sexta-feira, 21 de maio de 2021

E não é só a passarada


Antes de me pôr a ver o “Festival da Eurovisão”, que achei o máximo de criatividade e beleza, com o grupo português que também me deixou desvanecida, ouvi, no Canal Memória, um programa – “Piano Bar”, da Simone de Oliveira, que me fez rever o simpático Tudela, além do Herman, mas, sobretudo, Manuela Bravo com a sua belíssima voz, entoando canções portuguesas de cunho popular e, para mim, divinamente cantadas por ela. Só um Deus todo-poderoso e omnisciente, para além de omnipresente - embora por vezes com razão se duvide desta última Sua faceta - que a tantos escapa - poderia criar uma tal voz, como, de resto, fez com a nossa Amália e tantas outras nossas lindas vozes, para explorarem o cancioneiro popular português – sem falar, é claro, nas tantas vozes de todo o mundo de arroubos e prazer humano por esse mundo inteiro.

Mas, sim, a passarada e mais a luz – e a água e “il frate foco” e mais toda a Criação, é certo, com o Homem à cabeça, e as cores e os sons e tudo o que aí vai de criação e de criaturas, é prova do dogma de que trata o Dr. Salles - o dogma contrário sendo prova de uma inteligência humana superior, é certo, mas que não chega aos calcanhares da do enigmático universo algum dia criado, sendo difícil supor que este é fruto de um bigbang sem mais quê por trás disso… De resto, o Alcorão foi ditado a Maomé, por Alá, e isso é uma boa prova da existência divina, um tanto assente nos anteriores dogmas bíblicos, é certo, mas não vamos duvidar da sinceridade do transe de Maomé, além de que Deus promete as coisas boas indispensáveis aos árabes, mulheres belas, jardins e sombras e frutas, mais a água. Mas também castigos, e o Bem e o Mal fazem parte desses dogmas.

O Dr. Salles põe-se com outras doutrinas dos filósofos materialistas e ateus, mas o certo é que, como a todas as pessoas impressionáveis e modestas nestas questões do saber, ele duvida, como todos. O certo é que o Deus que nós criámos – e só podia ser o Todo-Poderoso – não desaparece das nossas vidas. Eu sou ateu, graças a Deus, é o que se diz e nos põe sempre a salvo…

 

PELO TOQUE DA ALVORADA - 13

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

A BEM DA NAÇÃO,20.05.21

A PASSARADA DOGMÁTICA

 

Hoje, na parada, enquanto esperava pelo toque da alvorada, os primeiros vislumbres de luz e o chilrear da passarada fizeram conjunto de tal beleza que me lembrei de que tudo aquilo – menos a obra que está a meio no prédio ao lado – só pode ser resultado de decisão sublime, divina. Vai daí, lembrei-me dos argumentos ontológicos de Stº Anselmo, de Pascal e de Einstein, lembrei-me duma jovem que secretariava um Ministro e que do Ministério seguia para a Universidade Católica onde cursava Teologia e lembrei-me também daquele cavalheiro cujo nome esqueci que se formara em Roma na Universidade Gregoriana em Filosofia Dogmática. E foi assim que dei por mim a pensar em Karl Popper quando diz que a Teologia é necessária para quem não tem fé pois que, quem a tem, não precisa dessa ciência para nada. E quanto à Filosofia Dogmática, acho que são exercícios de explicação do inexplicável. Não sei, vou estudar e depois conto.

Tags: avulsos

 

COMENTÁRIOS:

Anónimo 20.05.2021: Excellent writing,,,A real pleasure!!!! El O'Sullivan

Francisco G. de Amorim 20.05.2021: Fico à espera que me conte!

 Anónimo 21.05.2021: Eu não tenho fé em deus, nunca fui dogmático, nunca tive certeza de nada, nunca tive paciência para a filosofia, só acredito no que vejo, oiço, cheiro, saboreio e toco, toda a vida me regalei com a leitura, com o desporto e com as maravilhas do génio HUMANO, ou seja com tudo o que os nossos 5 sentidos alcançam sem nunca me envolver em elucubrações explicativas do inexplicável, ou seja para mim as religiões são uma forma (ou diria fórmula ?) de exercer o poder, de subjugar, e origem da maior parte das chacinas e misérias, perseguições e torturas dos incautos e indefesos. Merda para as religiões merda para tentar explicar o inexplicável!! Gde abraço, Vasco van Zeller

 

Anónimo 21.05.2021: Eu não tenho fé em deus, nunca fui dogmático, nunca tive certeza de nada, nunca tive paciência para a filosofia, só acredito no que vejo, oiço, cheiro, saboreio e toco, toda a vida me regalei com a leitura, com o desporto e com as maravilhas do génio HUMANO, ou seja com tudo o que os nossos 5 sentidos alcançam sem nunca me envolver em elucubrações explicativas do inexplicável, ou seja para mim as religiões são uma forma (ou diria fórmula ?) de exercer o poder, de subjugar, e origem da maior parte das chacinas e misérias, perseguições e torturas dos incautos e indefesos. Merda para as religiões merda para tentar explicar o inexplicável!! Gde abraço, Vasco van Zeller

 Anónimo 21.05.2021: Antes de mais, esta crónica fez-me recuar aos tempos em que, como militar e ainda em idade bem jovem, fazia o serviço de "oficial de dia" nos quartéis. É que, por alturas da Primavera, costumava estar de pé ainda antes do "toque da alvorada" e dava comigo a observar as flores que vicejavam nos canteiros do aquartelamento. O chilrear dos pássaros oriundo das árvores em redor era, claro, nota integrante desse quadro de beleza, o verdadeiro clarim da alvorada. Estava numa idade em que o acordar bem cedo, ainda mais na Primavera, provocava-me um afluxo instantâneo de energias vitais, bem diferente de agora, em que o corpo precisa de um ritual prévio para se recompor e ajustar o biorritmo ao início do novo dia. Portanto, se a mente dispunha das melhores condições de ordem biológica para tentar lobrigar o inexplicável, propiciar toda a clarividência, era esse o momento apropriado. Sentia que nada daquilo que os meus sentidos apreendiam seria possível sem o esplendor de um qualquer mistério. Mas nunca esbocei o mínimo gesto para o tentar compreender ou decifrar. Continuo a recusar simplificações, como atribuir tudo a um qualquer deus e firmar ou simular uma fé interior para estar de bem com ele. E para em nome dele reger a minha conduta humana em função dos dogmas que os intermediários entre o céu e a terra proclamam em igrejas, mesquitas e outros templos, em alguns casos incitando ao ódio e perseguição contra os que sentem ou pensam de forma diferente. Incendiando corações em vez de os pacificar. De resto, sempre me intrigou essa questão da "fé religiosa", recusando que ela constitua, por si só, um atestado de bom comportamento espiritual, um salvo-conduto obtido gratuitamente para forjar um estado de alma imaginário para iludir a nossa ignorância. Assim, concordo com o Karl Popper e já sei que escuso de lhe perguntar o que é isso de "fé religiosa", porque para ele na teoria da ciência não sobra espaço para deus e religião.

Anónimo 22.05.2021: [LBonito texto de reflexão teológica e filosófica! Como disse Alguém que sabia da existência da Beleza: "É preciso ter "Olhos de Ver"....para a Ver...       Prakash Jaiantil


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