sexta-feira, 1 de maio de 2020

Desabafo



A opinião de JMT sobre a nova exigência de medição da temperatura dos trabalhadores sendo bem justificável por se tratar de medidas sanitárias necessárias é, para outros, demonstração de prepotência e arbitrariedade dos governos, na recolha de dados pessoais, o que nem todos aceitarão de boa mente, incluindo tal medida no universo lúgubre dos controladores do mundo, bem contrário ao que define o homem na sua responsabilidade existencial de ser livre, num universo concentracionário, embora. Mas eu gostei do seu texto, desempoeirado e simples, talvez simples demais para esses alguns que o condenam com maior ou menor saber ou acrimónia.
OPINIÃO CORONAVÍRUS: Querem o meu telemóvel? Podem ficar com ele
Se os dados do meu telemóvel servirem para me tirar de casa mais depressa, e me ajudarem a manter fora de casa durante mais tempo, então eles estão a ser, em primeiro lugar, úteis para a minha vida.
JOÃO MIGUEL TAVARES    PÚBLICO, 30 de Abril de 2020
Como boa parte das pessoas, também eu já consumi uma dose generosa de filmes sobre organizações maléficas que querem controlar o mundo, sou sensível a tentações totalitárias e li atentamente a minha edição do 1984. Ainda assim, compreendo mal os defensores da protecção absoluta da divulgação de dados pessoais, e o tique exasperante que os leva a sacar do revólver mal se começa a falar no tema, ainda que em contexto de pandemia.
É como se as democracias fossem sempre antecâmaras de futuras ditaduras e vivêssemos dentro de uma nova versão do velho poema de Brecht: “Primeiro, pediram-me para tirar a temperatura à porta da fábrica e eu deixei/ De seguida, pediram-me o telemóvel e eu entreguei/ Agora levaram-me a mim, e quando percebi já era tarde/ Não tinha maneira de telefonar a alguém.” Um bocadinho dramático, não?
Infelizmente, não é só dramático – é uma coisa que não resiste à lógica, por várias ordens de razões. Em primeiro lugar, por uma questão de proporção. Para o caso de os defensores radicais da privacidade dos dados não terem reparado, estamos todos enfiados em casa.
Os que recusam que se use a tecnologia de geolocalização para combater a covid-19 aceitaram (até porque não tinham outro remédio) confinar-se por ordem do governo – haverá coisa mais atentatória das liberdades individuais? Como é possível considerar, neste contexto (e cito a Comissão Nacional da Protecção de Dados), que é proibido medir a temperatura de um funcionário à entrada de uma fábrica, por se tratar de “dados sensíveis, reveladores de aspectos da vida privada do trabalhador”? O meu patrão saber que estou com 39 graus de febre é de alguma forma semelhante a “gosto que me batam com chibatas e me chamem Osvaldo”? Como? Onde?
Em segundo lugar, por uma questão de coerência. Estamos a colocar trancas numa porta arrombada. A parte da nossa privacidade que interessa às empresas (os hábitos de consumo) ou ao Estado (a informação fiscal) já está mais do que invadida. Com essa, vale a pena preocuparmo-nos. Com uma app direccionada para combater a covid e as devidas garantias de que os dados permanecem anónimos e serão destruídos ao fim de 15 dias, não vale.
Em terceiro lugar, há ainda a questão existencial. Alguém deveria explorar esta ideia (fica a sugestão para a sequela de 1984): “Big Brother is watching you – but he doesn’t give a damn.” Nós achamos sempre que o mundo está interessadíssimo na nossa existência particular, e que no último andar da torre mais alta da cidade está um homem sentado à frente de mil ecrãs a seguir os nossos passos. Lamento dar-vos a má notícia: estamos a atribuir a nós próprios uma importância que não temos.
A maior parte dos seres humanos é como as abelhas ou as formigas: circulam de forma disciplinada pelos mesmos lugares, praticam actividades banais e são todos assustadoramente parecidos uns com os outros. Nós sonhamos que os governos querem os nossos dados para controlar as coisas extremamente relevantes que fazemos, talvez porque gostássemos de fazer coisas extremamente relevantes.
Contudo, com excepção do Unabomber e poucos mais, as regras de sociabilidade são uma rede de controlo bem mais apertada do que a mais poderosa tecnologia. Se os dados do meu telemóvel servirem para me tirar de casa mais depressa, e me ajudarem a manter fora de casa durante mais tempo, então eles estão a ser, em primeiro lugar, úteis para a minha vida. É aproveitar. Dêem-me essa app, que eu instalo-a hoje mesmo.
Jornalista
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COMENTÁRIOS:
Janus INICIANTE: JMT a ser JMT, mais uma cheia de nada, um monte de banalidades. O tema é desinteressante e, além disso, não consegui ver um argumentozinho para rebater, se fosse caso disso. E isto é mau para a irrelevância do opinador. E também é mau para o jornal, pois desperdiçou um espaço precioso para fazer dinheiro em publicidade, que tanta falta faz em tempo de crise. Mas se calhar sou eu que estou a ver mal, paciência, fica pra próxima! Ele gosta de malhar e eu gosto de malhar nele, não sei explicar isto, já pensei em ir ao terapeuta, mas a clínica está fechada. Isto é o que se chama encher balões, está a perceber JMT? Ah! E as minhas desculpas a quem estiver a ler isto! 30.04.2020
_ EXPERIENTE: O JMT aborda o tema de forma sensacionalista e leviana, na minha opinião. E revela ignorância neste tema em particular. Mas não é um ignorante. Por exemplo, só um exemplo. Os dados recolhidos podem valer milhões quando vendidos. Está esta "app" e "tecnologia" que o JMT apregoa de forma livre desta possibilidade. Ou pura e simplesmente o mundo é linear e batemos palmas quando vendem os nossos dados com um falso propósito, por exemplo esta pandemia? É isto JMT. Somos desempoeirados e descomplexados mas estas questões depois existem e são chatas. Desculpa. 30.04.2020
Luís Miguel MODERADOR: O que é um telemóvel? 30.04.2020
Novo Humbo MODERADOR:  É um fenómeno que não consigo explicar, a tal recusa “tout court” de usar tecnologias para este tipo de soluções (…que não, repare-se, a oposição a procedimentos e soluções específicas que, de forma curial, devem ser sempre sujeitas ao devido escrutínio…). As pessoas partilham voluntária e alegremente todo o tipo de dados pessoais com multinacionais, para benefício das próprias e, por consequência e quando assim secretamente acordado, com os serviços de informações dos países onde essas multinacionais têm sede mas recusam-se a fazê-lo num âmbito nacional, para benefício directo da sociedade em que se inserem. É uma relação com as tecnologias de informação que mais parece uma surreal inversão da expressão inglesa, “Have your cake and eat it too”. 30.04.2020
José Miguel Lima da Cunha e Costa INICIANTE: Haja lucidez. 30.04.2020
jose antunes INICIANTE Vamos a um cenário: Daqui a uns meses descobre-se que a Covid-19 não é inóqua para quase todos e deixa sequelas; ou que se torna uma doença crónica incapacitante. Tudo isto é ainda possível. E, azar dos azares, os dados da tal app caem no domínio público, ou porque são pirateados ou porque alguém não respeitou a custódia dos dados. A partir daqui, nada impede que uma companhia de seguros se recuse a fazer um seguro de saúde a uma dada pessoa (ou a alguém da sua família, dado que a doença é contagiosa) sem ter que alegar nada em concreto. Ou até pode alegar, porque essa pessoa terá que colocar uma cruz a dizer que não teve Covid-19, sob pena do seguro não ser válido. Claro que alguns já andam muito contentes a pôr no facebook que estiveram doentes. Fazem mal. No meu telemóvel? Não, obrigado 30.04.2020
AM EXPERIENTE: Todas as questões que levanta são pertinentes e, a principal de todas, a custódia dos dados. Quem partilha inocentemente, com familiares e "conhecidos" o seu estado de (ex-)infectado talvez venha a lamentar amargamente tê-lo feito - esse, afinal, nem se pode queixar de intrusão. Para os restantes ficará sempre um registo que por vias mais ou menos ilegais/ilegítimas chegará ao conhecimento de seguradoras (e outros interessados) que até estão integradas em grupos detentores de hospitais privados e laboratórios de análises e que acabam por ter acesso a dados que não lhes dizem directamente respeito... dou-lhe total razão, facilitar-lhes (ainda mais) a vida dando-lhes via verde para acesso e tratamento dos meus dados residentes nos meus dispositivos pessoais, não, obrigado! 30.04.2020
Luis Rocha INICIANTE: 1) Isso tudo poderia já acontecer com as suas transações de multibanco, o cartão continente ou farmácia (comprou aspirina eantitussicos em Março!), o que está registado no NIF, na sua clinica ou hospital prvado, etc, etc. 2) Por isso os governos fazem leis que não permitem às seguradoras discriminar por isto ou aquilo; COVID seria uma se fosse o caso da sua hipótese. Entretanto, na Coreia do Sul e no Taiwan com esta tecnologia morrem 100x menos pessoas por cana milhão de habitantes.... 30.04.2020
MODERADOR: Vejo neste fórum muitos iniciantes com enorme potencial de enriquecer as ideias aqui discutidas. Sim,  indiscutivelmente. Muito bons! 30.04.2020  
angelomiguelster INICIANTE: Eu acho que o JMT está farto é de estar em casa e já dá tudo e mais alguma coisa para sair do "cativeiro"
julio amado INICIANTE: A questão circula por aí. Parece-me um artigo bem escrito na defesa de uma posição, com a qual não concordo. 30.04.2020
Ceratioidei EXPERIENTE: Sinceramente, não percebo em que é que o controlo através do telemóvel pode prevenir o covid-19 ou outra doença qualquer. Tenho alergia a pólen, as flores das árvores e os fenos dão-me dor de cabeça, nas narinas, fico com cara de tomate maduro e cansada, às vezes tenho febre. De resto renovo as vacinas regularmente. O controlo externo serve para quê? O meu médico é a única pessoa em quem confio, é ele quem me protege e para isso não usa o telemóvel. Saudações ao big Brother, que fique bem longe e vá controlar o raio que o parta. Tenho dito. 30.04.2020
alexandre INICIANTE: Teria sido possível organizar um 25 de Abril se em 74 o estado tivesse informação sobre a localização de toda a gente? A questão da privacidade não é não nos fazer diferença agora abdicar dela, é se no dia em que precisarmos não a tivermos. 30.04.2020
_EXPERIENTE: Muito, muito, muito, muito bem colocado. Obrigado. 30.04.2020
publico1234567 INICIANTE: E deixas divulgar (às seguradoras) o teu boletim de saúde? 30.04.2020
Joao Silva.904557INICIANTE: Tenho acompanhado a carreira do JMT e gostava do seu estilo e de dizer o óbvio de forma livre, bem escrita e por vezes ingénua. Esse espírito liberal faz falta no nosso País. Aos poucos tem vindo a afastar se desse registo simples e descomprometido. Tornou-se crescentemente persecutório e ofendido. E este artigo causa-me muita tristeza porque é como um corolário desse afastamento da sua originalidade e liberdade iniciais. A frase “ estamos a atribuir a nós próprios uma importância que não temos. A maior parte dos seres humanos é como as abelhas ou as formigas...” é a antítese de um espírito liberal e do respeito da dignidade humana... enfim espero que regresse o velho-novo JMT após esta crise. 30.04.2020
Caetano Brandão INFLUENTE: JMT tem toda a razão na minha opinião. Estou farto de dizer aqui que a privacidade é e vai ser cada vez mais um mito: estamos a entrar definitivamente na era da inteligência artificial e só não percebe isto quem anda a dormir ou a sonhar com o passado. A meu ver a perda da privacidade traz genericamente muitos mais benefícios que prejuízos.
GMA INICIANTE: Fiquem com o dono e deixem o telemóvel!  
Carlos Cunha INICIANTE: Caro JMT, não basta ter telemóvel, tem que ser um smartphone com contrato com uma operadora que permita a utilização de dados móveis e terá obviamente que carregar a app. Nem toda gente "cumpre" estes requisitos. Só falta passarem a ser de obrigação universal, ou promovam discriminação social.
Mario Coimbra EXPERIENTE: Caro JMT, tenho muitos mixed feelings e pouca confiança nos sistemas de segurança informáticos. Portanto, como é opcional e se alguém quiser aderir, força. Eu só mesmo obrigado e se a situação estiver numa catástrofe tal que não há outra opção. 30.04.2020
Gil Paulo INICIANTE: Lamentos: percebo muito mal a atribuição de ‘títulos’ a comentadores. Pasmam-me os “moderadores’, entre os comentadores, aqui no Público e noutras publicações. Estão nos extremos, salvo raras excepções, para manter a memória da perseguição, repressão, violência, não permitindo a zona cinzenta, e debitando a ‘morte’, ‘chibatada’, ‘clausura’, ‘ostracização’, ‘silenciamento’, etc. dos mensageiros, sem se esforçarem para atacar-lhes as ideias. O cérebro tem mais trabalho a processar o cinzento, do que o preto e branco. Estar nos extremos é fácil. Ser cinzentão é difícil, porque obriga a compreender (aceitar ou não, é outra questão) todos os quadrantes. Senhores ‘moderadores’, pensem, pensem muito. O jornal e o espaço de comentários, não são vossos – são de todos! Obrigado. 30.04.2020
Mario Coimbra EXPERIENTE: Concordo e assino por baixo e tenho-me queixado do mesmo.30.04.2020
OldVic1 MODERADOR: A categoria de moderador é atingida pela acumulação de pontos resultantes de coisas como a publicação de comentários e a aprovação de comentários de outros leitores. Se continuar a publicar aqui verá a sua categoria a evoluir gradualmente, e poderá assim chegar a moderador, a seu tempo. 30.04.2020
o gaivotas INICIANTE: a avaliar por alguns dos comentários, parece que a maralha ainda não percebeu bem que estamos em guerra!! Quando as coisas melhorarem, se melhorarem, pode sempre desinstalar a app, e ir a correr para o feicebuque postar fotos das férias e das refeições nos restaurantes, etc viva a privacidade!
Eduardo Guevara.885833 INICIANTE: Em guerra? Metade dos soldados passeia-se nos calçadões da Póvoa de Varzim, nos parques desportivos onde nunca tinham estado, nas praias, em Tróia e um pouco por toda a parte enquanto que a outra metade luta? Qual foi o General que assinou a dispensa dos ignorantes? É uma guerra que só traz prejuízos a quem tem dois dedos de testa. Queria eu ser como o gato do Fernando Pessoa e a guerra acabava hoje, não sendo, prefiro deixar a minha privacidade intacta. Instalem obrigatoriamente a aplicação a todos quanto forem apanhados sem motivo pelas ruas. 30.04.2020
Tiago Vasconcelos INICIANTE: Eduardo, durante uma guerra também há tontos que se passeiam despreocupamente ao ar livre durante os bombardeamentos... 30.04.2020
Degui INICIANTE … velho poema de Brecht: “Primeiro, pediram-me para tirar a temperatura à porta da fábrica e eu deixei…" Não sei se o JMT se refere ao “poema” “First they came for the socialists, and I did not speak out—because I was not a socialist …" que, na verdade, é atribuído ao pastor germânico Martin Niemoller.
Magritte EXPERIENTE: Mais uma pérola da polémiquice. O Público não se põe a pau, e com opinião deste calibre vai perder leitores. Olhem para o Expresso e quem lá escreve, acham que estão ao mesmo nível? Olha que não... 30.04.2020
Tiago Vasconcelos INICIANTE: A maioria dos que escrevem no Expresso não tem metade da sagacidade e sentido de oportunidade que JMT tem. (Nota: republicação de comentário censurado por um esquerdista autoritário; os abusos de moderação neste jornal prosseguem impunes) 30.04.2020
luis azevedo INICIANTE: Caro João Miguel Tavares, faça favor. Partilhe o que lhe apetecer. Daí a querer que os outros vai uma distância. O ponto é que os estados são dados a abusos. Basta ver o que se está a passar agora com a passagem do Estado de Emergência para outra coisa qualquer, a que chamam Estado de Calamidade, que é uma figura que nem sequer existe. O Estado de Emergência era tão grave tão grave, que teve de ser pedido pelo PR, e aprovado pelo Governo e pela AR. A situação de Calamidade, Segundo o governo dá os mesmos poderes, e pode ser DECRETADA pelo governo. É sempre devagarinho que as coisas começam… Hoje é para controlar a COVIDE, amanhã poder ser para controlar se sai de casa, se vai votar, se excede os limites de velocidade.
OldVic1 MODERADOR Tenho em casa alguns telemóveis "burros", dos que só podem ser localizados por triangulação das antenas por mandado judicial, prontos a serem reactivados se necessário; e em caso de necessidade, até posso perfeitamente desligar tudo e viver sem telefone móvel. Tenho apenas que estar atento aos desenvolvimentos desta questão, e acho que é o que todos devemos fazer, a bem da liberdade individual.
Gustavo Garcia MODERADOR: Se for opcional, tudo bem. Cada um abdica do que quer em troca da ilusão de segurança... Desde que mantenham algum controlo dos imbecis que não respeitam o distanciamento, dos idiotas que podendo trabalhar em casa insistem em sair e dos palermas que acham que o dinheiro que dão a ganhar aos outros é mais importante que a sua vida e a de outros, tudo bem. O importante é não usar uma ferramenta deste género para o laxismo que, mesmo com estados de emergência, ainda se foi testemunhando por aí. Não se esqueçam que a segunda vaga vem aí e, se relaxarmos demasiado, se confiarmos que uma app nos manterá seguros (impossível), então será muito, muito pior do que já foi. Já agora, por que raio precisa JMT de sair de casa? O seu trabalho é daqueles que nem o obriga a sair da cama... 30.04.2020
jmtavares EXPERIENTE: Caro Gustavo, você sabe qual é o meu trabalho? A minha vida não é só escrever aqui no Público, por mais estranho que isso lhe possa parecer. 30.04.2020
Luis Rocha INICIANTE: Muito bem, finalmente alguém diz o necessário sobre a questão da privacidade e o rastreamento digital. Além disto, seria bom que se lembrassem do que são legalmente "Doenças de Notificação Obrigatória." Enquanto aqui se discute se a temperatura de um trabalhador pode ser medida à entrada do emprego, Taiwan, Hong Kong, Coreia do Sul e outros continuam a sua vida (e economia) fora de casa com uma mortalidade mais de 100 vezes menor que a nossa (e mais de 1000 vezes menor que a de Nova Iorque). 30.04.2020
jcmimar INICIANTE: Algumas diferenças de opinião à parte, sobretudo em questões de detalhe, o que é normal, parece-me que a crónica, no essencial, desdramatiza razoavelmente bem a questão. Estamos numa situação diferente e coisas diferentes tratam-se de maneira diferente. Tentações autocráticas ocultas nesta medida? Não parece. É bom não esquecer que caso emergisse um regime autocrático, dos verdadeiros, não dos imaginários, medidas deste tipo seriam implementadas, juntamente com a instalação de câmaras para reconhecimento facial biométrico (há excelentes softwares), não ia ser pedida licença para tal, e os "bons dos cidadãos" iriam queixar-se em casa, em voz baixinha (por causa das paredes), ou então partiam para o exílio, caso pudessem. Andam realmente a ver-se muitos filmes "big brotherianos". Enfim... 30.04.2020
Tiago EXPERIENTE: "(...) medidas deste tipo seriam implementadas, juntamente com a instalação de câmaras para reconhecimento facial biométrico (há excelentes softwares), não ia ser pedida licença para tal (...)" A implementação deste tipo de câmaras foi anunciada pela MET Police em Londres, no início deste ano...  p.s. e não foi "pedida licença para tal"... Just sayin', like it or not. 30.04.2020
Oscar Veloso.371832 INICIANTE. Estranha abordagem de trade off entre direitos individuais. Ou fico em casa ou cedo a minha geolocalização. Que tal nenhuma das duas? E quanto a ninguém querer saber da nossa vida, os dados que as finanças são um bom exemplo da forma como são indevidamente utilizados, quer pelas próprias finanças, quer por outras autoridades públicas. 30.04.2020
Tiago EXPERIENTE: Fossem todos os meus problemas apenas "ser vigiado" e muito bem estaria eu. Mas não, o mais difícil é abstrair-me desta constante sensação de trabalhar e trabalhar para construir castelos de areia à beira do mar e de ter e ver entes queridos terem um 'x' marcado na pele, marcados para abate... Com todos os seus defeitos, a minha mãe, servidora pública hoje reformada com 75 anos, que independentemente das suas visões políticas sempre serviu com igual empenho e dedicação a todos aqueles que a presidiram, não o merecia. E menos ainda a sua prima direita, cujo filho se dedicou à política e desejava acima de tudo servir com ética a sua terra e gente, que não merecia o ver ser enterrado. Deram-lhe em troca o nome a uma rua (!), rua hoje vazia, numa vila mais pobre onde caminha uma mãe desolada. 30.04.2020
António Marques EXPERIENTE: Finalmente uma crónica de JMT que não é piegas. O confinamento liberta.
MODERADOR: Antes a responsabilização individual e o e-learning colectivo onde se insere o policiamento das regras. Como não acredita prefere uma operacionalização do tipo "quanto pior melhor" à sombra do politicamente correcto. Na verdade o admirável mundo novo basear-se-á no laboratório social da ditadura comunista capitalista chinesa. 30.04.2020
Mario Coimbra EXPERIENTE: Nem acredito. Concordo consigo hoje. O JMT consegue milagres.
Fugo EXPERIENTE: Cá eu, um perfeito anónimo, entre milhões deles, com os mesmos hábitos, estou-me nas tintas para as geolocalizações. Digam-me qual é a app que eu instalo-a neste instante mesmo. Os meus colegas, amigos e familiares são muitíssimo mais intrusivos que qualquer app. 30.04.2020
antoniofialho1 INICIANTE: Uma das principais ferramentas que os países que controlaram melhor a epidemia, nomeadamente a China, Singapura, usaram essas tecnologias de controle através do telemóvel. Em Portugal a maioria dos cidadãos vai colaborar na forma mais eficaz de combater a propagação, o comportamento preventivo de cada um. O problema são aqueles que nada percebem do que é viver em sociedade, o que é a cidadania. As nossas crianças desde cedo são educadas nos valores da vida em sociedade e assumem esses deveres. Mas quem não nasceu cá, ou é educado com outros valores, não se pode esperar que cumpra esses deveres. Observem onde proliferam os focos desta pandemia neste momento. Por exemplo, Como esperar que refugiados que não foram aqui criados assumam os deveres como cidadãos e cumpram as regras ? 30.04.2020
Taxon INICIANTE: Grande argumentação. Tem toda a razão, de facto nas imagens passadas nas tv's, em plena crise e que todos pudemos ver, dos passeios na Póvoa, o que se viam mais eram refugiados e sua prole. Aliás, a boçalidade é um exclusivo dos estrangeiros.
Domnall Mór Ua Briain MODERADOR Certamente, para defender o que escreve, esquecer-se que está em prisão domiciliária "à la carte" um tal de Ricardo Salgado. Se o dito arguido anda por onde quer e lhe apetece, porque é que os portugueses que nunca foram constituídos arguidos ou condenados a prisão domiciliária têm que ser vigiados e controlados? Se o colunista me explicar o ratio entre o prejuízo causado pelo Covid-19 e o prejuízo causado por Ricardo Salgado pode ser que aceite ser "vigiado". 30.04.2020
Mario Coimbra EXPERIENTE Caro.... não compare. Os prejuizos do Covid fazem RSalgado parecer menino de coro       jcmimar INICIANTE Misturam-se aqui alhos com bugalhos. 30.04.2020

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