Não desejamos a FRANÇA metida em mais
sarilhos, a figura de Macron parece-nos escorreita, sem ênfases vistosos de
atropelos políticos, embora o nosso entendimento a esse respeito seja reduzido.
O hino nacional da França é que joga facilmente com as veleidades
revolucionárias apensas à sua MARSEILLAISE, em propostas de violência, preceito
que a nossa “A PORTUGUESA” também imitativamente seguiu, patrioticamente
apelando à luta contra os canhões alheios - no caso, os dos britânicos, que
pretendiam sacar-nos os espaços do mapa cor-de-rosa e por isso o “pela pátria
lutar”, marchando “contra os canhões” ali ficou e permanece, apesar das boas
relações actuais com o povo britânico, cujo hino nacional joga muito mais com a
doce simpatia, bem necessária neste mundo, educadamente apelando à salvação do
King pelo Deus do Universo.
Mas leiamos o refrão do “Hymne français”, apelativo de uma violência que Macron não parece querer seguir, na sua figura escorreita, que nos faz defendê-lo, neste mundo de tanta fealdade por aí, embora o autor do “A França a olho nu” diga que, bem pelo contrário, Macron favoreceu o radicalismo, num governo de simpatia pouco sagaz… Acho que não nos cabe imiscuir-nos nisso.
REFRAIN do “HYMNE”
«Aux armes,
citoyens !
Formez vos bataillons !
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur...
Abreuve nos sillons !»
O fim do Macronismo
O centrismo pragmático de Macron
conquistou o eleitorado francês em 2017, mas erodiu o eleitorado de
centro-direita e centro-esquerda e abriu caminho a forças políticas radicais.
JOÃO CRUZ FERREIRA Funcionário
da União Europeia; autor de “A França a olho nu”
OBSERVADOR, 29 out. 2025, 00:152
Munido de uma maioria absoluta, Emmanuel
Macron iniciou a sua presidência com um projecto destinado a
liberalizar e dinamizar a economia francesa. Os impostos sobre as empresas diminuíram, o desemprego caiu, a
legislação laboral foi modernizada e, mais tarde, o aumento da idade da reforma
veio reforçar a viabilidade do sistema de pensões. Porém,
os protestos dos coletes amarelos inverteram o rumo de contenção das contas
públicas, a que se sucederam as crises pandémica e energética. Embora Macron tenha tido o azar da
conjuntura, não se poupou nas medidas
de apoio a empresas e consumidores,
ficando para a história o seu discurso
de março de 2020, em que
prometeu agir “quoi qu’il en coûte” (“custe o que custar”) para atenuar os
efeitos da crise sanitária. O resultado foi uma resposta de
emergência sem precedentes, com pacotes
avaliados em mais de 200 mil milhões de euros, acima do esforço realizado por
muitos dos seus pares.
Hoje, o défice orçamental francês caminha para 6% do PIB – o mais elevado entre os países da zona
euro -, enquanto a dívida pública ronda os 116%. A França mal consegue suportar os juros
da sua dívida soberana, que enfrenta sucessivos downgrades das principais
agências de rating. Mas o problema é estrutural, não conjuntural: o Financial Times revelou
recentemente que os pensionistas
franceses recebem,
em média, mais 2% do que o salário médio dos trabalhadores no activo; a Bloomberg acrescenta que quase seis em cada dez cidadãos franceses recebem mais do Estado do que aquilo que
contribuem.
Para agravar ainda mais a situação,
soma-se a crise política desencadeada durante o segundo mandato de Macron, marcado por uma instabilidade constante
(desde 2024, a França conheceu seis governos e cinco primeiros-ministros, um
cenário inédito na quinta república), resultante da convocação precipitada de
eleições legislativas após os resultados das eleições europeias e pela
sucessiva nomeação de primeiros-ministros oriundos de partidos minoritários,
sem base parlamentar suficiente para concretizar um programa de governo
minimamente austero. Sem espaço para aumentar ainda mais a carga
fiscal sobre os contribuintes e perante um bloqueio institucional que
impossibilita cortes ambiciosos na despesa pública, a França
vê-se encurralada.
A ideologia experimental de Macron – o centrismo pragmático – conquistou
o eleitorado francês em 2017 pela sua versatilidade: ora lançava reformas favoráveis ao investimento e às
empresas, ora promovia medidas em prol do Estado social redistributivo; ora
recrutava para os seus governos figuras de relevo dos republicanos, ora
resgatava notáveis socialistas. Mas
foi precisamente esta proposta híbrida
que levou à erosão do eleitorado de centro-esquerda e do
centro-direita, ambos sugados
para a órbita do campo presidencial,
abrindo espaço à ascensão das forças políticas radicais de Mélenchon e
Le Pen/Bardella na oposição. O resultado é a França de hoje: fragmentada em três grandes blocos que não conseguem governar em
conjunto, nem conseguem chegar a acordo para estancar o endividamento galopante das finanças públicas, que, como alertou François
Bayrou, aumenta à velocidade de 5 mil euros por segundo.
A França está bloqueada e, em política, a única forma de desatar o
nó é regressar às urnas. No entanto, desengane-se quem pensa que uma nova dissolução da Assembleia
Nacional resolveria o impasse, uma vez que todas as sondagens apontam para um
novo bloqueio parlamentar, sem perspetiva de uma maioria estável. Num regime
constitucional como o francês, apenas as eleições presidenciais têm a legitimidade para redefinir por completo os
destinos da república e estabelecer um mandato político incontestável. Assim
como fez De Gaulle em 1969, o gesto mais digno de Emmanuel Macron – cuja taxa de reprovação atingiu níveis históricos – seria poupar tempo aos franceses,
reconhecer o seu fracasso em materializar uma agenda transformadora e
pré-anunciar a sua demissão. Tal decisão permitiria preparar uma
campanha presidencial antecipada onde se debata com serenidade o desafio
estrutural que a França enfrenta quanto à sustentabilidade do seu modelo
social, seguida de eleições legislativas que promovam uma composição
parlamentar coerente com o novo panorama político.
EMMANUEL
MACRON FRANÇA EUROPA MUNDO
COMENTÁRIOS:
Vasco Silveira: Caro Senhor: Receio que a causa da indisponibilidade
de Macron para a sua demissão é Ela. A mãe (?), vaidade, a sua incapacidade de
financeiro de não se conseguir ater ao longo prazo, ..., mas a França sofre,
e tenho muito medo que venha a sofrer ainda muito mais, como com Poincaré. E a
Europa, e ... Portugal. Foram uns estadistas muito mal preparados a grande
causa da guerra mundial (a dos 30 anos, 14-45) - Os actuais não me dão mais
confiança. Cumprimentos
GateKeeper: Top 15.
NOTAS DA
INTERNET:
Emmanuel Jean-Michel Frédéric Macron (Amiens, 21
de dezembro de 1977)
é um político,funcionário público e banqueiro francês, actual
presidente do seu país. Macron estudou
filosofia na Universidade de Paris X - Nanterre,
concluiu um mestrado em políticas públicas no Instituto de Estudos Políticos
de Paris, e depois formou-se na Escola Nacional de Administração em
2004. Em seguida, passou a trabalhar na Inspecção-Geral de Finanças antes de se
tornar um sócio do banco Rothschild.
Membro
do Partido Socialista entre 2006 e 2009,
foi nomeado secretário-geral adjunto da Presidência da República por François Hollande em 2012, e tornou-se ministro
da economia em 2014 no governo Valls.
Como ministro, apoiou reformas pró-empresariado. Saiu do governo em
agosto de 2016 para lançar a sua candidatura à presidência na eleição de 2017, a qual
anunciou oficialmente em novembro de 2016, poucos meses após fundar seu próprio
partido político, o Renascimento. Durante a
campanha presidencial, Macron dizia-se disposto a harmonizar “eficiência” –
reformas econômicas liberais que dinamizassem a economia francesa – com “justiça” – manutenção
do Estado de bem-estar social e apoio a medidas consideradas progressistas, tal
como o casamento igualitário.
Em
7 de maio de 2017, foi eleito Presidente da França com 66,10% dos votos,
derrotando a candidata de extrema-direita Marine
Le Pen. Uma semana depois, foi empossado como o 25.º presidente francês,
e ao fazê-lo se tornou o presidente mais jovem da história da França. Macron foi reeleito em abril de 2022
para um novo mandato de cinco anos.
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