terça-feira, 7 de junho de 2022

Para uma melhor ponderação


Um descritivo de visualização.

Mapa da guerra. O que se sabe sobre o 103.º dia do conflito

Ataque a Kiev terá tido como o objetivo destruir equipamento militar do Ocidente, revela Reino Unido, que também informa que vai disponibilizar à Ucrânia sistemas de lançamento de foguetes.

JOSÉ CARLOS DUARTE: Texto

BEATRIZ FERREIRA: Texto

DIOGO PAREDES: Texto

OBSERVADOR, 06 jun 2022, 08:36 2 

A Ucrânia entra esta segunda-feira no 103.º dia de guerra contra a ofensiva russa. Um dia depois de Kiev ter sido alvo das forças da Rússia — algo que não já acontecia há mais de um mês —, o Ministério da Defesa britânico indicou, num briefing diário sobre a situação da guerra, que o objetivo deste ataque passava pela destruição do equipamento militar do Ocidente.

O Reino Unido revelou ainda, esta segunda-feira, que vai disponibilizar à Ucrânia sistemas de lançamento de foguetes designados M270 MLRS, que permitirão “aumentar significativamente as capacidades das forças ucranianas”.

Na frente da guerra, os combates pelo controlo da cidade de Severodonetsk continuam. Esta segunda-feira, o governador da região de Lugansk afirmou que a situação no terreno “piorou um pouco” no terreno. “A nossa defesa conseguiu levar a cabo um contra-ataque por algum tempo — eles libertaram praticamente metade da cidade”, afirmou Serhiy Haidai citado pelo Guardian.O que aconteceu durante a tarde e noite?

Os conflitos em Severodonetsk mantêm-se de forma “feroz”, afirmou o autarca da cidade, segundo a BBC. Esta manhã tinha sido noticiada a reconquista de parte da cidade às forças de ocupação russas. O autarca garantiu que as tropas ucranianas não se renderão em Severodonetsk.

A propósito de Severodonetsk, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que as forças ucranianas que defendem a cidade estão a “manter a posição”apesar dos ataques de tropas de Moscovo, mas os russos são “mais numerosos e mais poderosos”.

Zelensky também afirmou esta segunda-feira que uma task force ligada aos serviços de informação do Ministério da Defesa está a liderar as negociações de trocas de prisioneiros entre a Ucrânia e a Rússia. O primeiro passo foi garantir a saída dos resistentes ucranianos de Azovstal com vida, e a segunda etapa passa por garantir o seu regresso — igualmente com vida — para a Ucrânia.

Ainda sobre Azovstal, dezenas de corpos de resistentes ucranianos da fábrica de Mariupol terão sido entregues a Kiev. Segundo a Associated Press, citada pela BBC, os cadáveres estarão a ser identificados através de testes de ADN.

Mariupol é, por esta altura, praticamente inabitável por causa do cheiro dos cadáveres que abrange toda a cidade, explicou o conselheiro da autarquia, Petro Andriushchenko. “Aterros sanitários no centro da cidade, morgues nos centros comerciais e cadáveres debaixo dos escombros. (…) A cada dia que passa o calor aumenta, e [os cadáveres] aumentam o odor, com cada vez mais moscas”, descreveu.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que as forças russas responderão caso o Reino Unido e os EUA enviem mísseis de longo alcance para a Ucrânia. “Quanto maior o alcance das armas que o Ocidente fornecer, maior será o avanço russo sobre a linha através da qual os neonazis podem ameaçar a Federação Russa”, disse o ministro à BBC.

O governo italiano convocou a presença do embaixador russo no país em consequência das críticas de Moscovo da cobertura noticiosa da guerra em Itália. Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Itália, citado pela Sky News, rejeitou “as insinuações em relação ao alegado envolvimento dos media do nosso país numa campanha anti-russa”.

Dois navios petrolíferos russos transferiram crude no Atlântico, a 300 milhas náuticas da Madeira. Esta troca de crude ocorreu entre 26 e 27 de maio, a cerca de 100 milhas náuticas da Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, rejeitou nas Nações Unidas a impunidade para os crimes de guerra “vergonhosos” cometidos pela Rússia na Ucrânia e defendeu que a “propaganda russa” tem de acabar.

Um tribunal norte-americano emitiu uma ordem de apreensão de dois aviões privados de Roman Abramovich avaliados em 400 milhões de dólares — cerca de 374,2 milhões de euros — por violar as sanções dos EUA.

A Rússia e a Turquia chegaram a um acordo preliminar, com mediação da ONU, para desbloquear a exportação de cereais ucranianos através de um corredor no Mar Negro, a partir do porto de Odessa. Mas a Ucrânia, que não participou nas negociações desta segunda-feira, não está de acordo em todos os pontos. Um deles é a exigência, que Moscovo quer ver inscrita, de inspecionar todos os navios para evitar o tráfico de armas.

A Ucrânia criou um campo de prisioneiros no ocidente do país para alojar as tropas russas que não sejam trocadas no futuro próximo, explicou a Interfax Ukraine.

O que aconteceu durante a manhã e o início da tarde?

Três países da NATO impediram a viagem do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, à Sérvia. O chefe da diplomacia culpou a União Europeia e considerou um “acto hostil” e “sem precedentes”.

A Rússia enviou mísseis balísticos de curto alcance (Iskander-M) para a Bielorrússia, nomeadamente para a fronteira entre o país e a Ucrânia.

As forças russas terão colocado Mariupol em quarentena devido a um possível surto de cólera, afirmou o conselheiro do autarca da cidade.

A frota naval russa no Mar Negro foi afastada para mais de 100 quilómetros da costa ucraniana. A informação foi avançada pelo Comando Naval das Forças Armadas da Ucrânia.

O Presidente russo, Vladimir Putin, declarou que os erros cometidos pelos países ocidentais durante muitos anos e as sanções ilegítimas levaram à “inflação global” e à “destruição das cadeias logísticas e produtivas”.

O Ministério da Defesa da Rússia disse ter destruído edifícios industriais, que estavam a ser usados para reparar veículos militares ucranianos, na região de Kharkiv.

O ministro da Cultura ucraniano, Oleksandr Tkachenko, disse que desde o início da invasão russa da Ucrânia, a 24 de fevereiro, já morreram 32 jornalistas no conflito.

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, “não confia” nas palavras do Presidente russo, Vladimir Putin, em que este diz que não usará as rotas comerciais para atacar Odessa.

O embaixador dos EUA na Rússia afirmou que os dois países não poderão nunca cortar por completo relações, considerando que “no mínimo” os norte-americanos deveriam ter uma embaixada em Moscovo e vice-versa.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian, comentou a aprovação do sexto pacote de sanções por parte da União Europeia. O responsável diplomata considera que as sanções não são uma “maneira correta” de resolver o conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

Boris Johnson afirmou que o Reino Unido não podia ficar “indiferente” ao facto de a artilharia de longo alcance da Rússia “destruir cidades” e matar “civis inocentes”.

No dia em que enfrenta uma moção de censura do grupo parlamentar do Partido Conservador, Boris Johnson, numa conversa telefónica com o Presidente ucraniano, prometeu uma novo pacote de ajuda na área da defesa.

Morreram mais de 31 mil soldados russos desde o início do conflito na Ucrânia.

O que aconteceu durante a madrugada?

O site do ministério da Construção e Habitação foi alvo de um ataque informático por hackers pró-Ucrânia. Pesquisa na internet pelo site levava a utilizadores à frase “Glória à Ucrânia”.

Cerca de 1.500 bielorrussos estão a lutar na Ucrânia ao lado das forças ucranianas, revelou a líder da oposição bielorrussa, Svitatlana Tsikhanouskaya.

A Procuradoria-Geral ucraniana referiu hoje que, desde o início da ofensiva russa, já perderam a vida 262 crianças e ficaram feridas 467.

Os responsáveis pela defesa da autoproclamada república de Donetsk deram conta de que uma pessoa que morreu e cinco ficaram feridas após um ataque levado a cabo pelas forças ucranianas.

O brent voltou a atingir esta segunda-feira os 120 dólares por barril, depois da Arábia Saudita ter aumentado os preços para o seu petróleo com entrega em julho, o que demonstra restrições no fornecimento mesmo depois da OPEP+ ter acordado na semana passada que vai acelerar a produção nos próximos dois meses.

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