domingo, 19 de outubro de 2025

Análise social

 


De um analista imbatível na desmontagem dos seres que rodopiam em redor de outros seres controversos…

ACTIVAR ALERTAS

Trump Derangement Syndrome, uma doença ruidosa

O padrão é óbvio e consiste em torturar a realidade até que a realidade confesse irritar, perturbar, enxovalhar ou derrotar Trump.

ALBERTO GONÇALVES, Colunista do OBSERVADOR

OBSERVADOR, 18 out. 2025, 00:2065

Um destes dias, o Público inventou uma notícia intitulada “Trump terá de aceitar: Cabo Verde vai mesmo ao Mundial de futebol de 2026”. E a seguir, acrescentou no “lead”: “Pela primeira vez na história, a selecção cabo-verdiana apurou-se para a fase final de um Campeonato do Mundo. Dentro de oito meses, estará entre a elite, a competir nos EUA, apesar de Donald Trump.”

De início, fiquei intrigado. Nunca me tinha passado pela cabeça que Trump estivesse pessoalmente tão empenhado em impedir que a selecção de Cabo Verde se apurasse para o “Mundial” da bola. Será que o presidente dos EUA “torcia” por um dos adversários, fosse este os Camarões ou a Maurícia? Será que é adepto fanático de Angola ou da antiga Suazilândia, que pelos vistos se rebatizou, e muito bem, de Essuatíni?? Será que há uma comunidade de desportistas cabo-verdianos a aterrorizar a população do Illinois? Será que Trump odeia mornas e coladeiras? Será que há porta-aviões a rondar o Sal e ninguém me avisou? As dúvidas, dilacerantes, eram imensas, a resposta apenas uma: nada disso.

A questão é que Cabo Verde é um entre as dezenas de países cujos cidadãos podem hipoteticamente vir a ter problemas em conseguir visto para entrar nos EUA, e o Público aproveitou a deixa para sugerir que os resultados do futebol incomodam Trump. Suponho que na redacção daquele diário sinceramente se imagina o homem aos berros na Sala Oval e na rede social Truth: “Cabo Verde apurado? Inconcebível! É um ultraje e uma humilhação ao líder do mundo livre!”

Certos “jornalistas” e não só “jornalistas”, no Público e não só no Público, salivam de gozo com alucinações assim. É a escola de “jornalismo” que alimenta títulos como “Maria Corina Machado ganha Nobel da Paz contra Trump”, embora a senhora lhe tenha agradecido (e dedicado) o prémio. Contra Trump”. “Trump terá de aceitar”. “Apesar de Trump. O padrão é óbvio e consiste em torturar a realidade até que a realidade confesse irritar, perturbar, enxovalhar ou derrotar Trump. Não vi, mas aposto 50 euros em que já apareceu por aí a manchete: “Hamas massacra palestinianos a sangue-frio: chupa, Trump.”

Quando surgiu a designação “Trump Derangement Syndrome” (TDS), tomei-a por uma brincadeira, no fundo descendente da “Reagan Derangement Syndrome” e da “George W. Bush Derangement Syndrome”, ou seja uma metástase “natural” do corriqueiro anti-americanismo. E quando, em Abril passado, um grupo de cinco senadores republicanos do Minnesota tentou inscrever a TDS no quadro das doenças mentais reconhecidas no estado, também julguei que estavam a brincar. Entretanto, sinto-me obrigado a rever a posição: trata-se de facto de uma doença mental, que a benefício dos pacientes convém ser oficial e urgentemente diagnosticada no Minnesota e em todo o Hemisfério Norte.

Veja-se, por exemplo, o que ocorreu após a assinatura do plano de paz de Trump para Gaza. É compreensível que pessoas comuns receiem o descarrilamento do acordo pela impossibilidade de confiar em terroristas. É compreensível que apoiantes de terroristas receiem o êxito do acordo na medida em que isso os priva da “causa” e, no limite, de uma carreira no “activismo”. O que não é compreensível, excepto à luz da TDS, é haver quem genuinamente desejava o fim do conflito e agora lamenta o fim do conflito somente porque Trump foi o único estadista capaz de o alcançar.

Aliás, menos por méritos próprios do que por comparação com as anémonas que “governam” a vasta maioria do Ocidente, Trump afirma-se cada vez mais enquanto o único estadista, ponto. No seu estilo brutal, fanfarrão e à superfície errático, Trump é o elefante na loja de porcelanas nocivas e a pedirem para ser quebradas. Antes, as porcelanas riam-se de Trump. Hoje é Trump que se ri das porcelanas, espectáculo recomendável ainda recentemente em cena na cimeira do Egipto, em que zombou às claras das cerâmicas francesa, britânica, espanhola e canadiana. Em suma, apesar da insolência da equipa de determinado arquipélago africano, Trump, mesmo sem Nobel, tem o mundo aos pés. E esse sucesso, à semelhança da bonita analogia de Roger de Bussy-Rabutin sobre o amor/ausência e o fogo/vento (muito bonita: vão pendurá-la no Instagram e atribuam-na a Buda), acalma os raros casos ligeiros de TDS e agudiza os incontáveis casos terminais.

Um caso curável e notável revelou-se esta semana. A comentadora e jornalista americana Brandi Kruse admitiu publicamente ter sofrido oito anos de TDS, e anunciou, talvez iluminada por uma auréola, que se considera recuperada. E acrescentou: “É muito melhor não ter TDS: estou mais feliz, mais saudável, mais bem-sucedida. Acho até que fiquei um pouco mais atraente.” Vêem como vale a pena? Desgraçadamente, os casos terminais não prometem finais felizes, são inúmeros e continuam por aí, a rabiar no Twitter ou nos estúdios televisivos. E não, não há maneira de confundir em matéria de fanatismo os meros simpatizantes de Trump com as vítimas de TDS: os primeiros, suponho, não alimentam a esperança de que Trump descubra a cura para o cancro; os segundos têm pavor de que isso venha a suceder.

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COMENTÁRIOS (de 65):

Novo Assinante > A Sameiro: Porque será que o Recheio (Pingo Doce/Jerónimo Martins) "atura", quero dizer financia o jornal Observador?                     J. D.L.: O Público é um jornal muito respeitável para o qual milhões de portugueses contribuem monetariamente sempre que vão às compras ao Continente.              A SameiroJ. D.L.: Porque será que a Sonae "atura",quero dizer financia o jornal Publico?                José Tomás: Falar do Trump serve a essa gente para não falar dos adeptos do Maccabi Telavive proibidos de irem ver a bola a Birmingham por a polícia não poder garantir a sua segurança. Judeus impedidos de andar em 2025, nas poucas ruas em que podiam andar em 1945, mas o assunto é o Nobel “perdido” ou o piropo à Meloni.             Antonio Rodrigues: De enaltecer a paciência do Alberto em 'ler' o Público, sou um leitor compulsivo mas prefiro ler as bulas dos medicamentos, mas se é para escrever estas crónicas está justificado.              Antonio Rodrigues > A Sameiro: Sim, para mim isso continua a ser um mistério.                  Manuel: Meu Caro AG: Não perca tempo a ler o jornalixo que o público vomita nem a aturar os jornaleiros que por lá pululam! Vão acabar a chafurdar sozinhos até a espelunca fechar...                      Albino Mendes: Os cães ladram e a caravana passa. Aos militantes, seguidores e outros "admiradores" da esquerda, só lhes falta reclamar com a mãe, por esta os ter parido. Está para um futuro próximo.           Português de bem: Esse pasquim de extrema-esquerda é, juntamente com o Expresso, a maior porcaria na imprensa escrita. Um nojo, só lamento ter financiado esse esgoto durante um tempo. O dinheiro mais mal gasto da minha vida.                 Jorge Espinha: Eu era muito novo no tempo do Reagan mas lembro-me de entre outras coisas dizerem que como era evangélico e acreditava no juízo final podia perfeitamente precipitar o mundo para uma guerra nuclear. Reagan também era “actor”, coisa desprezível excepto quando se trata da Catarina Martins . Era burro e senil. Um das razões da existência de Trump é terem chamado fascistas, racistas e machistas aos dois Bush, MacCain e Romney e a todos os outros republicanos antes de 2016. Sem excepção. Eventualmente os eleitores pensaram “que se lixe, vou votar nesse gajo”. É o problema com o Montenegro , o Rangel e a rapariga que menstrua , vivem apavorados com o que a esquerda possa dizer deles. E por isso não servem para nada                   Luis Silva: Não é só o Público, quase toda a imprensa escrita, rádio e televisão é do mesmo calibre. O Observador tem um posicionamento mais liberal e aberto e tem este forum de discussão, senão também não valeria a pena pagar assinatura.                          Maria Paula Silva: Muito bom. O Público era um excelente jornal quando começou em 1990, salvo erro, e foi-o durante muito tempo mas também há muito tempo que é uma bela porcaria esquerdopata. Jornalistas, a sério, há muito poucos. A actual CS avençada e dominada pela esquerda desde 1974 é uma vergonha para a profissão. A maior parte deles não são jornalistas, mas copy-pasters. Antes de 1974, as pessoas tinham algum brio e vergonha. Tinham vergonha de publicar certas coisas, primavam por ser cultas, divulgar a verdade e não fazer figuras tristes. Hoje é exactamente o contrário: mentem, distorcem, desinformam e não têm vergonha nenhuma de se mostrar publicamente incultos e ignorantes.

O nível baixou muito, o que é preocupante.                   Manuel Ferreira 21  >  J. D.L.: Sem um boicote nacional às mercearias do continente, continuaremos a ter público.                     Komorebi Hi > A Sameiro:  Não atura, é dona. As razões de uma empresa capitalista de sucesso, um banco de facto e com "juros" altíssimos provenientes do lucro, recebe logo e paga tarde, a prazo alargado aos fornecedores, decerto espera deste Estado socialista compensações, a ver vamos se vai manter a madrassa de comentadores e jornalistas se o Estado mudar o que poderá estar ou não no horizonte a médio prazo, afinal a empresa/banco de retalho apenas de depósitos, fazem inveja ao banqueiro mais corriqueiro de hoje.                    Meio Vazio: Oxalá, Trump nunca venha a confirmar o Teorema de Pitágoras. Seria uma desgraça e um prejuízo enorme; milhões de manuais de geometria lançados ao lixo...

S Belo: Já sei ! É o Trump D S a pairar subrepticiamente nos ‘continentes’ que impede que em tais lugares se consiga comprar uma peça de fruta comestível: sempre verdes como limos  e duras como calhau. O ‘ público’ bem poderia investigar.

José Tomás > A Sameiro: Para a Martins e a Mortágua estarem sempre a criticar o Pingo Doce, mas nunca o Continente?                   Hugo Silva > João Proença: Tem escutas na sala oval?                    Komorebi Hi: Já que a UE e as sucessivas Comissões provocaram e provocam a insegurança na Europa das Nações, desprezadas e atacadas, pelos vários Centrões socialistas que ainda governam em França, Portugal, Alemanha entre muitos outros sítios e em Espanha, cada vez mais comunista, é bom que Trump parta de vez as loiças feitas de barro malcheiroso e de vaza, nas várias lojas da Europa das Nações. Na Alemanha de Merkel, Schloz e Merz este ano não vai haver os Mercados de Natal, tal teria de ser autorizado pelos pacíficos representantes das várias comunidades islâmicas, facto anedótico em si, só de pensar no torcicolo dos sheiks e porque os Estados não garantem mais a segurança do seus cidadãos, mais tarde ou mais cedo muçulmanos-novos convertidos, desde Merkel e Blair, seguidos pelos socialistas e sociais-democratas. Não sei se na Áustria e nas regiões francesas da Alsácia, Lorena e Saboia se passará o mesmo com esta tradição. Será que em Lisboa, Porto e outras cidades serão permitidas as iluminações de Natal com música ou vão deixar de ser exibidas para não ofender o mouro ou os seus sheiks, como aconteceu com o porco no espeto em Lisboa?                Carminda Damiao: Excelente artigo.              Português de bem > Clavedesol: A amiga da nossa ganzada turista do Mediterrâneo, é essa mesma.                 Luis Silva > Jorge Pereira: Hoje não atendo esquerdopatas.

Hugo Silva > pronouncer * :É perguntar aos canhotos como fazer... Eles são exímios em extermínios.                   Clavedesol: Não é no Público que milita a Fiambreira Carmo Afonso ?                     Manuel Magalhães: Muito bom!              José Tomás > Clavedesol: Já não. Quando deixou de dar jeito, foi trocada pelo Pedro Adão e Silva.                 Andrade BG: Para os bloquistas do Público Trump tanto é um completo ignorante que fixa tarifas para ilhas desertas e um primário caprichoso como é um cientista da demografia e meticuloso actor na dinâmica humana.               Rosa Graça: Excelente, como sempre.                 klaus muller > José Fernandes: Desde que ouvi uma dessas comentadeiras duma TV chamar "estadista" ao Costa, deixei de dar qualquer importância a esse termo. Para mim, o Trump até pode não resolver problemas; ele oblitera-os.     José Tomás >  pronouncer*: Certo. Mas é quase igual o que os “jornalistas”portugueses dizem de um e diziam do outro.             Manuel Gonçalves: TDS é mesmo uma doença e pode provocar a morte do afectado. Houve grávidas com TDS, que depois das declarações de Trump sobre o paracetamol, gravaram vídeos a tomar vários comprimidos de tylenol para mostrar que não tinham receio dos seus efeitos.

MariaPaula Silva > Luis Silva: concordo totalmente consigo. Aqui no Observas o que vale é meia dúzia de cronistas e este forum de partilha, em que se aprendem coisas giras, o resto é fraquinho. O Observador devia repensar seriamente no seu casamento com a Lusa, não o beneficia.            José Carvalho: O Luís Costa Ribas e o José Milhazes são dois doentes crónicos de TDS. Para esses já não há qualquer cura possível. Vão morrer da doença.                  José Paulo Castro b> José Fernandes: Ele é mais prático: interessa ser o "estado disto" e o que fazer. "Estadista" é para teóricos da ordem universal.               Hugo Silva > Manuel Lisboa: Essa a sua opinião... Tão válida como qualquer outra                   José B Dias: E só não vê quem sofrer de TDS ...

 

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