De JOSÉ
SÓCRATES.
Mas o que importa mesmo, referir previamente,
é o cenário que descubro aqui, na Internet, na referência transcrita do Jornal Público, e que pode ter uma repercussão sobre a
nossa estabilidade - superior à do Sócrates sobre a nossa idiotia:
«Na Rússia, foram preparados vários cenários para o
uso do drone "Dia do Juízo Final" para a monitorização da
contaminação radio-activa em caso de ataques nucleares. O drone faz parte do
projecto "Khrust" e é destinado ao controle do nível de poluição
ambiental após o possível uso de armas nucleares.
Mas vejamos antes “o nosso Sócrates” da colunista escritora HELENA MATOS e dos
Comentadores do mesmo, no PÚBLICO - o que
se passa a leste estando ainda distante do nosso oeste - embora com
probabilidades de mudança breve - mas a questão socrática
superiorizando-se, como estigma de um povo abúlico e compreensivo, na questão
aqui tratada, do oportunismo político-financeiro:
“Esta pessoa” antigamente conhecida por José Sócrates”
Os socialistas deixaram cair “Esta pessoa” antigamente
conhecida por José Sócrates. Não por aquilo que se sabe sobre a forma como
exerceu o poder mas sim por o ter perdido.
HELENA MATOS, Colunista do Observador
OBSERVADOR, 26
out. 2025, 00:2297
Não sei o que impressiona mais
nesta frase: se a repetição quase ritual, por três vezes, da expressão “esta pessoa”; se
o recusar identificar pelo nome próprio alguém com quem manteve uma relação
pessoal muito próxima ou se aquela conclusão final — “Creio que isto é suficiente” — a
dar conta da mesmíssima sobranceria que durante anos tornou várias
outras pessoas do círculo mais próximo de José Sócrates indiferentes às
notícias que chegavam sobre o então seu amigo, conhecido, namorado… e
primeiro-ministro. O que os caracterizou então e os caracteriza agora está
expresso nesta afirmação: “Creio que isto é suficiente”. Não, não é agora tal como não foi no passado. E
não estou a referir-me à suficiência ou insuficiência de explicações perante o
tribunal mas sim perante a consciência e já agora o bom senso. Desse ponto de vista não, não
é suficiente.
Mas por mais tragico-grotesca que seja a anonimização de José Sócrates por
parte de alguém que, como aconteceu com Fernanda Câncio, privou com ele, há que reconhecer que Fernanda Câncio se limita a dizer alto aquilo que outros, em
silêncio, adoptaram como táctica. Com a
substancial diferença que Câncio fala sobre a partilha da sua vida pessoal com
José Sócrates, enquanto os silenciosos partilharam com ele o poder. Ou,
parafraseando Câncio, tiveram vida política comum com José Sócrates. Esses,
quando a justiça tornou em matéria criminal o que era óbvio, público e notório
há anos, esses, repito, trataram de se eximir de responsabilidades tornando no
seu mantra a explicação de António Costa: “concluo que ele, de facto, aldrabou-nos [ao PS]”.
Como quem muda de camisa, os
socialistas trocaram o Sócrates menino de ouro do PS pelo Sócrates aldrabão.
Passo seguinte, apagá-lo, fazer de
conta que ele nunca existiu. Sem
que se lhes reconheça qualquer reflexão sobre a forma como o PS exerceu o poder
nesses anos.
Mas como escreve escreve João Miguel Tavares na introdução ao seu livro “José Sócrates — Ascensão” onde faz um levantamento impressionante de tudo o
que se sabia e procurou ignorar sobre
José Sócrates, “Não tivesse Portugal ficado às portas da bancarrota
e é possível que Sócrates tivesse permanecido muitos mais anos em São Bento,
rodeado de suspeitas e de fiéis” Não só concordo como acrescento: José Sócrates teria passado de
São Bento para Belém sob o arrebatamento triunfal do PS que viu nele não apenas
o líder que lhes deu a maioria absoluta mas também, e sobretudo, o homem que
falava a linguagem de poder de que o PS gosta. Os socialistas deixaram cair “Esta pessoa” antigamente
conhecida por José Sócrates. Não por aquilo que sabem sobre a forma como
exerceu o poder mas sim por o ter perdido.
O PS habituou-se não apenas a ser partido de poder mas também a ter uma
relação excepcional com o poder. Com Sócrates o que era um privilégio tornou-se
num drama. Mas o PS nunca reflectiu sobre o que aconteceu nesse período. Ora o
que está precisamente em causa neste momento para o PS é a sua relação com o
poder. O que agora
afasta muitos socialistas de José Luís Carneiro ou de António José Seguro não é
serem mais à direita ou menos de esquerda (José Sócrates seria tão ou mais à direita que ambos) mas sim a imagem de poder que transmitem.
Alguém (quem?) um dia no Largo do Rato vai ter de dizer aos socialistas que o PS é um partido como os
outros. Mas resta saber se os socialistas estão
preparados para tal.
26 out. 2025, 00:2297
“Nunca tive
vida em comum com esta pessoa, nunca coabitei com esta pessoa, nunca tive
economia comum com esta pessoa. Creio que isto é suficiente” — respondeu Fernanda
Câncio em tribunal ao ser questionada pela juíza sobre o seu relacionamento com
José Sócrates.
Não
sei o que impressiona mais nesta frase: se a repetição quase ritual, por três
vezes, da expressão “esta pessoa”; se o recusar identificar pelo nome próprio
alguém com quem manteve uma relação pessoal muito próxima ou se aquela
conclusão final — “Creio que
isto é suficiente” — a dar conta da mesmíssima sobranceria que
durante anos tornou várias outras pessoas do círculo mais próximo de José
Sócrates indiferentes às notícias que chegavam sobre o então seu amigo,
conhecido, namorado… e primeiro-ministro. O que os caracterizou
então e os caracteriza agora está expresso nesta afirmação: “Creio que isto é suficiente”. Não, não
é agora tal como não foi no passado. E
não estou a referir-me à suficiência ou insuficiência de explicações perante o
tribunal mas sim perante a consciência e já agora o bom senso. Desse ponto de
vista não, não é suficiente.
Mas por mais tragico-grotesca que seja a anonimização de José
Sócrates por parte de alguém que, como aconteceu com Fernanda Câncio, privou
com ele, há que reconhecer que Fernanda Câncio se limita a dizer alto aquilo
que outros, em silêncio, adoptaram como táctica. Com a substancial
diferença que Câncio fala sobre a partilha da sua vida pessoal com José
Sócrates, enquanto os silenciosos partilharam com ele o poder. Ou, parafraseando Câncio, tiveram vida
política comum com José Sócrates. Esses, quando a justiça tornou em
matéria criminal o que era óbvio, público e notório há anos, esses, repito,
trataram de se eximir de responsabilidades tornando no seu mantra a explicação
de António Costa: “concluo que ele, de facto,
aldrabou-nos [ao PS]”. Como
quem muda de camisa, os socialistas trocaram o Sócrates menino de ouro do PS
pelo Sócrates aldrabão. Passo seguinte, apagá-lo, fazer de conta que ele nunca
existiu. Sem que se lhes reconheça qualquer reflexão sobre a forma como o PS
exerceu o poder nesses anos.
Mas como escreve escreve João
Miguel Tavares na introdução ao seu livro “José Sócrates — Ascensão”
onde faz um levantamento impressionante
de tudo o que se sabia e procurou ignorar sobre José Sócrates, “Não tivesse
Portugal ficado às portas da bancarrota e é possível que Sócrates tivesse
permanecido muitos mais anos em São Bento, rodeado de suspeitas e de fiéis”
Não só concordo como acrescento: José Sócrates teria passado de São
Bento para Belém sob o arrebatamento triunfal do PS que viu nele não apenas o
líder que lhes deu a maioria absoluta mas também, e sobretudo, o homem que
falava a linguagem de poder que o PS gosta. Os socialistas deixaram cair “Esta
pessoa” antigamente conhecida por José Sócrates. Não
por aquilo que sabem sobre a forma como exerceu o poder mas sim por o ter
perdido.
O PS habituou-se não apenas a ser
partido de poder mas também a ter uma relação excepcional com o poder. Com Sócrates o que era um privilégio
tornou-se num drama. Mas o PS nunca reflectiu sobre o que aconteceu nesse
período. Ora o que está precisamente em causa neste momento para o
PS é a sua relação com o poder. O que agora afasta muitos socialistas de José
Luís Carneiro ou de António José Seguro não é serem mais à direita ou menos de
esquerda (José Sócrates seria tão ou mais à direita que ambos) mas sim a imagem
de poder que transmitem. Alguém (quem?) um dia no Largo do Rato vai ter de
dizer aos socialistas que o PS é um partido como os outros. Mas resta saber se
os socialistas estão preparados para tal.
CASO JOSÉ
SÓCRATES JUSTIÇA JOSÉ SÓCRATES POLÍTICA
COMENTÁRIOS (de 97)
JOHN MARTINS: O Partido Socialista com Sócrates
foi mais do que cúmplice - foi protagonista. A sua relação com o poder
tornou-se tóxica: confundiu liderança com impunidade, carisma com controlo, e
maioria absoluta com cheque em branco. Quando a justiça bateu á porta, o partido
não fez balanço fez amnésia. Trocando o " menino de ouro" pelo
" aldrabão" sem nunca rever o guião que escreveram juntos. Luis Nabais: Realmente a forma como a “namorada”, e não só,
o tratam, é bastante significativo dos valores e princípios com que fazia as
relações. Mas ele merece. Muito bom artigo, como sempre, Helena. António
Lamas: Lembram-se
de Rui Mateus, um dos fundadores do PS? Não sei por onde anda e se ainda é
vivo, se o for bem pode escrever um novo capítulo do seu "Contos Proibidos
- Memória de um PS Desconhecido" dedicado ao senhor Pinto de Sousa. A
nomenclatura do partido sempre foi muito parecida com a da antiga URSS a apagar
da história personagens que por alguma razão incomodaram o partido. Alfaiate Tuga: O que se passou com o 44 no tempo em que foi
primeiro-ministro deixou claro que o PS era uma organização criminosa, que por
acção ou omissão de muitos dos seus dirigentes roubou o povo português para
encher os bolsos e barriga dos oportunistas que rodeavam o chefe da quadrilha.
Os correligionários do 44 eram mais ou menos como os membros de uma família
onde há um jovem que serve à mesa num restaurante e todos os meses entrega 3000
euros à mãe para governar a casa, faz férias de luxo, possui um carro de 70 mil
euros, paga regularmente grandes jantaradas a familiares e amigos, e quando
questionado sobre a origem do dinheiro, diz que é das gorjetas. No dia em que a
política bate á porta, ficam todos espantados, no PS foi igual. O mais
impressionante é que depois do 44 ter falido o país em proveito próprio, ter
chamado a troika e deixado um plano de austeridade para o sucessor aplicar, os
portugueses continuaram a votar PS, ao ponto de lhe terem dado votos suficientes
para formar a geringonça e posteriormente uma maioria absoluta. Convém lembrar
que o Kosta fugiu para Bruxelas após ter liderado um governo que cheirava a
corrupção por todo o lado, onde a cereja no topo do bolo foram os milhares de
euros em el contado nas caixas de vinho do chefe de gabinete, que convém
lembrar, já tinha sido compincha do 44. O que quero dizer é que coniventes por
ação ou omissão não são só aqueles que se sentavam à mesa do 44, são também
aqueles que depois de saberem o que já era público, voltaram a votar numa
organização que tem por objectivo instalar-se no poder para depois saquear o Estado,
ou seja saquear os portugueses. Qualquer português decente não voltaria a votar
PS no mínimo nos próximos 25 anos.
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