O que não é coisa recente, pois lembro que a
linha colateral dos tempos de sua mãe Isabel II – ou seja, a Princesa Margarida - também teve
uma vida aventurosa – não sei bem se venturosa – mas lembro-me de que, nos meus
tempos jovens e até posteriores, a princesa Margarida, sua tia, esplendorosa de
modernidade e encanto, daria que falar, a rainha Elisabeth, sua irmã, sendo
muito mais sóbria e séria, ambas sempre na berra como notoriedades do século
que íamos acompanhando com prazer. Julgo que o Príncipe André, irmão do rei,
ambos filhos da rainha e sobrinhos de Margaret, não terá a mesma notoriedade da
sua tia, a democracia sendo responsável pelo aburguesamento social, desdenhando,
não por desapego, mas por ironia – quem sabe se por inveja - os casos da
realeza. O Príncipe André poderá, pois, seguir livremente as suas tendências de
desapego nobiliárquico, não sei se em correspondência com desapego monetário,
que a sua condição social permitirá. De toda a maneira, é com prazer que revejo
figuras descendentes de outras que estimei e fico grata ao OBSERVADOR, por não
ter inviabilizado o assunto, quanto mais não seja, para poder, assim, desejar
boa sorte sempre, ao Príncipe e família.
Príncipe André renuncia aos seus títulos reais — incluíndo de Duque de York
— após conversa com Rei Carlos III
O agora antigo Duque de York emitiu um
comunicado a anunciar que a decisão foi tomada após ter conversado com o Rei Carlos III — o seu irmão, com o objectivo
de não ofuscar o trabalho da Família Real.
17 out. 2025, 19:09 2
O príncipe André anunciou esta
sexta-feira ter renunciado aos seus títulos reais. O agora antigo Duque de York
emitiu um comunicado a anunciar que a
decisão foi tomada após ter conversado com o Rei Carlos III — o seu irmão — e
com a sua família mais próxima, escreve a BBC.
Em conversa com o Rei, e com a minha
família imediata e alargada, concluímos que as
contínuas acusações sobre mim distraem do trabalho da Sua Majestade e da
Família Real”, escreve o filho de Isabel II, que tem sido associado ao caso de
tráfico sexual do empresário norte-americano Jeffrey Epstein, em particular com
a história de Virgina Giuffre, que terá sido abusada sexualmente por André
quando era menor de idade.
André, com esta decisão, continua a
ser príncipe da família real britânica, mas cede oficialmente o título de York
e todos os outros que lhe foram atribuídos pela mãe. “Mantenho a decisão de há cinco anos de me
afastar da vida pública”, continua o irmão do Rei, lembrando que actualmente já não desempenhava o papel
de “membro activo da realeza” e não aparecia em eventos oficiais da coroa
britânica. Agora, como escreve a imprensa do Reino Unido, o seu papel será
ainda mais reduzido.
“Com
o apoio da Sua Majestade, sentimos que agora temos de dar um passo adicional. A
partir de agora, não usarei o meu título ou as honras que me foram atribuídas.
Como disse previamente, rejeito veementemente as acusações contra mim”, escreve.
A
ex-mulher, Sarah
Ferguson, perde
também o direito ao título de duquesa de York, mas as duas filhas do casal, as
princesas Beatrice e Eugenie, vão manter as suas honras reais. Com esta cedência de títulos, André
já não irá passar o Natal com o resto da família, em Sandringham — por motivos
protocolares — mas deve continuar a viver na sua casa em Windsor, uma vez que
tem um “contrato de arrendamento privado” que está em vigor até 2078.
A
relação com Epstein, o “abuso de confiança” para enriquecer e a proximidade com
um espião chinês: as polémicas de André
A decisão, para além de surgir após uma
conversa com a restante Família Real, coincide
com a pré-publicação de alguns excertos do livro póstumo de Virginia Giuffre, a
mulher que acusou André de abusos sexuais quando esta acabou traficada pelo
empresário Jeffrey Epstein. Em “Nobody’s Girl: A Memoir of Surviving Abuse and
Fighting for Justice“, a mulher que tirou a própria vida em
abril deste ano, recorda as interações que teve com o príncipe britânico no
início do século.
As filhas de André eram “só um pouco
mais jovens” que Giuffre — de 17 anos — quando se cruzaram. Com o entusiasmo de conhecer um membro da
coroa britânica, a jovem sentiu a necessidade de preservar este momento para a
eternidade e pediu a Epstein para tirar a fotografia com André, que lhe colocou
o braço em redor da sua anca. A imagem acabou por circular na imprensa
internacional em 2011 e abriu a Caixa de Pandora para as histórias da rede de
tráfico orquestrada tanto por Epstein como pela sua companheira e cúmplice
Ghislaine Maxwell — e com a alegada participação do príncipe britânico, que se
terá envolvido sexualmente com a menor naquela mesma noite.
“Acreditava
que fazer sexo comigo era um direito de nascença”, escreveu Virginia
Giuffre no seu livro, relatando os sucessivos encontros que teve com André.
Até aos dias de hoje, o irmão do Rei
Carlos III nega qualquer acusação imputada. Contudo, um email recentemente revelado mostra uma
conversa entre André e Epstein, na sequência da divulgação da imagem com
Giuffre, onde o príncipe terá dito: “Estamos nisto juntos” e “Voltaremos a
brincar”.
A relação com Epstein — e as acusações de abuso sexual — foi um de
vários factores que marcaram a percepção pública de André. O historiador e biógrafo dos duques de
York Andrew Lownie, em entrevista ao Observador, revelou
acreditar que o “verdadeiro escândalo de André é financeiro”, acusando-o de
“abusar da confiança” da população ao utilizar a sua “posição privilegiada para
ganhos pessoais”.
“Tenho
inúmeros exemplos em que usa posições públicas para fazer dinheiro, particularmente
quando era um representante especial de comércio e negócios, quando trouxe os
seus próprios amigos de negócios para as viagens oficiais. Também criou algo
chamado Pitch@Palace, que era para juntar empreendedores e investidores, e
ficou com uma comissão de 2% sobre o dinheiro dos investimentos, que é contra
as regras. E isso foi algo que foi apoiado pela Rainha, em
palácios reais e era suposto ser uma iniciativa de caridade”, afirmou Lownie.
De
acordo com o historiador, André era também o membro da Família Real com
despesas mais acentuadas. “Sim, [gastava] muito mais do que qualquer outro. Quando outros apanhavam comboios, ele
usava helicópteros. Acho que nunca viajou de comboio. Essa foi a grande
preocupação, que estava a gastar dinheiro público, geralmente para trajectos
muito curtos, só porque não queria demorar um pouco mais de tempo ou não queria
a inconveniência de usar carros ou comboios”, revela.
Foi também revelado que André tinha
uma relação próxima com Yang Tengbo — um alegado espião chinês que foi considerado
uma ameaça à segurança nacional britânica. Aos
olhos do príncipe, uma ligação com Pequim poderia ser positiva para o seu
futuro e, assim, procurou Tengbo para fazer a ponte com o Presidente Xi Jinping. De
acordo com documentos revelados este ano, o alegado espião terá apresentado o
fundo de investimento Pitch@Palace a Xi e ao governo chinês.
Esta ligação suscitou preocupação nos serviços
secretos britânicos, com o Mi5 a alertar para o contacto entre André e Yang Tengbo, que negou sempre qualquer conduta
ilícita, mas o chinês acabou por ser expulso do Reino Unido. A situação remonta
para uma altura em que as relações entre André e a então Raínha Isabel II — sua
mãe — estavam na “rua da amargura”, como dizia um antigo conselheiro do
polémico membro da realeza, Dominic Hampshire.
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