sábado, 18 de outubro de 2025

Realeza em apuros


O que não é coisa recente, pois lembro que a linha colateral dos tempos de sua mãe Isabel II  – ou seja, a Princesa Margarida - também teve uma vida aventurosa – não sei bem se venturosa – mas lembro-me de que, nos meus tempos jovens e até posteriores, a princesa Margarida, sua tia, esplendorosa de modernidade e encanto, daria que falar, a rainha Elisabeth, sua irmã, sendo muito mais sóbria e séria, ambas sempre na berra como notoriedades do século que íamos acompanhando com prazer. Julgo que o Príncipe André, irmão do rei, ambos filhos da rainha e sobrinhos de Margaret, não terá a mesma notoriedade da sua tia, a democracia sendo responsável pelo aburguesamento social, desdenhando, não por desapego, mas por ironia – quem sabe se por inveja - os casos da realeza. O Príncipe André poderá, pois, seguir livremente as suas tendências de desapego nobiliárquico, não sei se em correspondência com desapego monetário, que a sua condição social permitirá. De toda a maneira, é com prazer que revejo figuras descendentes de outras que estimei e fico grata ao OBSERVADOR, por não ter inviabilizado o assunto, quanto mais não seja, para poder, assim, desejar boa sorte sempre, ao Príncipe e família.

 

 

Príncipe André renuncia aos seus títulos reais — incluíndo de Duque de York — após conversa com Rei Carlos III

O agora antigo Duque de York emitiu um comunicado a anunciar que a decisão foi tomada após ter conversado com o Rei Carlos III — o seu irmão, com o objectivo de não ofuscar o trabalho da Família Real.

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17 out. 2025, 19:09 2 

O príncipe André anunciou esta sexta-feira ter renunciado aos seus títulos reais. O agora antigo Duque de York emitiu um comunicado a anunciar que a decisão foi tomada após ter conversado com o Rei Carlos III — o seu irmão — e com a sua família mais próxima, escreve a BBC.

Em conversa com o Rei, e com a minha família imediata e alargada, concluímos que as contínuas acusações sobre mim distraem do trabalho da Sua Majestade e da Família Real”, escreve o filho de Isabel II, que tem sido associado ao caso de tráfico sexual do empresário norte-americano Jeffrey Epstein, em particular com a história de Virgina Giuffre, que terá sido abusada sexualmente por André quando era menor de idade.

André, com esta decisão, continua a ser príncipe da família real britânica, mas cede oficialmente o título de York e todos os outros que lhe foram atribuídos pela mãe.Mantenho a decisão de há cinco anos de me afastar da vida pública”, continua o irmão do Rei, lembrando que actualmente já não desempenhava o papel de “membro activo da realeza” e não aparecia em eventos oficiais da coroa britânica. Agora, como escreve a imprensa do Reino Unido, o seu papel será ainda mais reduzido.

“Com o apoio da Sua Majestade, sentimos que agora temos de dar um passo adicional. A partir de agora, não usarei o meu título ou as honras que me foram atribuídas. Como disse previamente, rejeito veementemente as acusações contra mim”, escreve.

A ex-mulher, Sarah Ferguson, perde também o direito ao título de duquesa de York, mas as duas filhas do casal, as princesas Beatrice e Eugenie, vão manter as suas honras reais. Com esta cedência de títulos, André já não irá passar o Natal com o resto da família, em Sandringham — por motivos protocolares — mas deve continuar a viver na sua casa em Windsor, uma vez que tem um “contrato de arrendamento privado” que está em vigor até 2078.

A relação com Epstein, o “abuso de confiança” para enriquecer e a proximidade com um espião chinês: as polémicas de André

A decisão, para além de surgir após uma conversa com a restante Família Real, coincide com a pré-publicação de alguns excertos do livro póstumo de Virginia Giuffre, a mulher que acusou André de abusos sexuais quando esta acabou traficada pelo empresário Jeffrey Epstein. Em “Nobody’s Girl: A Memoir of Surviving Abuse and Fighting for Justice, a mulher que tirou a própria vida em abril deste ano, recorda as interações que teve com o príncipe britânico no início do século.

As filhas de André eram “só um pouco mais jovens” que Giuffre — de 17 anos — quando se cruzaram. Com o entusiasmo de conhecer um membro da coroa britânica, a jovem sentiu a necessidade de preservar este momento para a eternidade e pediu a Epstein para tirar a fotografia com André, que lhe colocou o braço em redor da sua anca. A imagem acabou por circular na imprensa internacional em 2011 e abriu a Caixa de Pandora para as histórias da rede de tráfico orquestrada tanto por Epstein como pela sua companheira e cúmplice Ghislaine Maxwell — e com a alegada participação do príncipe britânico, que se terá envolvido sexualmente com a menor naquela mesma noite.

Acreditava que fazer sexo comigo era um direito de nascença”, escreveu Virginia Giuffre no seu livro, relatando os sucessivos encontros que teve com André. Até aos dias de hoje, o irmão do Rei Carlos III nega qualquer acusação imputada. Contudo, um email recentemente revelado mostra uma conversa entre André e Epstein, na sequência da divulgação da imagem com Giuffre, onde o príncipe terá dito: “Estamos nisto juntos” e “Voltaremos a brincar”.

A relação com Epstein —  e as acusações de abuso sexual — foi um de vários factores que marcaram a percepção pública de André. O historiador e biógrafo dos duques de York Andrew Lownie, em entrevista ao Observador, revelou acreditar que o “verdadeiro escândalo de André é financeiro”, acusando-o de “abusar da confiança” da população ao utilizar a sua “posição privilegiada para ganhos pessoais”.

“Tenho inúmeros exemplos em que usa posições públicas para fazer dinheiro, particularmente quando era um representante especial de comércio e negócios, quando trouxe os seus próprios amigos de negócios para as viagens oficiais. Também criou algo chamado Pitch@Palace, que era para juntar empreendedores e investidores, e ficou com uma comissão de 2% sobre o dinheiro dos investimentos, que é contra as regras. E isso foi algo que foi apoiado pela Rainha, em palácios reais e era suposto ser uma iniciativa de caridade”, afirmou Lownie.

De acordo com o historiador, André era também o membro da Família Real com despesas mais acentuadas. “Sim, [gastava] muito mais do que qualquer outro. Quando outros apanhavam comboios, ele usava helicópteros. Acho que nunca viajou de comboio. Essa foi a grande preocupação, que estava a gastar dinheiro público, geralmente para trajectos muito curtos, só porque não queria demorar um pouco mais de tempo ou não queria a inconveniência de usar carros ou comboios”, revela.

Foi também revelado que André tinha uma relação próxima com Yang Tengbo — um alegado espião chinês que foi considerado uma ameaça à segurança nacional britânica. Aos olhos do príncipe, uma ligação com Pequim poderia ser positiva para o seu futuro e, assim, procurou Tengbo para fazer a ponte com o Presidente Xi Jinping. De acordo com documentos revelados este ano, o alegado espião terá apresentado o fundo de investimento Pitch@Palace a Xi e ao governo chinês.

Esta ligação suscitou preocupação nos serviços secretos britânicos, com o Mi5 a alertar para o contacto entre André e Yang Tengbo, que negou sempre qualquer conduta ilícita, mas o chinês acabou por ser expulso do Reino Unido. A situação remonta para uma altura em que as relações entre André e a então Raínha Isabel II — sua mãe — estavam na “rua da amargura”, como dizia um antigo conselheiro do polémico membro da realeza, Dominic Hampshire.

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