quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Brilhante

 

Brilhante

Como síntese ideológica. Repito:A esquerda órfã da classe operária procura no Islão radical o novo sujeito revolucionário da disciplina e do ressentimento do anti-capitalismo, anti-ocidental e anti-liberdade”. Como os seus comentadores, também me revejo nessa nova luz definidora que, pelos anos que nos trouxeram um Abril libertário, repousava os seus saberes morais em ataques mais sobre a direita equilibrada, (por ignorância ou indiferença, ou apenas disponibilidade para o cumprimento das suas responsabilidades laborais ou familiares…)

 

Uma questão de fé

A esquerda órfã da classe operária procura no Islão radical o novo sujeito revolucionário da disciplina e do ressentimento do anti-capitalismo, anti-ocidental e anti-liberdade

NUNO GONÇALO POÇAS Colunista do Observador. Advogado, autor de "Presos Por Um Fio – Portugal e as FP-25 de Abril"

OBSERVADOR, 07 out. 2025, 00:1850

Começou como missão humanitária, por oposição às acusações de propaganda. Acabou como acção de propaganda, por oposição às acusações de que a coisa servia apenas para sinalizar virtudes e condicionar o debate público europeu, e não vinha daí nenhum mal ao mundo, já que quem contesta a propaganda é conivente com o “genocídio”, é desprovido de “humanidade”, é, enfim, um selvagem. Partiram, não em silêncio, como os monges, mas como propagandistas da virtude. Um grupo de virtuosos — ateus por dentro, mas pequenos deuses por foraembarcou rumo à mais recente romaria laica da extrema-esquerda europeia. A bordo iam as ideias de sempre, os dogmas de sempre, os ícones reciclados, os jornalistas amigos e a absoluta convicção de que alcançariam tudo o que fosse necessário para mostrar ao mundo que o Ocidente, sempre ele, da América a Israel, é o diabo encarnado.

O pequeno exército de acólitos da indignação selectiva decidiu fazer-se ao mar como quem parte em campanha eleitoral a bordo do sofrimento alheio. Não abundavam os mantimentos, nem soluções que não passassem pelo fim de Israel, mas sobejava o capital simbólico de pertencer à Igreja do Humanismo Superior da Esquerda, aqui e ali financiada por terroristas, ali e acolá abençoada por sectarismos de décadas.

Não foi um gesto isolado, mas um ritual de confirmação, este dos novos sacerdotes da esquerda radical europeia, sempre desejosos de serem vistos no campo do sofrimento que lhes interessa. Afinal, onde estava a solidariedade para com o desgraçado povo palestiniano quando este era vítima de massacres e objecto de escudo militar às mãos do Hamas?

Do alto das catedrais laicas da Europa, os bispos da causa assistem embevecidos à cerimónia levada a cabo pelos seus missionários políticos. É uma homilia escrita há décadas, entre panfletos libertários, simpatias revolucionárias e silêncios sobre cadáveres incómodos. A ETA? É complexo. As FP-25? Carece de contexto. A URSS? É comunismo mal interpretado. O terceiro-mundismo? Erros de percurso. Os mortos do socialismo real? Um azar. Os milhões de vidas desfeitas por aquilo em que acreditaram? Um detalhe.

E agora, com uma vida inteira de cumplicidades intelectuais e jornalísticas com regimes e causas que fizeram da violência um método legítimo, vêm oferecer-se como fiscais do nosso moralismo e inquisidores da bondade dos outros. Apontam o dedo, com a cátedra que lhes dá o cinismo, a tudo o que não cabe no evangelho anti-ocidental.

O problema não é que tenham ido. O problema é que nunca voltam com dúvidas. A Brigada Moral da Esquerda só tem certezas a respeito de tudo e de todos. Estão sempre certos de estarem do lado certo da História, como sempre estiveram – mesmo com um rasto de sangue atrás de si. A esquerda radical é como o seu contrárioquer-se absoluta, e precisa de uma liturgia. Não tem Deus, nem precisa, porque é ela que distribui culpas e absolvições. Para ela não há nuances, não há cinzentos, não há sequer factos para lá do único facto (e se for mesmo um facto já é uma sorte!) que lhe importa. Prega um humanismo sem humanidade – selectivo, estratégico, panfletário. Comovem-se com tudo, excepto com as vítimas da sua própria História.

Esta aliança entre a esquerda radical europeia e o islamismo radical não é nova, mas tem agora o seu momento-chave de 2025. É um movimento paradoxal, é certo, mas que nasce todo de uma afinidade e de muita conveniência. A esquerda órfã da classe operária procura no islão radical o novo sujeito revolucionário da disciplina e do ressentimento do anti-capitalismo, anti-ocidental e anti-liberdade. O objectivo partilhado é minar o que resta da cultura ocidental. A flotilha é apenas o último sacramento. Uma espécie de canto do cisne, belíssimo nos ecrãs onde desfila o clero raivoso anti-burguês, mas prestes a morrer eleitoralmente. A reacção que provocam não será, infelizmente, menos dura do que toda esta estupidez sectária. Mas como tudo isto foi procurado, presumo que também ninguém esteja cá para se queixar depois.

HAMAS      CONFLITO ISRAELO-PALESTINIANO     MUNDO     EXTREMA ESQUERDA      POLÍTICA

COMENTÁRIOS (de 50)

Jorge Espinha: Muito bom. Faltou falar de outro membro da santa aliança, o centro direita Europeu. Que ao fim de tantos anos a repetir as balelas politicamente correctas acabou por acreditar nelas. É bom lembrar que o Governo reconheceu o estado da Palestina. A lição também foi incorporada pelo exército de idiotas úteis de direita que batem no peito ao proclamar o seu amor pela imigração sem entraves. Um Maná do céus para uma economia que resiste em pagar melhores salários e explora agora esses semi escravos que certamente cada dia que passa amam cada vez mais Portugal . Não vou votar no Chega mas não vejo saída para isto 109 Responder                   Carlos Chaves: Caríssimo Nuno Gonçalo Poças, muito obrigado por desmascarar estas quadrilhas de extrema-esquerda! “A aliança entre a esquerda radical (extrema digo eu), europeia e o islamismo radical (…)” engloba também a comunicação social, que branqueia e propagandeia estas estratégias e ideias totalitárias! Sem este comportamento inaceitável da CS, não teriam tanto êxito, e morreriam nos sites e nas redes sociais destas organizações criminosas!                graça Dias: Um artigo arrebatador e de brilhante fundamentação e análise objectiva. A esquerda radical europeia órfã de tantas perdas entrou num desaire alucinante e irracional, escudada em slogans "virtuosos" ,que se traduzem numa amálgama de: ressentimentos; ódiooos; mentiras; falsidades; narrativas excêntricas Numa “CRUZADA conjunta e perigosa” com o ISLAMISMO RADICAL, que busca restaurar busca a Sharia.  PS: a política religiosa de alguns governos Islâmicos é financiada a nível global desde longo tempo, através da indústria petrolífera e... Ao Dr. Gonçalo Poças o meu obrigada por este artigo de grande elevação.                    Miguel Aguiar: A esquerda é o Frei Tomás da História; O Frei Tomás Lenin Trotsky Stalin de Khrushchev e Etc que pintou a URSS de Gulags de sangue. É o Frei Tomás Mao e PCC que matou dezenas de milhões de chineses e se agora "levantou" da pobreza foi porque enterrou a China nela. É o Frei Tomás de Pol Pot que só "limpou" um terço dos seus compatriotas... Éo Frei Tomás de Fidel de Che Guevara, o Frei Tomás de Honecker Stasi que "vigiava" atentamente os seus súbditos. E porque não Frei Hitler que na sua cartilha partilhava esses valores e Frei Tomás de Stalin até se aliou com ele para melhor digerir a Polónia. Quanto a Frei Tomás do Islamismo, a aliança não é nova, já Frei Tomás de Amin al-Husayni se tinha aliado com Frei Tomás Hitler para "fritar" judeus... O Frei Tomás Islâmico é responsável por centenas de milhões de mortes na sua congregação!... O Frei Tomás Sunita não se entende com o Frei Tomás Xiita desde 632 dC!...                   Carlos Jerónimo: Esta esquerda radical é tão cega e tão estúpida, que não consegue perceber que está a fazer o papel de cavalo de Tróia do islamismo radical                José Lúcio: Enquanto a Esquerda dominar aquilo a que se chama CAMP (Cultura, Academia, Média, Publicações) a sua narrativa será sempre alvo de compreensão, adulação, publicidade e benevolência. Benevolência, essa que negam sempre aos outros. E pregam como zelotas fervorosos a sua visão da História, do Mundo, da Geografia e da Política. Não têm dúvidas porque tal seria incompatível com o superior estado de compreensão da Grande Roda do Mundo a que julgam ter ascendido. O Wokismo e as migrações descontroladas são apenas mais umas manifestações das experiências que a Extrema Esquerda sempre se dedicou com um afinco avassalador. Claro que quando estas experiências se revelam catastróficas já os maoistas partiram para outra experiência nunca pedindo desculpa ou reconhecendo um erro que seja. E contam sempre com a conivência cobarde ou silenciosa do CAMP - a este propósito eu pergunto: todas as semanas somos bombardeados com mais um livro, um filme, uma série, uma peça de teatro sobre os grandes perigos da “direita“. E que tal ao menos um filme ou uma série sobre Purgas, Revolução Cultural, a experiência do camarada Pol Pot ou Gulags? Mas isso seria pedir demais nesta Europa Ocidental enterrada em esquerdismo laicista radical e com uma aliança aterradora com o radicalismo islâmico. Não é fácil acreditar no futuro do Ocidente               Pedro Baptista: Brilhante, bem-haja pela sua lucidez e coragem na partilha do seu pensamento               Jorge Almeida > Carlos Jerónimo: Meu caro, lamento que esteja enganado! A esquerda radical não é cega, sabem muito bem o que estão a fazer, pois o seu objectivo é rebentar completamente com o sistema democrático - liberal que ainda subsiste, mal ou bem, nas sociedades ocidentais com democracias liberais. Sabem o que estão a fazer e têm toda a intenção em fazê-lo. Não se iluda!                    Francisco Ramos: Que beleza. Bom que ainda haja colunistas deste calibre para justificar a assinatura do jornal. Desmascarar esta pandilha de inúteis e mal-intencionados, é um dever de quem tem capacidade para o fazer. O país fica em dívida para com esta gente. Fica aqui expresso o meu reconhecimento ao Nuno Gonçalo pelo mérito evidenciado na denúncia duma causa oportunista, mal intencionada e criminosa.      GateKeeper: Top 10.                    António Mesquita: "O problema não é que tenham ido." O problema é que voltaram.                  José B Dias: Assino por baixo com vénia e aclamação.            Oscar gomes: Do melhor !!! Acrescentaria que, para a esquerda radical, nesses países islâmicos (Irão e outros) que a as mulheres, os direitos humanos, sindicais, sociais a justiça social entre outros, cuja defesa eles entre nós reivindicam acaloradamente, funcionam na perfeição.                  Manuel F: Crónica ao nível a que nos habituou o G Poças. A tecla dos meios de comunicação é das mais referidas recorrentemente e penso que seria relativamente fácil pôr-lhe termo. A percentagem de pessoas que compram jornais e afins é diminuta e essencialmente urbana, restam as TV´s que me parece são o principal meio de doutrinação das massas, pelo poder instituído. Espero que com a subida da direita ao poder, por essa Europa fora, o que parece inevitável, se acabe de vez com os apoios públicos aos meios de comunicação e será o fim da sobrevivência dos que vendem ideias apoiadas por uma minoria com um peso desmedido e que não reflecte o pensamento e o crer da grande maioria. É enjoativo ver o alinhamento das TV´s na divulgação das notícias, sempre enviesadas para o mesmo lado, distorcendo a realidade, ou por omissão ou por selecção do que lhes interessa. A nível interno eu começaria por limpar a Lusa e por aí fora… E depois seria por as mãos para o céu e esperar que a direita em ascensão, com o tempo, não cometesse os mesmos erros, o que não me admiraria nada.          Sr Leão > Carlos Jerónimo: Com sua licença, permita-me duvidar da sua afirmação relativa à cegueira e estupidez da esquerda. E mais: não só a esquerda estudou e conhece perfeitamente o papel que desempenha -- utiliza o cavalo de madeira para romper as defesas troianas -- como também o próprio islamismo tem perfeita consciência das facilidades que a esquerda lhe vai oferecendo na "reconquista islâmica".               Miguel Aguiar > Miguel Aguiar: Para quem não sabe, o Frei Tomás é o protagonista de: "Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz"         Nuno Abreu: "A esquerda órfã da classe operária procura no Islão radical o novo sujeito revolucionário da disciplina e do ressentimento do anti-capitalismo, anti-ocidental e anti-liberdade." Desenho perfeito do PCP, BE. Livre e uma franja do PS comandado por Pedro Nuno. Felizmente que há outros Nuno's !              Carlos F. Marques: Muito bom.           José Ferreira: Brilhante, como sempre.           Rosa Graça: Muito bom!               Meio Vazio: Oxalá não triunfem (... a bem da sua pele)!

 

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