Deus disse a Adão e Eva “Crescei e multiplicai-vos”, segundo consta. Disse-o com seriedade e os
nossos pais primeiros obedeceram, multiplicando-se. Os políticos que se prezam
foram mais longe na multiplicação dos tais crescimentos, provavelmente
julgando-se piedosos, como Deus, abraçando o mundo com muita fraternidade,
ajudando na reposição dos espaços terrenos esvaziados até pela muita maldade de
outros políticos mais votados à diminuição das espécies humanas, guerreando-as.
Mas não devemos condenar os tais políticos por acolherem essas vagas humanas,
de braços abertos, como o nosso COSTA, com receio de sermos acusados de
racistas, se não o fizermos. ALBERTO GONÇALVES analisa
o problema com a agudeza e a elegância de sempre. TRUMP não apresenta tantos escrúpulos,
cortando o mal pela raiz, até ver.
Por mim, que sou pacifista, prefiro admirar ALBERTO GONÇALVES, e lembrar as definições líricas e pessimistas de JOÃO DE DEUS, para aceitar com mais desprendimento tudo o que por aí acontece, nestes tempos tão de “trevas”, também, a acrescentar ao tal pessimismo das belas imagens do poeta:
«A vida é o dia de hoje,
a vida é ai que mal soa,
a vida é sombra que foge,
a vida é nuvem que voa,
a vida é sonho tão leve
que se desfaz como a neve
e como o fumo se esvai:
a vida dura um momento,
mais leve que o pensamento,
a vida leva-a o vento,
a vida é folha que cai!
Termina assim:
«Nuvem que o vento nos ares,
onda que o vento nos mares
uma após outra lançou,
a vida - pena caída
da asa de ave ferida -
de vale em vale impelida,
a vida o vento a levou...
Jogos sem fronteiras
Descontados casos reais de racismo e xenofobia, não era preciso ser
racista ou xenófobo para prever as consequências desastrosas de um êxodo
desmesurado.
ALBERTO GONÇALVES Colunista do
Observador
OBSERVADOR,25 out. 2025, 00:20
Não duvido
que o racismo e a xenofobia são um flagelo de imensas épocas e geografias. Mas no Ocidente actual um
flagelo maior tem sido o medo de se ser acusado de racismo e xenofobia. Nem
falo do que acontece em democracias extintas, como a
do Reino Unido,
em que o medo de ser detido e condenado à prisão por ténue suspeita desses
males é inteiramente justificado (a cada ano,
milhares de cidadãos são no mínimo interrogados
por opinar na internet – leia-se por
“discurso de ódio”, o disfemismo em
voga). Falo
do ambiente nas democracias que talvez ainda mereçam o nome, e que fez com que a Europa, sobretudo a Europa, tivesse de assistir calada a uma das maiores vagas migratórias da
História sem esboço de resistência ou pio.
Na verdade, houve quem piasse, e notasse que autorizar a entrada, por exemplo em Portugal, de uma quantidade de
pessoas equivalente a 11% da população numa década era capaz de não ser uma
medida fantástica. Além da entrada franca, boa parte dos forasteiros
carregava hábitos, valores e, digamos, visões do mundo ligeiramente
incompatíveis com os praticados por cá. E quando as
diferenças culturais (e as pressões económicas) não são suficientes para causar problemas, a pobreza e a marginalidade em
que muitos inevitavelmente caem encarregam-se do resto. Porém, os
imprudentes que ousaram questionar o arranjinho viam-se de imediato insultados
de “racistas” e “xenófobos”, e proscritos da sociedade “decente”. Donde, por
receio do desterro social, os imprudentes que cedo piaram foram raros.
Hoje, com as consequências do regabofe demográfico
demasiado evidentes para se poder fingir que não existem, o número dos que alertam para os perigos da imigração
descontrolada subiu consideravelmente. E desceu consideravelmente o medo de que um “painel” na Sic Notícias
ou um editorial do Público os
chame de “racistas” e “xenófobos”, embora o “painel” e o editorial
continuem a não abdicar de o fazer.
Em Outubro de 2025, já vemos políticos
“moderados” exibir aflição com o assunto. Vemos o parlamento aprovar
uma “lei da nacionalidade” e proibir a burka em locais públicos. Vemos
enfim que, à direita da extrema-esquerda, que
agora começa algures no PS, a constatação de que temos estrangeiros em
excesso chegou ao “mainstream”. De repente, quase todos piam. Infelizmente,
como “Bernie” Sanders, que esta semana aplaudiu a acção de Trump na matéria,
piam tarde e a péssimas horas.
Para resumir
com brutalidade, o mal está feito. Apertar as regras de admissão ou de concessão da
naturalização é igual a reduzir a inflação e esperar que os preços baixem. Os preços não baixam, apenas aumentam mais devagar. É
o que sucederá com a imigração. E, ao contrário da imigração, os preços não são afectados por uma
taxa de natalidade superior à nativa. Ou seja, a
percentagem de estrangeiros só promete crescer, para felicidade dos empresários da restauração que pagam pouco, dos
exploradores de trabalho clandestino e semi-escravo, e das redes de tráfego
humano. A única forma
de atenuar aquela percentagem é, garantem os “racistas” e “xenófobos”
exaltados, a deportação. Trata-se de um exercício retórico ou de um delírio.
Por um lado,
com ou sem a invocação do “humanismo”
e da decência, não há fundamento legal para expulsar a esmagadora maioria dos
imigrantes, que estão aqui porque formalmente os deixaram. Por outro lado, não há condições logísticas para devolver à origem a
parcela de imigrantes ilegais ou cadastrados, que talvez ultrapassem os 100
mil. Por fim, não conseguimos maneira de sequer impedir que, com habilidades
jurídicas pelo meio, os 38 marroquinos que em Agosto desaguaram no Algarve se espalhassem por aí. Espremidos os “processos” e as
“notificações”, é plausível que desde 2024 uns trezentos sujeitos foram
deportados de facto. O que não muda nada.
O que havia a mudar, mudou durante a vigência do dr. Costa e dos partidos comunistas que
o espaldaram na AR, período em que abriram o país ao “multiculturalismo” [sic] a fim
de salvar a Segurança Social e criar
extraordinárias impressões de insegurança social. Não sei se tamanha irresponsabilidade foi motivada por
razões benignas, ou pela ilusão de que os imigrantes legalizados
desequilibrariam a balança eleitoral para a esquerda, ou por puro desejo de
caos.
Sei que sucedeu em Portugal o que sucedera na generalidade
da Europa ocidental: houve alguma
coisa que se partiu, uma peça encravada na engrenagem que antes permitia que a
máquina, mesmo aos safanões, funcionasse. E sei que, descontados casos reais de racismo e
xenofobia, não era preciso ser racista ou
xenófobo para prever as consequências desastrosas de um êxodo desmesurado. E acertar na previsão. Eu, que não reconheço a função
“identitária” da raça e que não tenho no sangue uma gota de patriotismo, previ
e acertei.
Remédio? Não
há. A título de placebo, e dada a impossibilidade
de regressarmos a 2015, podíamos pelo menos enxotar os políticos e os seus avençados nos media que, por incúria, cobardia ou
perversão, alinharam com sucesso na propaganda de uma ideia criminosa: a de que a alternativa às
fronteiras escancaradas seriam o “racismo” e a “xenofobia”. Dois ou três voos bastariam, e
o dr. Costa, que entretanto se sentou no Conselho Europeu a fingir que discute
os abusos migratórios, até já foi à frente.
COMENTÁRIOS:
Ricardo Ribeiro: Obrigado, Alberto Gonçalves...por defender tão bem, neste texto, os "racistas" e "xenófobos" deste país... relembro só que há uma personagem, que por acaso ao dia de hoje é primeiro ministro, que apelidou um partido e por consequência os seus apoiantes disso mesmo...foi há cerca de 1 ano e meio... Essa pessoa, que por acaso hoje é primeiro-ministro, lidera um partido que é apelidado de centro direita. Agora basta imaginar o que farão e dirão (e fizeram e disseram) sobre este tema, os que representam a esquerda e extrema-esquerda... É imaginar como foi o ambiente durante os governos do A. Costa. E como eram tratados os que exerciam contraditório sobre esta política criminosa lesa pátria. Como se resolve? Primeiro tentar pôr os "racistas" e "xenófobos" no poder. E depois que eles pratiquem essas políticas, no sentido de reparar o mal que foi feito. É simples? Não, não é… mas se não tentarmos, nunca saberemos... Ana Luís da Silva: Remédio… há sim!!! Só é preciso usar da força, paradoxalmente em nenhum dos miseráveis imigrantes que nos invadiram, mas sobre apenas algumas dezenas de pessoas em Portugal, e aguentar o garrote por duas ou três semanas. Garanto que resulta. Para tal, só é necessário escancarar as portas das casas, onde moram essas pessoas, a esses desgraçados. Só é preciso ir buscá-los em autocarros e despejá-los lá. E que pessoas são essas, perguntarão? O Presidente da República, todos os deputados da Assembleia da República à esquerda do PSD ao tempo da maioria absoluta de António Costa, todos os ministros e secretários de Estado, os altos funcionários do ministério da administração interna e das polícias… e todos os comentadores televisivos de esquerda. A cereja em cima do bolo seria filmar tudo, casa a casa, enquanto os imigrantes se instalassem e mostrar na televisão pública a todos os portugueses. Pensando bem, além da cereja, ainda faz falta o top de chocolate derretido: entregar aos “céleres” e “eficientes” tribunais portugueses a resolução do problema dos novos “ocupas”. Como não teriam sido detidos em flagrante no momento da entrada, talvez lá para 2030 (ano do grande reset tão ambicionado pelos globalistas), os políticos, funcionários e comentadores recuperassem as suas casas… nauseabundas, completamente degradadas, em alguns aspectos destruídas. Bem sei que tudo isto não passa de um disparate delirante. Mas que as leis, as “gestões”, as decisões e as atitudes iriam mudar a favor dos cidadãos portugueses, lá isso… Talvez Deus, que é Justo, leia. MariaPaula Silva > Ana Luís da Silva: Perfeito! observador censurado: "Na verdade, houve quem piasse, e notasse que autorizar a entrada, por exemplo em Portugal, de uma quantidade de pessoas equivalente a 11% da população numa década era capaz de não ser uma medida fantástica." Errado. Se a legislação da manifestação de interesse foi em 2017, falamos de 8 anos. Se existirão, pelo menos, 3 milhões de imigrantes e descontarmos cerca de 1 milhão que já estavam em 2017, estamos a falar de pelo menos 2 milhões, isto é, cerca de 20 por cento. PS: Agora, o sr. António Costa diz que há um problema grave na habitação. Isto, depois de ter aumentado a procura por habitação em 2 milhões e ter aumentado a oferta de habitação em 0 milhões. Depois do PS ter destruído Portugal, existir um autarca a concorrer com a marca PS (podia ter concorrido como independente) e ganhar uma câmara mostra a ignorância dos cidadãos portugueses que acham que, por exemplo, um caminho novo na sua terrinha é mais importante do que rombo que o PS lhes causou na sua vida diária. SDC Cruz: Caro Alberto Gonçalves, não creio que dois ou três voos (mesmo que fossem da estirpe de um Airbus A380-800, cuja capacidade ronda os 850 passageiros), que bastariam para enxotar os políticos esquerdotipados que taparam os olhos (sem as burkas) para assistirem ao descalabro da imigração das portas escancaradas e de toda a tralha medíocre da CS que os tem acompanhado com abnegado denodo. Seria, por assim dizer, um princípio, mas outros tantos, ou mais ainda, ficariam por cá porque, exceptuando honrosas excepções, isto está empestado e entranhado de gente que não interessa. Obrigado, pelo excelente artigo. MariaPaula Silva: Pois é, acertámos vários. Estou farta de dizer isto há mais de 3 anos, mas enfim, lá terei de repetir. Os sinais já eram visíveis em França há cerca de 20 anos, depois foi um alastrar por todos os países europeus, e cá foi ficando cada vez mais visível a seguir à covid. Depois é uma questão de saber fazer contas e sabendo que eles se reproduzem como coelhos, quando forem mais que 50% da população europeia, irão impor a Sharia. A pergunta que não me canso de fazer, mas a que ninguém responde, é: PORQUE é que os políticos europeus deixaram as coisas chegar a este ponto? É impossível que não tenham visto, que não tenham percebido há muito tempo. Impossível. Alexandra Ferraz: Como sempre a 'desfazer ideias feitas'. Obrigada Alberto pelo artigo certeiro e vamos ter fé que as coisas podem melhorar .... 🙏
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