quinta-feira, 2 de junho de 2022

Foi você que pediu uma justificação?

                                                                                                                                                                                                                                                                     

É claro que não falo por mim, que estou sempre pronta a aceitar as explicações que também, em tempos era chamada a fornecer, embora com menos boa vontade em as seguir, de quem as escutava, na sua desatenção adolescente, do que aquela com que hoje lemos as lições cheias de teses e antíteses clássicas, com as respectivas deduções, engenhosas de modernidade na crítica e no bom-senso conclusivo do seu formulador. Mas duvido que o alvo principal de quem as poderia ler e reflectir, o faça com empenho, atido, isso sim, aos seus próprios pergaminhos escolares, de desvios gritantes relativamente à sensatez de “honnête homme” de quem assim os define. Por mim, só posso agradecer as deduções brilhantes do Dr. Salles da Fonseca, em querer puxar a brasa à sua sardinha filosófica e subtilmente graciosa. A lógica, hoje, deu uma volta e foi-se, ao que se vê, no artifício dos cinismos e crueldades inatos ou cada vez mais enrijecidos pelas ambições e soberbas que a tecnologia apoia, e de que maneira, no seu requinte destrutivo todo-poderoso…

DA LÓGICA HUMANISTA E DO SEU CONTRÁRIO - 1

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

A BEM DA NAÇÃO, 01.06.22

Lógica humanista é a que subjaz às democracias pluripartidárias.

Hoje, a pergunta é: - Por que é que ainda actualmente os prosélitos russófilos tendem a não respeitar a lógica eleitoral, a humanista, democrática, recorrendo a miúde às greves e arruaças?

E a resposta é: -Porque a opinião das pessoas não interessa perante os «superiores desígnios da revolução» e é irrelevante face ao «glorioso determinismo histórico marxista».

* * *

E, agora, sinto-me no direito de não resistir à tentação de comentar pois, infelizmente para esses prosélitos da «causa perfeita», a ditadura do proletariado é o primado da escassez, o «determinismo» revelou-se às avessas e o «socialismo científico» implodiu por esgotamento funcional.

Lisboa, 1 de Junho de 2022

Henrique Salles da Fonseca

Tags: política

COMENTÁRIOS:

Adriano Miranda Lima 02.06.2022 Sr. Dr., com este texto breve mas sinteticamente rico, disse tudo acerca das amarras invisíveis que aprisionam a mente e impedem que o homem se conheça na plenitude das suas faculdades racionais ou mesmo que se tente reconhecer quando tolhido por perplexidades ou dúvidas angustiantes. Nenhum axioma, teoria filosófica ou credo político lograram até hoje dar-lhe as respostas certas e definitivas para compreender o verdadeiro sentido e razão da sua existência. Como sempre tenho dito, de nada serve meter na discussão a religião, porque ela é apenas o recurso que resta face à ausência de respostas ao alcance da percepção ou compreensão. Portanto, como bem diz o Dr. Salles, resta-nos a liberdade de pensar até onde ela nos permita discernir acerca da realidade circundante, e com ela o “pluripartidarismo”, ou seja, conceder que outros também usem a mesma faculdade para todos em conjunto aprofundarmos uma melhor percepção da nossa condição e das nossas possibilidades de sermos dignos da condição de seres superiores. O falhanço estrondoso do comunismo e de toda a forma de totalitarismo advém precisamente da eliminação da liberdade de o homem pensar, decidir e contribuir colectivamente para a sua felicidade. A história o comprova à saciedade e por isso não vale a pena gastar mais palavras. Na Rússia de Putin baniu-se o comunismo mas recriou-se um totalitarismo talvez ainda mais tenebroso. Estaremos para ver o que virá, sendo certo que com o comunismo soviético a arma nuclear funcionou como factor dissuasor. Sim, aos prosélitos só resta agora berrar nas ruas e exigir mais dinheiro e regalias aos que já têm trabalho. Perderam-se num labirinto e de lá não vão sair ilesos


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