domingo, 12 de outubro de 2025

Felizmente


Temos ainda pessoas de coragem que não se inibem de explicitar os seus pontos de vista contrários aos da moda e para mais o fazem em expressão de uma elegância que se torna um prazer ler, nestes tempos de muita imagem e muita algaravia.

 

Sete de Outubro, festa no ISCTE

O meu problema nunca é com a liberdade de expressão de transtornados, incluindo papagaios de terroristas. Tenho, porém, alguns engulhos com o financiamento dos transtornados.

ALBERTO GONÇALVES Colunista do Observador

OBSERVADOR, 11 out. 2025, 00:20114

No dia 7 de Outubro passaram-se dois anos desde que uma horda de selvagens invadiu o território de Israel e feriu, torturou, chacinou ou sequestrou quase sete mil pessoas, quase todas civis, a maioria jovens. Naturalmente, em Portugal e no resto do Ocidente diversas organizações e “colectivos” sortidos não podiam abster-se de celebrar a data. Alguns fizeram-no de modo explícito, através de manifestações cujos cartazes, por imagens ou slogans, glorificavam os selvagens. Outros foram discretos ou cínicos, e aproveitaram a efeméride para promover eventos de apoio às “vítimas” da “agressão”, mas da “agressão” israelita, que é aquilo a que chamam “genocídio”, uma curiosa inversão da realidade que não só desvaloriza os genocídios autênticos como tenta legitimar retrospectivamente o 7/10.

Entre os apreciadores declarados ou subtis da barbárie, um organismo, no sentido empregue para definir as bactérias, chamou-me a atenção. Trata-se do Observatório de Estudos da Palestina (OPal), que assinalou o 7/10 com o seguinte comunicado: No dia 7 de Outubro, completam-se dois anos desde o início do genocídio em curso contra o povo palestiniano na Faixa de Gaza. Neste dia, o OPal apoia e participa na vigília organizada pelos Estudantes pela Palestina, e convida todos a participar neste espaço de reflexão, comemoração e responsabilidade colectiva.”

Há aqui vários pontos de interesse. O primeiro, de somenos, é a dificuldade com a gramática. O segundo é a total obliteração do que sucedeu a milhares de inocentes no dia em questão. O terceiro é a habitual fragmentação destes grupelhos “subversivos” para fingirem a dimensão que não possuem (há ali pelo meio uns “Estudantes pela Palestina”). O quarto é a inclusão da palavra “comemoração”, talvez um lapso que trai a alegria face às proezas de psicopatas. E o quinto é o pormenor de o OPal ser uma metástase do ISCTE, instituição dita de ensino superior.

Na verdade, e por fidelidade à referida tendência dos grupelhos da extrema-esquerda para a fragmentação, o OPal é filho de dois pais que, ao que percebo, são eles mesmos metástases do ISCTE: o CEI-Iscte (Centro de Estudos Internacionais) e o CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia). É possível que o ISCTE tenha mais siglas e acrónimos que professores, ou “professores”. E, a acreditar nas notícias, é garantido que o OPal constitui uma “iniciativa académica pioneira, dentro da União Europeia, na sua temática”.

E qual é a “temática” do OPal? Um ingénuo que confie na designação há-de supor que a coisa “estuda” a “Palestina”, embora seja esquisita a especificidade, já que nem no ISCTE há “observatórios” da Estónia ou Xanadu, nem no Médio Oriente há departamentos universitários dedicados a estudar o Ribatejo. Depois consulta-se a declaração de intenções da coisa e percebe-se: “(…) dedicado ao campo interdisciplinar dos Estudos da Palestina, o OPal representa um marco relevante no desenvolvimento de uma abordagem crítica e urgente à história, sociedade e política palestinianas. Numa altura em que o genocídio contra o povo palestiniano atingiu proporções sem precedentes, o OPal afirma a importância do rigor académico aliado à responsabilidade ética.

Tradução: o OPal não pretende “estudar” nada. As menções ao “rigor académico” e à “responsabilidade ética” são, no contexto, meros pechisbeques cómicos. E a “abordagem crítica e urgente à história, sociedade e política palestinianas” é um tique nervoso das seitas assim, o jargão rasteiro e corrente para camuflar, pessimamente, o evidente objectivo da coisa: engolir e regurgitar propaganda do Hamas.

Do Hamas, vírgula. Ao contrário desse culto da morte, que pelo menos fingiu acatar o plano de paz proposto por Donald Trump, o OPal discorda do plano. Na tal vigília de “solidariedade” do dia 7, que juntou uma multidão de 20 ou 30 alminhas e foi realizada adequadamente nos jardins do ISCTE, a directora do OPal, a estudante italiana (não me perguntem) Giulia Daniele, declarou que “a proposta de paz é uma que não considero de paz”. E porquê? Ora essa:  porque “temos de lembrar mais uma vez o que está a acontecer na Faixa de Gaza, pois está em curso um genocídio, uma limpeza étnica e um ‘apartheid’ na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental ocupado”. Como a personagem de Leslie Nielson em “Aeroplano”, que continuou a motivar o piloto após o avião ter pousado com sucesso e o cockpit estar vazio há muito, a menina Giulia não reparou, ou não quer reparar, que os acontecimentos a ultrapassaram. E que as suas mentiras escabrosas perdem credibilidade face ao pavor que a hipótese de sossego e prosperidade em Gaza lhe suscita. E que a OPal, com apresentação oficial marcada para Novembro, arrisca falecer antes de começar a sério a apoiar terroristas.

Esse não é problema meu. O meu problema nunca é com a liberdade de expressão de transtornados, incluindo papagaios de terroristas. Tenho, porém, alguns engulhos com o financiamento dos transtornados, principalmente se o dinheiro também me sair do bolso. Além de uma instituição de ensino “superior”, o ISCTE é uma instituição pública, parcialmente paga pelo Orçamento de Estado, fora subsídios e “fundos”. A cada ano, sob cada governo e cada parlamento, despejamos ali dezenas de milhões de euros que patrocinam conspirações contra a nossa civilização. Se bem me lembro, a função das universidades era a oposta.

FAIXA DE GAZA       MÉDIO ORIENTE       MUNDO       EXTREMA ESQUERDA       POLÍTICA       TERRORISMO

COMENTÁRIOS:

Manuel Martins: Algumas universidades e escolas secundárias são na verdade ninhos de radicais de esquerda, de activistas radicais. Começa, ou tem pelo menos o apoio, de professores que são politicamente motivados e manipulam os alunos para os seus objectivos políticos e sociais. Obviamente que só acontece em algumas que são públicas, onde a aprendizagem não é o foco principal mas sim a doutrinação ...                      Alexandre Barreira: Pois. Caro AG, Com o devido respeito. O 7 de Outubro de 2023. Aconteceu porque. Como diz o "povo": "CAMARÃO QUE DORME....ONDA LEVA"......!          SDC Cruz: O ISCTE, tal como os Estudos Qualquer Coisa de Coimbra e outros que tais, espalhados por algumas universidades públicas, sustentadas e apoiadas pelo orçamento de Estado, ou seja, por todos nós, está minado pela esquerdalha do Hamas, da Rússia, da Venezuela, de Cuba, e de outros quejandos "democráticos" da extrema esquerda. Para essa gente que corrói o ensino, uma decisão: vão para lá, fiquem por lá e não voltem para cá! Tresloucados ou transtornados desta estirpe não fazem cá falta nenhuma e tornavam Portugal mais limpo e respirável.          Manuel Ferreira21: Parabéns, excelente artigo, tudo escrito. Meu resumo: ISCTE=MADRAÇA!         Pedra Nussapato: Logo no dia 7 de outubro de 2023, as pessoas e entidades democráticas do mundo inteiro, da esquerda à direita, condenaram o ataque terrorista do Hamas. Dois anos depois, os mesmos voltaram a assinalar e a condenar os actos bárbaros. Apesar disto, a demanda de AG continua a ser buscar grupelhos irrelevantes de extrema-esquerda e a fazer deles a sua bandeira para tentar apresentá-los como representantes da grande maioria global que condena os actos de Netanyahu. No fundo no fundo, AG acaba por se assemelhar àqueles que quer combater, tal é a sua dependência permanente por bandeiras anti-esquerda.                      Maria Paula Silva: Para além desses slogans gastos e bolorentos que destilam ódio, havia cartazes nas manifs. que diziam "Israel should never 've existed". Fiquei atónita com essa coisa do OPal (fui ver o site) que desconhecia por completo. «Parece que foi criado em junho de 2025» A única vantagem vai ser para a Mariana do Alvito que, se a coisa correr como espero, perderá o lugarzinho na AR e respectivo ordenado, e assim poderá irmanar com a italiana a direcção da OPal. Mas se ficarem ambas sem Opal, melhor. Quem é que lhe garante que essa OPal é paga pelo estado português? Não me admirava que fosse mais uma das vastas obras financiadas pelo Hamas. Deliciosa a analogia com o "Aeroplano", filme que adorei. p.s. - a Mariana sofre de traços esquizóides e de mentira compulsiva. Está obviamente a derrapar, a perder o controle. Atentem nas últimas fotos dela em todas as notícias e não há uma em que não se detectem esses esgares típicos dos ditadores tresloucados. O fanatismo e ó.dio com que grita as suas "frases programadas" e "afirmações mentirosas" assemelha-se muito com os do Adolf.             graça Dias Caríssimo Alberto Gonçalves: Este artigo de hoje não é uma opinião, é o desmascarar e dar a conhecer sobre uma realidade irrefutável, em que o poder político não se poderá alhear, sobre e como o dinheiro dos contribuintes está a ser usado no ISCTE ou em quaisquer outras instituições públicas, cuja função é o estar ao serviço do conhecimento, e nunca de uma qualquer DOUTRINAÇÃO. O QUE FOI O «7 de Outubro de 2023». Em 7 de Outubro de 2023, uma orgia de MASSACRES e violência sexual contra civis judeus indefesos. Foi um mundo que assustou enquanto os terrroriiistaaas transmitiam suas atrocidades nas redes sociais, transformando assassinatos e violência sexual em um show de programa ao vivo.

A única resposta justa a tal barbárie (invasão de Israel pelo Hamas em 7 de Outubro de 2023 ]

deve ser inflexível

Por meio do seu Império televisivo Al--Hazeera, o Catar promoveu actividades jihadistas violentas para o Hamas e outros grupos terroristaaas inspirados pela Irmandade Muçulmana

Dando continuidades ao financiamento do terrorismo, o Catar parece estar no processo de orquestrar mais uma "PRIMAVERA em style ARABE "!...será que está a pensar no OCIDENTE, com a colaboração dos " idiotas úteis" da “extrema esquerda?»

O Catar já gastou " quase US$ 100 Biliões " apenas em USA para ganhar influência no país, de acordo com a MSNBC

 AS FLOTILHAS Global Sumud também destaca um problema mais profundo: a indignação selectiva 

na qual alguns países e ONGs empregam a linguagem dos direitos humanos de forma desigual. 

As democracias e os actores da sociedade civil devem devem denunciar pensamentos ideológicos mmaléficos, os seus " santuários " e financiadores.

A linguagem HUMANITÁRIA não deve ser usada como arma para esconder pensamentos e doutrinação «ignóbil prpró-terrooororismoo Ao Alberto Gonçalves manifesto o meu agradecimento por este excelente artigo, não só pela sua frontalidade como pela urgência da sua divulgação.             Maria Tubucci: Excelente Sr. AG., haja alguém que veja estes pormenores. Antigamente as universidades eram centros de conhecimento, actualmente são centros de embrutecimento, como o ISCTE. Fechem esta chafarica do “conhecimento”, porque os contribuintes portugueses não têm de andar a pagar terraplanistas da história nem a geocêntricos marados cujo mundo gira em torno da palestina. E agora que há um plano de paz para Gaza, sugiro que vão todos para Gaza evangelizar os Gazados e deixem sugar a nossa carteira e de abusar da nossa tolerância. Eu no 9º ano tive uma profa de História formada no ISCTE. A pessoa mais comunista que já encontrei em toda a minha vida, andou 1 mês a torturar e a massacrar nossa paciência com a revolução russa de 1917 e 2 semanas com o estudo de 2ª Guerra Mundial, mandando depois fazer um trabalho de pesquisa sobre um tema que quiséssemos da 2ª GM. Eu fiz um trabalho sobre o famoso discurso do “Sangue, suor e lágrimas” de Churchill. Claro está que tive suficiente (com s pequeno) porque dizia ela que não dava negativas, mas dizendo também, que o suficiente com s pequeno era negativa e o suficiente com S grande era positiva. Sobre a coerência da esquerda aprendi tudo quando tinha 15 anos. Esquerda para mim é e será sempre lixo tóxico e radioativo...                      Ricardo Ribeiro: Oh pal!Financiar estes amantes de terroristas com o dinheiro dos meus impostos, também fico chateado, com certeza que fico chateado!...                        Manuel: Brilhante AG! Que nunca lhe trema a mão para continuarmos a poder ler estas suas crónica deliciosas. Bem haja!                         João Floriano: Tomei conhecimento da Opal sexta-feira dia 4 de outubro quando passei os olhos pelo Expresso da Meia Noite e ouvi algumas intervenções da senhora Guilia, que agora sei ser italiana. Não me detive no programa porque já sei o que a casa gasta. Mas lembro-me de ter pensado precisamente o mesmo que AG escreve aqui na crónica: andamos a financiar «isto», andamos a financiar o ISCTE, uma reconhecida madrassa no meio universitário. Quando os estudantes saem à rua a pedir o fim das propinas, é também os estudantes da OPal que devem «estudar» gratuitamente à nossa custa. Nem é preciso ter muita imaginação para se perceber o que faz parte do plano de estudos. Basta ler os comunicados. E lá sairão mais uns tantos doutoramentos. E involuntariamente ou talvez não veio-me à ideia o CES (Centro de Estudos Sociais) na Universidade de Coimbra dirigido pelo insigne jarreta baboso Boaventura de Sousa Santos , que se afastou ou foi afastado por ter levado os «estudos sociais» para um patamar de investigação com estratégias duvidosas. Também era um centro de estudos largamente dominado pela mesma esquerda woke que agora comemora o 7 de outubro no ISCTE. Só lixo que estamos  a pagar  do nosso bolso.                         Joao Cadete: É fechar e voltar a abrir do zero depois de correr com os esquerdalhos.                    Meio Vazio: Falta um observatório para observar os observatórios do ISCCOISO, é o que é.                       Uiros Ueramos: Infelizmente, o caso exposto por Alberto Gonçalves é apenas mais um exemplo gritante do que se tornaram algumas universidades públicas em Portugal, verdadeiros viveiros de doutrinação ideológica da extrema-esquerda, onde o pensamento crítico é substituído por slogans vazios e a propaganda se disfarça de investigação académica. O ISCTE, outrora um instituto de ensino, hoje mais se assemelha a uma incubadora de agitadores que repetem mantras antiocidentais e antiportuguesas com a convicção de quem nunca leu um livro fora da sua bolha. Como é que chegámos aqui? Muito simples: a selecção do corpo docente é conduzida com base em critérios puramente ideológicos, o candidato certo não é quem apresenta o currículo mais sólido ou contribuições académicas relevantes, mas quem alinha fielmente com as narrativas da extrema-esquerda. O mérito foi substituído pela militância. E o resultado está à vista: departamentos que se multiplicam em siglas pomposas, mas que, na prática, mais parecem células políticas financiadas pelo contribuinte português. O mais revoltante não é o direito de opinião, ninguém está a censurar a liberdade de expressão, mesmo quando se trata de delírios revisionistas e defesa descarada de grupos terroristas. O problema é outro, muito mais profundo: estes "observatórios", "colectivos" e "núcleos de reflexão" não passam de estruturas parasitárias que sugam recursos públicos para promover agendas políticas que atacam os fundamentos da própria civilização que os sustenta. A ironia é macabra: cuspir no prato onde comem tornou-se disciplina curricular. E não se trata apenas de ignorância histórica ou analfabetismo político. Trata-se de uma campanha deliberada de corrosão da identidade ocidental, de ataque sistemático aos valores liberais, à democracia, à liberdade individual, à igualdade entre homens e mulheres, tudo aquilo que o islamismo radical nega, mas que é branqueado com entusiasmo por jovens desinformados, e pior, por professores que deviam saber mais. O silêncio cúmplice, ou até cúmplice com cartaz na mão, face às atrocidades de 7 de Outubro, revela mais do que falta de empatia: revela a completa inversão moral a que chegámos. Os mesmos que exigem “descolonizar” currículos universitários, são os que glorificam um culto de morte e submissão medieval. Os mesmos que gritam “genocídio” a cada operação de defesa de Israel, ficam indiferentes quando judeus são assassinados em massa. O protesto é selectivo, hipócrita e estrategicamente orientado contra o Ocidente. E, no fim, tudo isto é feito com o nosso dinheiro. Com os impostos de quem trabalha, de quem paga IVA até num pacote de arroz, de quem não pode fugir às finanças, mas que está, sem saber, a subsidiar panfletos académicos disfarçados de investigação, e vigílias que comemoram chacinas. Não é apenas um problema de universidades. É um problema civilizacional.

(Continua)

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