sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Houve sempre


Radicalismos, parcialidades, extremismos, mas parece que nunca tão humanitários como hoje. Ontem também - o ontem das esquerdas bondosas, repelindo as direitas ou os centros mais equilibrados nas devoções. As devoções hoje têm esse carisma das esquerdas das leituras panfletárias, e por isso de uma desenvoltura intelectual que marginaliza com muita raiva os tais das massas – mais atribuíveis à direita. Nem toda a direita é de massas, todavia, acho eu, pois contam-se-lhes as mossas da penúria, tantas vezes, e essa não faz farinha de todo. Suponho, todavia, que o que queremos é mesmo seduzir os russos, que são um país extenso para a nossa veneração, temerosa dos seus arremessos, que não deixam de ser arremedos à nossa fragilidade ocidental. Gaza será para manter.

Uma, duas, três, muitas Gazas

O radicalismo esquerdista não está apenas circunstancialmente aliado ao Hamas. O radicalismo esquerdista e o radicalismo islâmico têm conteúdos diversos, mas são estruturalmente similares.

RUI RAMOS Colunista do Observador

OBSERVADOR, 10 out. 2025, 00:203

De onde vem o activismo contra Israel no Ocidente? Dizem-nos que o problema é a política de Netanyahu. Mas não é só obviamente Netanyahu: é o Estado de Israel, como se depreende do grito “do rio até ao mar”, e são os judeus em todo o mundo, como se vê pelo assédio aos estudantes judeus nas universidades americanas e pelo ataque à sinagoga em Manchester. Dizem-nos ainda que é a guerra e a morte de civis em Gaza. Mas também não é só a guerra e a morte de civis em Gaza. Se fosse, os activistas não incitariam à destruição de Israel “por todos os meios necessários”, sabendo que isso pressupõe o arrastamento de uma guerra em que o Hamas sacrifica a população civil, e também não seria tão notória a sua decepção com o cessar-fogo proposto por Donald Trump.

A China ocupa o Tibete, mas não há um activismo anti-chinês. A Rússia ataca a Ucrânia, mas não há um activismo anti-russo. Porque é que só há flotilhas e manifestações contra Israel? E porque é que a gente que embarca e usa os megafones é a mesma de outras agitações, como a campanha contra os combustíveis fósseis? Porque estes são activistas para quem lutar contra Israel ou contra o petróleo significa lutar contra a mesma coisa: o “capitalismo”, de que Israel seria um “agente”. Nada aqui é novo. A campanha contra Israel foi lançada por Estaline nos anos 50. Os argumentos de que Israel é uma “entidade colonial” que extermina os “nativos” constam da propaganda comunista desde essa época. Pode haver, nas manifestações, pacifistas ou simples simpatizantes da Palestina. Nunca teriam dado à campanha anti-Israel a organização e a amplitude que só o extremismo esquerdista alicerçado nas universidades e comunicação social lhe poderia incutir.

A intimidade entre a extrema-esquerda ocidental e os grupos armados palestinianos é antiga. Na década de 1970, os terroristas do bando Baader-Meinhof treinaram em campos palestinianos. Hoje, desiludidos com a “classe operária”, os esquerdistas confiam em que a luta contra Israel lhes permita explorar a massa de imigrantes muçulmanos intoxicados pelo anti-judaísmo endémico no Médio Oriente. É a estratégia de Jean-Luc Mélenchon e de La France Insoumise em França, e talvez a última esperança do BE. O “islamo-gauchismepode parecer paradoxal quando põe feministas a marchar ao lado dos mais brutais promotores do patriarcado. Mas faz sentido quando percebemos que as “causas” (Palestina, minorias, etc.) não são, para os esquerdistas, mais do que bandeiras ocasionais com que mobilizar ingénuos para movimentações a que talvez não aderissem sem a maquilhagem “humanitária”.

O radicalismo esquerdista não está apenas circunstancialmente aliado ao Hamas. O radicalismo esquerdista e o radicalismo islâmico têm conteúdos diversos, mas são estruturalmente similares: ideologias para as quais a destruição do mundo tal como ele existe justifica toda a violência e todo o sofrimento imposto aos outros. O paraíso de uns é o socialismo soviético e o dos outros o Islão primitivo. Mas ambos lutam para subverter o que uns e outros chamam o “imperialismo ocidental. O apelo à “globalização da intifada” significa o reconhecimento, pelos esquerdistas do Ocidente, de que a sua luta é a mesma dos islamistas radicais e que, por isso, deveriam actuar de maneira idêntica, violentamente. Em meados da década de 1960, Che Guevara incitou as esquerdas radicais do mundo a “criar um, dois, três, muitos Vietnames”. Os esquerdistas de hoje esperam “criar uma, duas, três, muitas Gazas”. Por isso, não tenham dúvidas: se o presidente Trump conseguir parar a guerra em Gaza, com a libertação de todos os reféns israelitas e o fim do poder do Hamas, será uma péssima notícia para as flotilhas e para as manifestações.

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COMENTÁRIOS

SDC Cruz:  Caro Rui Ramos, estou completamente de acordo consigo com excepção da última frase. Porque essa esquerdalha, acabada a guerra do Hamas, vai criar (inventar), uma, duas, três, muitas outras coisas, só para fazerem prova da sua existência.                  graça Dias: Caríssimo Rui Ramos: Excelente crónica em cronologia de factos e as realidades implícitas. Não estou nada crente num qualquer processo de PAZ. Sobre as flotilhas, elas são a fraude e a exposição do apoio estrangeiro. Os extremistas radicais de esquerda enfatizam e dramatizam a crise humanitária em Gaza, mas, redes terrroriiistaaas estiveram activas nessa campanha chamada de humanitária e países islâmicos radicais financiaram as flotilhas, como têm desde longa data financiado órgãos de comunicação, universidades, partidos políticos da extrema-esquerda em vários países do Ocidente. UMA HIPOCRISIA GLOBAL. Assistimos a uma indignação colectiva desde governos de diferentes países à ONU, a Amnistia Internacional, a Human Rights Watch, sem esquecer inúmeras ONGs...mas esta indignação é muito selectiva, dado haver em diferentes geografias casos hediondos, mas parece não incomodar, muito menos indignar. Subjacente a esta HIPOCRISIA COLECTIVA está o objectivo de se desestabilizarem os regimes ocidentais, para se impor uma ditadura  Islâmica em nome da "equidade e Justiça". NOTA: As flotilhas foram os "idiotas úteis" na propaganda do antissemitismo.                     GateKeeper: Top 10.                   Rui Lima: Na Europa, há relatos de médicos que ainda emitem certificados de virgindade ou realizam cirurgias de “reconstrução do hímen”. Nada me choca mais do que ver a esquerda europeia, que sempre se apresentou como defensora da liberdade e do progresso, alinhar-se com o islamismo uma ideologia que transporta para a Europa valores medievais e opressivos. Quando alguém denuncia essa contradição, logo se ergue o coro das acusações de “racismo”, silenciando qualquer debate honesto .Na verdade, defender os direitos das mulheres e a igualdade perante a lei não é discriminação é civilização.                    Uiros Ueramos: A união Islâmica&Esquerda e o tabuleiro geopolítico do engano e mentira: Concordo a 100% com o que o autor do artigo descreve, e acrescento um ponto essencial que raramente é dito em voz alta: a guerra iniciada pelo massacre de civis israelitas em 7 de outubro de 2022 foi, em grande parte, uma jogada estratégica russa. Não se tratou apenas de um ataque terrorista do Hamas; foi uma operação cuidadosamente sincronizada para desviar a atenção da opinião pública ocidental da invasão russa da Ucrânia. Mas o objectivo não era apenas mediático, era e é 100% logístico, militar e profundamente calculado. A Rússia sabia perfeitamente que os USA têm uma capacidade de produção limitada de mísseis de defesa aérea. Ao abrir um novo foco de guerra no Médio Oriente, forçava Washington a escolher: ou reforçava Israel ou continuava a sustentar a Ucrânia.O ataque maciço do Irão a Israel, meses depois, provou isso. E não foi coincidência que, nas semanas seguintes, a Rússia tenha lançado os maiores e mais intensos ataques aéreos sobre território ucraniano desde o início da guerra. Moscovo sabia que o arsenal americano estava dividido e explorou esse desequilíbrio até ao limite. Mais há outro actor silencioso neste xadrez: a China. Enquanto o Ocidente se entretém com o Hamas e debates morais sobre Israel, Pequim continua, serenamente, a reforçar o seu poder militar, a expandir a sua influência no Pacífico e a testar as linhas vermelhas de Taiwan. Cada foguete lançado em Gaza é mais um dia ganho pela China no seu plano de hegemonia global.E, por detrás desta cortina de fumo, há o ingrediente final: a desinformação e lançamento massivo de mentiras cuidadosamente orquestrada pela extrema-esquerda infiltrada na quase totalidade da comunicação social europeia e em particular em Portugal. O “islamo-gauchismetornou-se a ferramenta perfeita, financiada e aqui incluo o Qatar e outros paises árabes, amplificada e romantizada, para semear o caos no Ocidente. Com slogans importados e megafones ensaiados, arrastam multidões de ingénuos e ignorantes. No fim, tudo converge: Rússia, Irão, China e a extrema-esquerda europeia, unidos pela mesma ambição: minar o Ocidente por dentro, corroendo a sua coesão, os seus valores e a sua capacidade de resposta.                  Miguel Seabra: Para esta malta é tudo muito simples. a Humanidade divide-se em três partes: oprimidos, opressores e justiceiros. os oprimidos são todos os não-brancos, os opressores são todos os brancos e os justiceiros são eles, os activistas de esquerda. E como justiceiros que são, não podem perder tempo com tarefas menores, como trabalhar e cuidar da família. Todo o tempo é dedicado à nobre tarefa de destruir os opressores, e como tal é justo que sejam sustentados com os impostos dos opressores que consomem o seu tempo a trabalhar, os gananciosos que só pensam em dinheiro. Entre activismos e ganzas não têm tempo (nem querem) para estudar história por isso para eles Israel é um Estado colonialista em que os brancos opressores expulsaram os castanhos/oprimidos das suas terras. E sempre  sempre apoiados pelo Grande Satã, a América capitalista.

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