Brilhante
Como síntese ideológica. Repito: “A esquerda órfã da classe operária
procura no Islão radical o novo sujeito revolucionário da disciplina e do
ressentimento do anti-capitalismo, anti-ocidental e anti-liberdade”. Como
os seus comentadores, também me revejo nessa nova luz definidora que, pelos
anos que nos trouxeram um Abril libertário, repousava os seus saberes morais em
ataques mais sobre a direita equilibrada, (por ignorância ou indiferença, ou
apenas disponibilidade para o cumprimento das suas responsabilidades laborais
ou familiares…)
Uma questão de fé
A
esquerda órfã da classe operária procura no Islão radical o novo sujeito
revolucionário da disciplina e do ressentimento do anti-capitalismo,
anti-ocidental e anti-liberdade
NUNO GONÇALO POÇAS Colunista
do Observador. Advogado, autor de "Presos
Por Um Fio – Portugal e as FP-25 de Abril"
OBSERVADOR, 07
out. 2025, 00:1850
Começou como missão humanitária, por
oposição às acusações de propaganda. Acabou
como acção de propaganda, por oposição às acusações de que a coisa servia
apenas para sinalizar virtudes e condicionar o debate público europeu, e não
vinha daí nenhum mal ao mundo, já que quem contesta a propaganda é conivente
com o “genocídio”, é desprovido de “humanidade”, é, enfim, um selvagem.
Partiram, não em silêncio, como os monges, mas como propagandistas
da virtude. Um grupo de
virtuosos — ateus por dentro, mas pequenos deuses por fora — embarcou
rumo à mais recente romaria laica da extrema-esquerda europeia. A bordo iam as ideias de sempre, os
dogmas de sempre, os ícones reciclados, os jornalistas amigos e a absoluta
convicção de que alcançariam tudo o que fosse necessário para mostrar ao mundo
que o Ocidente, sempre ele, da América a Israel, é o diabo encarnado.
O
pequeno exército de acólitos
da indignação selectiva decidiu
fazer-se ao mar como quem parte em campanha eleitoral a bordo do sofrimento
alheio. Não abundavam os mantimentos, nem soluções
que não passassem pelo fim de Israel, mas sobejava o capital simbólico de
pertencer à Igreja do Humanismo Superior da Esquerda, aqui e ali financiada por
terroristas, ali e acolá abençoada por sectarismos de décadas.
Não
foi um gesto isolado, mas um ritual de confirmação, este dos novos sacerdotes
da esquerda radical europeia, sempre desejosos de serem vistos no campo do
sofrimento que lhes interessa. Afinal,
onde estava a solidariedade para com o desgraçado povo palestiniano quando este
era vítima de massacres e objecto de escudo militar às mãos do Hamas?
Do alto das catedrais laicas da
Europa, os bispos da causa assistem embevecidos à cerimónia levada a cabo pelos
seus missionários políticos. É
uma homilia escrita há décadas, entre panfletos libertários, simpatias
revolucionárias e silêncios sobre cadáveres incómodos. A ETA? É complexo. As FP-25? Carece de
contexto. A URSS? É comunismo mal interpretado. O terceiro-mundismo? Erros de
percurso. Os mortos do socialismo real? Um azar. Os milhões de vidas desfeitas
por aquilo em que acreditaram? Um detalhe.
E agora, com uma vida inteira
de cumplicidades intelectuais e jornalísticas com regimes e causas que fizeram
da violência um método legítimo, vêm oferecer-se como fiscais do nosso
moralismo e inquisidores da bondade dos outros. Apontam o dedo, com a cátedra
que lhes dá o cinismo, a tudo o que não cabe no evangelho anti-ocidental.
O problema não é que tenham ido. O problema é que nunca voltam com
dúvidas. A Brigada Moral da Esquerda só tem certezas a respeito de tudo e de
todos. Estão sempre certos de estarem do lado certo da História, como sempre
estiveram – mesmo com um rasto de sangue atrás de si. A esquerda radical é como o seu
contrário – quer-se
absoluta, e precisa de uma liturgia. Não tem Deus, nem precisa, porque é
ela que distribui culpas e absolvições. Para
ela não há nuances, não há cinzentos, não há sequer factos para lá do único
facto (e se for mesmo um facto já é uma sorte!) que lhe importa. Prega um
humanismo sem humanidade – selectivo, estratégico, panfletário. Comovem-se com
tudo, excepto com as vítimas da sua própria História.
Esta aliança entre a esquerda radical
europeia e o islamismo radical não é nova, mas tem agora o seu momento-chave de
2025. É um
movimento paradoxal, é certo, mas que nasce todo de uma afinidade e de muita
conveniência. A esquerda órfã da classe operária procura no islão radical o
novo sujeito revolucionário da disciplina e do ressentimento do
anti-capitalismo, anti-ocidental e anti-liberdade. O objectivo
partilhado é minar o que resta da cultura ocidental. A flotilha é apenas o último sacramento.
Uma espécie de canto do cisne, belíssimo nos ecrãs onde desfila o clero raivoso
anti-burguês, mas prestes a morrer eleitoralmente. A reacção que
provocam não será, infelizmente, menos dura do que toda esta estupidez
sectária. Mas como tudo isto foi procurado, presumo que também ninguém
esteja cá para se queixar depois.
HAMAS CONFLITO
ISRAELO-PALESTINIANO MUNDO EXTREMA
ESQUERDA POLÍTICA
COMENTÁRIOS (de 50)
Jorge Espinha: Muito bom. Faltou falar de outro membro da santa
aliança, o centro direita Europeu. Que ao fim de tantos anos a repetir
as balelas politicamente correctas acabou por acreditar nelas. É bom lembrar
que o Governo reconheceu o estado da Palestina. A lição também foi
incorporada pelo exército de idiotas úteis de direita que batem no peito ao
proclamar o seu amor pela imigração sem entraves. Um Maná do céus para uma
economia que resiste em pagar melhores salários e explora agora esses semi
escravos que certamente cada dia que passa amam cada vez mais Portugal . Não
vou votar no Chega mas não vejo saída para isto 109 Responder Carlos
Chaves: Caríssimo
Nuno Gonçalo Poças, muito obrigado por desmascarar estas quadrilhas de
extrema-esquerda! “A aliança entre a esquerda radical (extrema digo eu),
europeia e o islamismo radical (…)” engloba também a comunicação social, que
branqueia e propagandeia estas estratégias e ideias totalitárias! Sem este
comportamento inaceitável da CS, não teriam tanto êxito, e morreriam nos sites
e nas redes sociais destas organizações criminosas! graça
Dias: Um artigo
arrebatador e de brilhante fundamentação e análise objectiva. A esquerda
radical europeia órfã de tantas perdas entrou num desaire alucinante e
irracional, escudada em slogans "virtuosos" ,que se
traduzem numa amálgama de: ressentimentos;
ódiooos; mentiras; falsidades; narrativas excêntricas Numa “CRUZADA conjunta
e perigosa” com o ISLAMISMO RADICAL, que busca restaurar busca a Sharia.
PS: a política religiosa de alguns governos
Islâmicos é financiada a nível global desde
longo tempo, através da indústria petrolífera e... Ao Dr. Gonçalo Poças
o meu obrigada por este artigo de grande elevação. Miguel Aguiar: A esquerda é o Frei Tomás da
História; O Frei Tomás Lenin Trotsky Stalin de Khrushchev e Etc que pintou a
URSS de Gulags de sangue. É o Frei Tomás Mao e PCC que matou dezenas de milhões
de chineses e se agora "levantou" da pobreza foi porque enterrou a China
nela. É o Frei Tomás de Pol Pot que só "limpou" um terço dos seus
compatriotas... Éo Frei Tomás de Fidel de Che Guevara, o Frei Tomás de Honecker
Stasi que "vigiava" atentamente os seus súbditos. E porque não Frei
Hitler que na sua cartilha partilhava esses valores e Frei Tomás de Stalin até
se aliou com ele para melhor digerir a Polónia. Quanto a Frei Tomás do
Islamismo, a aliança não é nova, já Frei Tomás de Amin al-Husayni se tinha
aliado com Frei Tomás Hitler para "fritar" judeus... O Frei
Tomás Islâmico é responsável por centenas de milhões de mortes na sua
congregação!... O Frei Tomás Sunita não se entende com o Frei Tomás Xiita desde
632 dC!... Carlos
Jerónimo: Esta esquerda radical é tão cega e tão estúpida, que não consegue perceber
que está a fazer o papel de cavalo de Tróia do islamismo radical… José Lúcio: Enquanto a Esquerda dominar
aquilo a que se chama CAMP (Cultura, Academia, Média, Publicações) a sua
narrativa será sempre alvo de compreensão, adulação, publicidade e
benevolência. Benevolência, essa que negam sempre aos outros. E pregam como
zelotas fervorosos a sua visão da História, do Mundo, da Geografia e da
Política. Não têm dúvidas porque tal seria incompatível com o superior estado
de compreensão da Grande Roda do Mundo a que julgam ter ascendido. O Wokismo e as migrações
descontroladas são apenas mais umas manifestações das experiências que a
Extrema Esquerda sempre se dedicou com um afinco avassalador. Claro que
quando estas experiências se revelam catastróficas já os maoistas partiram para
outra experiência nunca pedindo desculpa ou reconhecendo um erro que seja. E
contam sempre com a conivência cobarde ou silenciosa do CAMP - a este
propósito eu pergunto: todas as semanas somos bombardeados com mais um livro,
um filme, uma série, uma peça de teatro sobre os grandes perigos da “direita“.
E que tal ao menos um filme ou uma série sobre Purgas, Revolução Cultural, a
experiência do camarada Pol Pot ou Gulags? Mas isso seria pedir demais nesta
Europa Ocidental enterrada em esquerdismo laicista radical e com uma aliança
aterradora com o radicalismo islâmico. Não é fácil acreditar no futuro do
Ocidente… Pedro
Baptista: Brilhante, bem-haja pela sua
lucidez e coragem na partilha do seu pensamento Jorge
Almeida > Carlos Jerónimo: Meu caro, lamento que esteja
enganado! A esquerda radical não é cega, sabem muito bem o que estão a fazer,
pois o seu objectivo é rebentar completamente com o sistema democrático -
liberal que ainda subsiste, mal ou bem, nas sociedades ocidentais com democracias
liberais. Sabem o que estão a fazer e têm toda a intenção em fazê-lo. Não se
iluda! Francisco
Ramos:
Que beleza. Bom
que ainda haja colunistas deste calibre para justificar a assinatura do jornal.
Desmascarar esta pandilha de inúteis e mal-intencionados, é um dever de quem
tem capacidade para o fazer. O país fica em dívida para com esta gente. Fica
aqui expresso o meu reconhecimento ao Nuno Gonçalo pelo mérito evidenciado na
denúncia duma causa oportunista, mal intencionada e criminosa. GateKeeper: Top 10.
António Mesquita: "O
problema não é que tenham ido." O problema é que voltaram. José B
Dias: Assino por baixo com vénia e aclamação. Oscar gomes: Do melhor !!! Acrescentaria que, para a esquerda
radical, nesses países islâmicos (Irão e outros) que a as mulheres, os direitos
humanos, sindicais, sociais a justiça social entre outros, cuja defesa eles
entre nós reivindicam acaloradamente, funcionam na perfeição. Manuel F: Crónica ao nível a que nos habituou o G Poças. A
tecla dos meios de comunicação é das mais referidas recorrentemente e penso que
seria relativamente fácil pôr-lhe termo. A percentagem de pessoas que compram
jornais e afins é diminuta e essencialmente urbana, restam as TV´s que me
parece são o principal meio de doutrinação das massas, pelo poder instituído. Espero
que com a subida da direita ao poder, por essa Europa fora, o que parece
inevitável, se acabe de vez com os apoios públicos aos meios de comunicação e
será o fim da sobrevivência dos que vendem ideias apoiadas por uma minoria com
um peso desmedido e que não reflecte o pensamento e o crer da grande maioria. É enjoativo ver o alinhamento
das TV´s na divulgação das notícias, sempre enviesadas para o mesmo lado,
distorcendo a realidade, ou por omissão ou por selecção do que lhes interessa.
A nível interno eu começaria por limpar a Lusa e por aí fora… E depois seria
por as mãos para o céu e esperar que a direita em ascensão, com o tempo, não
cometesse os mesmos erros, o que não me admiraria nada. Sr Leão > Carlos Jerónimo: Com sua licença, permita-me
duvidar da sua afirmação relativa à cegueira e estupidez da esquerda. E mais: não só a esquerda
estudou e conhece perfeitamente o papel que desempenha -- utiliza o cavalo de
madeira para romper as defesas troianas -- como também o próprio islamismo tem
perfeita consciência das facilidades que a esquerda lhe vai oferecendo na
"reconquista islâmica". Miguel
Aguiar > Miguel Aguiar: Para quem não sabe, o Frei
Tomás é o protagonista de: "Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não
faças o que ele faz" Nuno Abreu: "A esquerda órfã da
classe operária procura no Islão radical o novo sujeito revolucionário da
disciplina e do ressentimento do anti-capitalismo, anti-ocidental e
anti-liberdade." Desenho perfeito do PCP, BE. Livre e uma franja do PS comandado por
Pedro Nuno. Felizmente que há outros Nuno's ! Carlos F.
Marques: Muito bom. José
Ferreira: Brilhante,
como sempre. Rosa
Graça: Muito bom! Meio
Vazio: Oxalá não
triunfem (... a bem da sua pele)!
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