sexta-feira, 31 de outubro de 2025

CONTINUAÇÃO


Dos COMENTÁRIOS ao texto anterior Os nossos inimigos têm mísseis. Nós temos princípios” (De:Parece óbvio”), bem expressivos da preocupação geral pela fraqueza ou indiferença europeias num mundo de diferentes tamanhos.

 COMENTÁRIOS (cont.):

Maria Cordes: Interiorizarmos esta problemática, é aterrador. Portugal tem estado refém de uma esquerda caviar, que tratando da sua vidinha e da dos amigalhaços, se esconde atrás de um biombo de causas morais e humanistas, conseguindo um prodígio, 2 milhões de pobres, e uma classe média, que se remediava, a afundar-se. A Europa, destruída por dentro, com uma imigração islâmica, a raposa na capoeira, cuja estratégia determinada e sournoise, não sei dizer em português, não é investigada, classificada e identificada, o que a torna vulnerável. Quando Suleyman atacava Viena, o perigo era identificável. Agora, não. Em Portugal, um pôr-do-sol, no rio, é entusiasticamente aplaudido, nas redes sociais. Quando o tema é a presente invasão e o desagregar das bases culturais e religiosas identitárias, como se de um tsunami se tratasse, a reação é gélida, ou antagónica. Somos uma sociedade dividida, e em que uma grande %, não compreende o que lê. À escola o devemos, e o futebol e os programas educativos da televisão rebentaram com o resto.  Também somos pobres. É constrangedor andar por aí. A diferença, em Madrid, é abissal. A minoria, mais educada, emigrou definitivamente. Muitos, em altos cargos, lá fora. Cada vez mais oiço, que até optam por estudar, no estrangeiro, a começar pelos da casa.  O prognóstico, não é animador. Se os vídeos que nos chegam das capitais europeias, se confirmarem, os mísseis não fazem falta. Vamos implodir, por dentro. O RU, já era.           Liberales Semper Erexitque: Mais um que os simpáticos "democratas" tentaram censurar: Parece que no seu artigo o esquecido coronel Rodrigues do Carmo se esqueceu hoje dos EUA e da "NATO"! Pior, fala da Europa como se a Europa existisse no que respeita a Defesa. E essa é a verdadeira questão, os mísseis de longo alcance estão-lhe subordinados. Ou os filósofos do condomínio se convencem de que têm mesmo que o administrar, e não chamar uns "states" quaisquer do outro lado do Atlântico, ou continuarão a discutir ética na língua de quem o administra, e não na língua de quem dispara mísseis sobre eles. Precisarei de dizer qual é a língua em que discutem?     António Soares > Liberales Semper Erexitque: Não. Todos "ouviram" zurrar...      Liberales Semper Erexitque > António Soares: Confunde a língua inglesa com zurros? Talvez convenha procurar ajuda médica...                     Komorebi Hi: Pois muito bem SR Coronel, ainda ontem a Ministra da Economia alemã não sei se Democrata-Cristã ou do SPD, alertava para a desindustrialização da Alemanha a favor dos BRICS e especialmente da RPC, a quem a UE e Comissões,  através da excessiva regulamentação,  do apoio à Rússia, de Merkel e os que lhe sucederam à Rússia. Como pode Vª Exª sonhar com uma Europa que se defenda não apenas com armamento, com dirigentes que dormem com o inimigo? Talvez seja melhor ver o que se passa com países como a Polónia, para ser curto e ligeiro, e perceberá o que se passa na NATO, onde o último Sec.Geral era um socialista de famílias socialistas norueguesas e nem sei se o Nobel da paz foi retirado ou não, tal a informação e a contra-informação que circulam por aí. Mesmo os USA perderam a capacidade de construção naval e aeronáutica, mas sempre com a possibilidade de voltar atrás, a UE e a Alemanha conseguem? A França esqueça, é o baluarte de sempre da porcaria gerada pela Revolução Francesa, pelas ideias inglesas ou das luzes e pela desgraça que foi Napoleão, Pétain ou Mitterrand. O UK está de pantanas, nem vale a pena continuar... desculpe a linguagem de caserna: a Europa tem peidos de velha para se defender e os que gostam de os "snifar"...                   Paradigmas Há Muitos! > Komorebi Hi: O sistema IT destes comentários do OBS também precisa de mais investimento em HW e SW. Eu respondi isto acima a um post do PF, entretanto esse post dele ficou algures de quarentena e daí aparece essa minha resposta, à primeira vista, como se fosse resposta ao seu post quando não tinha nada a ver com ele.😬                Paradigmas Há Muitos! Paradigmas Há Muitos!: Agora corrigiram a posição da minha resposta. Claro, sempre é mais fácil do que  fazer mísseis balísticos! 😬           Pedro Fernando:  [Comentário em moderação]                   Paradigmas Há Muitos! > Pedro Fernando: E, partindo do princípio que você sabe tanto do assunto em concreto como eu, isto é nada, você colocou a hipótese de o sr. Coronel ter sido aposentado precisamente por defender as ideias deste artigo e de que quem estava no poder político - militar na altura não as ter querido ouvir / agir em consonância? E se a aposentação tiver sido por isso, você  repetia a sua tentativa de graçola?               Pedro Fernando > Paradigmas Há Muitos!: Mas olhe que, de acordo com o Diário da República, não foi…                  Carlos Chaves:  Quem acredita que o mundo é um condomínio de filósofos acabará por descobrir, cedo ou tarde, que os filósofos não têm mísseis. E quem não os tem acaba a discutir ética no idioma de quem os dispara.” Genial e real, caro José António Rodrigues do Carmo! Ou seja, a Europa não percebeu ou não quis perceber, que primeiro está a nossa segurança e só depois é que vem o resto! E será que já percebeu? Ou será preciso cair um míssil balístico em Bruxelas na sede da NATO?            Licínio Bingre do Amaral: Tem toda a razão. Esperemos que efectivamente a Europa mude mesmo e tome as medidas necessárias para ter meios para se defender adequadamente.               João Almeida Gomes: Nem toda a Europa está inerte e imóvel, há países europeus a investir de forma discreta e assertiva, como tem de ser. Em defesa não se comunica, faz-se.                    Jose CarmoJoão >  Almeida Gomes: É verdade                   Francisco Ramos: Sem dúvida que se trata duma análise lúcida e bem elaborada, mas por este andar estamos a criar um espaço onde a vida se vai tornar impossível. Já lá dizia alguém, que não sabia o resultado da próxima guerra, mas a que viesse  a seguir seria à pedrada. Uma análise de quem sabe do que fala, e faz o favor de nos brindar com artigos de opinião do melhor que o jornal apresenta. Mas a especialidade da casa é falar de Mortágua e afins.        Alexandre Barreira: Pois. "Os nossos inimigos têm mísseis. Nós temos princípios". Tem razão. O "nosso" grande problema. Não são os "pincípios". São os......"finais"......!                 Lourenço de Almeida: Este senhor é das pessoas que pensa e escreve melhor sobre o que se passa no mundo. Parabéns e obrigado.                GateKeeper: Top 10.         Luís Martins: Há uma postura displicente da Europa mas em parte compreendo porque a Europa ainda treme com a primeira metade do século XX. A Europa viveu os mais sangrentos regimes ideológicos e esteve no centro da I e II guerras mundiais. Mas, não se preocupe, daqui a 3 anos já vamos estar armados até aos dentes e parece que ainda bem porque assim já temos argumentos para quem quiser vir fazer farinha connosco.         José B Dias > Luís Martins: E vamos todos ignorar que há muitos séculos que a Europa não é invadida ou sequer atacada por absolutamente nenhuma entidade vinda do seu exterior ... as guerras na Europa são há séculos apenas e só variações sobre o tema da guerra civil! Tal como actualmente no seu Leste ... Fica pois a pergunta para queijinho: quem é que quer "vir fazer farinha connosco" e quem é o nós do "connosco"? Será que não estará a Europa a armar-se "até aos dentes" para ... mais uma variação da sua guerra civil intermitente? Creio que valeria a pena reflectir sobre isto ...               Nuno Pinho > José B Dias: A “Europa” foi invadida em 2014 e nada fez.               José B Dias > Nuno Pinho: A Europa não foi invadida por nada mais que a mesma Europa! Ou onde lhe parece que fica a Rússia?                 Nuno Pinho > José B Dias: Pior ainda….         José B Dias > Nuno Pinho: As guerras na Europa desde há séculos sem fim sempre tiveram tal característica ... são guerras civis que as corridas aos armamentos sempre tiveram o condão de alargarem e aprofundarem!  E todos os conflitos que foram terminados sem resolver as questões de base que a eles levaram ... regressaram sempre piores que antes. A História está aí para o provar!          Jose Pires> José B Dias: Ah não? Quem é que impediu os Russos de prosseguirem com a anexação total da Alemanha após anexarem a Polónia, Checoslováquia, Bulgária e demais países de Leste aos seus interesses? Se os USA não o tivessem feito, hoje falávamos todos russo!              José B Dias > Jose Pires: Por acaso, na reunião de Yalta, Churchill, Roosevelt e Stalin acordaram a divisão de áreas de ocupação e de influência no pós-guerra. E até acordaram a manutenção das Repúblicas Bálticas e da Moldávia como Repúblicas Socialistas Soviéticas ... e a alteração das fronteiras da Alemanha, da Polónia, da Hungria, da Eslováquia e da Roménia. Os norte-americanos até recuaram após a capitulação alemã para as linhas de ocupação acordadas em Yalta, cedendo o território às forças da URSS. E olhe que com excepção da metade leste da antiga Prússia Oriental, todas as aquisições feitas à custa de terceiros integram hoje principalmente o território da Ucrânia e do Belarus.  PS: a esmagadora maioria de alemães de leste, polacos, húngaros  checos, eslovacos, nulgaros, romenos e afins não fala russo ...                     José Pires e Borges > José B Dias: Os russos fazem muitos acordos. Só não respeitam é nenhum!                 José B Dias > José Pires e Borges: Mas olhe que os acordos não se fazem consigo mesmos ... e não há quem não tenha desrespeitado ou abandonado acordos ao longo dos tempos. Os russos não só não são excepção como nem estará no topo dos menos cumpridores.  PS: Yalta foi respeitada o que até justifica a Grécia fora da esfera de influência tal como acordado entre Stalin e Churchill ...                   António Costa e Silva > José B Dias: Como escreveu Spengler, a Europa não é o Ocidente. A ideia de Europa serve para integrar a Rússia.            José B Dias > António Costa e Silva: Nada a opor e relembro até que esse oportunidade existiu no início da década de 90 do passado século ... e foi antes usada para outros fins!                  José B Dias: Não há como responder a um ataque sem escalar. Quando a Rússia dispara um Iskander convencional sobre Kharkiv ou quando o Irão lança uma chuva de mísseis a 1 500 km, a Europa limita-se a mandar condolências e declarações e manifestar profunda preocupação. E porque deveria a "Europa" enviar algo parecido com mísseis em lugar condolências e condenação do acto? Tanto quanto julgo saber a "Europa" não é uma aliança de policiamento do mundo, nem Israel nem a Ucrânia têm tratados de defesa mútua com a "Europa".  Para quem só tem um martelo tudo parece ser um prego ...                 Nuno Pinho > José B Dias: O José não entende o mundo. É o seu problema. Quando lhe chegar ao quintal, vai ser como o Bloco de Esquerda….ui…já fui. Entenda o texto, entenda o que tem acontecido à sua volta. Entenda que não se quer guerra faz três anos….e os países visados continuam a fazer das suas. Tivesse o espaço aéreo sido interditado precocemente e a Rússia não andava a brincar aos mísseis e drones.                 vitor gonçalves > Uiros Ueramos: Para isso, era necessário que o PS2 quisesse e pudesse desmontar o complexo de ONGs e Fundações deixados pelo PS/ISCTE. Ainda não vi nada que fosse um simulacro dessa vontade, mas já ouvi as pérolas da Balseiro Lopes ao bom estilo Woke esquerdoido.                Liberales Semper Erexitque > António Soares: Confunde a língua inglesa com zurros? Talvez convenha procurar ajuda médica...                 Liberales Semper Erexitque: Mais um que os simpáticos "democratas" tentaram censurar: Parece que no seu artigo o esquecido coronel Rodrigues do Carmo se esqueceu hoje dos EUA e da "NATO"! Pior, fala da Europa como se a Europa existisse no que respeita a Defesa. E essa é a verdadeira questão, os mísseis de longo alcance estão-lhe subordinados. Ou os filósofos do condomínio se convencem de que têm mesmo que o administrar, e não chamar uns "states" quaisquer do outro lado do Atlântico, ou continuarão a discutir ética na língua de quem o administra, e não na língua de quem dispara mísseis sobre eles. Precisarei de dizer qual é a língua em que discutem?                 Antonio C Moreira: Mais um artigo do Cor. Rodrigues do Carmo, com análise fria e estratégica, actual e de primordial importância.  1. As relações internacionais de poder assentam no PODER e não nos PRINCÍPIOS. É uma luta civilizacional antiga dotar o Sistema Internacional (SI) de princípios. O que se tem assistido na História é que só impõe ou implanta princípios no SI quem tem poder para os fazer respeitar. É como em cada Estado, os tribunais sentenciarem o direito num qualquer litígio, mas não haver força coerciva no Estado para efetivar a sentença. Para nada servirá tal sentença, a não ser, talvez, algum conforto moral para quem vê reconhecido o seu direito...  2. O PODER NACIONAL de cada País ou Estado compõe-se por um conjunto de elementos, um dos quais é o da VONTADE e COESÃO nacionais, que precisa de CONSCIÊNCIA DOS SEUS CIDADÃOS para perceberem o que se passa à sua volta e se unirem para exigir ou apoiar os seus líderes num rumo ou nas acções necessárias. É neste sentido que vejo a principal vantagem do artigo em comentário. Lúcido e pedagógico.  3. É dos livros e dos ensinamentos dos estrategas que são 3 as Aspirações Universais da Humanidade: Segurança e Defesa, Desenvolvimento, Justiça e respeito pelos Direitos da Pessoa. Por esta ordem! A ordem é facilmente justificável: Não há Desenvolvimento sem Segurança e Defesa e não há Justiça efectiva sem Desenvolvimento. A Europa, sobretudo a ocidente da Ucrânia, apresenta-se com décadas de desprezo pelas necessidades e essencialidade existencial de Segurança e Defesa. É como que um edifício muito bonito e onde trabalham muitos cidadãos e até imigrantes, sem alicerces ou fundações necessárias para o manter. Ao primeiro vendaval...cai!   4. É um erro menosprezar quem nos ameaça e tem meios para concretizar a ameaça. O que a Federação russa tem feito na europeia Ucrânia só não passou para cá da Ucrânia, pela resistência de que a atacada tem sido capaz, resistência esta impressionante e inesperada para o atacante. Nós, a Ocidente europeu da Ucrânia, temos sorte e devemos agradecer-lhe o dar-nos tempo extra para nos prepararmos. Seremos inconscientes e estúpidos se não aproveitarmos o tempo para isso. E, já agora, para agradecer e apoiar a Ucrânia que tem o seu povo a morrer em vez de outros povos europeus, em sacrifício do qual todos beneficiamos...            Paradigmas Há Muitos!: Como habitualmente muito bem pensado e escrito. Quanto à interpretação os leitores terão a tendência a pensar que a "culpa é dos políticos" mas em democracia estes são eleitos ou pelo menos pode-se escolher entre alguns e pode-se demitir outros. Por isso a escolha que tem sido feita é a favor dos que aumentam os salários da FP, aumentam as reformas, "fazem obra", são muito bonzinhos com subsídios para tudo, financiam a música pimba mas também as artes e as letras e as ONGs, perdoam as dívidas dos PALOPs, etc, etc e naturalmente para a defesa e investimento a sério em armas avançadas sobra pouco. Resumindo, a mensagem do Coronel Rodrigues do Carmo é fundamentalmente dirigida a cada um de nós. Sobre os "filósofos", eu acrescentar-lhes-ia e destacaria até os "activistas do ISCTE" e os "gurus das redacções" pois estes sabem falar a linguagem comum e com as suas manipulações esquerdistas anestesiar a vontade natural de defesa dum povo. Quanto aos verdadeiros "filósofos" eles pairam numa nuvem tão elevada que por um lado dificilmente cairão em manobras de propaganda maniqueísta e por outro mesmo que o tentem fazer a sua linguagem, pelo baixo volume e pelo código complexo usados, não é perceptível pelo comum dos mortais e por isso a sua influência, mesmo nos políticos, será sempre comparativamente menor do que a dos novos mensageiros da "boa nova" do esquerdismo e "pacifismo".              João Almeida Gomes: Nem toda a Europa está inerte e imóvel, há países europeus a investir de forma discreta e assertiva, como tem de ser. Em defesa não se comunica, faz-se.               Uiros Ueramos: Brilhante texto, Exmo. Senhor Coronel José António Rodrigues do Carmo. Subscrevo integralmente o seu raciocínio, é lúcido, corajoso e tecnicamente irrepreensível. Apenas acrescento um ponto essencial: Portugal tem capacidade humana e intelectual para desenvolver os seus próprios mísseis balísticos e hipersónicos convencionais, se existir vontade política e estratégia nacional. Não é preciso gastar fortunas, apenas canalizar os recursos certos para os sítios certos. O exemplo está lá fora: a startup norte-americana Castelion recebeu da U.S. Navy um contrato de apenas 4 milhões de dólares para o desenvolvimento do míssil hipersónico Blackbeard, um sistema de ataque aéreo de última geração com potencial para uso naval, aéreo e terrestre. Quatro milhões! Um valor irrisório face ao impacto estratégico e tecnológico do projeto. E já está em live testes. Enquanto isso, em Portugal, desperdiçamos milhões em ONGs de extrema-esquerda antiportuguesas, verdadeiros parasitas ideológicos como o SOS Racismo, o Olho Vivo ou a Solidariedade Imigrante, que nada produzem, nada defendem e vivem à custa do contribuinte. Esses fundos deviam ser reencaminhados para startups de defesa, laboratórios tecnológicos e universidades portuguesas, academia militar, onde há engenheiros brilhantes e visionários capazes de criar soluções de dissuasão de custo reduzido e alto impacto. Temos cérebros, falta-nos apenas visão e coragem política. Portugal não pode continuar refém de um pacifismo hipócrita e dependente, precisamos de meios próprios, de credibilidade estratégica e de autonomia militar real. Chega de financiar o discurso derrotista e de fingir que “condenar” é o mesmo que “dissuadir”. Quem não tem meios, acaba de joelhos. Quem os tem, fala de igual para igual. Portugal foi uma superpotência militar no seculo XV e XVI, está no tempo de usarmos os nossos recursos humanos novamente.                  Francisco Almeida: O simples facto deste artigo apenas ter dois comentários, confirma a ideia de que os portugueses se sentem constrangidos a falar de armamento. Não passará de pormenor mas estranho que este artigo me surja em 4º lugar quando selecciono opinião mas não apareça nos destaques quando acedo pelo 360º sendo substituído por um da segunda linha.                  graça Dias: Caro Senhor Coronel José António R do Carmo: Nada entendo sobre mísseis balísticos terrestres, cruzeiro ou outros. Mas entendo e aprendo através dos seus excelentes e tão importantes artigos aqui no Observador. Não desconheço o que foram as guerras do passado ao longo dos séculos e as suas causas, mas, no presente as guerras são bem mais complexas e perigosas, em que convenções, compromissos, alianças e tratados foram rasgados e ignorados, pelo que, não há mais espaço para filósofos e muito menos para tecnocratas, líderes idiotas ou imbecis. Neste artigo o Senhor Coronel escreve: #  "  Na guerra, quem tem meios impõe o ritmo. Quem não tem marca reuniões e fala de diplomacia. "  # Neste " desconcerto " na geopolítica presente, na qual a moral e a ética deixaram de ter validade,  a Europa tem que despertar da sua apatia. Ao Senhor Coronel José do Carmo o meu obrigada por esta análise lúcida e baseada no conhecimento e experiência.                    Lourenço de Almeida: Este senhor é das pessoas que pensa e escreve melhor sobre o que se passa no mundo. Parabéns e obrigado.                    Maria Cordes: Interiorizarmos esta problemática, é aterrador. Portugal tem estado refém de uma esquerda caviar, que tratando da sua vidinha e da dos amigalhaços, se esconde atrás de um biombo de causas morais e humanistas, conseguindo um prodígio, 2 milhões de pobres, e uma classe média, que se remediava, a afundar-se. A Europa, destruída por dentro, com uma imigração islâmica, a raposa na capoeira, cuja estratégia determinada e sournoise, não sei dizer em português, nâo é investigada, classificada e identificada, o que a torna vulnerável. Quando Suleyman atacava Viena, o perigo era identificável. Agora, não. Em Portugal, um pôr-do-sol, no rio, é entusiasticamente aplaudido, nas redes sociais. Quando o tema é a presente invasão e o desagregar das bases culturais e religiosas identitárias, como se de um tsunami se tratasse, a reacção é gélida, ou antagónica. Somos uma sociedade dividida, e em que uma grande %, não compreende o que lê. À escola o devemos, e o futebol e os programas educativos da televisão rebentaram com o resto.  Também somos pobres. É constrangedor andar por aí. A diferença, em Madrid, é abissal. A minoria, mais educada, emigrou definitivamente.  Muitos, em altos cargos, lá fora. Cada vez mais oiço, que até optam por estudar, no estrangeiro, a começar pelos da casa.  O prognóstico, não é animador. Se os vídeos que nos chegam das capitais europeias, se confirmarem, os mísseis não fazem falta. Vamos implodir, por dentro. O RU, já era.                Carlos Chaves:  Quem acredita que o mundo é um condomínio de filósofos acabará por descobrir, cedo ou tarde, que os filósofos não têm mísseis. E quem não os tem acaba a discutir ética no idioma de quem os dispara.” Genial e real, caro José António Rodrigues do Carmo! Ou seja, a Europa não percebeu ou não quis perceber, que primeiro está a nossa segurança e só depois é que vem o resto! E será que já percebeu? Ou será preciso cair um míssil balístico em Bruxelas na sede da NATO?                joaquim Duarte > Francisco Almeida: Não são só os portugueses que estão alheados, são os europeus e seus dirigentes.            Nuno Pinho > José B Dias: A “Europa” foi invadida em 2014 e nada fez.         Quase Famoso: Eu pergunto: os balneários e as casas de banho já são todas inclusivas e neutras? A neutralidade carbónica não poderá ser conseguida mais cedo? as tampas das garrafas de plástico não poderão estar mais bem presas? Ainda outro dia abri uma e fiquei com a tampa na mão, foi dos maiores sustos da minha vida. A Europa tem coisas mais importantes em que pensar, do que andar a brincar às guerras.                   Komorebi Hi: Pois muito bem SR Coronel, ainda ontem a Ministra da Economia alemã não sei se Democrata-Cristã ou do SPD, alertava para a desindustrialização da Alemanha a favor dos BRICS e especialmente da RPC, a quem a UE e Comissões,  através da excessiva regulamentação,  do apoio à Rússia, de Merkel e os que lhe sucederam à Rússia. Como pode Vª Exª sonhar com uma Europa que se defenda não apenas com armamento, com dirigentes que dormem com o inimigo? Talvez seja melhor ver o que se passa com países como a Polónia, para ser curto e ligeiro, e perceberá o que se passa na NATO, onde o último Sec.Geral era um socialista de famílias socialistas norueguesas e nem sei se o Nobel da paz foi retirado ou não, tal a informação e a contra-informação que circulam por aí. Mesmo os USA perderam a capacidade de construção naval e aeronáutica, mas sempre com a possibilidade de voltar atrás, a UE e a Alemanha conseguem? A França esqueça, é o baluarte de sempre da porcaria gerada pela Revolução Francesa, pelas ideias inglesas ou das luzes e pela desgraça que foi Napoleão, Pétain ou Mitterrand. O UK está de pantanas, nem vale a pena continuar...           GateKeeper: Top 10.               graça Dias > Francisco Almeida: Caro Francisco Almeida.  Concordo com a observação sobre o lugar que alguns artigos de excelência têm aqui no Observador.  Sempre comparo com os lugares de algumas companhias aéreas nos voos transatlânticos: 1° classe  business class, turística de 1°, turística de 2°: Reprovo em absoluto os artigos de opinião não figurarem todos no mesmo espaço de Opinião .      Miguel Macedo: A esquerdalha nojenta destruiu a Europa! É capaz de ser irreversível! Uma desgraça!                Francisco Ramos: Sem dúvida que se trata duma análise lúcida e bem elaborada, mas por este andar estamos a criar um espaço onde a vida se vai tornar impossível. Já lá dizia alguém, que não sabia o resultado da próxima guerra, mas a que viesse a  seguir seria à pedrada. Uma análise de quem sabe do que fala, e faz o favor de nos brindar com artigos de opinião do melhor que o jornal apresenta. Mas a especialidade da casa é falar de Mortágua e afins.              Manuel Magalhaes: Muito bom e necessário artigo, pois a realidade é muito dura e ela é neste momento a prova da imbecilidade dos incautos governantes europeus que nos têm conduzido ao perigosissimo estado em que nos encontramos!!!                A FJ: Que grande título. Anos de parvoíce resumidos numa frase. E pagaremos caro.                   Nuno Pinho > José B Dias: José, a Rússia faz testes com elementos nucleares e lança diariamente 600 equipamentos aéreos sobre um país soberano. Ninguém quer atacar a Rússia. Mas o bom senso diz que não se pode ver a China elaborar um exército capaz, a Rússia testar mísseis de todos os tipos, o Irão desenvolver força nuclear e a Coreia do Norte vir para a Rússia testar armamento e irmos falar “de nada”. Não é propaganda, é ver o Presidente da Rússia em roupa militar falar de mísseis “invencíveis” ao seu CEFA e em Moscovo os Russos a comprar perfumes na Gucci ou em Lisboa a comprar uma casa nas Amoreiras. O que pretende o José falar com estes estados???? Repito, o José tem que sair da sua bolha mental e assumir que pode estar errado.       Nuno Pinho > José B Dias: O José não entende o mundo. É o seu problema. Quando lhe chegar ao quintal, vai ser como o Bloco de Esquerda….ui…já fui. Entenda o texto, entenda o que tem acontecido à sua volta. Entenda que não se quer guerra faz três anos…. e os países visados continuam a fazer das suas. Tivesse o espaço aéreo sido interditado precocemente e a Rússia não andava a brincar aos mísseis e drones.             klaus muller > SDC Cruz: É isso, Cruz! Já com a URSS passava-se a mesma coisa: todos (inclusivamente os States) tinham medo da Rússia: era poderosíssima, tinha uma Exército Vermelho que país nenhum igualava, etc. Depois, foi o que se viu...                 Jorge Almeida: Extra! Extra! Fontes 100% fidedignas e o General Agostinho Costa revelam que a Rússia está a testar uma nova arma super secreta, nunca antes divulgada, sob estreita supervisão do Presidente Putin. Esta nova arma vai mudar definitivamente o paradigma da guerra moderna e vergar os inimigos da mãe Rússia à sua condição de miseráveis subalternos. Relatórios secretos indicam que se trata de um poderoso Cotonete Atómico, capaz de operar a velocidades subsónicas e hipersónicas, guiado pela mais moderna inteligência artificial e dotado de cargas nucleares de capacidade destrutiva nunca vista. Entre outras inovações, pode inclusive ser lançado amanhã e atingir o seu alvo anteontem!    N do R: Para quem estiver interessado, esse Cotonete Atómico também está disponível numa variante dildo, para utilizações mais personalizadas! Nunca pára!                S N: excelente crónica sobre um assunto tão importante e urgente                joao lemos: que tal uma profunda investigação a toda a actividade da sra Merkel?             José B Dias > Luís Martins: E vamos todos ignorar que há muitos séculos que a Europa não é invadida ou sequer atacada por absolutamente nenhuma entidade vinda do seu exterior ... as guerras na Europa são há séculos apenas e só variações sobre o tema da guerra civil! Tal como actualmente no seu Leste ... Fica pois a pergunta para queijinho: quem é que quer "vir fazer farinha connosco" e quem é o nós do "connosco"? Será que não estará a Europa a armar-se "até aos dentes" para ... mais uma variação da sua guerra civil intermitente? Creio que valeria a pena reflectir sobre isto ...               Francisco Almeida > joao lemos: E à senhora que durante 12 anos foi sua ministra?           José B Dias: Não há como responder a um ataque sem escalar. Quando a Rússia dispara um Iskander convencional sobre Kharkiv ou quando o Irão lança uma chuva de mísseis a 1 500 km, a Europa limita-se a mandar condolências e declarações e manifestar profunda preocupação. E por que deveria a "Europa" enviar algo parecido com mísseis em lugar condolências e condenação do acto? Tanto quanto julgo saber a "Europa" não é uma aliança de policiamento do mundo, nem Israel nem a Ucrânia têm tratados de defesa mútua com a "Europa". Para quem só tem um martelo tudo parece ser um prego.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Parece óbvio


O raciocínio do autor do texto - JOSÉ ANTÓNIO RODRIGUES DO CARMO, Coronel "Comando" - a respeito das fraquezas europeias em termos da importância belicosa que se exigiria, nestes tempos de estratégias e de tácticas guerreiras, a pedir, antes, armas de ataque e defesa mais consentâneas com as decisões vividas por esse mundo além, de mísseis reduzindo os princípios morais a triste nulidade, os apelos às armas de alguns hinos nacionais, uma pura ironia, os gozos da vida decididamente em risco de morte, pelas armas dos povos menos teóricos e mais práticos.

Os nossos inimigos têm mísseis. Nós temos princípios

Quem acredita que o mundo é um condomínio de filósofos acabará por descobrir, cedo ou tarde, que os filósofos não têm mísseis. E quem não os tem acaba a discutir ética no idioma de quem os dispara.

JOSÉ ANTÓNIO RODRIGUES DO CARMO Coronel "Comando"

OBSERVADOR, 29 out. 2025, 00:1884

Nos últimos anos, os portugueses habituaram-se a ouvir falar de mísseis com a mesma naturalidade com que ouvem falar de futebol. Mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro, mísseis hipersónicos. Há tempos, uma comentadora televisiva mencionou até um perturbador “míssil basilisco”. Um prodígio mito-zoológico da ignorância.

Um míssil balístico é como um foguete das festas populares. Sobe, propulsionado pela deflagração de uma substância química, atinge um apogeu e depois regressa à Terra em queda, arrastando consigo apocalipses em miniatura.

Foi inventado na Europa. O primeiro, o V-2 alemão, criado por Von Braun, foi lançado em 1942 e, dois anos depois, já caía sobre Londres e Paris semeando destruição e terror. Mais de três mil desses engenhos voaram nos últimos meses da guerra. Foi, literalmente, o primeiro objecto humano a tocar o espaço exterior, ao serviço da Alemanha e do Tio Adolfo.

Os mísseis balísticos de curto alcance mantêm-se geralmente dentro da atmosfera terrestre, mas os de maior alcance viajam para fora dela, alguns vão mesmo para além dos 1500 km de altitude (a Estação Espacial Internacional orbita a 400 km de altura). Alguns atingem o solo a velocidades hipersónicas. O maior ataque de mísseis balísticos da história partiu do Irão, em 2024, com duzentos lançados de uma vez sobre Israel.

A Europa não tem nada que se pareça, porque resolveu não ter. Tirando a França e o Reino Unido, que mantêm uns quantos, mas apenas com ogivas nucleares, selados sob códigos que ninguém quer usar, o continente praticamente não tem mísseis convencionais de longo alcance. Mísseis balísticos terrestres? Quase zero. Mísseis de cruzeiro com mais de mil quilómetros de alcance? Meia dúzia, e quase todos lançados do mar.

Em contrapartida, o mundo fora do condomínio europeu parece uma feira de foguetões: Rússia, Irão, China, Taiwan, Coreias, Hezbollah, Houthis, todos com arsenais de mísseis capazes de atingir alvos a milhares de quilómetros.

Como chegámos aqui? Tudo começou com o Tratado INF, assinado em 1987 entre os EUA e a URSS. O acordo eliminava mísseis terrestres de médio alcance (500 a 5.500 km), e embora fosse pensado para Washington e Moscovo, congelou as decisões europeias durante três décadas.

O tratado morreu em 2019, mas a inércia ficou: a Europa afeiçoou-se à ideia de que não ter mísseis era uma virtude. Aliás, evitar tudo o que fizesse lembrar a guerra, era virtude. A dependência, embalada pelo moralismo, tornou-se um modo de estar. Os europeus deitaram-se à sombra do guarda-chuva nuclear americano e concentraram-se no conforto de quem acha que já está para lá da História.

O problema é que a dissuasão terceirizada só funciona enquanto o senhorio, neste caso, os EUA, estiver para aí virado. Quando começa a olhar de esguelha, como está a acontecer, a coisa muda de figura. Os EUA fartaram-se. A Europa pregou, durante décadas, uma espécie de pacifismo aristocrático que incluía um rotineiro deboche do aliado que lhes assegurava a tranquilidade. Acreditou que a geopolítica se resolvia com palestras sobre género e descarbonização. Recusou-se a possuir mísseis de cruzeiro e balísticos de longo alcance para cargas convencionais. Foi uma opção política e cultural, embalada por idealismos kantianos e pela reconfortante convicção de que a guerra era um anacronismo impróprio de pessoas civilizadas. Hoje, essa escolha revela-se não só ingénua como perigosa e suicida.

Resultado: muitos países, muitos orçamentos, muitas certezas e nenhuma capacidade terrestre de ataque profundo. A França, valha a verdade, tem os seus MdCN. Mísseis de cruzeiro navais com alcance de cerca de 1.400 km. O Reino Unido mantém algumas dezenas de Tomahawk em submarinos. E é tudo. De resto, o que existe são mísseis de cruzeiro de curto alcance, lançados de plataformas aéreas. Storm Shadow, Taurus, e outros, bons para ataques tácticos, mas dependentes de aviões e de condições de supremacia aérea. No chão, onde a Rússia, o Irão ou a Coreia do Norte têm as suas plataformas balísticas, a Europa não tem nada.

Sim, há finalmente, algum despertar. A França, a Alemanha, a Itália e a Polónia estão a desenvolver novos mísseis de cruzeiro terrestres com alcances entre 1000 e 2000 km de alcance. Um esforço tardio, mas necessário. A França e o Reino Unido também trabalham no FC/ASW (Stratus), o sucessor do Storm Shadow e do Exocet.

Do outro lado, a Rússia dispara regularmente os seus Iskander-M (balísticos) e Khinzal (cruzeiro), sobre a Ucrânia. Mísseis hipersónicos, difíceis de interceptar. O Irão tem um catálogo inteiro: Fateh, Zolfaghar, Shahab, Ghadr, Emad, todos testados e usados, muitos já com precisão métrica. O Hezbollah tem mísseis iranianos capazes de cobrir todo o território israelita e chegar a Chipre. Os Houthis, no Iémen, disparam Burkan e Qiam contra navios e refinarias a centenas de quilómetros.

A Europa não joga neste campeonato. As consequências de um continente desarmado são óbvias até para um estudante do secundário. Sem mísseis de longo alcance, a dissuasão europeia é uma anedota.

Não há como responder a um ataque sem escalar. Quando a Rússia dispara um Iskander convencional sobre Kharkiv ou quando o Irão lança uma chuva de mísseis a 1 500 km, a Europa limita-se a mandar condolências e declarações e manifestar profunda preocupação.

Não estamos a falar de teoria: estamos a ver, na prática, quem tem meios para ferir à distância e quem fica à mercê do tempo, do vento e do arbítrio do inimigo. Porque a resposta que alguns países da Europa têm, só pode ser por via aérea. Cara, exigente, escalatória, dependente de reabastecimentos e vulnerável a defesas modernas.

Na guerra, quem tem meios impõe o ritmo. Quem não tem, marca reuniões e fala de diplomacia. E aqui surge um incentivo perverso: se o agressor sabe que a Europa não pode retaliar ao mesmo nível, mais provavelmente arriscará a agressão. A ausência de capacidade de resposta simétrica não dissuade; encoraja. Se um míssil convencional se abate sobre uma cidade europeia, como se responde? Com aviões numa operação que exige supremacia aérea e reabastecimentos em voo? Com um comunicado a repudiar o ataque, a convocar uma cimeira e reafirmar a nossa determinação?

Alguns dizem que possuir certas armas é imoral, recuperando o conceito de “armas pouco agradáveis a Deus”, decantado em 1215, no Concílio de Latrão a propósito da besta. Mas a moralidade, sem meios, é uma flor de estufa num campo de minas. Nenhum hospital se protege com retórica. Nenhuma cidade resiste com flores e comunicados.

E há outro efeito perverso: um general impedido de recorrer a certas armas, mais dificilmente conceberá respostas criativas e antecipatórias e tenderá a andar sempre um passo atrás do inimigo O que há que fazer é também óbvio: É tempo de deixar o romance kantiano na estante e encarar a guerra tal como ela é. A recusa de possuir certas armas não é virtude, é apenas vulnerabilidade. Virtude é ter meios e não precisar de os usar. Porque o inimigo sabe que, se nos ferir, não ficará impune. A dissuasão não se faz com palavras, faz-se com capacidade, vontade e credibilidade.

A Europa precisa de acelerar programas de “deep strike” convencionais: mísseis de cruzeiro que vão até aos 2000 km, e mísseis balísticos de teatro. Lançáveis de plataformas terrestres, navais e aéreas. E, sobretudo, definir doutrina clara de resposta: rápida, proporcional e credível.

O mundo mudou e os mísseis voltaram a ser o idioma da força. Os nossos inimigos falam-no fluentemente e nós ainda estamos a conjugar o verbo “condenar”. Se continuarmos assim, não tardaremos a perceber que, na guerra, quem só tem princípios e não tem meios, acaba sempre no papel de figurante moral.

Quem insiste em acreditar que o mundo é um condomínio de filósofos, acabará por descobrir, mais tarde ou mais cedo, que os filósofos não têm mísseis. E quem não os tem, acaba a discutir ética no idioma de quem os dispara.

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COMENTÁRIOS

Censurado pelo observador lápis azul: Muito, muito bom!                 Vasco Silveira: Zero, é o que um ballet de números sem cabeça, em formatura idiota, valem. mas muita, muita, ... estupidez, claro

José Paulo Castro: Recordo aqui um filósofo, Paulo Tunhas, cronista do Observador, que fez um artigo magistral a propósito do seu visionamento do filme clássico "O homem que matou Liberty Valance". Na análise da sátira a todo o processo político que o filme acompanha, passada no velho Oeste, ele chega à conclusão que a liberdade e a justiça dependem, fundamentalmente, da ponta da arma, corações e coragem dos homens que efectivamente e de forma anónima, matam os Liberty Valance deste mundo. Não dos que defendem o princípio que é preciso prender, matar até, os Liberty Valance deste mundo. Esses políticos até podem ficar para a história mas a ordem que preconizam depende sempre da arma de outros. E do que esses, no fundo, pensam sobre a liberdade e a justiça. A lei ? Depende da arma que a impõe. Até a que regula o uso da arma.                 Jose Carmo > José Paulo Castro: Muito boa análise               MariaPaula Silva > José Paulo Castro: é verdade, muito bem lembrado! O excelente Paulo Tunhas!                  José Paulo Castro> José Paulo Castro: Para os que queiram reler a crónica do saudoso Paulo Tunhas (é de 2017): https://observador.pt/opiniao/o-homem-que-matou-liberty-valance/                pedro dragone: Há males que vêm por bem, Trump e a guerra da Ucrânia foram os males que só fizeram bem à Europa. Foram as ameaças que lhe trouxeram a oportunidade de deixar de viver "à sombra da bananeira" da protecção alheia. A protecção do Tio Sam paga com o dinheiro dos contribuintes Americanos. Era tão bom, não era?           Jorge Almeida: Extra! Extra! Fontes 100% fidedignas e o General Agostinho Costa revelam que a Rússia está a testar uma nova arma super secreta, nunca antes divulgada, sob estreita supervisão do Presidente Putin. Esta nova arma vai mudar definitivamente o paradigma da guerra moderna e vergar os inimigos da mãe Rússia à sua condição de miseráveis subalternos. Relatórios secretos indicam que se trata de um poderoso Cotonete Atómico, capaz de operar a velocidades subsónicas e hipersónicas, guiado pela mais moderna inteligência artificial e dotado de cargas nucleares de capacidade destrutiva nunca vista. Entre outras inovações, pode inclusive ser lançado amanhã e atingir o seu alvo anteontem! N do R: Para quem estiver interessado, esse Cotonete Atómico também está disponível numa variante dildo, para utilizações mais personalizadas! Nunca pára!                   Vasco Silveira: " ... a Europa afeiçoou-se à ideia de que não ter mísseis era uma virtude. (cobardia) Aliás, evitar tudo o que fizesse lembrar a guerra, era virtude (cobardia). A dependência, embalada pelo moralismo, tornou-se um modo de estar. Os europeus deitaram-se à sombra (cobardia) do guarda-chuva nuclear americano e concentraram-se no conforto de quem acha que já está para lá da História. "Caro senhor: Tomei a liberdade de transcrever uma frase sua, truncando-a com um repetido comentário (cobardia), do que lhe peço desculpa. Essa Europa devastada por duas terríveis guerras (uma, de 30 anos), que nasceram em boa parte de uma ânsia revanchista francesa, de ser o mês de Agosto, e de muita, muita falta de estatura dos, todos talvez, líderes europeus. A União europeia, em que a única voz grossa que tem (julgo que) vem de um senhor que viveu com a Mãe, ou lá o que é ... , julgou que a garantia dos EUA, como se fora o filho crescido e forte, durasse para sempre. E assim está desde há ... um século e? Oitenta anos? Os Pétain passaram a de Gaulle, e passaram a Macron, e assim em redor, com uma extraordinária figura, ex ministra sem sucesso da ...Defesa, e afastada para onde não faria diferença da fraca(?), péssima (?), chanceler Merkel ( só o soubemos depois                 Vasco Silveira > Vasco Silveira: ...ainda a tempo: ... determinado o seu, longo, mandato) E o engrossar  (???) de voz europeu da Europa começa nos sítios e pessoas referidos como tendo sido o culminar do acobardamento militar europeu. Receio o pior. Cumprimentos.                João Barreira: Quem quer paz, prepara-se para a guerra.                   Quase Famoso: Eu pergunto se os balneários e as casas de banho já são todas inclusivas e neutras? a neutralidade carbónica não poderá ser conseguida mais cedo? as tampas das garrafas de plástico não poderão estar mais bem presas? Ainda outro dia abri uma e fiquei com a tampa na mão, foi dos maiores sustos da minha vida. A Europa tem coisas mais importantes em que pensar, do que andar a brincar às guerras.                    Manuel Magalhaes: Muito bom e necessário artigo, pois a realidade é muito dura e ela é neste momento a prova da imbecilidade dos incautos governantes europeus que nos têm conduzido ao perigosíssimo estado em que nos encontramos.           José B Dias > Pedro Fernando: Os empenhados "combatentes pela muito amada liberdade de opinião e sua pública expressão" não resistem a usar o velhinho processo da denúncia, da censura e do cancelamento ... A hipocrisia é tremenda e a necessidade sentida de sinalizar virtudes é transparente de óbvia.        Pedro Fernando > José B Dias: Tem razão, meu caro, e o que descreve até já tem um nome: wokismo de direita.                 Nuno Teixeira: Brilhante, meu caro Watson ! 😉                  A FJ: Que grande título. Anos de parvoíce resumidos numa frase. E pagaremos caro.                     A FJA FJ: Excelente artigo.              António Alberto Barbosa Pinho: Certíssimo.            S N: excelente crónica sobre um assunto tão importante e urgente.           joao lemos: que tal uma profunda investigação a toda a actividade da sra Merkel?                     Francisco Almeida >  joao lemos: E à senhora que durante 12 anos foi sua ministra?                    graça Dias > joao lemos: Sobre a personagem Merkel, cujo pensamento ideológico foi bem moldado na ex-RDA durante a liderança do traidor Ulbricht (cujas políticas que impôs na RDA foram as de Staline), a " sinistra" nunca o criticou, antes pelo contrário. Enquanto jovem sempre o admirou. Ângela Merkel sempre foi uma admiradora da URSS. Oxalá num futuro haja algum historiador de pensamento independente e com disponibilidade, para pesquisar o percurso de Ângela Merkel, que com o seu amigo do Kremlin( com o qual chegou a ter contactos enquanto este viveu em DRESDEN...), planearam muito do que foi a governação desta mulher, dotada das tácticas e armadilhas para afastar todos os que pudessem impedir as suas políticas (de notar, foi esta mulher que afastou aquele que foi um dos grandes ESTADISTAS DA EUROPA - CHANCELER HELMUT KOHL, e entre muitos outros, afastou há alguns anos o actual chanceler FIEDRICH MERZ). A dependência da Europa em termos energéticos, não foi uma circunstância, foi todo um plano bem pensado pelo Kremlin, tal como a construção dos PAIPLANES.       joao lemos: nem mais nem menos.          Miguel Macedo: A esquerdalha nojenta destruiu a Europa! É capaz de ser irreversível! Uma desgraça!        Paradigmas Há Muitos!: Como habitualmente muito bem pensado e escrito. Quanto à interpretação os leitores terão a tendência a pensar que a "culpa é dos políticos" mas em democracia estes são eleitos ou pelo menos pode-se escolher entre alguns e pode-se demitir outros. Por isso a escolha que tem sido feita é a favor dos que aumentam o salários da FP, aumentam as reformas, "fazem obra", são muito bonzinhos com subsídios para tudo, financiam a música pimba mas também as artes e as letras e as ONGs, perdoam as dívidas dos PALOPs, etc, etc e naturalmente para a defesa e investimento a sério em armas avançadas sobra pouco. Resumindo, a mensagem do Coronel Rodrigues do Carmo é fundamentalmente dirigida a cada um de nós. Sobre os "filósofos", eu acrescentar-lhes-ia e destacaria até os "activistas do ISCTE" e os "gurus das redacções" pois estes sabem falar a línguagem comum e com as suas manipulações esquerdistas anestesiar a vontade natural de defesa dum povo. Quanto aos verdadeiros "filósofos" eles pairam numa nuvem tão elevada que por um lado dificilmente cairão em manobras de propaganda maniqueísta e por outro mesmo que o tentem fazer a sua linguagem, pelo baixo volume e pelo código complexo usados, não é perceptível pelo comum dos mortais e por isso a sua influência, mesmo nos políticos, será sempre comparativamente menor do que a dos novos mensageiros da "boa nova" do esquerdismo e "pacifismo".               Jose Carmo > Paradigmas Há Muitos!: Certíssimo. Filósofos entre aspas é a ideia.

CONTINUA