De um espalhafato introdutório natural nos dias de hoje, de
visibilidade agudizada por factores variados, entre os quais uma auto-estima
igualmente natural.
A
Desprezível Armada
Não sei se os “activistas” embarcadiços são simpatizantes dos selvagens que há 2 anos raptaram, torturaram e esventraram milhares de civis em Israel. O que parece garantido é que são seus avençados.
ALBERTO GONÇALVES Colunista do Observador
OBSERVADOR, 04 out. 2025, 00:207
Na manifestação portuense organizada
trinta segundos após o “sequestro” da “flotilha”, a RTP ouviu uma das
manifestantes: “Não adianta reconhecer o estado palestiniano quando as pessoas
estão a morrer! O que é preciso é [palavra imperceptível] já, para que deixem
de morrer crianças, homens, mulheres! Para que acabe a fome! Não podemos
compactuar com um estado que é… já o seu primeiro-ministro… o primeiro… o
[palavra imperceptível] primeiro-ministro é procurado [palavras imperceptíveis]
internacional! …Designado como genocídio o que se está a passar em Gaza… Nós
não podemos ficar calados e ver as pessoas a morrer! À fome! É desumano! Eu
acho que qualquer pessoa com um mínimo de humanidade não pode ficar em casa sem
deixar de condenar o que se está a passar.”
Seria difícil ao repórter não ouvir a
senhora, que berrava quase o bastante para dispensar a mediação televisiva. Mesmo
sem transmissão, os gritos desde a Praça D. João I atingiriam pelo menos Santo
Tirso e Amarante. E não era apenas o volume que impressionava: a senhora, de
meia-idade e com o obrigatório lencinho com padrões do Boavista pelos ombros,
encontrava-se evidentemente transtornada com aquilo que acredita estar a
suceder em Gaza. Aposto que, caso o SNS funcionasse em condições e a saúde
mental não andasse votada ao desleixo, mal se afastasse a câmara da RTP
surgiriam enfermeiros do Conde de Ferreira, a fim de devolver a pobre ao
repouso de uma sala acolchoada.
Sou
igualmente capaz de apostar que o “mínimo de humanidade” da senhora não chegou
para sair à rua a condenar os contemporâneos horrores no Sudão, no Congo, na
Nigéria e onde calha de haver massacres a sério, genocídios a sério. Talvez a
senhora tenha um apreço particular por árabes. Talvez não considere que os
negros chacinados em África mereçam integrar a “humanidade”. Talvez seja
demasiado influenciável pelos desvarios a que assiste nos “telejornais”. Talvez
se limite a odiar judeus.
Em qualquer dos casos, o que impressiona
no discurso (digamos) da senhora é o contraste
entre a histeria dela e a serenidade “técnica” e “funcionária” dos
participantes na “flotilha”. Uma
e os outros repetem à risca a propaganda do Hamas, a primeira porque a engoliu
de facto, os segundos porque cumprem a função que lhes encomendaram.
Hoje, sabe-se por vias distintas que a
“maior missão humanitária de sempre” foi paga por terroristas. O
ministério israelita dos Negócios Estrangeiros revelou há dias documentos
comprovativos do patrocínio – e sim, ao contrário da maioria dos “media” prefiro
crer em fontes de um regime democrático do que no hipotético “ministério da
Saúde” de Gaza. Não tenho a
certeza se os “activistas” embarcadiços são simpatizantes dos selvagens que há
dois anos raptaram, torturaram e esventraram milhares de civis em Israel. O que
começa a parecer garantido é que são seus avençados.
A avença explica muita coisa. Antes de mais, explica o clima de
festança na “flotilha”, afinal uma demonstração de desprezo pelas pessoas com
que diziam preocupar-se: cair em “raves”
espanholas ou gregas e dançar ao som de batuques não são actividades demasiado
compatíveis com o sofrimento. E depois houve o resto. Houve a navegação em marcha lenta e aos
soluços, adequada a fazer durar o golpe publicitário e inadequada à urgência
“humanitária” que diziam atender. Houve os barcos vazios de mantimentos que não
fossem para uso próprio, e é complicado alimentar dois milhões de supostos esfaimados
com cinco latas de Cerelac e o tofu que sobejou. E houve, sobretudo, a
convicção deles e nossa de que a trupe de foliões nunca alcançaria Gaza, de que
Israel interceptaria a trupe em zona segura e de que, em várias cidades da
Europa, milhares de espécimes descompensados ou cínicos, preparados para o
momento com convocatórias e cartazes desenhados há semanas, se juntariam a
protestar o desfecho que anteciparam e desejaram.
Podíamos,
para lá do anti-semitismo e do ódio ao Ocidente, discutir as razões que moveram
cada um dos foliões a auxiliar gente que, nas circunstâncias adequadas,
degolaria os foliões com gosto. Dos foliões caseiros, temos a ex-futura
ministra das Finanças (na fulminante previsão do dr. Louçã) a tentar salvar um
partido morto ou a tentar salvar-se de um partido morto através de um cargo de
destaque no “activismo” internacional. Temos
uma ex-modelo que se afirma “actriz”. E temos um terceiro indivíduo que não sei o que é ou para que serve.
Sei que todos serviram, contra estipêndio ou notoriedade, o Hamas. E sei que
os que colaboram na farsa com apelos lancinantes ou exigências pitorescas ao
governo também servem, percebam-no ou não, o mesmo dono. E sim, incluo aqui os
presidentes da República que recebem “proxies” de bárbaros.
Sob o pretexto canalha da “ajuda” a
desgraçados, a dra. Mortágua & Companhia navegaram voluntariamente na
direcção de uma zona de guerra para no processo apoiar, sem vestígio de honra
ou decência, um bando de “jihadistas”. Não
há nada a lamentar no que lhes aconteceu, excepto o facto de terem sido
acolhidos por Israel e não pelos “jihadistas”. Os verdadeiros
sequestrados, que nunca mereceram uma palavra sincera dessa cáfila, não tiveram
tanta sorte.
FAIXA DE GAZA MÉDIO ORIENTE MUNDO ISRAEL BLOCO DE
ESQUERDA POLÍTICA TERRORISMO
COMENTÁRIOS:
Miguel Sanches: Citando a D. Hilária, deploráveis! Albino Mendes: Mais uma vez, a esquerda a
provar que, dificilmente, defende algo que seja benéfico para a sociedade.
Também devemos agradecer, aos partidos de esquerda, por nos lembrarem que, com
eles (esquerda) a democracia já tinha sido convertida em terrorismo. JPGSG: Umas ordinár i a s,!!!! José Paulo Castro: Uns farsantes, portanto. Paulo Cardoso: No que respeita à feira no
Porto, por AG referida. Estive lá e destaco: - a falta de civismo dos
feirantes (perdoem-me os verdadeiros profissionais de feira e com o devido
respeito), que mais que protestar (já agora de forma ilegal, dada a hora
e os moldes em que o fizeram), pretendiam prejudicar os restantes cidadãos;
- a estupidez natural e a inabilidade dos polícias faz de conta da “Polícia”
Municipal, verdadeiros mangas de alpaca, trajados de polícia, sempre aos papéis
e a navegar na maionese; - o profissionalismo e paciência da PSP que, pese
embora a provocação a que eles próprios e demais transeuntes foram sujeitos,
esteve sempre à altura do desenrolar dos acontecimentos; - o CM que acertou
no número de feirantes presentes na casa das (muito poucas) centenas, ao
contrário do JN que alarvemente mentiu ao anunciar a presença de milhares de
cabeças; - a ingenuidade do jovem que comigo entabulou conversa, a quem
genuína e sinceramente encorajo a encontrar trabalho, para desocupar a oficina
do diabo em que a sua mente se tornou. José B Dias > Paulo Cardoso: Fiquei a meditar se essa e
outras "manifestações" congéneres teriam sido antecipadamente
convocadas e objecto do parecer das autoridades policiais... A não o terem sido,
estranho a falta de comparência da polícia de intervenção que sempre abrilhanta
com a sua presença as manifestações de outros quadrantes! José Tomás: Justo crítico do TDS, o cronista caiu vítima do FDS (Flotilla Derangement
Syndrome). Francamente, já é cera a mais para tão ruins defuntos.
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