segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Páginas sérias e de humor



De Henrique Salles da Fonseca. E tudo para Bem da Nação, com coragem e sem rodriguinhos, lembrando feitos e apontando jeitos… de reconstrução, condenando as pandeiretas folionas do nosso modus vivendi de irresponsabilidade, no mesmo palco em que, por vezes, sobressai um nome e respectivos acompanhantes. Neste caso, o de Jaime Neves, que possibilitou, certamente, a continuação do uso das pandeiretas, nos festivais seguintes do nosso arreganho expressivo.
 HENRIQUE SALLES DA FONSECA     A BEM DA NAÇÃO,  25.11.19
25 DE NOVEMBRO DE 1975
Faz hoje 44 anos que a democracia chegou a Portugal derrubando o comunismo que desde o 25 de Abril de 1974 tentava destruir a Nação pondo o país ao serviço da União Soviética.
Foi um punhado de valentes sob a liderança do então Coronel Jaime Neves que tomou a iniciativa de pôr fim ao desmando total a que estávamos a ser submetidos e de proclamar que estava na hora de se estabelecer efectivamente uma democracia de base pluripartidária, parlamentar.
Passadas as colónias portuguesas para a esfera do Império Soviético, estava cumprido o maior desígnio da “revolução dos cravos” perpetrada por uns quantos “anjinhos” e minada por alguns traidores. Eis por que o Dr. Álvaro Cunhal foi condecorado herói soviético já depois de 25 de Novembro de 1975.
No que então restava de Portugal, resolveu-se o problema com meia dúzia de sopapos bem dados em alguns adeptos do totalitarismo mas nas antigas colónias portuguesas começavam os sovietizados as chacinas contra as populações que queriam submeter pelo terror. Assim começaram as guerras civis em Angola e em Moçambique. Mas o sangue também jorrou – e muito - na Guiné e em Timor.
Passados 44 anos, eis-nos em Portugal numa democracia parlamentar consolidada e cheia de problemas conhecidos de toda a gente, discutidos por todos em público e sem constrangimentos.  Esta, sim, a liberdade real, não a da propaganda com que os abrilistas nos enchem as parangonas dos jornais. Mas a tranquilidade destes 44 anos levou-nos ao doce remanso das águas planas. E tudo é vida corrente, sem mais objectivos do que o bem-estar, o enriquecimento tão rápido quanto cada um consiga mesmo que sem olhar a meios; liberdade económica tão desregulamentada quanto os princípios do liberalismo sugerem, o crédito como um direito a dar suporte ao hedonismo, o género humano a apregoar que é híbrido, o vazio quanto a valores colectivos, nacionais, desígnios superiores. Chegados ao deserto ideológico, à “vidinha” corriqueira, onde está quem nos sugira um sonho? Eis o desígnio a que os políticos se deveriam dedicar durante os próximos 44 anos, sob pena de descrédito pessoal se o não fizerem e de diluição da Nação na voragem chinesa de mando no mundo.     25 de Novembro de 2019           Henrique Salles da Fonseca
COMENTÁRIOS:
 Henrique Salles da Fonseca  25.11.2019 : Caro Henrique, Excelente texto. Parabéns. Um abraço. Bartolomeu Costa Cabral
Henrique Salles da Fonseca  25.11.2019 : Hoje, sim, 200% de acordo com o meu Amigo. Jorge Gaspar de Barros
 Francisco G. de Amorim  25.11.2019: Não te rales, põe-te a dormir, e verás o tombo que levas. Sapiência mais velha do que o tempo... mas parece difícil de aprender.
 Anónimo  25.11.2019: Meu caro Amigo, O meu comentário é simples : Ainda há quem ame a nossa Pátria e tenha a coragem de relembrar os crimes contra a sua existência de quási 9 séculos. Bem haja. Forte abraço do Francisco Ataide
Anónimo  25.11.2019  14:02: Um abraço Henrique e, obrigado pela clareza a que tão bem nos habituaste com memória e história com alertas de liberdade e Viva o 25 de Novembro.
 Anónimo  25.11.2019: Obrigado Henrique e Viva o 25 de Novembro, 44 já passaram venham mais muitos mais em Liberdade. O caminho faz-se caminhando seguindo em frente com memória e, ensinamentos de vida no terreno. Bjs Isabel Fernandes Homem
 Anónimo  25.11.2019:  A data de 25 de Novembro de 1975 é uma daquelas que, quem a viveu, sabe perfeitamente onde estava e o que fez (ou não). Eu estava sentado sozinho em frente à TV a ver o nosso então barbudo camarada de armas, que fora, no nosso tempo de Nampula, um gentleman capitão responsável pelo Casão, a perorar sobre a democracia popular. (Muito ele andou para ali chegar). De repente, a sua imagem é substituída pela máscara “Estúdios do Porto da RTP” e de imediato aparece a imagem do Danny Kaye, a protagonizar um filme, cujo nome não me quero recordar, substituição essa que teve em mim o efeito de uma mola que me atirou ao ar a bater palmas. Apercebi-me que a bagunça entrava no estertor final.
Dificilmente, as gerações que não viveram aquela época entenderão os sacrifícios e os custos incorridos para corrigir o rumo democrático do 25 de Abril. Bordejámos então a guerra civil, vivemos momentos em que o País estava literalmente dividido, tendo como “fronteira” Rio Maior, abrangendo essa divisão Famílias e Amigos. Mais tarde, quando vivi em Madrid e me interessei em estudar a guerra civil de Espanha, entendi como foi dolorosa aquela barbárie que dividiu dramaticamente a sociedade e as Famílias espanholas. Seis décadas depois apercebi-me que as feridas ainda não estavam totalmente saradas, como se comprovou muito recentemente com a exumação do caudilho.
Recordo-me nitidamente que, enquanto eu e um colega de trabalho esperávamos pela chegada do metro, em finais de Outubro inícios de Novembro de 1975, perguntei-lhe porquê tanta conflitualidade, ao que ele me respondeu que, após a independência de Angola, prevista para 11 de Novembro, a situação acalmaria, pois o que estava em causa era a quem entregar o poder naquele País. Embora ele se tenha equivocado algo quanto à futura acalmia, acertou, no meio de tanta iliteracia política, no que estava principalmente em causa – Angola. Sabemos o que custou a esta a proclamação, pelos três movimentos, separadamente e nas respectivas áreas de influência, da independência em 11 de Novembro - uma guerra que se prolongou até 2002, com milhares de mortos e feridos bem como imensa destruição, como demonstração pujante em como a guerra fria pode, localmente, ser bem quente.
Zita Seabra, no seu livro “Foi assim”, descreve o papel que o então seu partido teve no 25 de Novembro, assim como a desmobilização dessa força e dessa muralha de aço. Devo referir, Henrique, que fui um dos que concordaram que o partido não fosse ilegalizado, na sequência desse movimento. Ainda está para se saber bem o que levou Melo Antunes a declarar a não ilegalização, naquele momento. Li que, ao fazê-lo, ele assumiu deliberadamente o sacrifício da sua carreira militar. Não será difícil admitir que essa afirmação terá sido a moeda de troca para a mencionada desmobilização, para a neutralidade do partido e para o regresso de Portugal à zona de influência ocidental, no xadrez da guerra fria. Abraço forte. Carlos Traguelho
 Anónimo  25.11.2019: Meu Caro Amigo: Julgo que não nos conhecemos pessoalmente. Sendo mais velho que eu quase uma década venho-o seguindo há já alguns anos após ser indicado como uma referência por um familiar que prezo e admiro muito, seu contemporâneo, também ex-aluno do Colégio, o Luis Eduardo Soares de Oliveira. Há 44 anos estava detido no Forte de Caxias por envolvimento no chamado "11 de Março". Após um simulacro de fuzilamento numa noite de Setembro de 75 aguardava serenamente a sua concretização mais noite menos noite. O 25 de Nov  75 resolveu-me o problema. Devo-lhe a vida. Subscrevo por inteiro a sua análise desses dias. Com a amizade e admiração do ex 286 de 1950 e Coronel de Cavalaria Reformado João Garoupa.
 Anónimo  25.11.2019: Acertou no alvo. Concordo a 100%. Francisco Henriques da Silva
 Adriano Lima  25.11.2019:  Bem, apesar de tudo, a nossa democracia continua nos eixos e já não é mau. Quanto aos desvarios cometidos, só resta esquecer. Mas que sirvam para estudo e tema para ensaios.


 HENRIQUE SALLES DA FONSECA       A BEM DA NAÇÃO,  24.11.19
Foi no dia 13 de Agosto de 1876 que se inaugurou o Festival de Bayreuth no teatro cujo projecto e construção foram supervisionados pelo próprio Wagner. Tudo começou com «O anel dos Nibelungos» em que Siegfried mata o dragão. Este, ameaçado pelo herói, abana vigorosamente a cauda, revira os olhos e deita fumo pelas narinas.
É Cosima Wagner que nos conta nos seus diários que a única oficina que encontraram para fabricar uma máquina que, devidamente revestida imitando um dragão, abanasse a cauda, revirasse os olhos e contivesse depósitos que permitissem no momento certo fazer sair fumo pelas narinas do «boneco», se situava em Inglaterra. Adjudicado o trabalho, foi o dragão fabricado mas a montagem final das três partes, cauda, corpo e pescoço (e cabeça, presumo), deveria ser feita no destino.
Quase tudo bem. A cauda e o corpo chegaram a Bayreuth a tempo e horas mas o pescoço foi enviado para Beirute porque o funcionário do Despachante encarregado do envio dessa peça tinha problemas de audição. Ou seria o mandante do despacho que tinha problemas de dicção? Cosima não esclarece quem a lê mas o Festival foi inaugurado na data prevista, sem que nem o dragão nem Wagner perdessem a cabeça.
Imagine-se a gritaria histriónica que haveria e quantas cabeças rolariam se nas vésperas da inauguração do primeiro festival de folclore de Santa Marta de Tornozelo faltassem as pandeiretas…

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