No tempo de Salazar, vivi em Moçambique, e habituei-me a ver as
mulheres indianas de véu na cabeça, todas elas bem embrulhados nos seus trajes,
seguindo atrás do marido, os filhitos adiante, em fila, no passeio – a tal fila
indiana. Aceitei isso perfeitamente, toda a gente aceitava, mas também me
lembro de que as moças indianas, eventualmente nas escolas, vestiam como nós,
sem véus. Os vestuários distintivos, e mais os costumes próprios de cada povo
que ocupasse o mesmo espaço que nós, os donos das colónias, eram, portanto, bem
aceites, e recordarei sempre as imagens – ridículas - dos pés descalços dos
homens ajoelhados e vestidos de branco, nos seus albornozes, os sapatos
largados em frente a uma parede, eles curvados fora do templo já cheio, que eu
via da varanda da nossa casa da 5 de Outubro. Não, não entendo a proibição das
burkas, basta que não permitamos que as religiões alheias se imponham no nosso
espaço civilizacional, mas sendo livres nos seus ritos próprios. Isto de
costumes e religiões não é como o trabalho matemático, onde a exactidão é
forçosa - ali, a democracia é preceito.
A ordem do dia 2
A burqa ou como colocar a discussão no sítio certo
A proibição das burqas não tem a ver
com liberdade religiosa ou considerações de segurança, mas sim com a defesa do
nosso tipo de sociedade, a defesa de um Ocidente indissociável da sua matriz
cristã.
JOSÉ MANUEL FERNANDES, Publisher e
Colunista do OBSERVADOR
OBSERVADOR, 20 out. 2025, 00:22129
Se eu fosse deputado será que votava a favor da projecto de lei do Chega
sobre as burqas (um termo que nunca é usado no texto)? Sim,
votava.
Se estivesse no Parlamento será
que subscreveria a argumentação usada na aprovação da lei? Não, não
subscreveria.
Mais: procuraria explicar porque
é que penso que, neste caso, limitar uma liberdade individual (andar com a cara
tapada) é uma forma de defender as nossas liberdades.
Primeiro que tudo, para evitar
equívocos: de que falamos quando falamos de burqas? Se
seguirmos a etimologia do termo à letra, falamos
apenas do véu que cobre todo o corpo, cabeça incluída, e que nem sequer abre uma fresta para os olhos,
antes os esconde por detrás de uma rede. É o tipo de véu islâmico mais
comum em países como Afeganistão. O outro véu que também cobre o rosto,
o niqab, deixa um espaço para os olhos e é mais comum nos países da península
arábica, sobretudo na Arábia Saudita. Há mais véus islâmicos, como
aquele mais comum que cobre apenas a
cabeça e o pescoço, o hijab, e
uma versão mais dura, que cobre todo o
corpo mas deixa o rosto à vista, o chador.
Há mais variantes, mas estas são
as mais importantes e comuns, sendo que aquelas que serão abrangidas pela
legislação agora aprovada são apenas a burqa e o niqab. Ou seja, a maioria das
mulheres muçulmanas que cumprem a regra de cobrir o cabelo não serão afectadas
pela lei, sendo que muitas muçulmanas
já nem sequer se sentem coagidas ao cumprimento desta regra.
O que nos remete para outro tema: esconder a cara atrás de um véu é ou não um preceito
islâmico? A resposta, pelo que pude apurar, é que não
é. O Corão nunca fala em «burqas» e tudo o que refere nesta matéria é o dever de modéstia, prescrito nos versos 24:31 e 33:59, onde se
refere que as mulheres devem lançar seus véus (khimar) sobre o peito e “cobrir-se” para protecção e
modéstia. Só isso, mais nada.
Não sou teólogo, mas arriscaria
sugerir que nestas passagens do Corão nem haverá grande novidade face às
tradições anteriores, designadamente no que respeita à subalternização da
mulher. Também Paulo, na
sua Carta aos Coríntios, refere que “a mulher que reza ou profetiza de cabeça descoberta desonra a sua
cabeça”, uma passagem que surge logo a seguir à ideia de que “de todo o homem a cabeça é Cristo; que a
cabeça de uma mulher é o homem; que a cabeça de Cristo é Deus”, uma
passagem que Frederico Lourenço, na tradução da Bíblia que estou a citar, refere como um sinal, difícil de desmentir, de
subalternização da mulher. De resto recordo-me bem de, na
minha infância e adolescência, a regra
serem as mulheres cobrirem-se quando entravam numa Igreja.
Mas independentemente daquilo
que possamos debater – e é um
debate interessante – sobre o tratamento das mulheres nas
diferentes religiões, há duas coisas que parecem indiscutíveis:
a primeira é que o uso de vestes que tapam o rosto não pode ser
considerado um “mandamento religioso” universal no mundo muçulmano, bem pelo
contrário, sendo antes um traço cultural associado a algumas derivações mais
extremistas; a
segunda é que, tratando-se de um traço cultural, tem, por
assim dizer, uma menor sacralidade no confronto com a lei da terra onde os
muçulmanos escolherem viver.
A meu ver este é o ponto central: se a obrigatoriedade do uso da burqa ou
do niqab não decorre dos escritos do Profeta, antes deriva de uma
tradição cultural geograficamente localizada, será que devemos proteger essa
“liberdade” como sendo uma decorrência da liberdade religiosa, ou antes
enquadrá-la no equilíbrio entre aquilo que são as nossas tradições e valores e
aquilo que podemos aceitar como
sendo valores alheios? Antes de responder a esta questão, deixem-me
só deixar uma nota sobre o que pode ser a relevância do tema.
Primeiro que tudo temos de ter em consideração o peso dos
muçulmanos nas nossas comunidades – e aqui falo de comunidades locais, do país
como um conjunto e ainda da Europa. E depois perceber o significado da sua
presença crescente entre nós.
Segundo dados, já com alguns anos, do Pew Research Center, em 2017 os muçulmanos já representavam 8,8% da população da França, 6,3%
da do Reino Unido e 6,1% da da Alemanha. De acordo
com vários cenários de evolução (que suspeito pecarem por excessiva prudência
face ao já verificado), essa percentagem poderia triplicar até 2050, altura em
que países como a Suécia podiam chegar aos 30% de muçulmanos, a Alemanha aos
20%. Para
esta evolução concorrem quer dinâmicas migratórias, quer dinâmicas
demográficas, sendo que já sabemos que nem umas nem outras são fáceis de
inverter.
Esta evolução acontece ao
mesmo tempo que uma parte crescente da população europeia se define a si
própria como não tendo nenhuma religião (no Reino Unido, que tem estatísticas oficiais, essa parte da
população passou de 25,2% para 37,2% entre 2011 e 2021) e entre a
população muçulmana cresce o número dos que se definem prioritariamente como
seguidores do Islão e só depois como britânicos.
Mais: nesse mesmo Reino Unido há um claro contraste entre a capacidade de
integração dos que chegam vindos de países de culturas cristãs ou hinduístas,
por exemplo, e aqueles que vêm de países muçulmanos – o escândalo
dos “grooming gangs” é
disso um bom exemplo.
Na Europa, depois do 11 de Setembro e da atenção
que passou a ser dada quer ao extremismo islâmico, quer às realidades de países
como a Arábia Saudita e o Afeganistão dos talibã, começaram a adoptar-se leis que, de uma
forma ou outra, limitavam
ou mesmo proibiam o uso de burqas ou de véus que cubram completamente as cabeças nos espaços públicos. Neste
momento há leis dessas em vigor em países como a França, a Bélgica, a Áustria,
a Suíça, a Dinamarca, alguns estados da Alemanha e regiões de Espanha, só para
citar alguns exemplos. A tendência é para que o número de países
onde essa proibição está em vigor, aumente, sendo que mesmo em países
muçulmanos como o Egipto ou Marrocos isso já foi também discutido — o que
reforça a ideia de que não estamos a falar de um mandamento corânico.
No entanto, quando este movimento legislativo começou, e julgo ter começado pela França com uma proposta de lei de 2004 que proibia
os designados “símbolos religiosos ostentatórios” nas escolas e outros
edifícios públicos, ainda eram bem evidentes as diferenças entre
vários modelos de integração do imigrantes de outras culturas, com o Reino Unido a preferir, por
exemplo, dar imediato direito de voto aos imigrantes que chegassem de qualquer
país da Commonwealth e a
permitir que mesmo as suas mulheres-polícia usassem o véu islâmico em serviço,
e a França a seguir um caminho quase diametralmente oposto. Escrevi na altura sobre esse tema e as minhas convicções liberais levaram-me a
defender que o laicismo agressivo da França me parecia iliberal e limitador da
liberdade individual, em particular da liberdade de religião.
Não o fazia por ter ilusões multiculturalistas, antes por querer acreditar
que a integração se faria no quadro das nossas leis e dos nossos costumes, no
fundo do quadro cultural do Ocidente. Tenho
hoje de reconhecer que esse meu desejo correspondia a um outro tipo de ilusão.
É neste quadro que acho positiva a
aprovação da lei proposta pelo Chega, mesmo que ela deva ser aperfeiçoada na
especialidade. Não concordo é com muito do que foi dito para a defender – e
muito menos com o que foi argumentado para a atacar.
Por exemplo: a lei não se destina a proteger as
mulheres, pois haverá mulheres que usam esses véus completos por sincera
convicção religiosa e eu entendo que nada tenho a ver com isso; a lei
também de pouco servirá para garantir a segurança dos cidadãos, pois a quase
totalidade dos atentados terroristas dos últimos anos não necessitaram de “burqas”
ou ”niqabs” como disfarces; também
não faz sentido levar ao limite o argumento do respeito por tradições
religiosas, pois há outras tradições religiosas/culturais que proibimos em
Portugal, e proibimos muito bem, como a poligamia ou a excisão feminina.
O meu ponto é outro – o meu
ponto é que se queremos viver em harmonia como uma comunidade democrática temos
de fazê-lo de acordo com um quadro de valores que deriva das nossas tradições –
sendo que as tradições evoluem –, tradições essas que devem inspirar o nosso
quadro legal. Essas tradições
derivam, como Tom Holland explica magistralmente em Domínio – Como o
Cristianismo transformou o pensamento Ocidental, das
nossas raízes cristãs, pelo que nas nossas sociedades modernas mesmo os ateus
não escapam a uma matriz cultural que se desenvolveu a partir da antiguidade
clássica, passa por Roma e Jerusalém e é diferente da matriz cultural chinesa,
ou da hinduísta, ou da muçulmana.
Se queremos integração, se desejamos
que os que chegam a Portugal possam um dia ser realmente portugueses, então não
devemos fazê-lo abdicando da nossa identidade, antes exigindo aos que chegam
que a respeitem. Ora não me parece difícil de compreender que
o uso da burqa e da nikab
revela
exactamente a vontade de nos impor outras referências morais, sendo no fundo
uma forma de resistir à integração.
Temos uma matriz cultural, a
que herdámos daquilo a que chamamos a “tradição Ocidental”, aquela que temos de defender e
preservar, a mesma que consagra a tolerância e a que mais respeita as
liberdades individuais, e é precisamente contra ela que se erguem os que, à
esquerda, hoje são capazes de bater no peito em nome da “liberdade religiosa” e
amanhã mostrarem-se disponíveis para todos os ataques a essa mesma liberdade,
sobretudo se estivermos a falar de cristianismo e da Igreja de Roma. Muitos daqueles deputados que votaram
contra o banimento de véus integrais no espaço público não estão a defender uma
minoria muçulmana, estão a procurar minar os alicerces culturais das nossas
sociedades abertas e democráticas. O seu inimigo é sempre o mesmo, estejam eles
sentados no Parlamento, num barco a caminho de Gaza ou fingindo combater as
alterações climáticas – o seu inimigo é o nosso modo de vida, o liberalismo e,
claro está, o capitalismo.
Também por isso não deixa de ser
curioso que quem diz que leu Marx prefira símbolos feudais como os véus
islâmicos a leis “capitalistas”, mas é o que temos.
OCIDENTE
MUNDO ISLÃO RELIGIÃO
SOCIEDADE PARLAMENTO
POLÍTICA DEMOCRACIA
COMENTÁRIOS (de 129)
João Pedro Valente > Maria
Tubucci: Muito bem. Fernando MCA Costa: Se o argumento é defender
os valores liberais do Ocidente, a tentação proibicionista é um caminho errado,
que atenta contra esses valores. E não se pode meter no mesmo saco a
poligamia e a excisão feminina, porque esses atentam não só contra valores,
como contra outras leis dos códigos civil e criminal. Ditar em lei como as
pessoas se devem ou não devem vestir é uma tontaria derivada de uma pulsão que
só consegue ver o autoritarismo como fonte de ordem. O republicanismo
francês, nesta matéria, compreendeu tudo mal — e agiu ainda pior. Os ingleses
lidam muitíssimo melhor com estas coisas e — give me a break! — misturar
costumes na forma de vestir com os grooming gangs é misturar alhos com
bugalhos. Vivo em Londres há 25 anos. Ando pela cidade, onde há tantos
muçulmanos, e muitíssimo raramente vejo mulheres de burqa ou niqab. O hijab
(que cobre cabeça e pescoço, deixando o rosto visível) esse, sim, vê-se
diariamente — e não incomoda nada. Gosto de ver mulheres de burqa ou niqab,
quando as vejo (o que é raro)? Não, não gosto. Acho feio e detestável. Mas não
me passa pela cabeça que as leis gerais do país impeçam as pessoas de se
vestirem como querem. Pelo contrário, tais leis — ainda por cima desenhadas
para atingirem uma parte específica da população por razões culturais, como diz
o JMF — são um inaceitável exercício de intolerância que só dá gás aos
intolerantes do radicalismo islâmico. Já agora, Portugal tem algum problema
grave com burqas ou niqabs? Pelo amor de Deus, essa lei, além de errada (e
vai fazer ricochete!), só serviu ao PSD para assinalar virtude junto do
eleitorado que anda a seguir o mal-orientado e oportunista evangelho do Chega.
A política devia ser mais séria. É com muito desconforto que vejo Portugal a
alinhar por este caminho tonto e perigoso. Pedra
Nussapato: Este é daqueles assuntos
complexos sobre o qual não consigo ter opiniões fortes pois envolve direitos e
interesses em conflito. Obviamente, devido à minha matriz ocidental, deixa-me
desconfortável ver mulheres de burca ou de cara tapada, já para não falar de
questões de segurança. O que eu nunca faria era atrever-me, como JMF, a tentar
injustificar o uso da burca com base no que está ou não escrito na lei
islâmica. O que determina a prática religiosa vai muito para além do que está
nos escritos fundamentais, basta ver como exemplo práticas da igreja católica
ao longo dos séculos que claramente não provieram do que está escrito na
Bíblia. Fernando
MCA > Costa Jose
Carmo: Li mais que uma vez. Não percebo o seu comentário. Será que entendeu o meu,
ou também devo sugerir que leu e não entendeu? Adriano
Costa Fernando
> MCA Costa Muito bem. Adriano Costa: JMF a filosofar sobre supremacias
civilizacionais para enquadrar uma questão de mal informada rejeição xenofobia
é algo a que nunca esperaria assistir. Caramba ao que isto chegou meu Deus.
Agora as leis da república devem ter em consideração a supremacia da
civilização cristã ocidental, é este o aspecto central!!! Ah ....! Jorge Barbosa:
Excelente
artigo. Espero que Pacheco Pereira o leia já que, no "Princípio da
Incerteza", sobre o tema, a sua intervenção, aliás arrogante como sempre,
foi completamente disparatada
Luis Nabais: Excelente como é norma. O tema ultrapassa de longe a
questão religiosa. E completamente de acordo com a defesa do nosso modo de
vida, princípios e valores. E isso leva-nos directos a uma questão: Quem quer
minar e destruir essa nossa sociedade, os seus valores, os seus princípios, a
nossa vida afinal, como os podemos considerar e o que lhes fazer? Sabemos o que
aconteceu nos últimos anos e de quem é a responsabilidade da invasão a que
fomos sujeitos. São crimes, graves. Não devem esses responsáveis e os que o
continuam a fomentar e apoiar ser chamados a prestar contas na Justiça e responder
pelos seus actos? PPC falou, e bem, no tema. Falta a coragem para o fazer Pedra
Nussapato: Huumm...acho que o José sem
querer acabou de contradizer o que JMF escreve no seu artigo, o qual você
aplaudiu. Por falar em não perceber patavina, já ouviu falar de Sunismo, Xiismo
e Sufismo e das diferentes escolas dentro de cada um destes ramos do Islamismo? Maria Tubucci: Excelente Sr. JMF. Antigamente quando gritavam “Há
mouro na costa” as populações costeiras corriam para o interior para se
esconderem, porque sabiam que vinham aí predadores de pessoas e de bens. Hoje
os malignos dos políticos, por um punhado de votos, deixam-nos entrar porta
dentro e nem sequer lhes impõem regras de educação e de cultura portuguesa. “Ah
e tal, isso é contra a sua cultura” - dizem os esquerdalhos. E a nossa cultura
e a nossa identidade ficam onde? Se não vêm para se integrar na nossa cultura
vêm fazer o quê? Invadir? Criar uma sociedade paralela? Criar guetos? Com as
pernas quem entram são com as pernas que saem. Repare-se. Os ciganos estão cá
há 500 anos e muitos ainda não estão integrados, porque não querem. Agora
imaginem os mouros com uma cultura totalmente oposta à nossa precisariam de
1000 anos! Nem pensar. Entram, se não se integrarem ou se vieram para se
dedicar ao crime, o seu lugar é a deportação. E não se pense que, por alguns já
serem “portugueses” da AIMA estão protegidos. Havia portugueses estabelecidos
em África há mais de 5 gerações eram pessoas de bem e foram corridos, estes se
não forem pessoas de bem também o serão. Portugal é para os portugueses de gema
e para todos os não sendo portugueses de gema queiram abraçar a cultura
portuguesa. Tem de se começar por algum lado, pelo símbolo da burqa, um símbolo
do retrocesso civilizacional, um símbolo de uma cultura inferior e repugnante
... Ricardo
Ribeiro: É básico, estamos no nosso país, pagamos os nossos impostos e elegemos os
nossos representantes. A maioria decidiu de acordo com os interesses dos
eleitores, se assim não fosse trataríamos numas próximas eleições alterar o
equilíbrio de forças dos que nos representam. Para quê tantas explicações?... A
nível individual ainda sou mais radical, quem não se integra no nosso modo de
vida, não respeita a nossa história, cultura e língua, R U A! António
Costa e Silva: São tantos os artigos e as
explicações, que parece que temos de justificar porque não os queremos cá. É muito mais fácil não deixar entrar mouros e mouras, do que resolver o
problema depois de cá estarem. Mais importante é esclarecer, quem os quer cá e porquê?
(CONTINUA)
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