FRANCISCO PINTO BALSEMÃO.
Morreu Pinto Balsemão, dono da SIC e Expresso e
um dos fundadores do PSD. Tinha 88 anos
Fundou o
Expresso, foi primeiro-ministro e como empresário lançou a primeira televisão
privada. Francisco Pinto Balsemão morreu aos 88 anos "de
causas naturais".
OBSERVADOR, 21 out. 2025, 22:38 16
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Morreu FRANCISCO PINTO BALSEMÃO.
O político e empresário de comunicação social
faleceu esta terça-feira, 21 aos 88 anos. A Imprensa diz que Pinto
Balsemão morreu de “causas naturais”, tendo “os seus últimos momentos” sido
“acompanhados pela família”.
O militante n.º1 do PPD-PSD foi
primeiro-ministro à frente do Governo da
Aliança Democrática (AD) depois da queda do avião que vitimou Francisco Sá Carneiro em dezembro de
1980. Desempenhou vários
cargos na política — deputado na
Assembleia Nacional no anterior regime em nome da Ala Liberal, deputado da
assembleia constituinte e deputado — mas foi na comunicação social, primeiro
como jornalista e depois como empresário, que viria a deixar a marca mais forte.
Francisco Balsemão lançou o
semanário EXPRESSO em 1973, a
um ano da chegada da democracia e num país onde existia a censura, que aliás
conhecia bem dos anos que tinha trabalhado no Diário Popular, um jornal onde
entrou pelas ligações familiares — o tio era o maior accionista — depois de tirar o curso de Direito e da
instrução militar na Força Aérea.
Atravessou o conturbado período que se seguiu à revolução do 25 de
Abril na direcção do Expresso do qual era director e proprietário (em sociedade
com amigos e empresários próximos). Um dos colaboradores mais próximos neste
período foi Marcelo Rebelo de Sousa
que viria a substituí-lo como director.
Apesar da dedicação ao projecto
jornalístico, Balsemão
nunca deixou de ter um pé na política e no partido. Até que a vitória
da AD original (formada pelo PSD, CDS e PPM), no final de 1979, o levou para o
Governo onde assumiu o cargo de ministro adjunto do primeiro-ministro em
janeiro de 1980. Um ano
depois era o primeiro-ministro de Portugal, cargo que ocupou em dois governos
da AD até à sua demissão em junho de 1983, em consequência de conflitos
internos dentro da aliança e no próprio partido.
Entre os processos que marcaram a sua governação está a primeira
revisão constitucional que eliminou o Conselho da Revolução (substituído pelo
Conselho de Estado com menos poderes), mas também as negociações para a adesão
à Comunidade Europeia. Numa homenagem feita em 2021 aos 40 anos dos
seus governos, António Costa, (então
primeiro-ministro) destacou que foi durante a sua governação que “foi
aprovada toda a legislação penal do Estado de direito democrático» o que foi «uma
verdadeira revolução cultural entre o quadro que herdáramos da ditadura
e o actual».
Com a saída do poder, Balsemão
deixa para trás uma carreira política e concentra-se na comunicação social — já não como jornalista ou director do Expresso — mas
como empresário apostado em crescer e criar um grupo. Para além
da compra de várias publicações especializadas e revistas como a VISÃO, é a criação da primeira estação privada de televisão que
vai ser o seu grande projecto. A
SIC vai para o ar em outubro de 1992, rompendo o monopólio de 35 anos da
RTP.
Apesar das primeiras dificuldades em
se impor, a SIC viria a conquistar a liderança das audiências em 1995, posição
que lhe garantiu uma grande receita publicitária que beneficiou todo o grupo.
BALSEMÃO abriu o capital da Impresa em bolsa no ano 2000, sem nunca abdicar
do controlo accionista e de gestão do grupo, o que lhe valeu algumas “guerras”
com parceiros e investidores. Ao mesmo tempo, os que trabalharam com
ele, reconhecem-lhe, enquanto dono e patrão, o total respeito pela autonomia
editorial dos seus órgãos e dos seus directores.
O empresário Francisco Pinto Balsemão
sempre defendeu que a melhor forma de
garantir a independência nas notícias era ganhar dinheiro no negócio, mas o seu
grupo nem sempre conseguiu ter lucros. Depois dos anos de ouro, a SIC perdeu a liderança para a TVI e teve
prejuízos que penalizaram a situação da Impresa
e pressionaram o seu maior accionista por causa da elevada dívida.
Mas a SIC de Balsemão também foi pioneira em Portugal ao criar a primeira
estação só de notícias que serviu de modelo para as que se seguiram — a SIC Notícias — e lançar outros
canais temáticos no cabo — SIC
Radical, SIC Mulher, SIC Caras, SIC K e SIC Novelas e a plataforma de streaming
Opto.
Com a recessão económica e, mais recentemente, a transformação digital,
a Impresa teve de lidar com
algumas crises. Em 2011, ainda com Balsemão à frente da administração, a Ongoing
de Nuno Vasconcellos tenta
disputar o controlo da SIC e ameaça comprar a TVI se não conseguir mandar na estação de Carnaxide. A batalha que se
seguiu passou pelas assembleias-gerais e pelos tribunais, mas também pelas
notícias. Balsemão ganhou em toda a linha. Mas pouco depois, em 2012,
abandonou funções executivas. Em 2017, já com o filho à frente da
administração, a Impresa teve
de vender as revistas a Luís Delgado para reduzir a exposição às perdas da
imprensa também por pressão dos bancos credores.
Já este ano, foram conhecidas
as negociações com o grupo de media criado
pelo empresário italiano Berlusconi (já falecido) que podem resultar na venda de uma posição de controlo da Impresa.
Em paralelo com a vida de
empresário, Balsemão
manteve uma forte ligação ao grupo Bilderberg,
organização internacional que se dedicava a juntar todos os anos na mesma sala
vários membros da elite política económica. Durante décadas fez
parte comité executivo, tendo nessa qualidade, decidido que portugueses seriam
convidados para os encontros exclusivos.
Manteve
igualmente uma carreira académica como professor associado na Faculdade de
Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova até 2002. Foram
15 anos em que que ajudou a formar centenas de jornalistas com a sua cadeira de
“A Mutação dos Media”. Muitos acabaram
por trabalhar no Expresso e na SIC.
Francisco Pinto Balsemão manteve-se como presidente não executivo do
grupo e foi tendo intervenções
públicas na esfera da política — apoiou Rui Rio quando este disputou a
liderança do PSD contra Montenegro —, mas também na comunicação social, tendo
conduzido um “podcast” de entrevistas.
Publicou as suas memórias em 2021,
que foram contadas em podcast este ano com o recurso à inteligência
artificial, as quais termina evocando um poeta da Nicarágua, Ernesto Cardenal:
«Hoje e sempre, a única obrigação
moral que poderá ser exigida ao Homem, para que seja mais do que matéria físico-química,
é que procure deixar o Mundo onde nasceu, ou seja esta Terra ou algo mais vasto,
melhor do que o encontrou».
FRANCISCO
PINTO BALSEMÃO PAÍS SOCIEDADE ÓBITO
COMENTÁRIOS (de 16)
Lily Lx: Descanse em paz. JOSÉ MANUEL: condolências à sua família Salvador Antunes: Condolências à família
e que descanse em paz. Sata:
Morreu
um grande jornalista e político. Muito influente na fundação da democracia em
Portugal. Os últimos 25 anos foram maus em termos jornalísticos (Expresso, SIC) Que descanse em paz! antonio afonso: paz á sua alma.
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