Radicalismos, parcialidades, extremismos, mas parece que nunca tão
humanitários como hoje. Ontem também - o ontem das esquerdas bondosas, repelindo
as direitas ou os centros mais equilibrados nas devoções. As devoções hoje têm
esse carisma das esquerdas das leituras panfletárias, e por isso de uma
desenvoltura intelectual que marginaliza com muita raiva os tais das massas –
mais atribuíveis à direita. Nem toda a direita é de massas, todavia, acho eu, pois
contam-se-lhes as mossas da penúria, tantas vezes, e essa não faz farinha de
todo. Suponho, todavia, que o que queremos é mesmo seduzir os russos, que são
um país extenso para a nossa veneração, temerosa dos seus arremessos, que não
deixam de ser arremedos à nossa fragilidade ocidental. Gaza será para manter.
Uma,
duas, três, muitas Gazas
O radicalismo
esquerdista não está apenas circunstancialmente aliado ao Hamas. O radicalismo
esquerdista e o radicalismo islâmico têm conteúdos diversos, mas são
estruturalmente similares.
RUI RAMOS Colunista
do Observador
OBSERVADOR, 10
out. 2025, 00:203
De onde vem o activismo contra
Israel no Ocidente? Dizem-nos
que o problema é a política de Netanyahu. Mas não é
só obviamente Netanyahu: é o Estado de Israel, como se depreende do grito “do rio
até ao mar”, e são os judeus em todo o mundo, como se vê pelo assédio aos estudantes judeus nas
universidades americanas e pelo ataque à sinagoga em Manchester. Dizem-nos
ainda que é a guerra e a morte de civis em Gaza. Mas também não é só a guerra e a morte de civis em Gaza. Se fosse, os
activistas não incitariam à destruição de Israel “por todos os meios
necessários”, sabendo que isso pressupõe o arrastamento de uma guerra em que o
Hamas sacrifica a população civil, e também não seria tão notória a sua
decepção com o cessar-fogo proposto por Donald Trump.
A China ocupa o Tibete, mas não há um
activismo anti-chinês. A Rússia ataca a Ucrânia, mas não há um activismo
anti-russo. Porque é que
só há flotilhas e manifestações contra Israel? E
porque é que a gente que embarca e usa os megafones é a mesma de outras
agitações, como a campanha contra os combustíveis fósseis? Porque estes são activistas para quem lutar contra
Israel ou contra o petróleo significa lutar contra a mesma coisa: o
“capitalismo”, de que Israel seria um “agente”. Nada aqui
é novo. A campanha contra Israel foi lançada por Estaline nos anos 50. Os
argumentos de que Israel é uma “entidade colonial” que extermina os “nativos”
constam da propaganda comunista desde essa época. Pode haver, nas manifestações, pacifistas
ou simples simpatizantes
da Palestina. Nunca
teriam dado à campanha anti-Israel a organização e a amplitude que só o
extremismo esquerdista alicerçado nas universidades e comunicação social lhe
poderia incutir.
A intimidade entre a extrema-esquerda
ocidental e os grupos armados palestinianos é antiga. Na década de 1970, os terroristas do bando
Baader-Meinhof treinaram em campos palestinianos. Hoje, desiludidos com a “classe operária”, os
esquerdistas confiam em que a luta contra Israel lhes permita explorar a massa
de imigrantes muçulmanos intoxicados pelo anti-judaísmo endémico no Médio
Oriente. É
a estratégia de Jean-Luc Mélenchon e de La France Insoumise em França, e talvez a última
esperança do BE. O “islamo-gauchisme” pode parecer paradoxal quando põe feministas a
marchar ao lado dos mais brutais promotores do patriarcado. Mas faz
sentido quando percebemos que as “causas” (Palestina, minorias, etc.) não
são, para os esquerdistas, mais do que bandeiras ocasionais com que mobilizar
ingénuos para movimentações a que talvez não aderissem sem a maquilhagem
“humanitária”.
O
radicalismo esquerdista não está apenas circunstancialmente aliado ao Hamas. O radicalismo esquerdista e o radicalismo
islâmico têm conteúdos diversos, mas são estruturalmente similares: ideologias para as quais a destruição do mundo tal
como ele existe justifica toda a violência e todo o sofrimento imposto aos
outros. O paraíso de
uns é o socialismo soviético e o dos outros o Islão primitivo. Mas ambos
lutam para subverter o que uns e outros chamam o “imperialismo ocidental”. O apelo à “globalização
da intifada”
significa o reconhecimento, pelos esquerdistas do Ocidente, de que
a sua luta é a mesma dos islamistas radicais e que, por isso, deveriam actuar
de maneira idêntica, violentamente. Em
meados da década de 1960, Che
Guevara incitou
as esquerdas radicais do mundo a “criar
um, dois, três, muitos Vietnames”.
Os esquerdistas de hoje esperam “criar uma, duas,
três, muitas Gazas”. Por isso, não
tenham dúvidas: se o presidente Trump conseguir parar a guerra em
Gaza, com a libertação de todos os reféns israelitas e o fim do poder do Hamas,
será uma péssima notícia para as flotilhas e para as manifestações.
FAIXA DE GAZA MÉDIO ORIENTE MUNDO ISRAEL DONALD TRUMP ESTADOS
UNIDOS DA AMÉRICA AMÉRICA EXTREMA
ESQUERDA POLÍTICA OCIDENTE
COMENTÁRIOS
SDC Cruz: Caro Rui Ramos,
estou completamente de acordo consigo com excepção da última frase. Porque essa
esquerdalha, acabada a guerra do Hamas, vai criar (inventar), uma, duas, três,
muitas outras coisas, só para fazerem prova da sua existência.
graça Dias: Caríssimo Rui Ramos: Excelente crónica em cronologia
de factos e as realidades implícitas. Não estou nada crente num qualquer
processo de PAZ. Sobre as flotilhas, elas são a fraude e a exposição do apoio
estrangeiro. Os extremistas radicais de esquerda enfatizam e dramatizam a
crise humanitária em Gaza, mas, redes terrroriiistaaas estiveram activas nessa
campanha chamada de humanitária e países islâmicos radicais financiaram as
flotilhas, como têm desde longa data financiado órgãos de comunicação,
universidades, partidos políticos da extrema-esquerda em vários países do
Ocidente. UMA HIPOCRISIA GLOBAL. Assistimos a uma indignação colectiva desde governos
de diferentes países à ONU, a Amnistia Internacional, a Human Rights Watch, sem
esquecer inúmeras ONGs...mas esta indignação é muito selectiva, dado haver em
diferentes geografias casos hediondos, mas parece não incomodar, muito menos indignar. Subjacente
a esta HIPOCRISIA COLECTIVA está o objectivo de se desestabilizarem os
regimes ocidentais, para se impor uma ditadura Islâmica em nome da "equidade
e Justiça". NOTA: As flotilhas foram
os "idiotas úteis" na propaganda do antissemitismo.
GateKeeper: Top 10.
Rui
Lima: Na Europa, há relatos de médicos que ainda emitem
certificados de virgindade ou realizam cirurgias de “reconstrução do hímen”. Nada
me choca mais do que ver a esquerda europeia, que sempre se apresentou como
defensora da liberdade e do progresso, alinhar-se com o islamismo uma ideologia
que transporta para a Europa valores medievais e opressivos. Quando alguém denuncia essa contradição, logo se ergue
o coro das acusações de “racismo”, silenciando qualquer debate honesto .Na
verdade, defender os direitos das mulheres e a igualdade perante a lei não é
discriminação é civilização. Uiros Ueramos: A
união Islâmica&Esquerda e o tabuleiro geopolítico do engano e mentira: Concordo
a 100% com o que o autor do artigo descreve, e acrescento um ponto essencial
que raramente é dito em voz alta: a guerra iniciada pelo massacre de civis
israelitas em 7 de outubro de 2022 foi, em grande parte, uma jogada estratégica
russa. Não se tratou apenas de um ataque terrorista do Hamas; foi uma operação
cuidadosamente sincronizada para desviar a atenção da opinião pública ocidental
da invasão russa da Ucrânia. Mas o objectivo não era apenas mediático,
era e é 100% logístico, militar e profundamente calculado. A Rússia sabia
perfeitamente que os USA têm uma capacidade de produção limitada de mísseis de
defesa aérea. Ao abrir um novo foco de guerra no Médio Oriente, forçava
Washington a escolher: ou reforçava Israel ou continuava a sustentar a
Ucrânia.O ataque maciço do Irão a Israel, meses depois, provou isso. E não
foi coincidência que, nas semanas seguintes, a Rússia tenha lançado os
maiores e mais intensos ataques aéreos sobre território ucraniano desde o
início da guerra. Moscovo sabia que o arsenal americano estava dividido e
explorou esse desequilíbrio até ao limite. Mais há outro actor silencioso
neste xadrez: a
China. Enquanto o Ocidente se entretém com o Hamas e debates
morais sobre Israel, Pequim continua, serenamente, a reforçar o seu poder
militar, a expandir a sua influência no Pacífico e a testar as linhas vermelhas
de Taiwan. Cada foguete lançado em Gaza é mais um dia ganho pela
China no seu plano de hegemonia global.E, por detrás desta cortina de fumo, há o ingrediente
final: a desinformação e lançamento massivo de mentiras cuidadosamente
orquestrada pela extrema-esquerda infiltrada na quase totalidade da comunicação
social europeia e em particular em Portugal. O “islamo-gauchisme” tornou-se a ferramenta perfeita, financiada e
aqui incluo o Qatar e outros paises árabes, amplificada e romantizada, para
semear o caos no Ocidente. Com slogans importados e megafones ensaiados,
arrastam multidões de ingénuos e ignorantes. No fim, tudo converge: Rússia,
Irão, China e a extrema-esquerda europeia, unidos pela mesma ambição: minar o
Ocidente por dentro, corroendo a sua coesão, os seus valores e a sua capacidade
de resposta. Miguel Seabra: Para
esta malta é tudo muito simples. a Humanidade divide-se em três partes: oprimidos, opressores e justiceiros. os oprimidos são todos os não-brancos, os opressores são
todos os brancos e os justiceiros são eles, os activistas de esquerda. E como
justiceiros que são, não podem perder tempo com tarefas menores, como trabalhar
e cuidar da família. Todo o tempo é dedicado à nobre tarefa de destruir os
opressores, e como tal é justo que sejam sustentados com os impostos dos
opressores que consomem o seu tempo a trabalhar, os gananciosos que só pensam
em dinheiro. Entre activismos e ganzas não têm tempo (nem querem) para estudar
história por isso para eles Israel é um Estado colonialista em que os brancos
opressores expulsaram os castanhos/oprimidos das suas terras. E sempre sempre
apoiados pelo Grande Satã, a América capitalista.
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