, com que somos ameaçados diariamente!         maria ribeiro: Está a acontecer uma CATÁSTROFE              Rui Cardoso: Na mouche Helena Matos. O melhor meio de informação sobre o Portugal profundo? Lusa? Não. Para se manterem informados sobre o penico da europa CMTV!              Mario Almeida: Em 9 anos de colégio privado nunca nenhum dos meus educandos teve um furo. Nas raríssimas faltas de professores havia um professor substituto. Este ano, em 2 meses de aulas já foram 6 faltas a Físico-química, falta de colocação de professores a duas disciplinas e as habituais greves da FENPROF à Sexta Feira. Em Portugal não temos escolas, temos madrassas. O objectivo não é formar cidadãos, é criar uma geração de “vítimas do capitalismo” onde a esquerda.net possa ir à pesca de mártires multiculturais … os indígenas que não estiverem a arregimentar os “mártires” estarão a votar no “Chega”.          Pedromi: É sempre um prazer ler os seus artigos.... são como um lufada de ar, de quem consegue vir à superfície respirar, depois de um longo mergulho neste oceano de podridão política/intelectual. Muito Obrigado Helena Matos!         Domingos Rita: Excelente. Estou sempre desejoso dos artigos da Helena Matos. Acessíveis, contundentes, esclarecedores de verdades ocultas e essencialmente sempre oportunos e com uma coragem que infelizmente vejo diminuir no meu querido país. Bem haja.

 

II - Pantanal

Há milhares de alunos sem aulas e o ministro da Educação acordou agora para a situação. Como normalmente fazem os incompetentes, garante que nos próximos meses vai fazer tudo para resolver o problema.

RAQUEL ABECASIS, Jornalista e ex-candidata independente pelo CDS nas eleições autárquicas e legislativas

OBSERVADOR, 23 nov 2021,

 Eis o estado da arte actual. Mais do mesmo. Está aí a quarta, quinta ou não sei quantas vagas da Covid. Portugal é o campeão (ao menos nisso!) da taxa de vacinação a nível mundial. Os números de internamentos e letalidade mostram bem a diferença que isso faz. Não obstante, e com o complexo de inferioridade que tradicionalmente nos caracteriza, as autoridades políticas e sanitárias reagem como se isto não fizesse toda a diferença. Resultado: a população está em pânico com a hipótese de ficar outra vez fechada em casa apesar de se ter vacinado e, portanto, se apanhar covid, ter apenas achaques do tipo gripal.

Tudo isto é triste e tudo isto é, infelizmente, o nosso fado. Mesmo quando, por um acaso da sorte, fazemos bem as coisas (é bom lembrar que só tivemos direito ao Almirante porque o incompetente que o PS escolheu para a tarefa deu tantos tiros no pé que tornou a sua posição insustentável), não temos a coragem de escolher o nosso caminho. Maior prova de que o poder que temos já não serve e que temos que mudar de vida não há.

A isto junta-se um rol de ineficácias e incapacidades de governar que demonstram bem a urgência de virar a página se queremos sobreviver como país. Notícias dos últimos dias:

Nas últimas horas demitiram-se mais dez chefes das urgências de cirurgia do Hospital de Santa Maria, o maior hospital do país. Esta notícia junta-se a uma série de outras demissões em hospitais públicos de norte a sul do país. De Braga a Viseu, passando pelos principais hospitais de Lisboa: São José, Amadora-Sintra e Estefânia. E perguntamos: então não era este o governo que vinha salvar o Serviço Nacional de Saúde?

Dispensados o Vice-Almirante e a task force, o que temos? De novo a inefável Graça Freitas, incapaz de comunicar, incapaz de ter uma posição técnica e autónoma do poder político e incapaz de pôr em prática um miniplano de vacinação para nichos da população que precisam de um reforço vacinal. Depois da bonança que nos foi garantida pela eficácia de Gouveia e Melo, parece que recuámos à pré-história do início da pandemia, com uma senhora que aparecia todos os dias na televisão a rir muito e sem saber o que dizer. Lamentável.

As escolas portuguesas registam um défice de professores que tornam impossível assegurar um sistema educativo de qualidade nos próximos anos. Já neste ano lectivo há milhares de alunos sem aulas em disciplinas centrais, como Matemática, Português e Ciências. Alguns destes alunos vão ser sujeitos a exames nacionais de acesso à universidade. E o ministro da Educação só agora acordou para a situação. Como normalmente fazem os incompetentes, garante que nos próximos meses vai fazer tudo para resolver o problema. Entretanto, ao longo dos últimos seis anos, desfez tudo o que estava já planeado para prevenir o desastre.

Economicamente, é uma questão de meses para sermos ultrapassados pelos poucos países que ainda estão atrás de nós na União Europeia.

Com a cabeça ainda à tona no pântano em que nos encontramos, o que tem o ainda primeiro-ministro para nos prometer? Mais do mesmo, desde que votem nele para continuar à frente dos destinos do país.

Será que é isto que queremos? Esta é a altura para mostrar que não.

Este é o Governo que não está interessado em mudar nada, só em manter o poder. Este é o Governo que nem se dá ao trabalho de se renovar. Façam o que fizerem, os ministros são para ficar, mesmo que percam a autoridade e o respeito de todo o país, como é o caso de Eduardo Cabrita. Este é o Governo que se deixa roubar (Tancos) e aldrabar (operação Miríade) e não tem vergonha na cara para, pelo menos, pedir desculpa e mostrar determinação para mudar o sistema.

Se a 30 de janeiro for esta a escolha dos portugueses, aguardemos más notícias. Tudo o que já está mal vai piorar.

GOVERNO   POLÍTICA   MINISTÉRIO DA SAÚDE   MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO   PAÍS   ECONOMIA

COMENTÁRIO:
Paulo Cardoso
: E, problema maior, a alternativa da alternância está pelas ruas da amargura, por culpa exclusiva de Marcelo, o patético, que precipitou o fim deste ciclo, poupando a escumalha que lá está, de arder no fogo lento de 6 anos de governação incompetente, e impedindo as alternativas de renovarem ou reafirmarem as suas lideranças, no tempo certo. Em suma, alterando as regras a meio do jogo.

 

Nenhum comentário: