quarta-feira, 5 de maio de 2021

Mas não tenho a certeza


A propósito do Dia Mundial da Língua Portuguesa, quis dar-nos o Dr. Salles, um exemplo de escrita onde se interpenetram elementos de duas culturas – a portuguesa e a hindu – em poema recitado por Óscar de Noronha, certamente que também goês, poema da autoria de Adeodato Barreto, autor que eu desconhecia e que escutei, segundo o site fornecido por Salles da Fonseca: https://www.youtube.com/watch?v=62B4lm8E2Ew, no youtube: Poema “O FIM”,  além dos textos que procurei na Internet sobre o autor referido.

Não sei se o que levou o Dr Salles a escolher o dito poema, foi a analogia do título - que trata da morte de um filho, o qual tenta, em espírito consolar a mãe, (num discurso pleno de reminiscências de ternura infantil, juntamente com valores de um romanticismo envolto em outros de algum realismo, e mesmo panteísmo, sem grande dimensão, parece-me, no seu tom elegíaco) – tal escolha, repito, foi a analogia do título  - “O FIM” - com o estado moribundo da nossa própria língua, actualmente macaqueada, segundo um AO90 que a pretende matar, sem, todavia, o carinho demonstrado no dito poema de Adeodato Barreto. Com o Dr. Salles, nunca se sabe o que está por trás das referências, por isso alvitro a ironia contra a língua própria, num dia, paradoxalmente, a ela destinado, no mundo, o que duvido. Mas não, não tenho a certeza disso, porque o Dr. Salles é um arreigado patriota e orgulhoso defensor da expansão dessa tal nossa língua, que um AO mutilou …

DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA

 HENRIQUE SALLES DA FONSECA

A BEM DA NAÇÃO 05.05.21

https://www.youtube.com/watch?v=62B4lm8E2Ew

"O FIM" de Adeodato Barreto

dito por Óscar de Noronha  (Goa)

Tags: "língua portuguesa"Parte superior do formulário

NOTAS DA INTERNET:

1 - Adeodato Barreto: Vida e Obra

ADEODATO BARRETO – Goa (1905/1937). Poeta e escritor luso-goês nasceu em Margão, no antigo estado da Índia sob administração portuguesa, vindo a falecer em Coimbra. As suas obras contêm importantes arquétipos e paradigmas da cultura hindu. Nos seus poemas observam-se as noções de eterno retorno e de transmigração das almas, âncoras da filosofia indiana. A publicação póstuma do autor – “O Livro da Vida” – contém poemas cuja inspiração e temática foi encontrar no manancial riquíssimo da cultura Indiana, reflectindo a sua mente totalmente oriental. Foi ainda um republicano e adversário da ditadura de Salazar e um cidadão da sempre eterna e pungente Coimbra, lugar de todas as confluências e de todas as contestações.

2 - «AS DINÂMICAS CULTURAIS EM ADEODATO BARRETO»

 Patrícia Maia de Azevedo Carvalho Marmelada

RESUMO:  Este estudo centra-se em Adeodato Barreto, permitindo uma reflexão, a partir da abordagem da sua circunstância, sobre os quinhentos anos de permanência de Portugal em Goa, sobre as características do colonialismo português, da influência da Igreja Católica e da sua relação com o Hinduísmo, através das quais se procura perceber as peculiaridades da goanidade enquanto identidade goesa. As complexidades da sociedade goesa revelam-se na sua literatura, que evolui de uma fase em que os autores são nativos goeses criados em meio católico e português, centrada numa temática religiosa católica para, na transição do século XIX para o século XX, aparecerem autores laicos que se centram nos problemas reais da sociedade goesa. Nesta altura, surgem personalidades como Mahatma Gandhi, Rabindranath Tagore e Sarojini Naidu que perfilham as teses do indianismo e da Independência da Índia, preocupações que se reflectem também na sociedade goesa. É neste contexto que o estudo procura compreender a personalidade complexa de Adeodato Barreto, na sua matriz cristã e hindu, onde o Ocidente e o Oriente se interpenetram. Foi um importante cultor da literatura goesa em língua portuguesa, na poética e na ensaística, grande divulgador da civilização Hindu em Portugal, onde desenvolveu relações epistolares com Rabindranath Tagore, Romain Rolland e Sylvain Lévi, ao mesmo tempo que desenvolve, em Coimbra e em Aljustrel, um intenso trabalho social e humanitário. PALAVRAS-CHAVE: Literatura indo-portuguesa, Goa, identidade goesa, Hinduísmo, Cristianismo, Índia          ANEXO XXIII – Poema “O fim”

COMENTÁRIOS:

 Anónimo  05.05.2021: Henrique, Agradeço-lhe a iniciativa de divulgar a obra do nosso poeta Adeodato Barreto através do seu conceituado blog - A Bem da Nação. Toda a oportunidade para trazer ao conhecimento da comunidade lusófona, espalhada pelo mundo fora, as contribuições dos ilustres filhos de Goa, sobretudo do passado, nos é sempre grata. Muito obrigado pelo seu contributo. António Fonseca

 Anónimo  05.05.2021: Adeodato Barreto, nasceu em Margão, a 03 de Dezembro de
1905 e faleceu em Coimbra, a 06 de Agosto de 1937. No período em que exerceu funções de notário, em Aljustrel, ministrou aí, um curso nocturno grátis, a gente pobre. Esta actividade humanista e anti - fascista chamou a atenção da polícia política e, por isso, mais tarde, foi preterido, para desempenhar um cargo de notariado em Goa.
Mário Soares
, presidente eleito da República Portuguesa, acompanhado por sua esposa, dra Maria Barroso, em visita oficial á Índia (1990) prestaram, em Margão, uma singela homenagem ao escritor de Língua portuguesa e Língua concani, Adeodato Barreto. Lisboa, 03 de Novembro 2020. Álvaro Amorim Pinto.

 Henrique Salles da Fonseca  05.05.2021: Maravilhoso! Obrigada. Abraço. Benilde Tomaz Fonseca

 Henrique Salles da Fonseca  05.05.2021 : Que lindo! Não conhecia o poeta luso-goês. Pena ter morrido tão jovem. Obrigada pela partilha! Cumprimentos       Manuela Novais Santos

 Anónimo  06.05.2021:  O filho do Adeodato, Kalidasa morreu recentemente em Portugal. Era lider de qualquer Sindicato. Em Margão, mora um primo, na casa onde Adeodato nasceu. Tem uma Rua com o seu nome em Margão  José Maria Miranda

 Anónimo  06.05.2021 : Se não fossem os seus esforços, do Óscar Noronha e poucos outros, o dia Mundial passaria despercebido aos simpatizantes da língua portuguesa!!! Obrigada,  Dr. Sales por divulgar o poema. Conheci a família de Adeodato Barreto. Lília Maria de Sousa

Henrique Salles da Fonseca  06.05.2021: Gostei. Francisco Gomes de Amorim (Rio de Janeiro)

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