sexta-feira, 24 de outubro de 2025

CONTINUAÇÃO DOS COMENTÁRIOS

 

Ao texto (infra) do Coronel Comando JOSÉ ANTÓNIO RODRIGUES DO CARMO, Putin, Gaza, Trump e as lentes com que lemos o mundo

in Razões variadas

COMENTÁRIOS (Cont.)

Mas poder-se-á duvidar tanto assim da fome em Gaza? E da fidelidade das imagens transmitidas televisivamente? Parece-me que o cepticismo de alguns pretende criar em nós um sentimento de indiferença cómoda, pois todos nós temos problemas, mesmo que não conste isso publicamente. Recolhamo-nos, pois, ao nosso mundo próprio, e pensemos, pacificamente, que não será assim tão constrangedor, descarrilamentos e mortes existem por todo o lado, mesmo nós cá …

 

Fernando: Tirando uma ou outra imprecisão, é um excelente artigo autodescritivo.                 José B Dias > Antonio Rodrigues: Na opinião do cronista esses "diferentes olhares" são extremamente perniciosos ...              Pedra Nussapato: E como é evidente, o José é dos poucos iluminados que vê sempre com as "lentes da verdade" 🙄...                Ruço Cascais: Bom artigo como sempre. Por falar em óculos para ver o mundo, muitas vezes queimamos um livro e não percebemos que temos as calças a arder. Uma cegueira consumista. O Levi Strauss das jeans, certamente familiar do Levi Strauss filósofo, ambos familiares distantes do Primo Levi, são todos provenientes da semente primordial de Jacó. Muitos activistas que queimaram o novo livro de Cymerman vestiam calças de ganga, uma invenção judaica iniciada nas famosas Levi's. As Mortáguas ao atearem fogo ao livro não perceberam que estavam a atear fogo às calças. Mas os óculos hoje são muitos, cada vez mais. As inúmeras possibilidades de escolha cria a singularidade. Por exemplo, nas redes sociais somos milhões, mas, todos conseguimos uma certa originalidade. Por exemplo: o sujeito A condena a invasão dos russos na Ucrânia, condena os ataques de Israel à Faixa de Gaza, não gosta de Trump, vota PS e Ricardo Leão, é do Benfica, apoia a activista Greta Thumberg, gosta de carros clássicos, é homossexual e faz coleção de borboletas mortas. O Sujeito B, por sua vez, apoia a invasão russa, apoia Israel na luta contra o Hamas, vota CH, é do FCPorto, gosta de Trump e de Alberto Gonçalves, é um entusiasta da Volta à França em bicicleta, faz colecção de sapatilhas e ama o sexo oposto. As opções de escolha são tantas, que dois sujeitos por muito parecidos que sejam nas suas escolhas chegam a uma determinada altura que divergem por escolhas diferentes. Os óculos são escolhas, e as escolhas são influências. Gostamos de Fórmula 1 porque um tio nosso dava pinotes na sala com as vitórias do Ayrton Senna. As Mortáguas são radicais de esquerda porque tiveram a influência do pai. A Isabel Moreira é socialista porque andava apaixonada por um socialista que a convenceu a inscrever-se no partido (inventei). O caríssimo Carmo é militar porque também teve alguma influência. Os óculos são uma escolha. Se Mariana Mortágua tivesse antes sido filha de André Ventura, hoje seria uma Margaret Thatcher, isto, se Ventura não tivesse cometido infanticídio. Não existem visões do mundo inatas. Toda a visão e análise ao mundo é resultado de influências. As razões são trabalhadas à medida das nossas influências.              Antonio Rodrigues: Mas que artigo faboloso. Há demasiado tempo que não lia algo tão lúcido. Aqui em cima alguém diz que 'nem todos os revolucionários usam capa', eu digo nem todos os sábios são 'comentadores do Expresso'.           Rosa Graça: Excelente.                     Nuno Abreu: Uma análise politico-ideológica fantástica. Muito obrigado, por me ter tirado as lentes e esfregado os olhos.                  Jose CarmoCarlos Costa: Foi esse mesmo que disse que, à revelia da propaganda do Hamas, disse com todas as letras que não havia fome generalizada em Gaza. E para tal bastou não usar as lentes da propaganda de um grupo terrorista.           unknown unknown: Muito bom, merece ser lido e refleCtido!       Pedra Nussapato > Jose Carmo: O José em certos temas não se limita a distorcer, vê tudo ao contrário mesmo; a cegueira auto-infligida por vezes é tal que não há visão racional possível. Questiono-me se estará a par dos relatos de soldados israelitas que recentemente resolverem pôr a boca no trombone.          José Mendes Gil: Artigo muito interessante. A civilização ocidental, as democracias em geraL, é odiada e não se defende do Putin , do Xi, do radicalismo islâmico ; e a este último até o traz para dentro das fronteiras, onde os danos serão maiores.              Vitor Batista: Um dos melhores artigos de opinião de sempre que li aqui no Observador. Rasga de alto a baixo todos aqueles míopes que frequentam as televisões, mas que por inércia, fanatismo ou ignorância, nunca conseguiram encontrar as lentes adequadas à sua myopia. Deveria ser de leitura obrigatória nas madrassas portuguesas.         GateKeeper > Top 5: Para ficar no fim deste Ano.                         Paulo Alves: Espectacular, obrigado!...           SDC Cruz: A primeira frase do seu último parágrafo é lapidar, caro José António Rodrigues do Carmo: “O problema do nosso tempo não é a falta de visão: é o excesso de olhares.” De facto, há excesso de olhares com a visão turva de esquerdoidices que infestam as nossas TVs com lentes bipolares, sejam elas de contacto ou oculares. A verdade é só uma: as lentes deles são as melhores, as nossas são as piores! Triste realidade esta de ver um País que cada vez mais é menos nosso…                    Jose Carmo > Ruço Cascais: A fome em Gaza, é como o genocídio. Os rebanhos precisam de palavras de ordem. E a propaganda fornece-as.             Ruço Cascais > Jose Carmo: As pessoas acreditam na fome em Gaza da mesma maneira que acreditam que Mourinho não vai sair do Benfica com mais uma indemnização ou que Artur Batista da Silva era consultor da ONU. Este Artur Batista da Silva merecia um "podcast" aqui no Observador. Era um comentador da TVI, especialista em assuntos da ONU. Um espectáculo, os jornalistas e o jornalismo em Portugal caíram que nem uma patinhos 😅. TSF, Expresso, JN, DN, TVI, SIC, RTP, todos deram o homem como alto funcionário da ONU. Não há razões para ficarmos surpreendidos que o jornalismo em Portugal seja como a Maria; a Maria vai com as outras. Quem se desviar do caminho é logo carimbado como fascista, nazi, homofóbico e islamofóbico. Um viva para o Artur Batista da Silva que enganou todos. Por falar em especialistas, por onde anda a Raquel?                       João Floriano: «Hoje, temos numerosos míopes e falar como se tivessem telescópios.» Excelente metáfora para o que vivemos hoje. Tudo nos leva a essa mesma conclusão: as redes sociais, uma cacafonia de opiniões, de interpretações e a CS. O outro aspecto tem a ver com o excesso de informação ou de desinformação. Uma indigestão permanente porque além de tudo acontecer e mudar literalmente de um dia para o outro, não temos capacidade para compreender e processar tanto material. E há ainda a necessidade de ter opinião e geri-la criteriosamente porque uma «má» opinião, pode ter resultados negativos para quem a partilha. Incontestável igualmente o facto de o antagonismo a um inimigo (não gosto do termo ódio, embora seja mesmo o ódio que domina o mundo), ser o motor que faz avançar um povo e o reúne à volta de uma causa ou desígnio comum. O amor adormece-nos e faz com que desejemos ficar para sempre no mesmo sítio. A Europa deixou-se adormecer iludida que o Amor pela democracia que espalhou pelo mundo seria para sempre. Entretanto outros interessados no confronto, na criação de inimigos, tomaram conta do castelo enquanto a Bela Adormecida sonhava. Finalmente acordou com um beijo de Putin que nada tem de Príncipe de conto de fadas. Uma crónica excelente que explica muita coisa, sobretudo a importância das lentes.                   Tomazz Man: Reflexão excelente                         S N: Excelente e muito pertinente análise                     Francisco Almeida: Não creio que exista qualquer incompatibilidade entre Carl Schmitt e o imperialismo de Putín. É um dado cultural russo acreditar que a Rússia vive rodeada de inimigos que a querem invadir e destruir. A frase de Catarina "A Rússia ou cresce ou morre" exprime isso mesmo. Talvez, como diz o autor, Putín tenha nascido Schmittiano sem o saber mas parece-me mais adequado dizer que a Rússia terá sido fonte de inspiração para Carl Schmitt. Não me parece difícil ler Putin. Já do tempo de Pedro se dizia que a Rússia tinha nove vulnerabilidades geográficas. Pedro, Catarina e a União Soviética dominavam-nas todas mas, após 1991 a Federação Russa apenas dominava quatro. Putín após as intervenções na Chechénia e na Geórgia, dominava seis. As outras eram a Ucrânia, a planície polaca e o corredor báltico. Daqui, pode-se concluir que o Ocidente errou estrepitosamente quando não travou Putín logo em 2014 quando interveio na Crimeia e no Donbass. E também que Putin sempre quis conquistar toda a Ucrânia e não vai nem pode disso desistir. Só com o reforço dos 40 milhões de ucranianos e dos seu exército pode retomar os seus objectivos. A maioria dos europeus, persiste em não ver o óbvio e acreditam que o problema é pessoal de Putín mas a Polónia e os bálticos, com a Finlândia em destaque, perceberam-no há muito. E felizmente abriu-se uma porta de esperança pois os nórdicos já se juntaram aos bálticos e o mesmo aconteceu agora com a Alemanha de Merz; e também os líderes francês e inglês, ambos assoberbados por problemas internos, decidiram reforçar apoio à Ucrânia.                     Jose Carmo > Paradigmas Há Muitos!: Muito bom. De facto TODOS os números sobre Gaza são oriundos da mesma fonte: o Hamas. E depois repetidos em cascata por uma pléiade de derivados. É solipsismo puro e duro, um mecanismo de bolha que se sustenta no "prestígio" de instituições que já perderam QQ credibilidade e vergonha.           António Alberto Barbosa Pinho: Excelente artigo, Sr. Coronel.           Paradigmas Há Muitos! > Carlos Costa: Sobre a fome em Gaza rascunhei isto a partir da resposta de Israel na altura (um documento disponível na net), informação que imagino tenha sido posta de lado pelos OCS portugueses, mais alguns contextos meus. Não sei se o Coronel Rodrigues do Carmo se referiu a isto na TV mas resumindo: A. Alguém do Ministério da Saúde de Gaza ou seja do Hamas forneceu os "dados" de base à ONU. Como não é muito difícil distorcer dados para fazer parecer as pessoas muito magrinhas imagino a sua qualidade; B. Esses dados eram de certas localidades em Gaza. Na conclusão final a ONU em vez de usar todos os dados e fazer uma média usou só os das localidades piores. Por isso o relatório de facto não é sobre fome em Gaza, é sobre fome em alguns pontos de Gaza (por vários motivos a disponibilidade de alimentos não era uniforme) mas para o público passou a ideia de que é em Gaza na totalidade; C. Pelas regras definidas para estes relatórios / avaliações há duas medidas possíveis no corpo humano para se avaliar uma situação de fome, a medida à volta do braço e outra de que não me recordo (à volta da perna?). A ONU usou a do braço que dessas duas possíveis é a menos precisa com a justificação de que a outra era mais difícil de fazer. Por esse indicador do braço haveria fome só nalgumas localidades, mas mesmo aí pouco acima do limite. D. Para haver declaração oficial de situação de fome, de três indicadores era preciso verificarem-se dois. Já vimos sobre o primeiro que foi usado, o terceiro acho que segundo a ONU não se conseguia medir pelo que segundo o que seria necessário para haver conclusão teria de ser o "número de mortes por fome por x habitantes". Esse indicador dava resultado muito abaixo do limite para haver fome mas os relatores da ONU disseram que os números disponíveis não eram realistas. E por isso estimaram o valor que esse indicador dos mortos deveria ter levando em conta o do tal do braço (que já de si era o menos preciso dos 2 indicadores do corpo humano possíveis). Passou assim a haver 2 indicadores de fome mas o 2º que devia ser independente para se conseguir avaliar bem a situação afinal ficou dependente do primeiro, quer dizer dos dois no mínimo que eram precisos, afinal e na prática a conclusão foi baseada num só; E. Depois dum período em que Israel tinha cortado o abastecimento, na altura da preparação do relatório já o tinha retomado. Mas o relatório não tomou isso em conta, reportou-se unicamente a uma situação já ultrapassada; F. E assim com 2 indicadores "bons" (mas que afinal foi só um, seleccionando a "dedo" e com medidas de base questionáveis porque feitas por pessoal do Hamas) a ONU declarou que havia fome em Gaza. Acho que basicamente isto dá ideia de como se chegou a essa declaração e de como se deve avaliar tudo o que provenha dessa organização relativamente a Israel.               Jose Carmo > Ruço Cascais: Sem dúvida. Mas a qualidade das lentes que escolhemos determina o mundo que observamos.                 Jose Carmo > Manuel Lisboa: Huntington

 

NOTAS

Definição (Da INTERNET):

 

Solipsismo (do latim "solu-, «só» + ipse, «mesmo» + ismo") é a concepção filosófica de que, além de nós, só existem as nossas experiências. O solipsismo é a consequência extrema de se acreditar que o conhecimento deve estar fundado em estados de experiência interiores e pessoais, não se conseguindo estabelecer uma relação directa entre esses estados e o conhecimento objectivo de algo para além deles. O "solipsismo do momento presente" estende este cepticismo aos nossos próprios estados passados, de tal modo que tudo o que resta é o eu presente.…………………

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