quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Do FACEBOOK DA PAULA


Um tanto atabalhoado, alguns comentários incompletos, não consegui transpô-los na íntegra, a minha relação com a Internet nem sempre primando pela harmonia. Mas o texto de ALFREDO LEITE é categórico na sua análise acerca das relações humanas, feitas em grande parte da recusa do bom-senso, e da pretensão de cada um à exclusividade dos seus valores, tantas vezes resultantes do puro amor-próprio, inconsciente e indiferente a outras valias, que uma redução dos egoísmos próprios poderia favorecer em equilíbrio social. Um texto taxativo, que convém reler e interiorizar.

 

Alfredo Leite

5 d·

O que está a acontecer é uma confusão perigosa. Um exagero constante. Uma espécie de moral emocional descontrolada, em que cada um se sente dono do significado das palavras. Se me senti ofendido, então foste agressor. Se não gostei, foste abusivo. Se me incomodou, foi violência. E pronto

Mas isso não é proteger. Isso é desfocar.

Essa mentalidade, que agora se chama woke, troca a clareza pela sensibilidade extrema. Não permite conversa. Não admite nuance. Só aceita concordância. E quem tentar explicar, já está a oprimir. Quem educa, ofende. Quem critica, agride. Quem diz não, é tóxico.

Só que educar implica contrariar. Crescer implica ouvir o que custa. Aprender exige desconforto. E se tudo nos fere, então nada nos forma.

As crianças precisam de sentir-se seguras, sim. Mas também precisam de lidar com frustração, com regras, com a realidade dos outros. Precisam de saber que nem tudo o que dói é violência. Que há dores que ensinam. Que há limites que protegem. E que há palavras firmes que valem mais do que mil silêncios meigos.

Quando chamamos bullying a tudo, deixamos de ver o que é grave. Tornamos invisíveis as verdadeiras vítimas. E culpamos os adultos que estão ali para orientar. Porque educar, hoje, parece crime.

Se não voltamos a dar peso às palavras, ficamos todos a flutuar. E ninguém aprende a caminhar. Não há escola possível num mundo onde tudo ofende. E não há infância saudável sem adultos que saibam dizer basta, aqui, não, é assim.

Quando tudo é bullying, nada é. E é aí que o verdadeiro bullying vence.

ALFREDO LEITE Licenciado em psicologia Formador e Orador profissional @alfredoleitepsicologia

www.alfredoleite.pt

 

COMENTÁRIOS:

Pereirinha Manu: Atrevo- me a dizer que temos que salvar as crianças/ adolescentes/ jovens, urgentemente! Atrevo- me a dizer que temos que iniciar pelo mundo adulto. Esta é uma reflexão extremamente útil e actual, para uma sociedade continuamente em transformação vazia…

Ver mais

4d

Paula Margarida: Sem regras firmes e coerentes não há segurança. Uma criança que faz o que quer, sem orientação e directividade cresce insegura e sem noção dos limites e do respeito pelo outro.

Orientação, firmeza, coerência e muito amor.

4 d

Graciela Nunes: As crianças e jovens precisam de regras e limites. Importa saber acrescentar os conselhos àquilo que os jovens já sabem, procurando acrescentar informação para uma escolha mais acertada. Se algo está errado na conduta dos jovens e crianças a culpa é do

Patrícia Figueiredo: A complexidade do tema é mesmo importante. Porque sendo complexo, é importante reflectir sobre o que é e não é, parece-me.

Também acho que se confundem idades. Há conceitos que se têm aplicado a adultos (bem ou mal) e que se aplicam em crianças, quando…

Clarisse Costa: São os medos castradores que reduzem a firmeza. Por isso, talvez nem todos estejam preparados para ser educadores, para ser pais… o ‘não’ pode ser proferido com carradas de amor e aí será seguramente entendido… o respeito pelo outro não cansa na explic…

Editado

Lurdes Soutulho Pires: Estamos a caminhar para o abismo, para um desconcerto total na formação de seres humanos racionais... e fico por aqui...😮‍💨😮‍💨😔😔gosto mesmo das suas reflexões e acho-as importantes para os dias que correm.🙏

Filomena Santos: Adoro ser da velha guarda … se um grito não funciona, o castigo resulta sempre 😉😅

 

Nenhum comentário: