Um tanto atabalhoado, alguns comentários
incompletos, não consegui transpô-los na íntegra, a minha relação com a
Internet nem sempre primando pela harmonia. Mas o texto de ALFREDO LEITE é
categórico na sua análise acerca das relações humanas, feitas em grande parte
da recusa do bom-senso, e da pretensão de cada um à exclusividade dos seus
valores, tantas vezes resultantes do puro amor-próprio, inconsciente e indiferente
a outras valias, que uma redução dos egoísmos próprios poderia favorecer em equilíbrio
social. Um texto taxativo, que convém reler e interiorizar.
5 d·
O que está a acontecer é uma confusão perigosa. Um exagero constante.
Uma espécie de moral emocional descontrolada, em que cada um se sente dono do
significado das palavras. Se me senti
ofendido, então foste agressor. Se
não gostei, foste abusivo. Se
me incomodou, foi violência. E pronto
Mas isso não é proteger. Isso é desfocar.
Essa mentalidade, que agora se
chama woke, troca a
clareza pela sensibilidade extrema. Não permite conversa. Não admite nuance. Só
aceita concordância. E quem tentar explicar, já está a oprimir. Quem educa,
ofende. Quem critica, agride. Quem diz não, é tóxico.
Só que educar implica contrariar.
Crescer implica ouvir o que custa. Aprender exige desconforto. E se tudo nos
fere, então nada nos forma.
As crianças precisam de
sentir-se seguras, sim. Mas também precisam de lidar com frustração, com regras,
com a realidade dos outros. Precisam
de saber que nem tudo o que dói é violência. Que há dores que ensinam. Que há
limites que protegem. E que há palavras firmes que valem mais do que mil
silêncios meigos.
Quando chamamos bullying a tudo,
deixamos de ver o que é grave. Tornamos
invisíveis as verdadeiras vítimas. E culpamos os adultos que estão ali para
orientar. Porque educar, hoje, parece crime.
Se não voltamos a dar peso às
palavras, ficamos todos a flutuar. E ninguém aprende a caminhar. Não há escola
possível num mundo onde tudo ofende. E não há infância saudável sem adultos que
saibam dizer basta, aqui, não, é assim.
Quando
tudo é bullying, nada é. E é aí que o verdadeiro bullying vence.
ALFREDO LEITE Licenciado em psicologia Formador
e Orador profissional @alfredoleitepsicologia
COMENTÁRIOS:
Pereirinha
Manu: Atrevo- me a dizer que temos que salvar as
crianças/ adolescentes/ jovens, urgentemente! Atrevo-
me a dizer que temos que iniciar pelo mundo adulto. Esta
é uma reflexão extremamente útil e actual, para uma sociedade continuamente em
transformação vazia…
Ver mais
Paula
Margarida: Sem
regras firmes e coerentes não há segurança. Uma criança que faz o que quer, sem
orientação e directividade cresce insegura e sem noção dos limites e do
respeito pelo outro.
Orientação, firmeza, coerência e muito amor.
Graciela
Nunes: As
crianças e jovens precisam de regras e limites. Importa saber acrescentar os
conselhos àquilo que os jovens já sabem, procurando acrescentar informação para
uma escolha mais acertada. Se algo está errado na conduta dos jovens e crianças
a culpa é do…
Patrícia
Figueiredo: A
complexidade do tema é mesmo importante. Porque sendo complexo, é importante
reflectir sobre o que é e não é, parece-me.
Também acho que se confundem idades. Há conceitos que se têm aplicado a adultos
(bem ou mal) e que se aplicam em crianças, quando…
Clarisse
Costa: São
os medos castradores que reduzem a firmeza. Por isso, talvez nem todos estejam
preparados para ser educadores, para ser pais… o ‘não’ pode ser proferido com
carradas de amor e aí será seguramente entendido… o respeito pelo outro não
cansa na explic…
Editado
Lurdes Soutulho Pires: Estamos a caminhar para o abismo, para um desconcerto total na formação de
seres humanos racionais... e fico por aqui...![]()
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gosto mesmo das suas
reflexões e acho-as importantes para os dias que correm.![]()
Filomena Santos: Adoro
ser da velha guarda … se um grito não funciona, o castigo resulta sempre ![]()
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