Ao texto (infra)
do Coronel Comando JOSÉ ANTÓNIO RODRIGUES DO CARMO, “Putin, Gaza, Trump e as lentes com que lemos
o mundo”
in “Razões
variadas”
COMENTÁRIOS (Cont.)
Mas poder-se-á duvidar tanto assim da fome em Gaza? E da fidelidade das
imagens transmitidas televisivamente? Parece-me que o cepticismo de alguns
pretende criar em nós um sentimento de indiferença cómoda, pois todos nós temos
problemas, mesmo que não conste isso publicamente. Recolhamo-nos, pois, ao
nosso mundo próprio, e pensemos, pacificamente, que não será assim tão
constrangedor, descarrilamentos e mortes existem por todo o lado, mesmo nós cá …
Fernando: Tirando uma ou outra
imprecisão, é um excelente artigo autodescritivo. José B
Dias > Antonio
Rodrigues: Na opinião do cronista esses "diferentes olhares" são
extremamente perniciosos ... Pedra Nussapato: E como é evidente, o José é
dos poucos iluminados que vê sempre com as "lentes da verdade" 🙄... Ruço
Cascais: Bom artigo como sempre. Por falar em óculos para ver o mundo, muitas vezes
queimamos um livro e não percebemos que temos as calças a arder. Uma cegueira
consumista. O Levi Strauss das jeans, certamente familiar do Levi Strauss
filósofo, ambos familiares distantes do Primo Levi, são todos provenientes da
semente primordial de Jacó. Muitos activistas que queimaram o novo livro de
Cymerman vestiam calças de ganga, uma invenção judaica iniciada nas famosas Levi's. As Mortáguas ao atearem fogo
ao livro não perceberam que estavam a atear fogo às calças. Mas os óculos hoje
são muitos, cada vez mais. As inúmeras possibilidades de escolha cria a singularidade.
Por exemplo, nas redes sociais somos milhões, mas, todos conseguimos uma certa
originalidade. Por exemplo: o
sujeito A condena a invasão dos russos na Ucrânia, condena os ataques de Israel à
Faixa de Gaza, não gosta de Trump, vota PS e Ricardo Leão, é do Benfica, apoia
a activista Greta Thumberg, gosta de carros clássicos, é homossexual e faz
coleção de borboletas mortas. O
Sujeito B, por sua vez, apoia a invasão russa, apoia Israel na luta contra o
Hamas, vota CH, é do FCPorto, gosta de Trump e de Alberto Gonçalves, é um
entusiasta da Volta à França em bicicleta, faz colecção de sapatilhas e ama o
sexo oposto. As opções de escolha são
tantas, que dois sujeitos por muito parecidos que sejam nas suas escolhas
chegam a uma determinada altura que divergem por escolhas diferentes. Os óculos são escolhas, e as
escolhas são influências. Gostamos de Fórmula 1 porque um tio nosso dava pinotes na sala com as
vitórias do Ayrton Senna. As Mortáguas são radicais de esquerda porque
tiveram a influência do pai. A Isabel Moreira é socialista porque andava
apaixonada por um socialista que a convenceu a inscrever-se no partido
(inventei). O caríssimo Carmo é militar porque também teve alguma
influência. Os óculos são uma escolha. Se Mariana Mortágua
tivesse antes sido filha de André Ventura, hoje seria uma Margaret
Thatcher, isto, se Ventura não tivesse cometido infanticídio. Não
existem visões do mundo inatas. Toda a visão e análise ao mundo é resultado de
influências. As razões são trabalhadas à medida das nossas
influências. Antonio
Rodrigues: Mas que artigo faboloso. Há demasiado tempo que não lia algo tão lúcido. Aqui
em cima alguém diz que 'nem todos os revolucionários usam capa', eu digo nem
todos os sábios são 'comentadores do Expresso'. Rosa Graça: Excelente.
Nuno Abreu: Uma análise politico-ideológica fantástica. Muito
obrigado, por me ter tirado as lentes e esfregado os olhos. Jose
CarmoCarlos
Costa: Foi esse mesmo que disse que, à revelia da propaganda do Hamas, disse com
todas as letras que não havia fome generalizada em Gaza. E para tal bastou não
usar as lentes da propaganda de um grupo terrorista. unknown unknown: Muito bom, merece ser lido e
refleCtido! Pedra
Nussapato > Jose
Carmo: O José em certos temas não se limita a distorcer, vê tudo ao contrário
mesmo; a cegueira auto-infligida por vezes é tal que não há visão racional
possível. Questiono-me se estará a par dos relatos de soldados israelitas que
recentemente resolverem pôr a boca no trombone. José Mendes Gil: Artigo muito interessante. A civilização ocidental, as
democracias em geraL, é odiada e não se defende do Putin , do Xi, do radicalismo
islâmico ; e a este último até o traz para dentro das fronteiras, onde os danos
serão maiores. Vitor
Batista: Um dos melhores artigos de opinião de sempre que li aqui no Observador. Rasga
de alto a baixo todos aqueles míopes que frequentam as televisões, mas que por
inércia, fanatismo ou ignorância, nunca conseguiram encontrar as lentes
adequadas à sua myopia. Deveria ser de leitura obrigatória nas madrassas portuguesas. GateKeeper > Top 5: Para ficar no fim deste Ano. Paulo
Alves:
Espectacular,
obrigado!... SDC Cruz:
A primeira
frase do seu último parágrafo é lapidar, caro José António Rodrigues do Carmo:
“O problema do nosso tempo não é a falta de visão: é o excesso de olhares.”
De facto, há excesso de olhares com a visão turva de esquerdoidices que
infestam as nossas TVs com lentes bipolares, sejam elas de contacto ou
oculares. A verdade é só uma: as lentes deles são as melhores, as nossas são as
piores! Triste realidade esta de ver um País que cada vez mais é menos nosso… Jose
Carmo > Ruço
Cascais: A fome em Gaza, é como o genocídio. Os rebanhos precisam de palavras de
ordem. E a propaganda fornece-as. Ruço Cascais > Jose
Carmo: As pessoas acreditam na fome em Gaza da mesma maneira que acreditam que
Mourinho não vai sair do Benfica com mais uma indemnização ou que Artur Batista
da Silva era consultor da ONU. Este Artur Batista da Silva merecia um
"podcast" aqui no Observador. Era um comentador da TVI, especialista
em assuntos da ONU. Um espectáculo, os jornalistas e o jornalismo em
Portugal caíram que nem uma patinhos 😅. TSF,
Expresso, JN, DN, TVI, SIC, RTP, todos deram o homem como alto funcionário da ONU. Não há razões para ficarmos
surpreendidos que o jornalismo em Portugal seja como a Maria; a Maria vai
com as outras. Quem se desviar do caminho é logo carimbado como fascista,
nazi, homofóbico e islamofóbico. Um viva para o Artur Batista da Silva que
enganou todos. Por falar em especialistas, por onde anda a Raquel? João
Floriano: «Hoje, temos numerosos míopes e falar
como se tivessem telescópios.» Excelente metáfora para o que vivemos hoje. Tudo nos
leva a essa mesma conclusão: as redes sociais, uma cacafonia de opiniões, de
interpretações e a CS. O outro aspecto tem a ver com o excesso de informação ou de
desinformação. Uma indigestão permanente porque além de tudo acontecer e
mudar literalmente de um dia para o outro, não temos capacidade para
compreender e processar tanto material. E há ainda a necessidade de ter
opinião e geri-la criteriosamente porque uma «má» opinião, pode ter
resultados negativos para quem a partilha. Incontestável igualmente o facto
de o antagonismo a um inimigo (não gosto do termo ódio, embora seja
mesmo o ódio que domina o mundo), ser o motor que faz avançar um povo e
o reúne à volta de uma causa ou desígnio comum. O amor adormece-nos e faz com
que desejemos ficar para sempre no mesmo sítio. A Europa deixou-se adormecer
iludida que o Amor pela democracia que espalhou pelo mundo seria para sempre.
Entretanto outros interessados no confronto, na criação de inimigos, tomaram
conta do castelo enquanto a Bela Adormecida sonhava. Finalmente acordou com
um beijo de Putin que nada tem de Príncipe de conto de fadas. Uma crónica
excelente que explica muita coisa, sobretudo a importância das lentes. Tomazz
Man: Reflexão excelente
S N: Excelente e muito pertinente
análise Francisco
Almeida: Não creio que exista qualquer incompatibilidade entre Carl Schmitt e o
imperialismo de Putín. É um dado cultural russo acreditar que a Rússia vive
rodeada de inimigos que a querem invadir e destruir. A frase de Catarina
"A Rússia ou cresce ou morre" exprime isso mesmo. Talvez, como
diz o autor, Putín tenha nascido Schmittiano sem o saber mas parece-me mais
adequado dizer que a Rússia terá sido fonte de inspiração para Carl Schmitt. Não
me parece difícil ler Putin. Já do tempo de Pedro se dizia que a Rússia tinha nove
vulnerabilidades
geográficas. Pedro, Catarina e a União Soviética dominavam-nas todas mas, após
1991 a Federação Russa apenas dominava quatro. Putín após as
intervenções na Chechénia e na Geórgia, dominava seis. As outras eram a Ucrânia, a planície polaca e o
corredor báltico. Daqui, pode-se concluir que o Ocidente errou
estrepitosamente quando não travou Putín logo em 2014 quando interveio na
Crimeia e no Donbass. E também que Putin sempre quis
conquistar toda a Ucrânia e não vai nem pode disso desistir. Só com o reforço
dos 40 milhões de ucranianos e dos seu exército pode retomar os seus
objectivos. A maioria dos europeus, persiste em não ver o óbvio e acreditam que
o problema é pessoal de Putín mas a Polónia e os bálticos, com a Finlândia em
destaque, perceberam-no há muito. E felizmente abriu-se uma porta de esperança
pois os nórdicos já se juntaram aos bálticos e o mesmo aconteceu agora com a
Alemanha de Merz; e também os líderes francês e inglês, ambos assoberbados por
problemas internos, decidiram reforçar apoio à Ucrânia. Jose
Carmo > Paradigmas
Há Muitos!: Muito bom. De facto TODOS os números sobre Gaza são oriundos da mesma fonte: o Hamas. E depois repetidos em
cascata por uma pléiade de derivados. É solipsismo puro e duro, um mecanismo
de bolha que se sustenta no "prestígio" de instituições que já
perderam QQ credibilidade e vergonha.
António
Alberto Barbosa Pinho: Excelente artigo, Sr. Coronel. Paradigmas Há Muitos! > Carlos
Costa: Sobre a fome em Gaza rascunhei isto a partir da resposta de Israel na
altura (um documento disponível na net), informação que imagino tenha
sido posta de lado pelos OCS portugueses, mais alguns contextos meus. Não sei
se o Coronel Rodrigues do Carmo se referiu a isto na TV mas resumindo: A. Alguém do Ministério da Saúde
de Gaza ou seja do Hamas forneceu os "dados" de base à ONU. Como não
é muito difícil distorcer dados para fazer parecer as pessoas muito magrinhas
imagino a sua qualidade; B. Esses dados eram de certas localidades em Gaza. Na conclusão final a ONU
em vez de usar todos os dados e fazer uma média usou só os das localidades
piores. Por isso o relatório de facto não é sobre fome em Gaza, é sobre fome
em alguns pontos de Gaza (por vários motivos a disponibilidade de alimentos
não era uniforme) mas para o público passou a ideia de que é em Gaza na
totalidade; C. Pelas regras definidas para estes relatórios / avaliações há duas medidas
possíveis no corpo humano para se avaliar uma situação de fome, a medida à volta
do braço e outra de que não me recordo (à volta da perna?). A ONU usou a do
braço que dessas duas possíveis é a menos precisa com a justificação de que a
outra era mais difícil de fazer. Por esse indicador do braço haveria fome só
nalgumas localidades, mas mesmo aí pouco acima do limite. D. Para haver declaração oficial
de situação de fome, de três indicadores era preciso verificarem-se dois. Já
vimos sobre o primeiro que foi usado, o terceiro acho que segundo a ONU não se
conseguia medir pelo que segundo o que seria necessário para haver conclusão
teria de ser o "número de mortes por fome por x habitantes". Esse
indicador dava resultado muito abaixo do limite para haver fome mas os
relatores da ONU disseram que os números disponíveis não eram realistas. E
por isso estimaram o valor que esse indicador dos mortos deveria ter levando em
conta o do tal do braço (que já de si era o menos preciso dos 2 indicadores do
corpo humano possíveis). Passou assim a haver 2 indicadores de fome mas o 2º
que devia ser independente para se conseguir avaliar bem a situação afinal
ficou dependente do primeiro, quer dizer dos dois no mínimo que eram precisos,
afinal e na prática a conclusão foi baseada num só; E. Depois dum período em que
Israel tinha cortado o abastecimento, na altura da preparação do relatório já o
tinha retomado. Mas o relatório não tomou isso em conta, reportou-se unicamente
a uma situação já ultrapassada; F. E assim com 2 indicadores "bons" (mas que afinal foi só um,
seleccionando a "dedo" e com medidas de base questionáveis porque
feitas por pessoal do Hamas) a ONU declarou que havia fome em Gaza. Acho
que basicamente isto dá ideia de como se chegou a essa declaração e de como se
deve avaliar tudo o que provenha dessa organização relativamente a Israel. Jose Carmo > Ruço
Cascais: Sem dúvida. Mas a qualidade das lentes que escolhemos determina o mundo que
observamos. Jose Carmo > Manuel
Lisboa: Huntington
NOTAS
Definição (Da INTERNET):
Solipsismo (do latim
"solu-, «só» + ipse, «mesmo» + ismo") é a concepção filosófica de
que, além de nós, só existem as nossas experiências. O solipsismo é a consequência extrema de se
acreditar que o conhecimento deve estar fundado em estados de experiência
interiores e pessoais, não se conseguindo estabelecer uma relação directa entre
esses estados e o conhecimento objectivo de algo para além deles. O
"solipsismo do momento
presente" estende este cepticismo aos
nossos próprios estados passados, de tal modo que tudo o que resta é
o eu presente.…………………
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