segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Ascensão e queda


De JOSÉ SÓCRATES.

Mas o que importa mesmo, referir previamente, é o cenário que descubro aqui, na Internet, na referência transcrita do Jornal Público, e que pode ter uma repercussão sobre a nossa estabilidade - superior à do Sócrates sobre a nossa idiotia:

«Na Rússia, foram preparados vários cenários para o uso do drone "Dia do Juízo Final" para a monitorização da contaminação radio-activa em caso de ataques nucleares. O drone faz parte do projecto "Khrust" e é destinado ao controle do nível de poluição ambiental após o possível uso de armas nucleares.

Mas vejamos antes “o nosso Sócrates” da colunista escritora HELENA MATOS e dos Comentadores do mesmo, no PÚBLICO - o que se passa a leste estando ainda distante do nosso oeste - embora com probabilidades de mudança breve - mas a questão socrática superiorizando-se, como estigma de um povo abúlico e compreensivo, na questão aqui tratada, do oportunismo político-financeiro:

 

“Esta pessoa” antigamente conhecida por José Sócrates”

Os socialistas deixaram cair “Esta pessoa” antigamente conhecida por José Sócrates. Não por aquilo que se sabe sobre a forma como exerceu o poder mas sim por o ter perdido.

HELENA MATOS, Colunista do Observador

OBSERVADOR, 26 out. 2025, 00:2297

Não sei o que impressiona mais nesta frase: se a repetição quase ritual, por três vezes, da expressãoesta pessoa”; se o recusar identificar pelo nome próprio alguém com quem manteve uma relação pessoal muito próxima ou se aquela conclusão final — “Creio que isto é suficiente — a dar conta da mesmíssima sobranceria que durante anos tornou várias outras pessoas do círculo mais próximo de José Sócrates indiferentes às notícias que chegavam sobre o então seu amigo, conhecido, namorado… e primeiro-ministro. O que os caracterizou então e os caracteriza agora está expresso nesta afirmação: “Creio que isto é suficiente”. Não, não é agora tal como não foi no passado. E não estou a referir-me à suficiência ou insuficiência de explicações perante o tribunal mas sim perante a consciência e já agora o bom senso. Desse ponto de vista não, não é suficiente.

Mas por mais tragico-grotesca que seja a anonimização de José Sócrates por parte de alguém que, como aconteceu com Fernanda Câncio, privou com ele, há que reconhecer que Fernanda Câncio se limita a dizer alto aquilo que outros, em silêncio, adoptaram como táctica. Com a substancial diferença que Câncio fala sobre a partilha da sua vida pessoal com José Sócrates, enquanto os silenciosos partilharam com ele o poder. Ou, parafraseando Câncio, tiveram vida política comum com José Sócrates. Esses, quando a justiça tornou em matéria criminal o que era óbvio, público e notório há anos, esses, repito, trataram de se eximir de responsabilidades tornando no seu mantra a explicação de António Costa: “concluo que ele, de facto, aldrabou-nos [ao PS]”. Como quem muda de camisa, os socialistas trocaram o Sócrates menino de ouro do PS pelo Sócrates aldrabão. Passo seguinte, apagá-lo, fazer de conta que ele nunca existiu. Sem que se lhes reconheça qualquer reflexão sobre a forma como o PS exerceu o poder nesses anos.

Mas como escreve escreve João Miguel Tavares na introdução ao seu livro  José Sócrates — Ascensão onde  faz um levantamento impressionante de tudo o que se sabia e procurou ignorar sobre José Sócrates, “Não tivesse Portugal ficado às portas da bancarrota e é possível que Sócrates tivesse permanecido muitos mais anos em São Bento, rodeado de suspeitas e de fiéisNão só concordo como acrescento: José Sócrates teria passado de São Bento para Belém sob o arrebatamento triunfal do PS que viu nele não apenas o líder que lhes deu a maioria absoluta mas também, e sobretudo, o homem que falava a linguagem de poder de que o PS gosta. Os socialistas deixaram cair “Esta pessoa” antigamente conhecida por José Sócrates. Não por aquilo que sabem sobre a forma como exerceu o poder mas sim por o ter perdido.

O PS habituou-se não apenas a ser partido de poder mas também a ter uma relação excepcional com o poder. Com Sócrates o que era um privilégio tornou-se num drama. Mas o PS nunca reflectiu sobre o que aconteceu nesse período. Ora o que está precisamente em causa neste momento para o PS é a sua relação com o poder. O que agora afasta muitos socialistas de José Luís Carneiro ou de António José Seguro não é serem mais à direita ou menos de esquerda (José Sócrates seria tão ou mais à direita que ambos) mas sim a imagem de poder que transmitem. Alguém (quem?) um dia no Largo do Rato vai ter de dizer aos socialistas que o PS é um partido como os outros. Mas resta saber se os socialistas estão preparados para tal.

26 out. 2025, 00:2297

Nunca tive vida em comum com esta pessoa, nunca coabitei com esta pessoa, nunca tive economia comum com esta pessoa. Creio que isto é suficienterespondeu Fernanda Câncio em tribunal ao ser questionada pela juíza sobre o seu relacionamento com José Sócrates.

Não sei o que impressiona mais nesta frase: se a repetição quase ritual, por três vezes, da expressão “esta pessoa”; se o recusar identificar pelo nome próprio alguém com quem manteve uma relação pessoal muito próxima ou se aquela conclusão final — “Creio que isto é suficiente” — a dar conta da mesmíssima sobranceria que durante anos tornou várias outras pessoas do círculo mais próximo de José Sócrates indiferentes às notícias que chegavam sobre o então seu amigo, conhecido, namorado… e primeiro-ministro. O que os caracterizou então e os caracteriza agora está expresso nesta afirmação: “Creio que isto é suficiente”. Não, não é agora tal como não foi no passado. E não estou a referir-me à suficiência ou insuficiência de explicações perante o tribunal mas sim perante a consciência e já agora o bom senso. Desse ponto de vista não, não é suficiente.

Mas por mais tragico-grotesca que seja a anonimização de José Sócrates por parte de alguém que, como aconteceu com Fernanda Câncio, privou com ele, há que reconhecer que Fernanda Câncio se limita a dizer alto aquilo que outros, em silêncio, adoptaram como táctica. Com a substancial diferença que Câncio fala sobre a partilha da sua vida pessoal com José Sócrates, enquanto os silenciosos partilharam com ele o poder. Ou, parafraseando Câncio, tiveram vida política comum com José Sócrates. Esses, quando a justiça tornou em matéria criminal o que era óbvio, público e notório há anos, esses, repito, trataram de se eximir de responsabilidades tornando no seu mantra a explicação de António Costa: “concluo que ele, de facto, aldrabou-nos [ao PS]”. Como quem muda de camisa, os socialistas trocaram o Sócrates menino de ouro do PS pelo Sócrates aldrabão. Passo seguinte, apagá-lo, fazer de conta que ele nunca existiu. Sem que se lhes reconheça qualquer reflexão sobre a forma como o PS exerceu o poder nesses anos.

Mas como escreve escreve João Miguel Tavares na introdução ao seu livro  José Sócrates — Ascensão onde  faz um levantamento impressionante de tudo o que se sabia e procurou ignorar sobre José Sócrates, “Não tivesse Portugal ficado às portas da bancarrota e é possível que Sócrates tivesse permanecido muitos mais anos em São Bento, rodeado de suspeitas e de fiéis” Não só concordo como acrescento: José Sócrates teria passado de São Bento para Belém sob o arrebatamento triunfal do PS que viu nele não apenas o líder que lhes deu a maioria absoluta mas também, e sobretudo, o homem que falava a linguagem de poder que o PS gosta. Os socialistas deixaram cair “Esta pessoa” antigamente conhecida por José Sócrates. Não por aquilo que sabem sobre a forma como exerceu o poder mas sim por o ter perdido.

O PS habituou-se não apenas a ser partido de poder mas também a ter uma relação excepcional com o poder. Com Sócrates o que era um privilégio tornou-se num drama. Mas o PS nunca reflectiu sobre o que aconteceu nesse período. Ora o que está precisamente em causa neste momento para o PS é a sua relação com o poder. O que agora afasta muitos socialistas de José Luís Carneiro ou de António José Seguro não é serem mais à direita ou menos de esquerda (José Sócrates seria tão ou mais à direita que ambos) mas sim a imagem de poder que transmitem. Alguém (quem?) um dia no Largo do Rato vai ter de dizer aos socialistas que o PS é um partido como os outros. Mas resta saber se os socialistas estão preparados para tal.

CASO JOSÉ SÓCRATES     JUSTIÇA     JOSÉ SÓCRATES     POLÍTICA

COMENTÁRIOS (de 97)

JOHN MARTINS: O Partido Socialista com Sócrates foi mais do que cúmplice - foi protagonista. A sua relação com o poder tornou-se tóxica: confundiu liderança com impunidade, carisma com controlo, e maioria absoluta com cheque em branco. Quando a justiça bateu á porta, o partido não fez balanço fez amnésia. Trocando o " menino de ouro"  pelo " aldrabão" sem nunca rever o guião que escreveram juntos.              Luis Nabais: Realmente a forma como a “namorada”, e não só, o tratam, é bastante significativo dos valores e princípios com que fazia as relações. Mas ele merece. Muito bom artigo, como sempre, Helena.                    António Lamas: Lembram-se de Rui Mateus, um dos fundadores do PS? Não sei por onde anda e se ainda é vivo, se o for bem pode escrever um novo capítulo do seu "Contos Proibidos - Memória de um PS Desconhecido" dedicado ao senhor Pinto de Sousa. A nomenclatura do partido sempre foi muito parecida com a da antiga URSS a apagar da história personagens que por alguma razão incomodaram o partido.                Alfaiate Tuga: O que se passou com o 44 no tempo em que foi primeiro-ministro deixou claro que o PS era uma organização criminosa, que por acção ou omissão de muitos dos seus dirigentes roubou o povo português para encher os bolsos e barriga dos oportunistas que rodeavam o chefe da quadrilha. Os correligionários do 44 eram mais ou menos como os membros de uma família onde há um jovem que serve à mesa num restaurante e todos os meses entrega 3000 euros à mãe para governar a casa, faz férias de luxo, possui um carro de 70 mil euros, paga regularmente grandes jantaradas a familiares e amigos, e quando questionado sobre a origem do dinheiro, diz que é das gorjetas. No dia em que a política bate á porta, ficam todos espantados, no PS foi igual. O mais impressionante é que depois do 44 ter falido o país em proveito próprio, ter chamado a troika e deixado um plano de austeridade para o sucessor aplicar, os portugueses continuaram a votar PS, ao ponto de lhe terem dado votos suficientes para formar a geringonça e posteriormente uma maioria absoluta. Convém lembrar que o Kosta fugiu para Bruxelas após ter liderado um governo que cheirava a corrupção por todo o lado, onde a cereja no topo do bolo foram os milhares de euros em el contado nas caixas de vinho do chefe de gabinete, que convém lembrar, já tinha sido compincha do 44. O que quero dizer é que coniventes por ação ou omissão não são só aqueles que se sentavam à mesa do 44, são também aqueles que depois de saberem o que já era público, voltaram a votar numa organização que tem por objectivo instalar-se no poder para depois saquear o Estado, ou seja saquear os portugueses. Qualquer português decente não voltaria a votar PS no mínimo nos próximos 25 anos.                

 

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