Em relação às guerras de “ontem”. Apesar de as narradas na História, tanto Nacional como Universal se deverem a actos de ambição, vingança, naturalmente de prepotência também, parece não serem elas marcadas pela miséria da crueldade e desfaçatez despudoradas que esta guerra implica, ordenada por um ser perfeitamente destituído de sentimentos humanos e até dos observados nos espécimes selvagens, que, pelo menos, demonstram coragem. Um homem, contudo, de hoje, que os seus pares nacionais provavelmente admiram, e a quem alguns pares estrangeiros até apertam a mão, caminhando ou sentando-se a par dele, como temos visto. Sim, o progresso traz mudanças drásticas e não só em poderio de armas. A importância destas provoca a elevação aos píncaros de sentimentos malignos, como não se descreviam tão poderosamente, nem nas epopeias clássicas, nem nos ditames bíblicos. Nem, de resto, nas guerras que ficaram na História, de chefes valentes, que arriscavam, tantas vezes, os corpos próprios.
«Alexandre, Marília, qual o rio,
Que engrossando no inverno tudo arrasa,
Na frente das coortes
Cerca, vence, abrasa
As cidades mais fortes.
Foi na glória das armas o primeiro;
Morreu na flor dos anos, e já tinha
Vencido o mundo inteiro.
Mas este bom soldado, cujo nome
Não há poder algum, que não abata,
Foi, Marília, somente
Um ditoso pirata,
Um salteador valente.
Se não tem uma fama baixa, e escura,
Foi por se pôr ao lado da injustiça
A insolente ventura.
O grande César, cujo nome voa,
À sua mesma Pátria a fé quebranta;
Na mão a espada toma,
Oprime-lhe a garganta,
Dá Senhores a Roma.
Consegue ser herói por um delito;
Se acaso não vencesse, então seria
Um vil traidor proscrito.
O ser herói, Marília, não consiste
Em queimar os Impérios: move a guerra,
Espalha o sangue humano,
E despovoa a terra
Também o mau tirano.
Consiste o ser herói em viver justo:
E tanto pode ser herói o pobre,
Como o maior Augusto. ….»
Parte I: Lira XXVI
"Safari com
drones".
Investigação da ONU acusa Rússia de "crimes de
guerra" por perseguição e ataques contra civis ucranianos
Investigação da Comissão
Internacional Independente sobre Ucrânia vai ser apresentada esta semana à
Assembleia-Geral da ONU. Mais de 200 civis foram mortos em ataques no último
ano só em três regiões.
OBSERVADOR, 27 out. 2025, 23:34
▲Drones
obrigam à fuga de populações inteiras de várias regiões
SERGEY DOLZHENKO/EPA
Uma investigação da Comissão
Internacional Independente sobre Ucrânia das Nações Unidas revelou que a Rússia
tem usado drones para forçar civis na Ucrânia a fugirem de casa, a levá-los
para as linhas da frente ou mesmo a atacá-los directamente, noticiou a Reuters esta segunda-feira.
O relatório da Comissão
Internacional Independente sobre Ucrânia vai ser apresentado na
Assembleia-Geral da ONU esta semana e acusa Moscovo de cometer “crimes de
guerra” contra civis. Segundo o New York Times,
a prática de “caçar” civis é descrita pelos ucranianos como um “safari
com drones“.
De
acordo com a agência, que teve acesso ao texto, milhares de civis foram perseguidos
por longas distâncias por drones com câmaras que, por vezes, atacava com
explosivos os fugitivos. Desde 2024, conta a CNN, só nas regiões de Dnipropetrovsk,
Kherson e Mykolaiv, mais de 200 civis foram mortos em ataques com drones e
os feridos superam os dois mil.
As
perseguições aos civis, lê-se no relatório, “foram cometidas como parte de uma política coordenada
para expulsar civis desses territórios e constituem um crime contra a
humanidade de transferência forçada de população“. Nas zonas onde
estes ataques são mais comuns, a população já fugiu, explica ainda o documento,
segundo a CNN, deixando algumas zonas “quase totalmente vazias“.
Todos estes dados foram
recolhidos pelos investigadores através de entrevistas a 226 pessoas, incluindo
“vítimas, testemunhas, trabalhadores humanitários e vídeos verificados
publicados nas redes sociais.
Uma mulher, da região de Kherson,
descreveu que foi perseguida por um drone em agosto do ano passado quando
estacionava o carro em casa, tendo ficado ferida após ser atacada enquanto
corria para se refugiar na garagem, contou a CNN. Mais tarde, dois drones chegaram e atacaram a
casa, obrigando-a a fugir.
“Não há dúvida de que estes operadores de drones agem com intenção”,
acusou Erik Mose, presidente da comissão que realizou a
investigação, explicando que estas aeronaves “estão realmente a perseguir
seres humanos, seja nos seus jardins, em casa ou na rua”.
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