quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Tempo do HYMNE


Não desejamos a FRANÇA metida em mais sarilhos, a figura de Macron parece-nos escorreita, sem ênfases vistosos de atropelos políticos, embora o nosso entendimento a esse respeito seja reduzido. O hino nacional da França é que joga facilmente com as veleidades revolucionárias apensas à sua MARSEILLAISE, em propostas de violência, preceito que a nossa “A PORTUGUESA” também imitativamente seguiu, patrioticamente apelando à luta contra os canhões alheios - no caso, os dos britânicos, que pretendiam sacar-nos os espaços do mapa cor-de-rosa e por isso o “pela pátria lutar”, marchando “contra os canhões” ali ficou e permanece, apesar das boas relações actuais com o povo britânico, cujo hino nacional joga muito mais com a doce simpatia, bem necessária neste mundo, educadamente apelando à salvação do King pelo Deus do Universo.

Mas leiamos o refrão do “Hymne français”, apelativo de uma violência que Macron não parece querer seguir, na sua figura escorreita, que nos faz defendê-lo, neste mundo de tanta fealdade por aí, embora o autor do “A França a olho nu” diga que, bem pelo contrário, Macron favoreceu o radicalismo, num governo de simpatia pouco sagaz… Acho que não nos cabe imiscuir-nos nisso.

REFRAIN do “HYMNE”

«Aux armes, citoyens !
Formez vos bataillons !
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur...
Abreuve nos sillons !»

O fim do Macronismo

O centrismo pragmático de Macron conquistou o eleitorado francês em 2017, mas erodiu o eleitorado de centro-direita e centro-esquerda e abriu caminho a forças políticas radicais.

JOÃO CRUZ FERREIRA Funcionário da União Europeia; autor de “A França a olho nu”

OBSERVADOR, 29 out. 2025, 00:152

Munido de uma maioria absoluta, Emmanuel Macron iniciou a sua presidência com um projecto destinado a liberalizar e dinamizar a economia francesa. Os impostos sobre as empresas diminuíram, o desemprego caiu, a legislação laboral foi modernizada e, mais tarde, o aumento da idade da reforma veio reforçar a viabilidade do sistema de pensões. Porém, os protestos dos coletes amarelos inverteram o rumo de contenção das contas públicas, a que se sucederam as crises pandémica e energética. Embora Macron tenha tido o azar da conjuntura, não se poupou nas medidas de apoio a empresas e consumidores, ficando para a história o seu discurso de março de 2020, em que prometeu agir “quoi qu’il en coûte” (“custe o que custar”) para atenuar os efeitos da crise sanitária. O resultado foi uma resposta de emergência sem precedentes, com pacotes avaliados em mais de 200 mil milhões de euros, acima do esforço realizado por muitos dos seus pares.

Hoje, o défice orçamental francês caminha para 6% do PIB o mais elevado entre os países da zona euro -, enquanto a dívida pública ronda os 116%. A França mal consegue suportar os juros da sua dívida soberana, que enfrenta sucessivos downgrades das principais agências de rating. Mas o problema é estrutural, não conjuntural: o Financial Times revelou recentemente que os pensionistas franceses recebem, em média, mais 2% do que o salário médio dos trabalhadores no activo; a Bloomberg acrescenta que quase seis em cada dez cidadãos franceses recebem mais do Estado do que aquilo que contribuem.

Para agravar ainda mais a situação, soma-se a crise política desencadeada durante o segundo mandato de Macron, marcado por uma instabilidade constante (desde 2024, a França conheceu seis governos e cinco primeiros-ministros, um cenário inédito na quinta república), resultante da convocação precipitada de eleições legislativas após os resultados das eleições europeias e pela sucessiva nomeação de primeiros-ministros oriundos de partidos minoritários, sem base parlamentar suficiente para concretizar um programa de governo minimamente austero. Sem espaço para aumentar ainda mais a carga fiscal sobre os contribuintes e perante um bloqueio institucional que impossibilita cortes ambiciosos na despesa pública, a França vê-se encurralada.

A ideologia experimental de Macron – o centrismo pragmáticoconquistou o eleitorado francês em 2017 pela sua versatilidade: ora lançava reformas favoráveis ao investimento e às empresas, ora promovia medidas em prol do Estado social redistributivo; ora recrutava para os seus governos figuras de relevo dos republicanos, ora resgatava notáveis socialistas. Mas foi precisamente esta proposta híbrida que levou à erosão do eleitorado de centro-esquerda e do centro-direita, ambos sugados para a órbita do campo presidencial, abrindo espaço à ascensão das forças políticas radicais de Mélenchon e Le Pen/Bardella na oposição. O resultado é a França de hoje: fragmentada em três grandes blocos que não conseguem governar em conjunto, nem conseguem chegar a acordo para estancar o endividamento galopante das finanças públicas, que, como alertou François Bayrou, aumenta à velocidade de 5 mil euros por segundo.

A França está bloqueada e, em política, a única forma de desatar o nó é regressar às urnas. No entanto, desengane-se quem pensa que uma nova dissolução da Assembleia Nacional resolveria o impasse, uma vez que todas as sondagens apontam para um novo bloqueio parlamentar, sem perspetiva de uma maioria estável. Num regime constitucional como o francês, apenas as eleições presidenciais têm a legitimidade para redefinir por completo os destinos da república e estabelecer um mandato político incontestável. Assim como fez De Gaulle em 1969, o gesto mais digno de Emmanuel Macron cuja taxa de reprovação atingiu níveis históricosseria poupar tempo aos franceses, reconhecer o seu fracasso em materializar uma agenda transformadora e pré-anunciar a sua demissão. Tal decisão permitiria preparar uma campanha presidencial antecipada onde se debata com serenidade o desafio estrutural que a França enfrenta quanto à sustentabilidade do seu modelo social, seguida de eleições legislativas que promovam uma composição parlamentar coerente com o novo panorama político.

EMMANUEL MACRON     FRANÇA     EUROPA     MUNDO

COMENTÁRIOS:

Vasco Silveira: Caro Senhor: Receio que a causa da indisponibilidade de Macron para a sua demissão é Ela. A mãe (?), vaidade, a sua incapacidade de financeiro de não se conseguir ater ao longo prazo, ..., mas a França sofre, e tenho muito medo que venha a sofrer ainda muito mais, como com Poincaré. E a Europa, e ... Portugal. Foram uns estadistas muito mal preparados a grande causa da guerra mundial (a dos 30 anos, 14-45) - Os actuais não me dão mais confiança. Cumprimentos

GateKeeper: Top 15.

NOTAS DA INTERNET:

Emmanuel Jean-Michel Frédéric Macron (Amiens, 21 de dezembro de 1977) é um político,funcionário público e banqueiro francês, actual presidente do seu país. Macron estudou filosofia na Universidade de Paris X - Nanterre, concluiu um mestrado em políticas públicas no Instituto de Estudos Políticos de Paris, e depois formou-se na Escola Nacional de Administração em 2004. Em seguida, passou a trabalhar na Inspecção-Geral de Finanças antes de se tornar um sócio do banco Rothschild.

Membro do Partido Socialista entre 2006 e 2009, foi nomeado secretário-geral adjunto da Presidência da República por François Hollande em 2012, e tornou-se ministro da economia em 2014 no governo Valls. Como ministro, apoiou reformas pró-empresariado. Saiu do governo em agosto de 2016 para lançar a sua candidatura à presidência na eleição de 2017, a qual anunciou oficialmente em novembro de 2016, poucos meses após fundar seu próprio partido político, o Renascimento. Durante a campanha presidencial, Macron dizia-se disposto a harmonizar “eficiência” – reformas econômicas liberais que dinamizassem a economia francesa – com “justiça” – manutenção do Estado de bem-estar social e apoio a medidas consideradas progressistas, tal como o casamento igualitário.

Em 7 de maio de 2017, foi eleito Presidente da França com 66,10% dos votos, derrotando a candidata de extrema-direita Marine Le Pen. Uma semana depois, foi empossado como o 25.º presidente francês, e ao fazê-lo se tornou o presidente mais jovem da história da França. Macron foi reeleito em abril de 2022 para um novo mandato de cinco anos.

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