De um analista imbatível na desmontagem
dos seres que rodopiam em redor de outros seres controversos…
Trump Derangement Syndrome, uma doença
ruidosa
O padrão é óbvio e consiste em
torturar a realidade até que a realidade confesse irritar, perturbar,
enxovalhar ou derrotar Trump.
ALBERTO GONÇALVES, Colunista do OBSERVADOR
OBSERVADOR, 18 out.
2025, 00:2065
Um destes dias, o Público inventou uma
notícia intitulada “Trump
terá de aceitar: Cabo Verde vai mesmo ao Mundial de futebol de 2026”. E a seguir, acrescentou no “lead”: “Pela primeira vez na história, a selecção
cabo-verdiana apurou-se para a fase final de um Campeonato do Mundo. Dentro de
oito meses, estará entre a elite, a competir nos EUA, apesar de Donald Trump.”
De
início, fiquei intrigado. Nunca me tinha passado pela cabeça que Trump
estivesse pessoalmente tão empenhado em impedir que a selecção de Cabo Verde se
apurasse para o “Mundial” da bola. Será
que o presidente dos EUA “torcia” por um dos adversários, fosse este os
Camarões ou a Maurícia? Será que é adepto fanático de Angola ou da antiga
Suazilândia, que pelos vistos se rebatizou, e muito bem, de Essuatíni?? Será
que há uma comunidade de desportistas cabo-verdianos a aterrorizar a população
do Illinois? Será que Trump odeia mornas e coladeiras? Será que há porta-aviões
a rondar o Sal e ninguém me avisou? As dúvidas, dilacerantes, eram
imensas, a resposta apenas uma: nada
disso.
A
questão é que Cabo Verde é um entre as dezenas de países cujos cidadãos podem
hipoteticamente vir a ter problemas em conseguir visto para entrar nos EUA, e o
Público aproveitou a deixa para sugerir que os resultados do futebol incomodam
Trump. Suponho que na redacção daquele diário sinceramente
se imagina o homem aos berros na Sala Oval e na rede social Truth: “Cabo Verde apurado? Inconcebível! É um ultraje e uma
humilhação ao líder do mundo livre!”
Certos “jornalistas” e não só
“jornalistas”, no Público e não só no Público, salivam de gozo com alucinações
assim. É a escola de “jornalismo” que alimenta títulos como “Maria Corina Machado ganha Nobel da Paz
contra Trump”, embora a senhora lhe tenha agradecido (e dedicado) o prémio. “Contra Trump”. “Trump terá de aceitar”.
“Apesar de Trump”. O padrão é
óbvio e consiste em torturar a realidade até que a realidade confesse irritar,
perturbar, enxovalhar ou derrotar Trump. Não vi, mas aposto 50 euros em que já
apareceu por aí a manchete: “Hamas massacra palestinianos a sangue-frio: chupa,
Trump.”
Quando
surgiu a designação “Trump Derangement Syndrome” (TDS), tomei-a por uma
brincadeira, no fundo descendente da “Reagan Derangement Syndrome” e da “George
W. Bush Derangement Syndrome”, ou seja uma metástase “natural” do corriqueiro
anti-americanismo. E quando, em
Abril passado, um grupo de cinco
senadores republicanos do Minnesota tentou inscrever a TDS no quadro das
doenças mentais reconhecidas no estado, também julguei que estavam a brincar.
Entretanto, sinto-me obrigado a rever a posição: trata-se de facto de uma
doença mental, que a benefício dos pacientes convém ser oficial e urgentemente
diagnosticada no Minnesota e em todo o Hemisfério Norte.
Veja-se, por exemplo, o que ocorreu
após a assinatura do plano de paz de Trump para Gaza. É compreensível que pessoas comuns
receiem o descarrilamento do acordo pela impossibilidade de confiar em
terroristas. É compreensível que apoiantes de terroristas receiem o êxito do
acordo na medida em que isso os priva da “causa” e, no limite, de uma carreira
no “activismo”. O que não é compreensível, excepto à luz da TDS, é haver quem genuinamente desejava o fim do
conflito e agora lamenta o fim do conflito somente porque Trump foi o único
estadista capaz de o alcançar.
Aliás, menos por méritos próprios do que por comparação com as anémonas que
“governam” a vasta maioria do Ocidente, Trump afirma-se cada vez
mais enquanto o único estadista, ponto. No seu estilo brutal, fanfarrão e à
superfície errático, Trump é o elefante na loja de porcelanas nocivas e a
pedirem para ser quebradas. Antes, as porcelanas riam-se de Trump. Hoje é Trump
que se ri das porcelanas, espectáculo recomendável ainda recentemente em cena
na cimeira do Egipto, em que zombou às claras das cerâmicas francesa,
britânica, espanhola e canadiana. Em
suma, apesar da insolência da equipa de determinado arquipélago africano,
Trump, mesmo sem Nobel, tem o mundo aos pés. E esse
sucesso, à semelhança da bonita
analogia de Roger de Bussy-Rabutin sobre o amor/ausência e o fogo/vento (muito
bonita: vão pendurá-la no Instagram e atribuam-na a Buda), acalma os raros
casos ligeiros de TDS e agudiza os incontáveis casos terminais.
Um caso curável e notável revelou-se
esta semana. A comentadora e jornalista americana Brandi Kruse admitiu publicamente ter sofrido oito anos de TDS, e anunciou, talvez iluminada por uma auréola, que se
considera recuperada. E acrescentou: “É
muito melhor não ter TDS: estou mais feliz, mais saudável, mais bem-sucedida.
Acho até que fiquei um pouco mais atraente.” Vêem como vale a pena? Desgraçadamente,
os casos terminais não prometem finais felizes, são inúmeros e continuam por
aí, a rabiar no Twitter ou nos estúdios televisivos. E não, não há maneira de
confundir em matéria de fanatismo os meros simpatizantes de Trump com as
vítimas de TDS: os
primeiros, suponho, não alimentam a esperança de que Trump descubra a cura para
o cancro; os segundos têm pavor de que isso venha a suceder.
DONALD TRUMP ESTADOS
UNIDOS DA AMÉRICA AMÉRICA MUNDO DOENÇAS
MENTAIS DOENÇAS SAÚDE EXTREMISMO SOCIEDADE
COMENTÁRIOS (de 65):
Novo Assinante > A Sameiro: Porque será que o Recheio (Pingo Doce/Jerónimo
Martins) "atura", quero dizer financia o jornal Observador? J. D.L.: O Público é um jornal muito
respeitável para o qual milhões de portugueses contribuem monetariamente sempre
que vão às compras ao Continente. A SameiroJ. D.L.: Porque será que a Sonae "atura",quero dizer financia o jornal
Publico? José Tomás: Falar do Trump
serve a essa gente para não falar dos adeptos do Maccabi Telavive proibidos de
irem ver a bola a Birmingham por a polícia não poder garantir a sua segurança.
Judeus impedidos de andar em 2025, nas poucas ruas em que podiam andar em 1945,
mas o assunto é o Nobel “perdido” ou o piropo à Meloni. Antonio Rodrigues: De enaltecer a paciência do
Alberto em 'ler' o Público, sou um leitor compulsivo mas prefiro ler as bulas
dos medicamentos, mas se é para escrever estas crónicas está justificado. Antonio Rodrigues > A Sameiro: Sim, para mim
isso continua a ser um mistério. Manuel: Meu Caro AG: Não perca tempo a
ler o jornalixo que o público vomita nem a aturar os jornaleiros que por lá
pululam! Vão acabar a chafurdar sozinhos até a espelunca fechar... Albino Mendes: Os cães ladram e a caravana
passa. Aos militantes, seguidores e outros "admiradores" da esquerda,
só lhes falta reclamar com a mãe, por esta os ter parido. Está para um futuro
próximo. Português de bem: Esse pasquim de extrema-esquerda
é, juntamente com o Expresso, a maior porcaria na imprensa escrita. Um nojo, só
lamento ter financiado esse esgoto durante um tempo. O dinheiro mais mal gasto
da minha vida. Jorge
Espinha: Eu era muito novo no tempo do Reagan mas lembro-me de entre outras coisas
dizerem que como era evangélico e acreditava no juízo final podia perfeitamente
precipitar o mundo para uma guerra nuclear. Reagan também era “actor”, coisa
desprezível excepto quando se trata da Catarina Martins . Era burro e senil. Um
das razões da existência de Trump é terem chamado fascistas, racistas e
machistas aos dois Bush, MacCain e Romney e a todos os outros republicanos
antes de 2016. Sem excepção. Eventualmente os eleitores pensaram “que se lixe,
vou votar nesse gajo”. É o problema com o Montenegro , o Rangel e a rapariga
que menstrua , vivem apavorados com o que a esquerda possa dizer deles. E por
isso não servem para nada Luis Silva: Não é só o Público, quase toda
a imprensa escrita, rádio e televisão é do mesmo calibre. O Observador tem um
posicionamento mais liberal e aberto e tem este forum de discussão, senão
também não valeria a pena pagar assinatura. Maria Paula
Silva: Muito bom. O Público era um excelente jornal quando começou em 1990, salvo
erro, e foi-o durante muito tempo mas também há muito tempo que é uma bela
porcaria esquerdopata. Jornalistas,
a sério, há muito poucos. A actual CS avençada e dominada pela esquerda desde
1974 é uma vergonha para a profissão. A maior parte deles não são jornalistas,
mas copy-pasters. Antes de 1974, as pessoas tinham algum brio e vergonha.
Tinham vergonha de publicar certas coisas, primavam por ser cultas, divulgar a
verdade e não fazer figuras tristes. Hoje é exactamente o contrário: mentem,
distorcem, desinformam e não têm vergonha nenhuma de se mostrar publicamente
incultos e ignorantes.
O nível baixou muito, o que é preocupante. Manuel
Ferreira 21 > J. D.L.: Sem um boicote nacional às mercearias do continente,
continuaremos a ter público.
Komorebi Hi > A Sameiro: Não atura, é dona. As razões de uma empresa
capitalista de sucesso, um banco de facto e com "juros" altíssimos
provenientes do lucro, recebe logo e paga tarde, a prazo alargado aos
fornecedores, decerto espera deste Estado socialista compensações, a ver vamos
se vai manter a madrassa de comentadores e jornalistas se o Estado mudar o que
poderá estar ou não no horizonte a médio prazo, afinal a empresa/banco de
retalho apenas de depósitos, fazem inveja ao banqueiro mais corriqueiro de
hoje. Meio
Vazio: Oxalá, Trump nunca venha a confirmar o Teorema de Pitágoras. Seria uma
desgraça e um prejuízo enorme; milhões de manuais de geometria lançados ao
lixo...
S Belo: Já sei ! É o Trump D S a
pairar subrepticiamente nos ‘continentes’ que impede que em tais lugares se
consiga comprar uma peça de fruta comestível: sempre verdes como limos e duras como calhau. O ‘ público’ bem poderia
investigar.
José Tomás > A Sameiro: Para a Martins e a Mortágua
estarem sempre a criticar o Pingo Doce, mas nunca o Continente? Hugo Silva > João Proença: Tem escutas na sala oval? Komorebi Hi: Já que a UE e as sucessivas
Comissões provocaram e provocam a insegurança na Europa das Nações, desprezadas
e atacadas, pelos vários Centrões socialistas que ainda governam em França,
Portugal, Alemanha entre muitos outros sítios e em Espanha, cada vez mais
comunista, é bom que Trump parta de vez as loiças feitas de barro malcheiroso e
de vaza, nas várias lojas da Europa das Nações. Na Alemanha de Merkel, Schloz
e Merz este ano não vai haver os Mercados de Natal, tal teria de ser autorizado
pelos pacíficos representantes das várias comunidades islâmicas, facto
anedótico em si, só de pensar no torcicolo dos sheiks e porque os Estados não
garantem mais a segurança do seus cidadãos, mais tarde ou mais cedo
muçulmanos-novos convertidos, desde Merkel e Blair, seguidos pelos socialistas
e sociais-democratas. Não sei se na Áustria e nas regiões francesas da Alsácia, Lorena e Saboia
se passará o mesmo com esta tradição. Será que em Lisboa, Porto e outras cidades serão
permitidas as iluminações de Natal com música ou vão deixar de ser exibidas
para não ofender o mouro ou os seus sheiks, como aconteceu com o porco no
espeto em Lisboa? Carminda
Damiao: Excelente artigo. Português
de bem > Clavedesol: A amiga da nossa ganzada
turista do Mediterrâneo, é essa mesma. Luis Silva > Jorge Pereira: Hoje não atendo esquerdopatas.
Hugo Silva > pronouncer * :É perguntar aos canhotos como
fazer... Eles são exímios em extermínios. Clavedesol: Não é no Público que milita a
Fiambreira Carmo Afonso ?
Manuel Magalhães: Muito bom! José
Tomás > Clavedesol: Já não. Quando deixou de dar
jeito, foi trocada pelo Pedro Adão e Silva. Andrade BG: Para os bloquistas do Público
Trump tanto é um completo ignorante que fixa tarifas para ilhas desertas e um
primário caprichoso como é um cientista da demografia e meticuloso actor na
dinâmica humana. Rosa Graça: Excelente, como sempre. klaus muller > José Fernandes: Desde que ouvi uma dessas
comentadeiras duma TV chamar "estadista" ao Costa, deixei de dar
qualquer importância a esse termo. Para mim, o Trump até pode não resolver problemas; ele
oblitera-os. José Tomás > pronouncer*: Certo. Mas é
quase igual o que os “jornalistas”portugueses dizem de um e diziam do outro. Manuel Gonçalves: TDS é mesmo uma doença e pode
provocar a morte do afectado. Houve grávidas com TDS, que depois das
declarações de Trump sobre o paracetamol, gravaram vídeos a tomar vários
comprimidos de tylenol para mostrar que não tinham receio dos seus efeitos.
MariaPaula Silva > Luis Silva: concordo totalmente consigo. Aqui
no Observas o que vale é meia dúzia de cronistas e este forum de partilha, em
que se aprendem coisas giras, o resto é fraquinho. O Observador devia repensar
seriamente no seu casamento com a Lusa, não o beneficia. José Carvalho: O Luís Costa
Ribas e o José Milhazes são dois doentes crónicos de TDS. Para esses já não há
qualquer cura possível. Vão morrer da doença. José Paulo Castro b> José Fernandes: Ele é mais
prático: interessa ser o "estado disto" e o que fazer. "Estadista"
é para teóricos da ordem universal. Hugo Silva > Manuel Lisboa: Essa a sua
opinião... Tão válida como qualquer outra José B Dias: E só não vê quem sofrer de TDS ...
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